sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Na Itália Ash mora na Casa do Espanto

A gente comenta sempre dos títulos estranhos que alguns filmes recebem no Brasil mas não Itália... Olha! A cine série “Casa” é um espetáculo bem curioso, apenas para dar um exemplo do que acontece por lá.

A Morte do Demônio (Evil Dead, 1982 de Sam Raimi) foi distribuído em 1984 como La Casa (ignore a cabaninha transformada no pôster no casarão dos Bates). O segundo de 1987 obviamente como La Casa 2.
Aí, antes do Sam Raimi começar a pensar num terceiro filme um distribuidor espertinho resolveu nomear  um terror local como La Casa 3. Dirigido por Umberto Lenzi, recebeu o título de Ghosthouse no resto do mundo e A Casa do Horror aqui pra gente.
E não parou por aí! Surgiram as partes 4, 5, 7, 8...!!! É como se na Itália Evil Dead fosse tipo uma Sexta-Feira 13 ou coisa que o valha com trocentas sequencias.
Mas em 1986 surge o terror A Casa do Espanto, House em inglês. Deram o título parecido ao de giallo - “Chi è sepolto in quella casa?” (Quem Está Enterrado Naquela Casa?), com a palavra casa gigantesca no pôster, fazendo referência ao Evil Dead.
House 2 virou “La casa di Helen”  tentando se encaixar entre as supostas sequencias de Evil Dead. Como não existiu um La Casa 6, alguns italianos consideram House 2 o La Casa 6!

A parte irônica é que A Casa do Espanto/ House tem muito do horror histérico de Evil Dead. Então, de certo modo, os distribuidores da Itália meio que deram um chute certeiro.

Em tempo: Army of Darkness, a terceira sequencia real de Evil Dead, dirigida por Sam Raimi em 1991 foi distribuído lá como "L'armata delle tenebre". O Exército das Trevas mesmo, devem ter achado que aí já era exagero.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Enka é o wasabi da música. Quem gosta, gosta muito!

Sempre que tiver a oportunidade, vá assistir a uma apresentação de música Enka! Dica de ouro essa, hein? Tenha certeza que você jamais assistiu a nada parecido.

É o conceito mais puro de espetáculo, de dar ao público o melhor em performance e música. Foi um dos motivos que me levaram ao Bunkasai 2019, evento sobre cultura japonesa da Santos.

Na ocasião o Takeshi Nishimura se apresentou e, claro, não poderia deixar de registrar um pouco para o nosso canal. Foi no último domingo (dia 10), uma tarde chuvosa, céu cinza, mas o espetáculo não pode parar!

O cantor ainda trocou algumas palavrinhas comigo! Assista até o final, tem conteúdo extra após os créditos de encerramento.

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quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Os 10 VHS Disney mais caros no Mercado Livre


É evidente que como elos afetivos importantes da nossa infância os filmes Disney sejam valiosos na idade adulta. Porém, isso independe do filme em sim, mas da mídia específica em que os assistíamos.

Isso pode justificar os valores bem altos que algumas fitas de VHS com os clássicos do estúdio do Mickey custam hoje em dia no Mercado Livre. Fui à cata dos mais caros após ver este link gringo, que levava em conta o que está à venda no eBay.

É lógico que cada um dá o valor que quer ao que vende. Se alguém acatará são outros 500! 
Aristogatas – R$ 100
A Bela Adormecida - R$100
Peter Pan - R$120
Aladdin – R$ 120
Mulan – R$130
Cinderela - R$150
Branca de Neve (Primeira edição) - R$150
Fantasia – R$200
O Rei Leão – R$300
A Bela E A Fera – R$40.000

Tentei ver se essa A Bela e A Fera não era um erro de digitação, mas o anúncio é completinho, com várias fotos e tudo. Procurei algo que a pessoa justificasse esse valor, mas a descrição tem apenas “Versão Diamante, ótima qualidade.”

