sábado, 30 de maio de 2020

Você pode morar na casa de Mildred Pierce!

 É verdade! A casa cuja fachada serviu ao filme Alma em Suplício (Mildred Pierce, 1945 de Michael Curtiz) como a casa da protagonista está disponível para locação.

Pela bagatela de $3,320 ao mês (dá até medo de converter isso ao Real hoje em dia, né?) você pode fazer suas próprias tortas de frango (de jaca no caso de não perder os clientes vegs) e o principal: educar suas próprias pimpolhas tal e qual a batalhadora Mildred Pierce. A casa fica em Glendale, cidade aprazível do Estado da Califórnia.
Toda reformada, são 3 dormitórios, 2 banheiros e lareira a gás. Ei, e também não vamos esquecer do famoso furo do filme que deu o Oscar a Joan Crawford.

 O exterior revela que a residência dos Pierce não tem segundo andar, ao contrário dos interiores onde um segundo andar aparece o tempo todo. As partes internas foram filmadas em estúdio, Crawford aparece em frente à casa uma única vez.
 Há pelo menos uma grande cena envolvendo as escadas que levam ao falso segundo andar. Pelo menos você jamais será esbofeteada numa escadaria deste imóvel (glamour tem limites, né?).

A coisa mais incrível a ser observada comparando o que vemos no filme de 1945 com a atualidade é o tamanho colossal que a palmeira alcançou! Além, claro, de como está bem conservada após todos esses anos.
E não por ter sido cenário de filme (coisa que a página para locação nem sita). Lembre-se que a mansão de Norma Desmond de Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950 de Billy Wilder) foi derrubada ainda na década de 50.

Dando um giro pela vizinhança via StreetView o resto da rua também continua bem parecido a como estava na década de 40. A calçada que Vida e Key andaram continua lá!


Um mimo para quem deseja uma pacata vida suburbana. Dá até pra nos imaginar ganhando o primeiro milhão cheirando a gordura...


quinta-feira, 28 de maio de 2020

Distribuidora que trouxe Hammer, Argento e Bava ao DVD completa 20 anos!

E no princípio eram as trevas. Assim na tela como nas lojas, no alvorecer das coleções de DVDS encontrávamos o óbvio.

Ali entre 1999 e 2000 surgiu o selo London/Darkside. Do nada passaram a ser disponíveis no Brasil os velhos clássicos da Hammer, cinema italiano 70’s e mais um monte de coisa que antes eram apenas sonho em notas de livros sobre cinema.

Hoje, após 20 anos, com tantas distribuidoras ciscando nessa área, downloads e Youtube parece difícil imaginar o quanto já estivemos restritos. Já deve ter quase uma geração que desconhece o que foi aquele tempo do bum do DVD no Brasil.

A London/Darksideainda se distinguia, além da ótima qualidade, de preços bons e uma absurda distribuição onipresente em quase toda parte que se fosse. Bancas de revista, lojas de móveis, hipermercados, biboquinha  de beira de estrada: podíamos voltar pra casa com um Drácula com Christopher Lee a qualquer momento.

O tempo das vacas gordas da mídia física no Brasil. Uma saudade! Hoje títulos semelhantes saem juntos a outros três em infinitas coleções, que, francamente, não são a forma que merecem.

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terça-feira, 26 de maio de 2020

Artista afro americana disse verdades e pagou alto preço por fazer Primeira Dama chorar

Eartha Kitt, uma das mais festejadas artistas populares dos EUA provou o amargo viés de se posicionar contra a política de seu país. Levaria anos para se reerguer e sucumbir a mais vergonhosa campanha difamatória da CIA.

Em 1968 Kitt já havia sido até a Mulher Gato na série Batman da TV, seu nome foi literalmente uma escolha obvia ao papel para substituir Julie Newmar. Era uma artista de renome internacional, tendo vindo se apresentar inclusive no Brasil algumas vezes.

