quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

As conexões de Boogie Nights com o cinema 70's

Aclamado e posteriormente até refutado por seu protagonista, Boogie Nights continua sendo um filme único em temática e brilhante execução. Neste vídeo veremos um pouco das incríveis reconstituições de época e de suas muitas referências à cultura pop dos anos 70 e 80.

E ainda uma breve explanação sobre a industria do cinema popular adulto em seus primeiros anos.Uma era mágica onde parecia que finalmente o muro entre o sexo e a naturalidade seria derrubado.

Gostei bastante de fazer este vídeo. Tomei alguns óbvios cuidados, então está livre de spoilers e livre para todas as idades. Assista!!!

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Quando Bette Davis virou pop hit

 Bette Davis, ali em 1981, era reverenciada como “a velha dama da velha Hollywood” enquanto trabalhava em produções televisivas. Mas as coisas mudaram graças ao hit Bette Davis Eyes, regravação de uma música que ninguém havia dado muita bola em 1974.
Aos 71 anos de idade, a atriz entendeu que ali estava a chance de ser conhecida pelos jovens. Enviou cartas a cantora Kim Carnes e aos compositores Donna Weiss e Jackie DeShannon se dizendo agradecida por fazerdela parte dos “tempos  modernos”.  Quando a canção levou os Grammys de Canção do Ano e Gravação do Ano ela enviou flores a todos!

Declarou ainda que graças a Bette Davis Eyes agora ela era finalmente reconhecida por seu neto. Duvidosamente o jovem J. Ashley Hyman não soubesse quem é a vovó, mas a frase é de efeito do jeitinho que a imprensa adora, tanto que sobreviveu até hoje.
Bette Davis com o neto em 1982                    gettyimages/reprodução
A canção passou nove semanas em primeiro lugar na Billboard Hot 100 e foi o maior hit da Bilboard daquele ano. Ganhou inevitáveis regravações no mundo todo!

Aqui no Brasil a cantora Martha Coração veio com Olhos de Mulher (“CafézinhUuuu, GostosinhUuuu, Ollhos de mulhérrRR!”). Pra você entender a gravidade da coisa, era um compacto tendo do lado B o tema da novela A Leoa da TVS (futuro SBT).

Voltando a Kim Carnes ela teve o privilégio de conhecer Bette Davis e guardou memórias ótimas daquele momento. “Foi incrível! Bette Davis foi muito generosa comigo. Ela amava o disco. Quando levei uma cópia a sua casa quis emoldura-lo para colocá-lo na parede. Passamos horas e horas juntas e ela contou sobre seu inicio no cinema.”, relembrou a cantora.
Registro do encontro de Bette Davis e Kim Carnes       reprodução
Davis se empolgou tanto com o sucesso da canção que aproveitou para relançar o seu próprio disco gravado alguns anos antes. Oportunidade maravilhosa para ser paparicada por centenas de jovens fãs, conforme você pode conferir neste outro post.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

De beefcake a coadjuvante de Joan Crawford

 Guardando as devidas proporções, a cultura do fisiculturismo fez pelo corpo masculino o mesmo que a explosão dos fotógrafos amadores fez pelas pinups. Na Inglaterra do final da década de 60 poucos nomes eram mais conhecidos do que o de John Hamill.

Isso, claro, num submundo bem à parte do mainstream cultural. Estavam acontecendo a Revolução Sexual, mas estamos falando de rapazes com pouca roupa e corpo definido.
Não houve em termos de sucesso um tipo de revista como a Playboy voltado ao público feminino e gay, que tirava do pecado a nudez alçando ao posto de arte. Mas houveram muitas revistas esportivas exibindo o corpo de jovens rapazes.

Nos EUA talvez o fotografo mais celebre no ramo tenha sido Bob Mizer e sua Athletic Model Guide (AMG), que despiu muitos moços que chegavam a Los Angeles sonhando com Hollywood. A casa já tinha caído para Mizer (com alegações de favorecimento à prostituição, atentado ao pudor, etc) quando John Hamill ficou conhecido do outro lado do oceano, na bem mais liberal Inglaterra.
Ainda assim, não vamos esquecer que até 1967 a homossexualidade ainda era ilegal na Inglaterra e em alguns países pertencentes ao Reino Unido até 1982. Mas o que John Hamill  tantos outros moços praticavam ao tirar a roupa era (aos olhos públicos) mero esporte, o fisiculturismo.