Será que ela pensa que é de diamante de verdade? Não quero gorar a venda de ninguém, deusmelivre, mas no mesmo site existe uma “edição especial” do exato filme por apenas 9 pratas!
Por curiosidade, a fita Disney mais cara à venda no eBay também é A Bela e A Fera, edição BLACK Diamond (US $ 15.000). Diferente da edição "Diamante" que foi comercializada no Brasil, a Black Diamond virou quase como lenda urbana nos EUA, com a galera crente que possui um tesouro em casa.

Porém, como eu disse no início, a oferta não significa que o valor seja real e justificável. Em miúdos: Ninguém está pagando o preço de um carro numa fita de vídeocassete com o deseinho que você gostava de assistir na infância.

Agora, cá pra nós, eu entendo o gosto pelo VHS, a memória afetiva, o fetiche coisa e tal, mas até 100 já é um valor bem alto. Não se trata daquele filme de um país sem água encanada que jamais será lançado em outra mídia.

Todos os títulos dessa lista estão também ofertados em valores bem mais amigáveis no ML, desenhos animados Disney foram fabricados aos milhares de cópias apenas duas décadas atrás. E, diga-se de passagem, continuarão a ser pelo resto dos tempos em qualquer tipo de mídia que ainda virá a ser inventada.



terça-feira, 12 de novembro de 2019

Produtor do King Kong 70's se arrependeu de não ter chamado Fellini para dirigi-lo

 Quando foi trabalhar nos EUA o produtor Dino De Laurentiis já era uma lenda em seu país, a Itália. Logo ganharia o apelido de “O último czar de Hollywood” tamanho o poder que acumulou rapidamente lá.

Na década de 70 o cinema comercial americano vivia uma crise bem longa onde os velhos estúdios perderam a força. Atores se tornaram independentes e a TV parecia ter levado uma fatia gigantesca de público.

Laurentis tinha conquistado seu lugar ao sol em Hollywood com títulos como Serpico (1973 de Sidney Lumet) e Três Dias do Condor (Three Days of the Condor, 1975 de  Sydney Pollack). Sua maior ousadia foi refilmar King Kong, o clássico que tantos outros haviam tentado sem sucesso.
Em entrevista publicada à Folha de São Paulo em dezembro de 1976, durante o lançamento mundial da mega produção (no Brasils eria apenas em junho de 1977), dizia orgulhoso “Quem manda em mim é o público. Sou o produtor”.  O filme custou cifras igualmente colossais para a época e um risco de fracasso do tamanho do macaco, mas Laurentiis confiava na história de amor e que o público estava cansado de violência, política e pornografia.
O que causa certo estranhamento, visto que de longe seu King Kong é o mais explicitamente  sexualizado de todos. Para ele o mais importante era a história a ser contada, já tinha aprendido que independente de diretores e astros no elenco, se o público não tiver interesse pelo que será contado, nada os arrasta até o cinema.

Macacos estava na moda no cinema naquela época desde O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 1968 de Franklin J. Schaffner), mas seu King Kong era encarado com incredibilidade e mero sensacionalismo.  Bem, segundo ele Ingmar Bergman gostou de seu King Kong.
E não só! "Federico Fellini disse-me que é um filme que gostaria de ter dirigido. Devo confessar que há dois anos não pensei nele. É uma lástima  porque teria sido um filme louco e genial como só Fellini sabe realizá-los. De qualquer modo quero levar Fellini o mais cedo possível para os Estados Unidos para trabalhar comigo", garantiu Laurentiis.

Fellini nunca foi trabalhar nos EUA, mais flertou bem com um monstro gigante em Boccaccio 70 de 1962.   A voluptuosa Anita Ekberg perseguindo o puritano Seu Antônio não é necessariamente um monstro, mas dançaria valsa com King Kong.
Dino De Laurentiis seguia um plano, que segundo ele, apenas produtores  que também são autores podem realizar: "Fazer com que o público popular siga com interesse Bergman e que o público de elite divirta-se com King Kong". Após todos os esforços publicitários em cima do macacão ele se concentraria em “O Ovo da Serpente” (The Serpent's Egg ) que o diretor sueco estava rodando em Munique sob suas bênçãos.