Foi quando ela foi convidada a almoçar na Casa Branca com o presidente Lyndon B. Johnson junto a outras senhoras da sociedade dispostas a discutir sobre plantio de arvores para embelezar as ruas. A primeira dama Lady Bird Johnson perguntou-lhe o que achava da Guerra do Vietnã e Eartha Kitt não se fez de rogada: "Vocês enviam o melhor deste país para ser baleado e mutilado. Não é de admirar que as crianças se rebelem e usem maconha".
Com a Primeira Dama dos EUA em janeiro de 1968
A sobremesa do almoço foi torta de climão! Durante a sessão de perguntas e respostas a artista foi mais além: “Os filhos da América não estão se rebelando sem motivo. Eles não são hippies à toa. Não temos o que temos na Sunset Blvd. sem razão. Eles estão se rebelando contra alguma coisa. Há tantas coisas queimando as pessoas deste país, principalmente as mães. Elas acham que vão criar filhos - e eu sei como é, e você também porque tem seus próprios filhos, Sra. Johnson - nós criamos filhos e os enviamos para a guerra.”.

As palavras diretas fizeram a Primeira Dama chorar publicamente. Houve um seco silêncio no lugar, ninguém aplaudiu, imediatamente a imprensa presente correu mudar de assunto para escapar do óbvio: "uma atriz afro-americana havia atacado verbalmente os Johnsons na Casa Branca" conforme relembrou o Times.

Na saída do evento não tinha nenhum carro a esperando para levá-la ao hotel. Logo sua carreira seria desfeita, contratos desfeitos, shows cancelados, sem aparições na TV, ficou décadas sem gravar outro disco.

Eartha Kitt como a Mulher Gato na série Batman
Do dia pra noite se tornou aos olhos públicos uma péssima pessoa. Uma uma mulher negra, sexualizada e separada não deveria interessar a ninguém segundo o interesse da classe dominante de seu país.

Em 1975, sete anos depois, um jornalista do The New York Times descobriu que o nome dela tinha ido parar na Lista Negra da CIA. Os agentes do governo fizeram um dossiê difamatório e falso a declarando ninfomaníaca com informações negativas que se estendiam a seus familiares.

Kitt se refugiou no mercado europeu e asiático onde continuou sendo amada. Voltaria triunfante ao show business norte americano apenas em 1978, no espetáculo da Broadway Timbuktu!.
A montagem adaptava a história do espetáculo Kismet à África do século XXIII, no império Mali. Simplesmente majestosa, Eartha Kitt foi indicada ao Tony de melhor atriz!

O regresso ao disco aconteceria apenas em 1984, 16 anos após o ocorrido na Casa Branca. "Where Is My Man" levou a estrela as pistas de dança e lhe rendeu seu primeiro Disco de Ouro certificado da carreira.

A música que dava nome ao disco alcançou a sétima posição no Top Ten da Bilboard dos EUA. Um novo público jovem e gay a abraçou e ela retribuiu muitas vezes revertendo bilheterias para organizações que lutavam contra AIDS/HIV, quando autoridades ignoravam a epidemia em seu auge.
Kitt sempre foi militante de causas sociais desde os anos 50. Fundou a Kittsville Youth Foundation em 1966, ONG para suporte a jovens carentes e se juntou a alguns grupos em situação de risco.

Quando o jornal descobriu o documento da CIA contra ela, autorizou a publicação dizendo que "Não tenho nada a temer e não tenho nada a esconder". Mais tarde se tornou uma voz operante a favor de direitos LGBT, como o casamento civil.

Perguntada anos depois sobre o almoço que criou um hiato gigantesco em sua trajetória artística foi novamente clara: “O que dói, que se tornou raiva, foi quando percebi que, se você diz a verdade - em um país que diz que você tem o direito de dizer a verdade - você leva um tapa no rosto e fica sem emprego”.

Eartha Kitt faleceu em 2008, aos 81 anos de idade. Fabulosa com uma grande Fenix que soube sobreviver apesar deles.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Boris Karloff com toda pompa que merece

Se Boris Karloff teve uma vida artística bem mais proveitosa que Bela Lugosi, com o passar do tempo, no alvorecer do home vídeo, o lançamento dos trabalhos de Lugosi deram de braçada nos de Karloff. Até por Lugosi, o mais famoso Drácula, ter feito filmes em estúdios pequenos cujas produções entraram logo em domínio público.

Dito isso, este box do Boris Karloff lançado pela Obras-Primas é muito bem vindo. A belíssima embalagem contém 4 filmes, a maioria britânicos e alguns extras interessantes.

Entre os títulos, o precioso The Ghoul, rebatizado de o Zumbi, o retorno de Karloff ao cinema de sua terra natal que por gerações foi considerado perdido e depois passou a circular em cópias bem ruinzinhas. Aqui está tinindo de novo!

