sexta-feira, 29 de março de 2019

Estreia de Gretchen no cinema e o erro que todos nós acreditávamos

O fenômeno Gretchen estreou no cinema em 1979 sob direção do chanchadeiro J.B. Tanko.  O filme era o musical Vamos Cantar Disco Baby, veículo para levar às telas o grupo feminino As Melindrosas.

Ela interpreta uma assistente social social do orfanato religioso em que as Melindrosas moram. Gretchen tem um número musical com a canção “Mulher Outra Vez" que você assiste no player abaixo.

A história é aquela majadíssima em muitas fitas americanas da Sessão da Tarde. Um grupo de empresários malvados quer derrubar o orfanato para construir um shopping, mas as Melindrosas após um sonho mágico ganham o poder de cantar e passarão o tempo todo fazendo isso mesmo.

Em sua formação original As Melindrosas tinha as irmãs Sula (na época Suely) e Yara Miranda mais a amiga Paula. Fizeram muito sucesso com o LP Disco Baby, onde em coro cantavam musicas populares infantis em ritmo de discoteca semelhante ao que a Harmony Cats fizeram na época.
Viajante Do Tempo Real
E o erro histórico você já deve ter percebido no parágrafo acima. Gretchen nunca pertenceu às Melindrosas. NUNCA! É uma pergunta até que boa pra um quiz e que muita gente erraria.

Inclusive o verbete do grupo na Wikipédia consta que Gretchen saiu após alguns meses para seguir a bem sucedida carreira solo que dura até hoje. E é essa info que está espalhada pela web afora!

Eu mesmo vivi até aqui jurando que sim, mas a própria Gretchen explicou em um episódio de Os Gretchens, reality show do canal Multishow, que obviamente, reuniu as irmãs Miranda em 2017. Sua carreira foi desenvolvida paralelamente à das irmãs, seu primeiro compacto teria sido gravado antes do LP Disco Baby, mas saiu logo depois.
As Melindrosas Sula e Yara em 2017 no Multishow

Ocasionalmente ela fez participações em gravações e apresentações como no caso do filme, mas não era uma “melindrosa”. Ela e as irmãs eram da mesma gravadora, a lendária Copacabana, o que estreitava a possibilidade de  ~ feat. ~.

Talvez por ter feito muito, mas muito sucesso mesmo, Gretchen, que ironicamente retirou seu nome artístico do título de um filme (Aleluia, Gretchen, 1976 de Sylvio Back)  não teve uma carreira muito longa no cinema. Participaria depois de Aluga-se Moças (1982), A Rota do Brilho (1990), ambos sob direção de Deni Cavalcanti e  do documentário biográfico Filme Estrada (2010 de Eliane Brum, Paschoal Samora).
1982 Vs. 1994: Gretchen como atriz para Deni Cavalcanti 
A Rota do Brilho foi lançado nas telas em 1994, no embalo do escândalo da modelo Lílian Ramos ter sido fotografada sem calcinha ao lado do presidente Itamar Franco. Foi seu nome, não o de Gretchen, que recebeu destaque no pôster e nas primeiras capas do VHS.

Em 1994 Gretchen estava bem distante de seus tempos áureos, mas nada como um dia após o outro e daquele elenco é a única a ser celebrada hoje. Nunca vi memê da Lilian Ramos.

Veja também:
Os Três Patinhos, os amiguinhos da Gretchen
A fotonovela da Gretchen

quinta-feira, 28 de março de 2019

Efeitos especiais a lenha!

Efeitos especiais não nasceram ontem, com o último filme da Marvel ou DC. Sempre existiram e no vídeo desta semana vemos seis incríveis exemplos em filmes (dos anos 40 aos 80!) que provavelmente você nem percebeu que era apenas um truque.

Se agora efeito especial é necessariamente obrigatório, afinal, o cinema de fantasia se tornou o principal carro chefe de Hollywood, houve um tempo em que seu uso ostensivo gerava debates. E outro tempo em que eles eram uteis para concretizar partes de um roteiro.

Como sempre, peço para deixar seu like no vídeo e se inscrever no canal! https://www.youtube.com/c/DolceVideo
Obrigado desde já!

quarta-feira, 27 de março de 2019

Alta definição revelou que ator em seriado 80’s estava sem cueca

 Virou uma espécie de lenda urbana da TV, mas é real! Décadas após ser produzido, inocente seriado dos anos 80 foi reprisado e um telespectador atento notou que o ator principal tinha acidentalmente mostrado um testículo.

A sitcom foi Three’s Company (no Brasil foi intitulada Um é Pouco, Dois é Bom e Três é Demais), amada pela família tradicional americana por incríveis nove temporadas. Desde o seu fim em 1984 os episódios foram reapresentados inúmeras vezes sem que ninguém falasse nada.
Até ser exibido em 2001 no canal infantil Nickelodeon no bloco que eles chamavam de Nick at Nite! Alguém ligou na emissora dizendo que o episódio estava um saco. Não! A pessoa simplesmente ligou à emissora contando o que viu.