Veja também:
Hammer tentou produzir King Kong!
King Kong 70’s merece ser revisto
Filme amador registrou bastidores de King Kong no World Trade Center
Jessica Lange e King Kong no Playcenter

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Obra prima tristíssima finalmente em DVD

Um filme doloroso, Gen Pés Descalços (Hadashi no Gen, 1983 de Mori Masaki) primeiro choca ao levar a tragédia da guerra à animação, depois nos faz compreender o quão necessário é. Continuou oficialmente inédito no Brasil até este lançamento em DVD da Versátil Home Video.

Sim! É de chorar copiosamente, fica marcado na mente por muito tempo, mas é um grande filme, assim como o posterior Tumulo dos Vagalumes (Hotaru no haka, 1988 de Isao Takahata). Gen parece ser bem mais cru do que qualquer outro.

Graças a Akira, dirigido por Katsuhiro Otomo em 1988, que mostrou que animes em longa metragem podem ser filmes incríveis e não apenas sinônimo de coisas fofinhas como o ocidente estava acostumado com a Disney, Gen foi distribuído em todo o mundo. Aqui, claro, foi apreciado apenas com a chegada da banda larga e os downloads.

No vídeo desta segunda você vê esta edição especial da Versátil em detalhes. Ela se encontra nas lojas com um preço bem bacana!

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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Quando a musica fofa na verdade é horrível

Na década de 60 houveram muitos grupos de vocais femininos nos EUA. The Crystals foi um dos primeiros e dono de alguns hits doces e uma canção considerada maldita que logo sumiria do mapa.

É justamente por esta canção que elas são mais lembradas hoje. He Hit Me (And It Felt Like a Kiss) era apenas o lado B do single de 1962, chegou a tocar no rádio, mas a repercussão negativa de seus versos a fez sumir rápido.

“Ele me bateu (e me senti beijada)”, numa tradução literal é, como dá pra entender, sobre um relacionamento abusivo. E era sobre um caso real, não mera liberdade poética.

A letra foi escrita pelo casal Gerry Goffin e Carole King sob encomendo do produtor das Crystals. Eles passaram a observar que a babá de seus filhos (Little Eva, depois também uma cantora de pop e R&B) vinha frequentemente trabalhar com hematomas.
Quando lhe perguntaram o que tinha acontecido ela respondeu francamente sem o menor peso, ou drama: “Ele me bateu (e parecia um beijo)”. E já na época apontaram que a musica era uma tentativa de romantizar a violência doméstica.

Quase esquecida, a frase passou a surgir de tempos em tempos na cultura pop. Como em Mad Love, graphic novel lançada em 1993 que levava aos quadrinhos a personagem Arlequina após seu sucesso no desenho Batman: A Série Animada.

Quando Arlequina no leito do hospital é questionada por uma médica como ela se sente com o abuso físico que recebeu do Coringa após sua entrega a ele simplemente responde: “Me senti beijada”.
Amy Winehouse constantemente dizia ser apaixonada pela canção e influenciada por ela. Chegou a planejar um cover em parceria com Boy George, mas isso nunca aconteceu.   

Em 2014 o teor da música voltou a ser comentada quando a frase “He Hit Me (And It Felt Like a Kiss)“ apareceu fazendo parte da letra de Ultraviolence de La Del Rey. Novamente se discutiu a cultura pop romantizando a brutalidade.

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Como clássico da literatura brasileira entrou em polêmica na Coreia do Sul
Rum, Coca-Cola e um processo na justiça

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Testei gaspacho conforme filme de Almodóvar

Iguaria tradicional da Espanha, o gaspacho tem papel fundamental na rocambolesca trama de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (Mujeres al borde de un ataque de "nervios", 1988 de Pedro Almodóvar). Tão importante que a protagonista chega a dar a receita!