E isso tudo não impediu que ele fizesse fotos com nudez total e até alguns curtas homoeróticos em Super8. Hoje esse material é apreciado por colecionadores e entusiastas e está facilmente disponível na internet.

Anos mais tarde John Hamill disse que esses trabalhos com nudez foram necessários para sobreviver, mas acabaram com sua carreira de ator. O que podemos discordar totalmente aqui do futuro: Sem esses trabalhos de nu ele agora seria quase que totalmente anônimo, um mero nome no IMDB.
Seu trabalho mais importante no cinema é Trog, O Monstro da Caverna (Trog! , 1972 de Freddie Francis), o paupérrimo filme de monstro com que Joan Crawford encerrou a carreira. A própria declarou que quando viu seu nome na marquise do cinema atrelado aquilo quis morrer.

Aliás, o único motivo desse filme ser lembrado e festejado hoje é por ter a presença de Joan Crawford e ser extremamente ruim. De lambuja a grande dama de Hollywood ainda contracenou com o mocinho famoso por decorar as paredes de algum borracheiro gay.

Em 1974 ele juntou o dinheiro que tinha e tentou dirigir seu próprio filme adulto intitulado honestamente de “Doing the Best I Can” (algo como “É o melhor que eu consigo”). Nunca foi finalizado ou parcialmente distribuído, mas trechos do seu making of aparecem em um episódio sobre Xploitation da serie documental Man Alive produzido pela BBC em 1975.
Hamill seguiu tentando, fez teatro, apareceu em alguns outros terrores e algumas séries na TV. A principal delas é Doctor Who da BBC, durante o arco A Operação Ribos de 1978 e parou até 1989, quando participou de um episódio da série The Bill.

E isso foi o suficiente para abandonar o mundo artístico e montar uma loja de moveis de pinho. Hoje está com 71 e não há maiores informações sobre a sua vida atual.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Angélica teve a pior abertura que um programa infantil poderia ter

O ano era 1991, nem faz tanto tempo assim, quando a TV Manchete resolveu investir de verdade no programa Clube da Criança apresentado pela Angélica. Para isso criou uma abertura com atores e técnicas pouco vistas no Brasil de então
.
E não apenas nesse sentido! A abertura que mostra o cotidiano doméstico de uma família antes de começar o programa da loirinha é das coisas mais abjetas que a televisão brasileira já apresentou.
O conceito provavelmente era referenciar os cartoons norte-americanos dos anos 50. Mas eles não ficaram apenas na estética, absorvendo conceitos bastante discutíveis e já refutados ali no começo daquela última década do século XX.

Começa pela empregada ser interpretada por uma negra com figurino que remete ao estereótipo de Mãe Preta ou Mammy. Imagem difundida na cultura popular, principalmente norte americana, a partir do século XIX, que fixava a imagem da mulher negra aos trabalhos domésticos (leia mais sobre
esteriótipos raciais aqui).
Mas não estamos falando dos EUA segregados dos anos 50, mas do Rio de Janeiro do começo da década de 90. Ok, escandaloso, mas tem mais coisas terríveis nessa abertura de programa vespertino infantil.

A mesma domestica caminha pelos cenários interagindo com os membros da família branca. No banheiro olha pelo buraco da fechadura onde um homem toma banho.
E a hiper sexualidade vem à tona, além, claro, da pouca confiança que essa imagem transmite. Logo depois ela vai cuidar do menino branco que está doente na cama e lavar pratos dividindo a atenção com o trabalho de babá de um bebê também branco.
Na sala estão uma idosa com toca capilar, uma menina branca com roupas de balé passando tempo jogada no sofá e um técnico tentando arrumar a TV da família. Quando passa um dirigível eles ficam eufóricos porque vai começar o programa e a televisão ainda está estragada.

O menino que estava de cama imediatamente melhora. Ele começa a levantar peso enquanto vê a foto da apresentadora lhe mandando piscadelas.
Aí chega a dona da casa que estava fazendo nada mais do que compras. Só que ela não segura pacote algum, quem faz isso é uma criança negra.
Lembrando que a garota branca continua no sofá sem fazer absolutamente nada fora girar ou falar ao telefone.