Na cena (que você pode assistir abaixo com uma qualidade bem ruim) o ator John Ritter usa um daqueles shortinhos típicos da época e se senta na cama pra tirar os sapatos. É rápido, rápido, mas está ali (e há incontáveis prints pela web afora)!
A emissora teria confirmado que realmente era as partes íntimas do ator e prometido retirar os frames para as próximas exibições. Quando foi lançado em DVD nos EUA estava tudo conforme exibido em 1983.

A FremantleMedia, que distribui o programa, também se manifestou a respeito dizendo que era pouco perceptível em condições normais. “Há um nano-segundo em que certa carne brilha, mas não tanto que você realmente notaria, a menos que estivesse olhando especificamente para ela.”, ué, mas quem não olharia?

No mesmo episódio (S08E11), algumas cenas antes, o mesmo ator entra em cena usando outro diminuto short de jeans hiper na moda e já se senta com as pernas abertas. Qualquer telespectador mais atento deve ter entendido aquilo como prenuncio do acidente.
John Ritter era um astro tipicamente da televisão dos EUA, de um tempo em que era mais definido entre quem era de cinema e de TV. Muito popular lá, aqui ele deve ser mais lembrado como o pai do protagonista na comédia O Pestinha (Problem Child, 1990 de Dennis Dugan).

Ele faleceu precocemente em 2003, aos 53 anos de idade, por problemas cardíacos. Mas antes disso ouviu falar na polêmica do tal episódio em que abre as pernas e que nem ele havia notado.
Perguntado a respeito pelo jornal New York Observer Ritter respondeu com bom humor: “Pedi à Nickelodeon que exibisse as duas versões, editado e normal. Porque às vezes eu me sinto um saco e às vezes não”.

terça-feira, 26 de março de 2019

Primeiro lugar na parada da URSAL

Tango dos Barbudos é uma coletânea de tangos famosos lançada na Itália em 1961. E foi um sucesso nas vitrolas mais antenadas, como os ventos que sopravam no período após a Revolução Cubana em 1959.

A primeira faixa leva o mesmo título do disco e começa com um tiroteio, mas hit é Tango Fidel que se encontra no lado B. Você pode ouvir no player abaixo.
O compacto, que não deixa de ser mais uma apropriação dos movimentos populares pelo capitalismo, é um trabalho do italiano Vinicio E Sua Orquestra. Ele também foi distribuído em outros países da Europa.

Em Portugal, de onde veio a capa que ilustra este post, chegou oportunamente por volta de 1974, segundo a pessoa que publicou a faixa acima (Artigo no jornal Público diz que é bem antes e houve uma tentativa do governo de confiscá-lo) . Ano em que o país viveu a Revolução dos Cravos, ou Revolução de Abril.

Quando saiu em LP preservaram a arte, mas o nome virou Música Para Dançar, bem mais apto para públicos de todas as vertentes políticas despostos a cair no tango. Claro que o slogan revolucionário “Por nos, por vos (por todos)” também cairia nessa nova versão, sendo trocado por “Super Budget”.
Observando a discografia do Vinicio podemos julgar não haver intenção política alguma além de celebrar o momento. Também são dele os discos Dracula Tango, Satanik Tango (Referência ao personagem pulp dos quadrinhos) e Tango 007, pra você ver como o que valia era estar na crista da onda.

domingo, 24 de março de 2019

Faleceu Larry Cohen diretor de Nasce Um Monstro e A Coisa

Verdadeira lenda do cinema B, Larry Cohen faleceu aos 77 anos de idade neste fim de semana. Com a maioria dos nomes envolvidos com filmes de baixo orçamento, ele se ocupou de várias funções, mas será lembrado como o diretor de Nasce Um Monstro (It's Alive, 1974) e A Coisa (The Stuff, 1985).

A Coisa foi muito popular no Brasil nos anos 80 ao ser exibido na TVS (atual SBT), gerando uma sátira no TV Pirata da Rede Globo. No grande boom do DVD o filme voltou a ser bastante lembrado com exemplares sendo vendidas até em supermercados.
Como roteirista se destaca o seu Maniac Cop: O Exterminador (1988 de William Lustig), um personagem original disputando a atenção entre tantos serial killers de slashers da época. Conseguiu criar aí uma franquia explorada em outros dois filmes e um remake a ser lançado.
Mas nem tudo foi B em sua trajetória. Também em 89 ele dirigiu Bette Davis, a estrela classe A, em A Madrasta (Wicked Stepmother), o que viria a ser o último filme do grande mito hollywoodiano.