Bem, eu sempre tive curiosidade pra saber se aquilo realmente era o necessário pra fazer gaspacho. Já tinha provado um industrializado, em caixinha longa vida, recuerdo de uma amiga que foi pra lá, mas nada como misturar os ingredientes no liquidificador conforme indicação da Pepa.

Nossa aventura começa na compra dos ingredientes (Aí já é um susto o valor da maioria deles!) e termina ao saborear o resultado. Sim! Existem várias receitas de gaspacho, mas eu queria tentar justamente a do filme, tão marcado por esta receita.

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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Estrita relação entre Playboy e James Bond

 Numa franquia que dura décadas, como a de James Bond, o que não faltam são momentos históricos. 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade (On Her Majesty's Secret Service, 1969 de Peter R. Hunt) guarda alguns deles, como a mudança de estado civil do personagem e também seu primeiro encontro com a Playboy Magazine.

O filme que está completando 50 anos ainda foi o único a ter um ator, George Lazenby a interpretar o personagem apenas uma vez. Já tratamos isso aqui no blog algumas vezes, relembre clicando aqui.

Vamos focar agora no encontro do agente com a revista Playboy. Numa  “coincidência”, a publicação foi lançada em 1953, mesmo ano da publicação de Casino Royale de Ian Fleming, o primeiro livro de 007.
A primeira Playboy e o primeiro James Bond (2ª edição) em 1953
Coincidência entre aspas, porque na verdade o mundo vivia um momento extremamente careta, propício ao surgimento de coisas opostas à glorificação do estilo de vida suburbano vigente.

Hugh Hefner, criador e editor-chefe da revista, um workaholic assumido, abraçaria publicamente um alter ego meio James Bond. Hefner e Fleming se tornariam amigos e correspondentes, sendo que os laços entre Playboy e 007 se estreitariam pra valer em 1960, quando a revista passou a publicar aventuras do personagem.
Estreia de James Bond nas páginas da revista em março de 1960
Quando o autor faleceu em 1964 a revista publicou uma de suas longas e célebres entrevistas. Até a capa de novembro de 1965 com a playmate na capa ostentando uma arma e tatuagem com “garotas de James Bond”.
Em seu miolo algumas fotos de bastidores de 007 Contra a Chantagem Atômica (Thunderball, 1965 de Terence Young) e as bond girls Martine Beswick, Molly Peters que haviam sido coelhinhas.Além claro, de outras beldades.

Até chegarmos no sexto filme da franquia, em 1969, quando podemos ver o agente apreciando a edição de fevereiro daquele ano. Durante uma investigação ele encontra a edição escondida dentro de um jornal.
Geralmente revistas para adultos eram compradas junto a jornais, para cavalheiros terem discrição. Dependendo da banca, o próprio atendente já colocava dentro de um catálogo qualquer, mesmos em você pedir.
A capa que vemos no filme é a Pamela Tiffin, jovem modelo Russa descoberta por Hollywood durante um passeio pela Paramount em 1961. Logo neste ano chamaria atenção em Cupido Não tem Bandeira (One, Two, Three) dirigida por Billy Wilder, que a descreveu como "a maior descoberta desde Audrey Hepburn".

Indicada duas vezes ao Globo de Ouro seguiu nos EUA até 1967, quando foi para a Itália alegando “Querer descobrir o que eu quero”. E seguiu no cinema de lá quase que exclusivamente até se aposentar das telas em 1986.
Pamela Tiffin e Franco Nero em Um Dia Negro (Giornata nera per l'ariete, 1971 de Luigi Bazzoni)
Além da capa a Playboy lhe deu uma seção de fotos sensuais como cabia à época. Mas o que encanta James Bond é o pôster central, né?