O técnico continua tentando arrumar a TV, toma um choque elétrico e nessa altura do campeonato a gente já começa a achar que a coisa mais obvia no raciocino torto de quem produziu essa abertura era ele aparecer de blackface. E é isso mesmo!
Para não haver dúvida do black face (forma pejorativa com que os negros eram retratados por brancos) a edição corta do rosto dele pintado para o da menininha que chegou segurando os pacotes da dona da casa. Só aí vemos seu rosto e o visual da garota é o estereótipo racista que os americanos chamam de “Pickaninny”.
Bom, a TV vira uma máquina de lavar, parece que não haverá Clube da Criança naquele dia. Aí a vovó se levanta e vira uma caricatura asiática dando golpes de karatê.
Se tem blackface tinha que ter yellowface, não é mesmo?

A dona da casa tem um verdadeiro chilique, e desmaia no sofá. Quem a fica abanando em pé? A menina negra!
Isso tudo exibido de segunda à sexta nas tardes em 1991 para crianças! País onde não há racismo, segundo muitos dizem.

Existe no YouTube a versão reeditada (com um tempo menor) desta abertura. Não sei por qual motivo concreto a mudança ocorreu, mas essa outra versão tirou quase todas os planos citados acima que envolvem a menina negra.
O personagem da menina que carrega as compras quase desapareceu e o técnico tem menos destaque quando fica com a pele pintada de preto. Com a existência desta segunda versão cai por terra qualquer argumentação de que agora tudo é mimimi, de que agora não se pode mais nada que alguém sempre fica ofendido.

Ofender alguém por raça, credo, origem ou orientação sexual nunca pode, tanto hoje quanto em 1991 ou sei lá quando. Sem internet as vozes ficavam isoladas, foi isso o que mudou!

Veja também:
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Popeye mais transgressor do que nunca

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Episódio de Além da Imaginação que inspirou novo de Jordan Peele

 O Oscar de melhor roteiro original por Corra! (Get Out, 2017) ajudou a elevar às alturas a expectativa quanto a Nós (Us), próximo filme de Jordan Peele. Em entrevista a RollingStone o diretor revelou que sua fonte de inspiração foi um episódio da série clássica Além da Imaginação (The Twilight Zone).

Especificamente o episódio Mirror Image, o 21° da primeira temporada, exibido originalmente em 26 de fevereiro de 1960. No box da série lançado no Brasil pela World Classics é o 22º, está no disco 3 e seu título é O Espelho.
O que chama a atenção é que não Mirror Image não é um dos tantos episódios celebrados que as cinco temporadas originais do programa nos deram. Peele diz que o assistiu na infância e jamais o esqueceu, “É uma narrativa aterrorizante, linda e realmente elegante”.

Com roteiro de Rod Serling o episódio conta sobre uma moça comum esperando ônibus numa rodoviária que começa a perceber que ou está louca ou existe uma outra pessoa idêntica a ela naquele pequeno espaço. Todos à volta que tenta conversar dizem já ter falado com ela pouco antes, mas a garota não lembra.
Ela chega a se lembrar de algo que leu sobre uma outra dimensão em que existem duplicatas de todos nós. Através de fenômenos temporais eles conseguem vir até esta dimensão e tentam nos aniquilar para tomar nosso lugar.

A atriz principal é a Vera Miles, que todos nós nos lembraremos como a irmã da Janeth Leigh em Psicose (Psycho, 1960, de Alfred Hitchcock). Na época, embora Milles já tivesse feito algumas outras coisas, provavelmente aconteceu o oposto para alguns, achando que a atriz que descobre a verdade sobre a senhora Bates é “a mocinha da TV”, porque o filme estreou meses depois.

Quem gosta de escaramuçar o acervo da Netflix Brasil além das obviedades sugeridas já deve ter se deparado com o horror mexicano Os Parecidos (Los Parecidos, 2015 de Isaac Ezban). Não só a ambientação, mas a trama em si também têm muito de Mirror Image, mas ao invés de cópias que vão aparecendo, são pessoas cujos rostos se transformam no de um mesmo homem.
O bizarro filme Os Parecidos de 2015 bebe da mesma fonte.
No filme Nós, que deve estrear nos próximos meses de 2019, é uma pacata família que passa a ser perseguida por cópias exatas. A partir da ideia do episódio de 1960 Jordan Peele passou seis meses desenvolvendo seu roteiro incluindo a “linguagem compartilhada”, segundo palavras do próprio, de filmes de terror como Os Pássaros (The Birds, 1963 de Alfred Hitchcock), O Iluminado (The Shining, 1981 de Stanley Kubrik), O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999 de M. Night Shyamalan) e Medo (A Tale of Two Sisters/Janghwa, Hongryeon, 2003 de Jee-woon Kim).

