Segredos e arte na abertura de A Casa das Flores

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 Existem séries que sobrevivem a muitas temporadas sem jamais trocar a abertura. A Casa das Flores (La casa de las flores), produção mexicana da Netflix, já sobreviveu a três sem nunca repetir seus créditos.
Isso por que, o programa do shorunner Manolo Caro, desavergonhadamente kitsh, usa na primeira temporada (de 2018) a imagem animada de uma "tela a óleo", que depois é relevante dentro da trama. Vemos no quadro os membros da família la Mora em situações estranhas numa animação rudimentar.
Primeira temporada 2018
Após essa primeira, houveram outras duas mantendo o mesmo estilo da arte, mas com os personagens retratados em outras situações além do acréscimos de não pertencentes à família central. E aí está o diferencial da abertura brincar com as nossas expectativas sobre o que ocorrerá aos personagens naquela temporada observando os detalhes.
Segunda temporada 2019
Terceira temporada 2020
Por traz deste trabalho premiado não se encontra o nome de uma artista plástico, mas de uma criativa design bastante conhecida no México: Maribel Martínez. Por 15 anos ela foi uma espécie de Hans Donner da emissora Televisa quando resolveu criar sua própria agência especializada em títulos (aberturas) de filmes e séries.

Diecinueve36 (As coordenadas geográficas da Cidade do México, 19+36), a empresa de Martinez, foi fundada em 2012 e se orgulha do trabalho artesanal. Para cada cliente ela contrata profissionais freelancers que emprestarão seu estilo único a cada trabalho.
Maribel Martínez criadora da agência Diecinueve36  
Em entrevista ao site Milenio, Maribel explica que no seu país são produzidos cerca de 100 filmes por ano e ela atende por volta de 15% do mercado. A mecânica da abertura da série da Netflix, que se relaciona com a trama daquela temporada, é facilitada pelo jeito que a agência trabalha, iniciando os projetos assim que o cliente entrega o material pronto.

A abertura de A Casa das Flores contou com sete profissionais. Diretor criativo e animação principal de Jorge Enríquez, Animação 2D de Eduardo Olvera, texturas e shades de Renata Galindo, animação 3D de Sofía Cázares e Marco Mier, fotografia de Arturo Maya além da direção geral da própria Maribel Martinez.


Isso sem contar com o compositor Yamil Rezc cujo currículo conta com a trilha incidental de 007 Contra Spectre (Spectre, 2015 de Sam Mendes). A música tema foi a única coisa que se manteve inalterada pelos três anos de A Casa das Flores.

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