Veja todos os detalhes no vídeo. Não se esqueça de deixar o seu like e de se inscrever no canal!

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Eliana Macedo e Adelaide Chiozzo: do beijinho doce ao buraquinho do sabiá

Das duplas que o cinema consagrou, a feita por Eliana Macedo e Adelaide Chiozzo é a mais brejeira e também a menos lembrada, mesmo tendo sido multimídia bem antes dessa palavra ser inventada. Elas se juntaram em Carnaval de Fogo (1949), mas a química explodiria em Aviso Aos Navegantes (1950, ambos de Watson Macedo).

Nesta produção da Atlântida o filme dividiram a tela com outra dupla memorável do cinema brasileiro: Oscarito e Grande Otelo. Ainda assim, ficou evidente que a parceria delas funcionou como poucas.

Eliana era sobrinha do diretor Watson Macedo e se firmava como atriz. Cantar e dançar nos números musicais em produções da Atlântida era um caminho inevitável e talvez sem o apoio de Chiozzo, a nossa Jane Russell não tivesse sido feliz logo de cara.
Entre os números de Aviso Aos Navegantes estava Beijinho Doce, canção que havia ficado muito popular cinco anos antes, na voz das Irmãs Castro. Segundo o pesquisador Hernani Heffner, o público do cinema ia a loucura, até pedindo pro projecionista voltar a fita e passar de novo.

Voltariam a trabalhar juntas logo no ano seguinte em Aí Vem O Barão (1951, também de Walter Macedo). Mas a fama se estenderia para os palcos de norte a sul do país, quando saíram excursionando após Adelaide dar algumas dicas para Eliana fazer a primeira voz.

Foi exatamente aí que Eliana conheceu seu marido, o radialista Renato Murci, da Radio Nacional. Murci entrou em contato com Adelaide (contratada da importante rádio) para ela fazer parte da caravana dele e pediu para estender o convite à moça que fez dupla em Aviso Aos Navegantes.

Os pais de Eliana só a deixaram viajar se a mãe ou algum familiar da Adelaide fosse junto e assim foi! O violonista da caravana foi Carlos Mattos, um novato que havia se apresentado no programa de Murci.

A caravana deve ter sido bem boa! Eliana causou buchicho ao se casar com Renato Murci, 27 anos mais velho e Adelaide com Carlos Mattos, uniões que foram até que a morte os separasse!

Não há história de rivalidade entre elas. “A Eliana pra mim foi uma irmã de coração, até hoje a mais bela estrela que apareceu no cinema nacional”, disse Chiozzo décadas depois relembrando que tralhavam juntas e voltavam pra casa fazendo companhia uma a outra no transporte público.

Estranhamente, poucos discos da dupla sobreviveu a estes tempos de internet. Existem alguns 78rpm à venda no Mercado Livre daquela época mesmo, parece que não houveram relançamentos ou digitalização para o CD.

Todo o estilo de fazer cinema popular que a Atlântida fazia, chamado de Chanchada rui com a chegada do Cinema Novo nos anos 60. Seu star system aos moldes hollywoodiano ruiu junto levando nomes como Eliana Macedo e Adelaide Chirozzo e tantos outros ao ostracismo.

A dupla retornaria a se encontrar em grande estilo em novela Feijão Maravilha, novela escrita por Bráulio Pedroso produzida pela TV Globo em 1979. Com direito a número musical, mas agora em ritmo de discoteque.

Feijão Maravilha resgatou muitos atores e plots típicos da Atlântida. Foi através de uma reprise no Vale A Pena Ver de Novo que tive o primeiro contato com o cinema brasileiro dos anos 50 e claro, nas novelas do Silvio de Abreu.

Veja também:
Eliana Macedo: Assim são ex-estrelas brasileiras
Croquis dos figurinos revelam o que clássico das chanchadas poderia ter sido
Irmãs Castro: doce sabor da roça

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Sobrevivendo à quarentena

Momento sarna pra me coçar nesse momento de ficar em casa. Já te aconteceu de comentar a vontade de algo e depois, por “mágica” passa a ser bombardeado com anúncios daquilo nas redes sociais?

Comigo foi sobre puzzle, ou quebra cabeça. Mais de um mês com anúncio frequentando meu feed. E agora eu cedi! Salve Nossa Senhora do Capitalismo nesse tempos pandêmicos, não é mesmo?!