A Miss Fevereiro de 1969 foi Lorrie Menconi, uma modelo de nu. Ela estrelou o pôster central da mais famosa revista do gênero no mês de seu aniversário, quando completou 21 anos de idade.
Menconi, que está com 77 anos de idade, se tornou uma bond girl bem conhecida dos fãs do agente sem ter pisado num estúdio de filmagem. Graças à cena onde na verdade ela nem aparece.

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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Menino do Rio é bem ruim, mas pode fazer rir

Existiu uma febre de filmes “para jovens” no cinema brasileiro dos anos 80 e boa parte da responsabilidade é o estrondoso sucesso de Menino do Rio, dirigido por Antônio Calmon em 1982. Quem não tinha idade para assisti-lo na época o conhecia de nome.

Não apenas pela trilha com hits como De repente, Califórnia, mas porque Calmon foi trabalhar na Globo. Então, a cada lançamento de coisas como a série Armação Ilimitada (1985) ou novelas como Top Model (1989) e Vamp (1991) a imprensa não se furtava de relembrar suas origens no “cinema para jovens”.

Bem, assistir Menino do Rio hoje é uma experiência dolorosamente longa, mas com muito humor involuntário também. Não dá pra dizer que o filme envelheceu mal, porque acho que aquilo ali sempre foi “o jovem idealizado por gente velha”.
Começa por um logo animado todo neon ao som de rápidos sintetizadores. “Oba, o melhor estilo Xanadu”. Bobagem! Seguem-se longos minutos de silêncio.

Aí vem outro engano: “Olha, A Malu Mader bem mocinha!”. Na verdade é o músico e ator Ricardo Graça Mello (filho da Marília Pêra) fazendo papel de menor abandonado. 
Ele passará as próximas horas (sim, o filme parece que dura umas 8 horas!!!) com um violãozinho te fazendo querer realmente fugir pra Califórnia!
Eita, Serginho Mallandro era bem gatinho, não? Aí ele começa com “ié para mim, ié pra você”...  Exatamente como tem feito nos últimos 40 anos.
O galã, o menino do Rio, é o André de Biasi. Antes que você me pergunte se tá vivo, ele tá no canal do Bispo fazendo novela, até onde sei.
A mocinha é Patrícia, interpretada pela Claudia Magno que anda sempre acompanhada da Nina de Pádua. Já já volto a falar sobre elas!
 Os pais de Patrícia são riquíssimos sim senhor! Tomam Balantines 12 anos, discutem a vida amorosa da filha enquanto olham pro baralho diante de dois figurantes estáticos.
Rico de cinema nacional dos anos 80 você conhece, né? Casa de campo com samambaia na varanda, piscina de azulejo e decoração estilo colonial.
A mãe, aliás, é a sempre maravilhosa Jacqueline Laurence emprestando a costumeira classe a tudo isso. A presença de Laurence nunca é pouca coisa. parabéns já ao filme.

Voltando às duas garotas, depois de um passeio onde conhecem o galã chegam em casa onde os pais olham pro baralho. Eles não jogam, ficam olhando apenas pras cartas nas mãos.
Patricia/Claudia Magno ordena (sim, ordena!) que Nina sirva-lhe um whisky e prontamente é atendida. Nada do Balantines 12 anos, mas J&B, aquele da garrafa verde e rotulo amarelo.

Acabou o filme e não entendi direito quem é a Nina de Pádua na fila do pão. Ela não tem absolutamente função nenhuma além de adular Patrícia. É tipo uma mucama? 