Após filmar algumas cenas Bette Davis disse estar enojada ao ler o roteiro e exigiu mudanças. Como se recusaram a reescrever ela abandonou o projeto, aparecendo apenas por cerca de 11 minutos.
Larry Cohen e Bette Davis em tempos felizes                         Divulgação
O diretor então foi á imprensa alegar que ela abandonou as filmagens por problemas de saúde, o que enfureceu a atriz, já que poderia nunca mais arrumar outros papeis se achassem que ela estava doente. Cohen, que a considerava a “maior estrela feminina de Hollywood”, anos mais tarde lamentou tudo e assumiu ter ajudado a mata-la no que começou como “uma forma de ressuscitar sua carreira, terminou como o último prego em seu caixão.”

Reprisado algumas vezes na Sessão da Tarde, de qualquer jeito, o filme passou a ser o cartão de visita de Bette Davis para uma geração de crianças que ainda ignorava seu passado glorioso. Ela aparecia pouco sim, mas seu nome aparecia com destaque nas chamadas da Globo.

O último trabalho de Larry Cohen na direção foi em um episódio da serie Mestre do Terror de 2006. Único filme que dirigiu e não roteirizou, manteve no set o roteirista para que ele acompanhasse as alterações que ia fazendo, uma cortesia que jamais teve com seus textos.

Veja também:
"Que coisa grande!" - A Coisa, ícone do cinema B 80's
Bette Davis e maldades para criancinhas

sábado, 23 de março de 2019

Homenagem a Vincent Prince por John Waters emociona

O canal TCM transformou o mitológico Vincent Price em estrela do mês do canal e chamou John Waters para narrar a trajetória do ator e contar as influencias em sua vida. E quem imaginaria que uma homenagem do diretor de Pink Flamingos seria tão emotiva?

Produzido em 2013, só agora foi upado no Youtube com legendas em português! Delicie-se no player abaixo.
 John Waters, celebrado a princípio como Papa do Vômito, Rei do Nojo, não parece mesmo o diretor vivo mais indicado a falar sobre Vincent Price (Tim Burton talvez?). Até lembrarmos que ele sempre citou William Castle, diretor que tinha na figura de Vincent Price um emblema.

Ao assistirmos a homenagem do TCM percebemos tantos possíveis elos entre as filmografias de ambos. Por exemplo, as experiências malucas de William Castle com a plateia como o Emergo em A Casa dos Maus Espíritos (House on Haunted Hill, 1959) ou o Percepto em Força Diabólica (The Tingler, 1959) pode ter algum paralelo com o Odorama que Waters utilizou em Polyester (1982).
Waters assume que teve o privilegio de assistir a ambos os filmes em sua época nos cinemas de Baltimore quando era garoto. Sessão lotada de garotos de 14 anos e um esqueleto de mentira atravessando a sala preso a fios. Que espetáculo deve ter sido!

Aliás, John Waters interpretou o diretor William Castle em um episódio da série Feud de 2017, pra gente estreitar os laços ainda mais! Fisicamente não é nada parecido com Castle, mas vamos combinar que Jessica Lange, uma das protagonistas, também passou longe de Joan Crawford.
Voltando a Vincent Price, Waters destaca que diante de toscos efeitos especiais ele nunca pisca para nós como quem diz que isto nos diminui, “porque isso nunca nos diminui, mas nos inspira”. Alguém inclassificável, mesmo com tanta classe, "Até mesmo em filmes bobos, Vincent Price não era camp. Camp é alguém tão ruim que fica bom. Vincent Price era alguém tão ótimo que era perfeito!".

Bem, acho que está claro o quão precioso é este vídeo. Para salvar e guardar para a posteridade.

Veja também:
20 coisas que aprendemos nos filmes do John Waters
Pink Flamingos e a receita de como promover um filme sem dinheiro
John Waters fala sobre Trog!, Joan Crawford e a tirania do bom gosto
Russ Meyer por John Waters (Agora ricamente ilustrado!)
O que tinha numa noite fraca de programação de filmes na TV em 1973
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quinta-feira, 21 de março de 2019

Mascotes conhecidos e outros nem tanto

Mascotes de produtos e empresas marcam a infância no mundo todo. No Brasil ainda mais, porque não tínhamos animação exclusivamente brasileira fora dos intervalos comerciais.

Listei alguns memoráveis e um extremamente bizarro, mas que já foi muito popular no Brasil durante os anos 70: O Brasilino. Se você nunca ouviu falar nele, é provável que seus pais ou seus avós já!