Em comum entre todos está o horror oriundo de onde mais deveríamos nos sentir seguros: entre nossa família. Lembrando que ainda neste ano Jordan Peele trabalhará como narrador e produtor executivo de uma nova versão de The Twilight Zone.

Veja também:
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Vera Miles, a garota que Hitchcock perdeu para o Tarzan



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Medos infantis nos anos 80

Muito além do Jesus do SBT, os medos comuns de quem era criança nos anos 80 eram variados. Podia ser tanto dos satélites russos quanto de uma abertura tola de um programa de TV qualquer.

No vídeo desta semana falo um pouco sobre os que mais me amedrontavam. E enquanto editava lembrei de tantos outros!!!

Provavelmente você terá alguns. Quem sabe muitos são em comum com os meus...

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Centenário Jack Palance. Acredite!

Nesta semana (dia 18) comemora-se 100 anos do nascimento do ator Jack Palance! O homem que amamos odias, com o perdão do cliché difícil de escapar quando se fala dele.

O rosto com traços de nativo americano ajudou a dar veracidade a muitos papeis em westerns, porém, representam absolutamente nada etnicamente falando. Jack Palance foi batizado Vladimir Palahniuk por pais imigrantes da Ucrânia.

Antes de entrar para o mundo artístico foi minerador e pugilista. Aos 30 anos entraria para o cinema logo de cara sob direção de Elia Kazan em Pânico nas Ruas(Panic in the Streets, 1950).
Em 1953, quando era ainda desconhecido do grande público, veio sua primeira indicação ao Oscar, como ator coadjuvante. Foi pelo melodrama de suspense Precipícios d'Alma (Sudden Fear, 1952 de David Miller) onde Palance assombrou ninguém menos do que a já lendária Joan Crawford.

Logo no ano seguinte outra indicação ao prêmio da Academia por mais um cara malvado. Os Brutos Também Amam (Shane, 1953 de George Stevens) lhe rendeu não apenas a segunda indicação consecutiva (feito pouco comum até hoje), mas abriu as portas para incontáveis vilões em faroestes.

Quando o subgênero Western Spaggethi aflorou na Itália lá foi ele perseguir mocinhos destemidos no Arizona fake da fronteira com a Espanha. Foram tantos trabalhos populares no cinema que ele ficou com pecha de canastrão, mesmo com as duas indicações ao Oscar enquanto iniciante.
Ele só seria “resgatado” na segunda metade dos anos 80 por filmes como Bagdá Café (Out of Rosenheim, 1987 de Percy Adlon) e no hiper hype Batman (1989 de Tim Burton). Digam o que quiserem de Tim Burton, mas é sempre fabulosa a escalação em seus filmes, que não apenas versam sobre estéticas e linguagens ultrapassadas, mas incluem atores que ficaram esquecidos pelos grandes estúdios.

O Oscar de ator coadjuvante finalmente viria em 1991, quarenta anos após sua estreia, pelo filme Amigos, Sempre Amigos (City Slickers, de Ron Underwood). Momento iconográfico da cerimonia, quando ele surpreendeu a todos fazendo flexão de braço apoiado em apenas um mão. Jack Palance estava com 72 anos de idade!
Também entraria para a história do Oscar sua participação na entrega do prêmio do ano seguinte. Segundo rumores ele teria lido errado o nome de Marisa Tomei e assim foi, uma das mais controversas vitorias.

Mas Jack Palance nunca parou de trabalhar. Equilibrou trabalhos no cinema e em filmes e séries de televisão como poucos, num tempo em que as carreiras nos EUA eram bem distintas entre os veículos.
Em 1974, por exemplo, ele foi tanto um pomposo Drácula na adaptação britânica dirigida por Dan Curtis como esteve nos cinemas de volta à formação da América ao lado de Faye Dunaway na produção hollywoodiana O Poço do Ódio (Oklahoma Crude) de Stanley Kramer.