Bem vloguinho, o vídeo desta semana converso sobre esses dias que parecem todos iguais enquanto aguardo a entrega do quebra cabeça. E claro, as primeiras impressões do Puzzle 1000 peças (acho que fiz a pior escolha de imagem possível!!!),

Já se passou pouco mais de um dia desde que o vídeo foi gravado. Tenho que registrar que além da dificuldade aparente conforme você vê no vídeo, está sendo um ótimo passatempo aqui em casa.

Esquecemos do mundo enquanto tentamos montar. Não é a coisa mais divertida do mundo, mas também não pensei que seria tão desestressante!

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segunda-feira, 18 de maio de 2020

Primeira vez de Jaspion e Changemans em quadrinhos foi na Ebal

E dava pra algo fazer um tremendo sucesso na TV dos anos 80 sem ir parar nas bancas, em formato de quadrinhos? Com os heróis da Everest Vídeo não seria diferente.

Logo no começo de 1989 apareceram em uma revistinha pela saudosa editora Ebal. Um mesmo título para as duas séries, porque ainda era bem o inicio.

Lembrando que coube a Editora Bloch fazer a fotonovela de O Fantástico Jaspion. Na Ebal ele junto ao Esquadrão Relâmpago Changeman foram em desenho mesmo.

E como todo projeto a toque de caixa não era lá uma maravilha, como você confere neste vídeo. De qualquer jeito, um gibi desses evoca nostalgia.

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quinta-feira, 14 de maio de 2020

Teste de memória: Músicas de filmes de terror

E, como dá pra perceber, o que menos faltam são ideias pra ficar em casa sem muito tédio! Neste vídeo o Marco Nunes voltou para testar nossas memórias sobre cinema de terror.

Aliás, cinema de terror e de suas trilhas sonoras. Algumas tão marcantes e outras nem tanto assim.

O joguinho é bem simples, cada um fez uma playlist e na dúvida dá três dicas sobre qual filme. Mas somente terror, fantasia e coisas do tipo.

A pontuação está doida! Durante a gravação cada hora falávamos uma coisa, mas na edição deixei certinho.

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terça-feira, 12 de maio de 2020

Segredos e arte na abertura de A Casa das Flores

 Existem séries que sobrevivem a muitas temporadas sem jamais trocar a abertura. A Casa das Flores (La casa de las flores), produção mexicana da Netflix, já sobreviveu a três sem nunca repetir seus créditos.
Isso por que, o programa do shorunner Manolo Caro, desavergonhadamente kitsh, usa na primeira temporada (de 2018) a imagem animada de uma "tela a óleo", que depois é relevante dentro da trama. Vemos no quadro os membros da família la Mora em situações estranhas numa animação rudimentar.
Primeira temporada 2018
Após essa primeira, houveram outras duas mantendo o mesmo estilo da arte, mas com os personagens retratados em outras situações além do acréscimos de não pertencentes à família central. E aí está o diferencial da abertura brincar com as nossas expectativas sobre o que ocorrerá aos personagens naquela temporada observando os detalhes.
Segunda temporada 2019
Terceira temporada 2020
Por traz deste trabalho premiado não se encontra o nome de uma artista plástico, mas de uma criativa design bastante conhecida no México: Maribel Martínez. Por 15 anos ela foi uma espécie de Hans Donner da emissora Televisa quando resolveu criar sua própria agência especializada em títulos (aberturas) de filmes e séries.

Diecinueve36 (As coordenadas geográficas da Cidade do México, 19+36), a empresa de Martinez, foi fundada em 2012 e se orgulha do trabalho artesanal. Para cada cliente ela contrata profissionais freelancers que emprestarão seu estilo único a cada trabalho.
Maribel Martínez criadora da agência Diecinueve36  
Em entrevista ao site Milenio, Maribel explica que no seu país são produzidos cerca de 100 filmes por ano e ela atende por volta de 15% do mercado. A mecânica da abertura da série da Netflix, que se relaciona com a trama daquela temporada, é facilitada pelo jeito que a agência trabalha, iniciando os projetos assim que o cliente entrega o material pronto.