Mas é um filme para jovens e há alguns outros no elenco. Evandro Mesquita da Gaita Infinita e Cissa Guimarães (tão linda, linda) são um casal e, mesmo se eu quisesse, não há mais muito a falar sobre eles.
Ela me causou algumas gargalhadas involuntárias. Fiquei tentando entender se tinha uma interpretação ruim mesmo ou se estava tendo uma interpretação ruim porque o personagem era assim mesmo, viajandona na maconha.
Perceba que o menino é do Rio, mas o elenco todo é branco e alguns loiros. Poderiam ser de qualquer lugar do mundo, até porque, os conflitos deles não vão além de quem fica com quem.
Lembra do menino que parecia a Malu Mader mocinha? Ele está “a perigo” (expressão do roteiro) e fica horas trancado no banheiro com a Playboy, edição da Monique Lafond na capa.
Logo seus problemas acabam. Conhece a Claudia Ohana na praia, que lhe pede fogo pra acender o baseado e ponto! 

Patrícia, a protagonista, tem um namorado rico boboca, o Adolfinho, mas ela gosta, a princípio, de um coroa magnata que depois descobre ser o pai do André de Biasi. Tudo bem, isso vem à baila com relevância só nos momentos finais.

Menino do Rio, pela época, antes do surgimento e propagação da “linguagem MTV”, é ainda cinematograficamente bem careta, poderia dar um desconto ao ritmo arrastado. Ainda assim, é terrivelmente sem graça.
O único lampejo que ele alcança é quando Adolfinho assiste a um filme antigo na TV e imagina os personagens falando do seu relacionamento fadado ao fracasso. Essa participação afetiva de Pedro Paulo Rangel é um sopro de modernidade legítima ali.

Falando em modernidade, Patrícia é modelo. Aí pára tudo para Claudia Magno desfilar os últimos lançamentos da grife Fiorucci e se segure na cadeira porque os modelitos são uma viagem no tempo.
Tão 80’s... Mas infelizmente isso é bem pouco pro filme todo divertir por ser "Tão 80's".

Demora a aparecer maconha, quase não há nudez e sexo (Biasi tem um nu frontal rapidão e com a mocinha encena um Adão e Eva meiguinho que poderia estar numa aula de catequese). "Os jovens" são muito comportados, reacionários, mesmo o Mallandro não passa dos habituais “glu glus”.

Existe uma sequencia de luta, quando o Adolfinho vai tirar satisfação por ter perdido a amada, que parece saída de filme de Didi Mocó. Ele dá socos, o mocinho revida com um único golpe de karatê (!!!) e ponto! Na próxima vez que vemos Adolfinho ele está com a clavícula engessada.
Didi Mocó? Espere pra assistir o final do filme! Sabe quando o roteiro chega a um ponto e entrega pra Deus?
E o Evandro Mesquita da Gaita Infinita? A Ohana? A Cissa? A Malu Mader fake? Não faça perguntas difíceis, eles já enfeitaram a tela, tá bom né?

Tô exagerando, acontece uma tragédia pouco antes do final Didi Mocó, mas é só. O filme é só isso mesmo e aposto que foi o sucesso que foi porque não haviam jovens (de qualquer maneira que fosse) na tela na época.

E o sabor final é bem estranho! Calmon, o diretor, trabalhou com Glauber, tinha trajetória no cinema (inclusive no Cinema Marginal!), fez na TV coisas inovadoras como Armação Ilimitada, assim como a trajetória do produtores Lucy e Luiz Carlos Barreto é de conhecimento geral, mas temos a sensação de que foi feito por quem nunca assistiu cinema na vida.
Poderia ser divertido como comédias sexualizadas tipo Porky’s  ou suspense e terror tipo Sexta-feira 13, pra citar dois exemplos de filmes famosos “para jovens” da época, mas é só gente branca, bem criada cujo único problema na vida é namorar. Não tem eco de nada e isso, no caso, está longe de ser bom!

O filme é para jovens do começo de 1980, mas poderia ser para os jovens de 1880 (lembre-se que há até um tipo de mucama!). Era só trocar o surf e voos de asa delta por passeios de charrete.

Achou ruim? Assista a sequencia, Garota Dourada de 1984 também do Calmon! Mesmos personagens, mesmos probleminhas, mas agora com UFOs...

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