Ficaria conhecido no mundo todo para novas gerações aos assumir em 1982 um remake da série de bizarrices Acredite Se Quiser (Ripley's Believe It or Not). No Brasil foi exibida e reprisada pela TV Manchete com tanto sucesso que em 1989 a prefeitura de São Paulo na gestão de Luiza Erundina (ainda do PT), contratou o ator como garoto propaganda de suas obras como você confere no player abaixo.
Além de Jack Palance é possível identificar neste vídeo a hoje respeitável jornalista da TV Globo Sandra Annenberg. Acredite se quiser!

Na vida pessoal o ator foi casado duas vezes e teve três filhos. Nunca foi afeito a badalações, nas horas vagas cuidava de sua fazenda e praticava pintura, conforme, aliás, aparece em Bagdá Café.

Seu último trabalho no cinema aconteceu em 1999, na aventura infanto-juvenil  Treasure Island dirigido por Peter Rowe. Continuou trabalhando em produções televisivas até 2004, vindo a falecer de causas naturais em 2006, aos 87 anos de idade.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Como clássico da literatura brasileira entrou em polêmica na Coreia do Sul

Reprodução
Considerada a “irmãzinha da nação”, IU é um dos principais nomes da música pop sul coreana, o K-pop, sendo ativa também como atriz em filmes e novelas. Nem por isso seu nome costuma estar ficar de algumas polêmicas sexuais.

E as coisas ficaram bem sérias quando ela lançou o mini-álbum Chat-Shire em 2015. A faixa Zezé foi inspirada no personagem principal do livro Meu Pé de Laranja Lima, do escritor brasileiro José Mauro de Vasconcelos, e causou estranheza pelo teor adulto.
Composta por IU, a letra é do ponto de vista da árvore que diz a Zezé coisas que fazem sentido a um casal, mas o personagem é uma criança de cinco anos de idade. Você pode ouvir e ler a tradução em português da letra de Zezé no player abaixo.
Assim que teve conhecimento da faixa a editora Dongnyok Publishing Company, detentora dos direitos da obra brasileira na Coreia do Sul, se manifestou publicamente contra o teor sexualmente dúbio da letra. Disse em nota voltada à artista que o livro descreve uma criança abusada pela família e que é lamentável o uso de sua imagem para “objetivação sexual”.

A editora ainda ressaltou o despropósito da ilustração referente ao Zezé usando meias-arrastão em pose de pinup em detalhe da capa do disco. Toda a mídia, não apenas sul coreana, como não poderia deixar de ser, pegou carona no tema, abrindo o debate para a liberdade de interpretação.
Detalhe controverso da capa do CD
"Eu não quis transformar Zezé em um objeto sexual... mas percebo que minhas letras ofenderam muitos, e por isso peço desculpas.", justificou IU em nota traduzida e reproduzida pelo site Revista Koreain.  Disse também que “É um livro precioso para mim. (...) O Zezé em minha canção é um personagem fictício que montei a partir da história original do livro. (...) Eu assumo a responsabilidade pelo meu modo imaturo de escrever letras de música”.

Dias após dar o pontapé a toda polêmica a editora surpreendeu com um pedido formal de desculpas à moça. O texto também reproduzido pelo Revista Koreain: “Pedimos desculpas por termos sido incapazes de respeitar as diferentes interpretações. Estamos publicando isto em relação a não nos familiarizarmos com uma ou outra interpretação, porque publicamos o livro apenas sob a intenção do escritor original e empatia com essa intenção. Só esperamos que a nota que postamos anteriormente seja considerada um ponto de vista. Vamos humildemente ouvir todas as diferentes opiniões que se acumulam sobre nós. (...).”
Apresentação de IU em Singapura em 2018  Reprodução/One Production
E bola pra frente! Com este mini álbum IU alcançou grandes posições nas paradas musicais, inclusive com a faixa polêmica, lançou alguns clips e excursionou com seu show.

Quanto ao Zezé, o livro Meu Pé de Laranja Lima, que não era editado há anos naquele país, se tornou o número um em buscas por exemplares no Abebooks.com. O romance ressurgiu em várias partes da Asia Oriental.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Tenente Uhura mostra o lado cantora

Na pele da Tenete Uhura, Nichelle Nichols apareceu cantando no episódio 13 da primeira temporada de Star Trek. E claro que no ano seguinte, 1967, a própria se lançou como cantora em um LP.