A abertura de A Casa das Flores contou com sete profissionais. Diretor criativo e animação principal de Jorge Enríquez, Animação 2D de Eduardo Olvera, texturas e shades de Renata Galindo, animação 3D de Sofía Cázares e Marco Mier, fotografia de Arturo Maya além da direção geral da própria Maribel Martinez.


Isso sem contar com o compositor Yamil Rezc cujo currículo conta com a trilha incidental de 007 Contra Spectre (Spectre, 2015 de Sam Mendes). A música tema foi a única coisa que se manteve inalterada pelos três anos de A Casa das Flores.

Veja também:
Angélica teve a pior abertura que um programa infantil poderia ter
Figurante acidental mais famosa do mundo

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Duas versões de Quasimodo numa edição de colecionador

Para maratonar adaptações diferentes de uma mesma história, a Classicline está com esta edição especial de O Corcunda de Notre Dame! São dois discos contendo a versão de 1939 de William Dieterle e a de 1956 de Jean Delannoy.

A obra prima de Victor Hugo ganhou adaptações cinematográficas desde os primórdios do cinema. A primeira mais famosa aconteceu em 1923 e foi protagonizada pelo fabuloso Lon Chaney.

Quando o cinema passou a ser sonoro ela foi recontada agora com o Charles Laughton encarnando magistralmente o Quasimodo. Essa versão de 1939 contida no DVD da Classicline foi produzida pela RKO na cola dos filmes de terror da Universal na década de 30.

É uma das mais conhecidas e celebradas de todos os tempos, com Maureen Ohara como a cigana Esmeralda. Sem dúvida uma forte inspiração a versão em animação que a Disney faria em 1996.

Acompanhando sempre os avanços tecnológicos (como geralmente acontece com os clássicos da literatura), o romance de Victor Hugo seria novamente adaptado em 1956. Na coprodução franco-italiana foi a vez dele assimilar as cores e a tela em Cinemascope.

No vídeo desta segunda você conhece todos os detalhes deste edição em DVD. Conto com o seu like e se inscreva no canal para ser avisado de outras atualizações.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Almodóvar exclusivamente para brasileiro ver

Um bom anjo se dedica a publicar trailer que vai encontrando em velhas fitas de VHS. Entre eles algumas surpresas: O trailer para o mercado brasileiro de De Salto Alto (Tacones lejanos, 1991 de Pedro Almodovar.

Raríssimo, raríssimo! Assista a preciosidade no vídeo abaixo.

Geralmente trailers de filmes estrangeiros recebem apenas legendas em português ou uma narração do saudoso Jorgeh Ramos. A narração no caso de ser um filme com bastante apelo popular.

Por uma alguma boa conjunção astral, De Salto Alto recebeu um trailer exclusivo para o nosso país, inclusive com um título animado. E ainda narrado pelo Jorgeh Ramos.
Anúncio publicado em jornal no dia do lançamento, em 18 de setembro de 1992
Coisa fina produizda pela distribuidora Top Tape! Pra você ter uma melhor ideia do capricho, confira o trailer do mesmo filme produzido pelo mercado italiano.

Muito mais voltado a sexualidade obscura, enquanto o nosso, inevitavelmente, tem tons de telenovela. Explicamos em pouco mais de um minuto toda a essência da trama sob a ótica dos personagens.

 Isso sem apelar ao dramalhão excessivo, coisa que evitamos na teledramaturgia desde os idos de Gloria Magadan (que o Walcyr Carrasco não me ouça!). Já os espanhóis não se fizeram de rogados nos spots televisivos da época.

De Salto Alto foi o primeiro Pedro Almodóvar que assisti, único que encontrei na minha locadora. Mulheres À Beira de Um Ataque de Nervos, seu primeiro filme a ser indicado ao Oscar e consecutivamente a ganhar fama internacional, precisei esperar estrear no Supercine, aquela sessão de filmes que a Globo tinha aos sábados depois da novela.

Era assim! Se você perdesse a exibição nos cinemas (minha cidade tinha apenas um e que priorizava  grandes filmes de Hollywood) seriam anos pra esperar encontrar na locadora.Como filmes europeus não eram exatamente o que donos de locadoras iriam imediatamente adquirir restava aguardar a boa vontade de algum programador de TV.

Veja também:

Kika e Pérez Prado exclusivo para a Espanha
A melhor dancinha na cadeia que você respeita

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Tazo voltou. Alguém pediu...