O nome do disco foi oportunamente Down To Earth. E é importante dizer que foi oportuno, mas não oportunismo fonográfico, já que a moça realmente tinha voz, não estava simplesmente usufruindo da fama meteórica que alcançou.

Nas 10 faixas Nichols canta alguns hits de jazz de um jeito suave. A conhecida The Lady Is A Tramp foi uma delas, que você pode ouvir no player abaixo. 
Só voltaria a ter outro álbum em 1991, Out of This World, já considerada uma lenda da televisão e ficção científica. Esse hiato bem grande entre os dois trabalhos musicais não pode significar um fracasso.

A atriz viajou o mundo todo na companhia privilegiada da big band dos mitológicos Duke Ellington e Lionel Hampton. Ainda esporadicamente apareceu nas lojas com alguns compactos.
Após o sucesso de Star Trek continuou trabalhando bastante não apenas como atriz, mas até na NASA, onde participou do projeto de recrutamento de mulheres e minorias étnicas. Vida agitadíssima com os pés no espaço sideral.
Lynda Carter tenta ser maravilhosa cantando

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Freddie Mercury aprontando altas confusões no Brasil

Queen chegando ao Rio de Janeiro em 1985 / Youtube

Queen era uma lenda em 1985 e sua participação na primeira edição do Rock in Rio entrou para a história. O site lusitano Blitz trouxe esta semana algumas informações bem polêmicas dos bastidores dessa vida deles ao Brasil.

A fonte deles foi um produtor de backstage das três primeiras edições do evento que deu entrevista ao portal da Globo em 2011 (deve ser esta matéria do Extra). O nome dele é Amin Khader (Sim!!! Falaremos disso mais adiante neste texto).
Amin Khader nos bastidores do primeiro Rock in Rio / Youtube
Segundo Khader o pedido mais extravagante de Freddie Mercury e sua banda foi que no camarim devia estar esperando por eles uma garrafa de saquê a exatos 20°. Já no lugar do evento, a Cidade do Rock, a caminho do camarim eles se depararam com uma verdadeira comitiva de artistas brasileiros.

A lista seria Erasmo Carlos, Ney Matogrosso, Elba Ramalho e Alceu Valença, todos ávidos por um contato com o super astro internacional. Mercury quis saber quem eram aquelas pessoas e ouviu do produtor que: "São artistas com o mesmo status que você".

Freddie foi enfático em responder: "Não são. Porque eles me conhecem e eu não sei quem eles são. Por isso, acho que não somos do mesmo status". Sem mais, ele avisou que se os artistas brasileiros não saíssem dali, os seguranças do Queen tratariam de fazê-lo.
Os famosos brasileiros então liberaram a passagem.  Antes, ainda conforme as memórias do Khader, presentearem Freddie Mercury com um coro de boas-vindas: "Bicha! Bicha! Bicha!".

Fora isso ele contou sobre uma quebradeira no camarim e um pedido do vocalista antes de entrar no palco: “Quero 20 homens grandes e musculados. Dez negros e dez brancos!". Esse teria sido o motivo para o apoteótico show ter começado com duas horas de atraso.

Então, finalmente descobrimos de onde saiu Amin Khader!!! Daquelas subcelebridades que volta e meia surgem nesse Brasil de meu deus já paparicado, levado em relevância por alguns e a gente se pergunta se brotou do nada em algum quintal feito cogumelo.

E quem conta aos portugueses qual é a credibilidade desse senhor no Brasil de hoje? Tô nem aí...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Yara Amaral em seu melhor

Yara Amaral é sem dúvida uma das maiores atrizes do país. Deixou um curto, mas primoroso legado na TV e cinema e este vídeo é para celebrar sua trajetória.

Selecionei cinco dos seus trabalhos que mais me marcam. Tive que deixar muita coisa boa de fora, mas me policiei apenas a uma quantidade pequena de títulos mesmo.

Você provavelmente deve ter outros favoritos. Yara sempre valia a pena e está na nossa memória afetiva de maneira única.

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

4 vezes Terry, o Totó

Com Shirley Temple em Olhos Encantadores (Bright Eyes, 1934 de David Butler)
Passando nervoso em As Mulheres (The Women, 1939 de  George Cukor)
Entrando para a posteridade em O Mágico de Oz (Wizard of Oz, 1939 de Victor Fleming e outros)
No colo de Ann Sheridan em Mania de Antiguidades (George Washington Slept Here, 1942 de William Keighley)

De todos os animais celebridades de Hollywood, Terry merece ser destacado porque teve uma carreira como ele mesmo. Vários animais foram Lasie, Ri-tin-tin, Benji ou Fliper, mas Terry foi um interprete de vários personagens.

Claro que seu papel mais famoso é como o Totó,  inseparável companheiro de Dorothy no clássico O Mágico de Oz (Wizard of Of, 1939 de Victor Fleming e outros). Tanto que seu nome está creditado como Totó e foi trocado para o mesmo após o filme.
Terry, que tem carinha de vira-lata, mas é um Cairn Terrier, nasceu em 1933, estava com seis anos na época deste grande filme da MGM. Já tinha sete títulos no currículo, chegando a estar em cartaz ao mesmo tempo em várias produções estreladas por  gente como Shirley Temple, Ginger Rogers, Joan Crawford e Joan Bennett.  

Ele pertencia ao treinador Carl Spitz, que embolsava 125 dólares semanais por O Mágico de Oz. Muito mais do que qualquer ator que tenha interpretado os Munchkins.

E não importa o quão fofinho eles pareçam na indústria do entretenimento, podemos apostar que qualquer animal queria estar em casa sendo apenas um animal. Terry sofreu pelo menos um grande acidente enquanto interpretava Totó.
Pisado sem querer por ator que interpretava um guarda Winkie, muitos acharam que ele não sobreviveria. Por sorte apenas quebrou uma patinha, tendo sido substituído nas filmagens por algumas semanas até poder concluir o filme.

Até 1945 ele apareceu em outros 13 filmes, falecendo aos 11 anos de idade. Seu corpinho foi sepultado na fazendo o treinador, mas destruído em 1958 quando o governo requereu as terras para passar uma estrada.
Wikipedia
Finalmente ele foi homenageado com um memorial permanente no Hollywood Forever Cemetery, em Los Angeles em 2011. Ao lado de sua escultura existe um sapatinho de rubis.

Houveram muitos outros animais amados pelo público, lembrando inclusive do Asta, que participou naquela mesma época, a Era de Ouro de Hollywood. Mas após 80 anos nenhum é tão celebrado pelo grande público quanto o Totó.

Com infos de Vintage News e outros lugares

Veja também:
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Ding, dong! A bruxa é simpática!
A Lassie da vida real
Para sempre Asta
Puppy, o cãozinho dos filmes do Tim Burton
O célebre esquilo da Liz Taylor
Mister, o melhor amigo de Billie Holiday

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Sério acidente no set que não foi bem assim

O show não pode parar, ou, faz de conta que quase parou. Bom, pra você que vê lindas garotas sendo carregadas por monstros da ficção científica e se pergunta se nunca houveram acidentes, este é um caso!

Esta foto de Julie Adams recebendo atendimento médico no set de O Monstro da Lagoa Negra (Creature from the Black Lagoon, 1954 de Jack Arnold) correu o mundo! Na imagem além de Julie Adams (que faleceu recentemente), a enfermeira e o monstro preocupado (Ben Chapman), aparecem os atores Richard Carlson, Richard Denning e o diretor Jack Arnold.
Durante as filmagens daquele dia as lentes da máscara da criatura embaçaram e ele acabou batendo a cabeça da atriz numa rocha cenográfica. Foi divulgado e se criado a lenda de que na hora Adams perdeu os sentidos no acidente e só despertado no momento da foto.