Talvez só as Spice Girls tenha mais cara dos anos 90 do que os Tazos. Aqueles disquinhos plásticos que vinham de brinde nos salgadinhos Elma Chips.

E eles voltaram! Será que numa época digital, com tantos joguinhos até em celulares há alguma chance disso voltar a fazer a cabeça da molecada?

Neste vídeo veremos algumas das primeiras coleções de Tazos, aquela dos Looney Toones e depois dos Animaniacs. E claro, abro um pacote de batata frita pra checar como é o novo Tazo.

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terça-feira, 5 de maio de 2020

Além do Moral: Discografia completa de Rita Cadillac


Incrível o remelexo das cantoras pop em se manterem em evidência com uma musica atrás da outra, clip atrás do outro. Mas e a Rita Cadillac com décadas de uma carreira bem vivida e que só lançou um LP nesses anos todos?

Palmas para ela! Ok, é mais celebridade do que cantora, mas ainda assim, sobreviveu esse tempo todo enquanto tantas outras cantoras/celebridades no mundo todo viraram pó.

Conversei com o Luiz Di Cora, seu maior fã, que por coincidência, também tem uma prosa muito boa. Ele me explicou que além do único LP lançado em 1984, Rita teve compactos e participações em coletâneas.
Um ano antes, enquanto ainda era Chacrete lançou o primeiro compacto. Ela se lançou com Merenguedê no Lado A e Baby Love no lado B.

Ela ficaria no programa do Chacrinha só até junho/julho de 1983. Nas lojas estaria cantando também na coletânea A Grande Festa do Cassino do Chacrinha com a faixa Mereguendê.
Os compactos, pequenos discos com no máximo duas músicas, serviam para divulgar músicas novas ou artistas novos.foram abandonados pela indústria fonográfica brasileira que optou por coletâneas como esta e trilhas de novelas (lá fora os “singles” dos artistas continuaram sendo super aguardados).

Antes do primeiro e único LP solo Rita teve o segundo compacto nas lojas. Aí sim, ganhamos dois hinos da música popular: É Bom Para o Moral e a deliciosa Vem Perto (muito bem utilizada no documentário Rita Cadillac, A Lady do Povo de 2010).

O Long Play em si (produzido por Mister Sam, o mesmo de Gretchen em 1978) estampava um splash anunciando É Bom Para o Moral, Eu Vou Pra Serra Pelada e Pula Pula. Com 8 faixas, trazia tudo o que já tinha saído nos dois compactos mais as inéditas Pula Pula, Volte (Extase) e Carta de Amor.

É Bom Para o Moral (versão de Carlinhos Borba Gato para a francesa C'est bon pour le moral) se tornaria sua principal canção. Ironicamente é a primeira do Lado B, uma aposta menor?

Eu vou Pra Serra Pelada, que abre o disco no Lado A, é uma maravilha de duplo sentido em referência a mineração na Serra Pelada no Pará. Lugar que Rita Cadillac fez muitos shows.

Pula Pula não tem conotação erótica. É uma música infantil onde a musa canta acompanhada por ruídos engraçadinhos, tipo aquele da Gretchen e Os 3 Patinhos, lembra?

Essa música estaria incluída na coletânea Criança Alegria. O disco de 1985 contava também com faixa cantada por Fofão, ainda no Balão Mágico, programa que antecedeu o Xou da Xuxa (não havia o menor problema moças sensuais trabalharem para público infantil).

Em 1987, dois anos depois, Rita estaria em outra coletânea, Explosão Popular com duas faixas inéditas. No lado A ela participa com Aprenda A Dançar e no Lado B A Fricoteira (erroneamente chamada na web como Flor de Laranjeira).


A primeira metade dos anos 90 não foi a melhor época para as cantoras populares sexys. Ironicamente foi quando Madonna se consagrou de vez apelando para o mesmo expediente.

Mas Rita não parou! Continuou seus shows e trabalhos importantes como na casa de detenção Carandiru, alçada posto de Musa dos Presidiários, momento registrado no filme Carandiru dirigido por Hector Babenco em 2001.

A partir do momento em que ela e outras como Gretchen começaram a ganhar um verniz de cult, voltou a participar de programas de TV. Ao invés dos velhos hits ela cantou bastante Bem Me Quer famosa composição de Rita Lee.

E não é que combinou bastante com a Cadillac? Em 2001 ela chegou a anunciar o disco Rita canta Rita, apenas com composições de Rita Lee, coisa que infelizmente nunca aconteceu.

Em disco ela apareceria também na trilha sonora da novela da Globo A Lei do Amor de 2016. Graças a isso, É Bom Para o Moral ganhou um clip, 36 anos depois de ter sido originalmente lançada.

No final do ano passado, 2019, o disco de 1984 finalmente ganhou uma edição em CD. Não pense que era fácil garimpar o vinil no sebo estes anos todos.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Tokusatso clássico e completo em DVD!

A gente pensa na TV dos anos 60 como uma roça. Principalmente fora dos EUA, que produziu series memoráveis naquele período com Star Trek.

Bom, como atesta este box de Robô Gigante (Johnny Sokko and His Flying Robot) de 1967, o Japão estava lá na frente! Colorido, cheio de efeitos especiais divertidos e uma narrativa bem ágil para a época.

Nesta segunda vemos o box com a série inteira lançada no Brasil pela Line Store. São 26 episódios para fãs saudosistas e entusiastas da TV retrô, de um tempo em que era normal mostrar um garotinho empunhando arma de fogo.

O tokusatso foi exibido no nosso país pela TV Globo, Tupi e, quando já era bem antigo, na TV Record nos anos 80. Como a TV em cores demorou a se popularizar aqui, talvez aqueles primeiros telespectadores nunca assistiram as aventuras coloridas até agora.

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sábado, 2 de maio de 2020

Bigamia é a vilã neste pequeno grande filme 50's

Produzido em 1953, O Bígamo (The Bigamist) está longe de ser um grande filme. Dirigido por Ida Lupino, guarda pontos que o fazem especial acima de alguns melodramas considerados clássicos.

A história é sobre casal classe alta que ao dar entrada nos papeis para adotar uma criança aceita ter sua vida investigada. Nisso descobre-se que o marido, um vendedor bem sucedido, tem uma segunda família, já com um filho em outra cidade.
Contando assim, poderíamos esperar um delicioso sensacionalismo suburbano. Mas o roteiro não toma lados fáceis embora flerte com o cinema noir, o que nos faz esperar a vilania de algum personagem, coisa que nunca chega.

Muito pelo contrário! Personagens carismáticos às voltas com as idas e vindas da vida mostradas bem longe de qualquer maniqueísmo e pieguismo. 
Num tempo em que bigamia era crime, O Bígamo é um filme adulto no sentido maduro da palavra. Corajoso em mostrar a vida como nenhum grande estúdio se atreveria.

Além de dirigir Ida Lupino interpreta a outra, a garçonete solteira que se dá por feliz em ser ouvida por um homem desconhecido. Lupino assim entrou para o então seletíssimo grupo de estrelas que também se dirigiram.
Se não eram comuns mulheres dirigindo filmes, imagina ainda estrelarem ao mesmo tempo?! E ser dona da própria produtora, a Filmakers?!

O Bígamo guarda uma boa ironia. Foi escrito por Collier Young que foi marido de Lupino até 1951 e em 1952 se casou com Joan Fontaine, a co-estrela do filme.
 Outro momento em família ali é a presença de Lillian Fontaine, mamãe de Olivia de Havilland e Joan Fontaine. No cinema, Lillian e Joan haviam trabalhado juntas apenas uma única vez, em em Ivy, a História de uma Mulher (Ivy, 1947 de Sam Wood), mas nunca com Olivia.

 Tanto Olivia quanto Joan são naturais de Tóquio, Japão. O apartamento da personagem de Joan Fontaine em O Bígamo é todo em estilo nipônico, mas por pura coincidência.
A Filmakers costumava reaproveitar estúdios de outras empresas como forma de baratear as produções, o que talvez explique isso. Aliás, a produtora de Lupino enfrentou maus momentos durante essas filmagens.

Seria uma co-produção com a antes poderosa RKO que estava comprometida a distribuir o filme. Com o fim da RKO tudo sobrou pra pequena Filmakers , o que prejudicou bastante o lançamento da obra.
Tanto que O Bígamo merecia ser bem mais conhecido do que é até hoje. Não que sua ambiguidade tenha deixado de colecionar elogios da crítica nesses anos todos.

Em domínio público, o filme é facilmente encontrado na web e saiu algumas vezes em DVD no Brasil. Tem até legendado em português no Youtube.