Muitos anos mais tarde a atriz ria sempre que mencionavam esta foto, porque na realidade a gravidade foi ZERO. Ela realmente bateu a cabeça no cenário de papel maché enquanto interpretava estar desmaiada nos braços da criatura, mas o resultado foi apenas um arranhão na testa, bem longe de ter sido nocauteada.
Na hora alguém da Universal Studios teve a brilhante ideia de chamar o fotografo para registrar o momento dos primeiros socorros e assim o assunto perdurou por décadas, recobrando fôlego na internet. “Ainda amo ver a foto de Ben em seu traje de criatura olhando por mim com solicitude enquanto a enfermeira cuida da minha testa. No final, foi um incidente muito pequeno e a produção foi retomada cerca de quinze minutos depois.” relembrou a atriz em 2011.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

O improvável romance de ícone gay com cantora de jazz

Na explosão do cinema pornô, ali nos anos 70, depois do absurdo sucesso de Garganta Profunda (Deep Throat, 1972 de Gerard Damiano), Jack Wrangler se notabilizou como um viril super astro de produções voltadas ao público gay. Seu romance com a cantora popular  Margaret Whiting causou muito burburinho e contrariou a opinião pública.

Após alguns anos Wrangler chegou a fazer filmes para o público hetero, mas seu nome é associado até hoje com a cultura LGBTQ+. Antigamente era comum celebridades gays se declararem bissexuais, o que de alguma forma pode ser compreendido como um jeito de amenizar o impacto da sua homossexualidade diante do público, mas Jack Wrangler sempre se declarou gay.

Estamos falando de outra época, quando o êxito nas bilheterias quase transformaram o cinema adulto numa forma de entretenimento como outra qualquer. Os ataques morais do governo dos EUA e a popularização do VHS levaram tudo ao chão.

Então, nomes da indústria X-Rated eram celebridades que frequentavam revistas semanais, talk shows e toda mídia que os famosos possuem. Pós revolução sexual, fazer sexo em frente às câmeras era libertador, não havia o peso de hoje.

Em 1976 Wrangler estava numa boate dançando quando vislumbrou uma verdadeira divindade, a cantora Margaret Whiting. Em suas palavras: "Eu olhei para Margaret, cercada por cinco caras. Lá estava ela... com o penteado... as estolas... os diamantes e os gestos. Eu pensei, ‘Rapaz, isso é Nova York! Isso é glamour. Eu tenha que conhecê-la! ’".
Ele estava com 48 e ela com 70 anos. Margarida Whiting, cantora reminiscente da era de ouro da Big Bands, vinha de três casamentos e estava divorciada a quase 30 anos de um dos magnatas fundadores da Panavison.

Logo eles engataram um romance e o falatório começou tanto entre gays quanto heteros. O ator, obvio, foi acusado de tentar se passar por heterossexual de olho no dinheiro dela, mas ele insistiu em se declarar gay.

Em entrevista à revista Advocate em 2008 ele reforçou explicando: “Eu não sou bissexual e não sou hetero. Sou gay, mas eu nunca poderia viver um estilo de vida gay, porque eu sou muito competitivo. Quando estava com um cara eu sempre quis ser melhor do que ele: o que estávamos realizando, o que estávamos vestindo - qualquer coisa. Com uma mulher, você compete como um louco, mas vem de diferentes pontos de vista, e, tanto quanto sei, isso era factível".
Como é óbvio, o relacionamento de Wrangler e Whiting a princípio não foi nada fácil com ambos lutando contra a homossexualidade dele.  Durante uma das brigas públicas, em um restaurante, ele chegou a gritar que era gay e a parceira respondeu que “é apenas nas bordas, querido”.

Wrangler contou em entrevistas posteriores que a princípio teve consciência de que não poderia continuar saindo com caras porque quando chegasse em casa poderia encontrar Whiting do lado de fora, sentada ao lado de suas malas. Então, pra não viver com essa culpa jurou fidelidade tendo sua vida sexual restrita a masturbação, coisa que, segundo o próprio, era bom.

Com cinema pornô entrando em colapso nos anos 80, Wrangler abandonou a carreira no gênero para se firmar no teatro tradicional e shows de entretenimento em casas noturnas. Sua namorada não concordava com a pornografia.
O casal nos anos 90 quando finalmente casou / foto de Eric Stephen Jacobs 
Mesmo perante as dificuldades iniciais, o casal permaneceu junto, formalizando o casamento em 1994. E continuaram casados, ao contrário do que muitos achavam, até que a morte os separou!

Jack Wrangler faleceu em 2009, aos 62 anos, de enfisema e a viúva Margaret Whiting faleceu em 2011, aos 86 anos de idade, de causas relacionadas a idade avançada. Um relacionamento que causou polemica por ser fora das convenções, mas sólido na amizade e companheirismo além do sexo.

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