Por incrível que pareça, neste vídeo esqueci de pedir pra deixar seu like no vídeo e se inscrever, caso seja novo no canal. Então, dou uma reforçada no pedido aqui! https://www.youtube.com/c/DolceVideo

quarta-feira, 20 de março de 2019

Joan Crawford e Barbara Stanwyck melhores amigas pra sempre

Dizem que quando Joan Crawford morreu em 1977 haviam apenas duas fotos decorando seu apartamento: Uma era do presidente John Kennedy e a outra da colega Barbara Stanwyck.  As duas lendas preservaram uma amizade que durou décadas!

Como sabemos como o mundo é e até foi, em alguns momentos, rentável para ambas, a inimizade de Joan com Bette Davis é bem mais conhecida e saboreada por fãs até hoje. Stanwyck nem é citada em Feud, série de 2017 que retratou a conturbada relação entre Joan e Bette.
Crawford e Stanwyck se conheceram ainda jovens, mas os elos teriam se estreitado quando eram vizinhas na Califórnia, segundo Christina Crawford, filha de Joan. Numa noite, para escapar das agressões do marido Frank Fay, Barbara escalou e pulou o muro que separava as casas e pediu abrigo à amiga e assim viveu cerca de uma semana com Joan Crawford.

De postura rígida, mas de temperamento oposto ao de Joan nos sets era muito querida por quase todos. Marilyn Monroe era uma novata quando co-estrelou Só a Mulher Peca (Clash by Night, 1952 de Fritz Lang) e contou que dos veteranos de Hollywood apenas Stanwyck lhe foi gentil.
Stanwyck lendo as notícias na cama com a foto do esposo Robert Taylor no criado mudo
Missy, como era chamada pelos mais próximos, tentou estrelar Almas em Suplício (Mildred Pierce, 1945 de Michael Curtiz), afinal, já tinha sido uma mãe guerreira em Stella Dallas, Mãe Redentora (1937 de King Vidor). Joan Crawford chegou na frente e conquistou seu primeiro e único Oscar, coisa que Barbara Stanwyck nunca conseguiu, embora tenha sido indicada quatro vezes e levado um premio honorário da academia em 1982.

A jornalista de mexericos Shirley Eder conversou com as duas já no final da década de 60 em Nova York e gravou. Crawford conduziu a conversa e, como quem sabe bem da personalidade geniosa da amiga, Stanwyck se manteve reverente e ainda lembrou que Joan tem um retrato seu na sala facilmente há 20 anos, o que foi prontamente corrigida pela outra, porque na verdade eram 22 anos!
Com seus respectivos maridos Franchot Tone e Robert Taylor na década de 30  
Mas a amizade era totalmente off hollywood e foram perguntadas porque não se socializavam também quando estavam na Califórnia, se era sinal de que a carreira vinha em primeiro lugar e Joan Crawford gritou que  “bem, nós precisamos. Isto é um negócio. Somos treinadas e criadas em um negócio.”. 
O blog Stargayzing, explica bem que “A entrevista estabelece que essas duras estrelas de Hollywood são BFFs porque Stanwyck admira Joan e Joan gosta que Stanwyck admira Joan. “

Em outra entrevista ainda à Eder, mas agora sozinha, Stanwyck se lembrou dos primeiros anos em que conheceu Crawford pessoalmente, nas badalações de Hollywood dos anos 30: “tão má, tão desagradável, tão amarga”. Numa festa realizada pela filha de Louis B Meyer (chefão do estúdio MGM), Joan teria ficado mortalmente ofendida por não estar sentada à mesa principal.
Crawford não se importar em fazer uma cena na casa da filha de seu tirânico chefe diz muito sobre seu temperamento. "ela era um filha da puta desagradável... fiquei chocada!"  exclamou Stanwyck antes de afirmar que Joan é do tipo que pode "olhar bem nos nossos olhos e mentir".

No site The Best os Everthing há pelo menos uma carta de Joan para Barbara  muito divertida, mas que dá a entender que houve alguma rusga que elas tentavam superar. Datada de 1962, provavelmente Stanwyck enviou de volta adicionando um comentário à mão.

Literalmente ela diz:
22 de dezembro de 1962
Barbara querida,
Seu cartão de Natal é a coisa mais alegre, mais charmosa e mais feliz que já vi. Obrigado por pensar em mim.
E agora vamos acabar com esse absurdo - estarei em Los Angeles em janeiro e, porra, vamos jantar juntas.
Feliz, feliz Ano Novo, Barbara querida.
Amor, Joan

Aí a outra escreveu abaixo com uma letra enérgica: "Que linguagem! REALMENTE!!!"

E assim, não se largaram nunca. Tiveram um romance? Foram amantes? Provavelmente! Ou não, embora imaginar esses dois totens da era de Ouro de Hollywood se relacionando como um casal em meio a tanto machismo e homofobia tenha um sabor especial.

Com infos do Stargayzing

Veja também:
O menino que amava Joan Crawford
Joan Crawford Vs. Liz Taylor: A treta!
10 coisas que fazem o coração de Barbara Stanwyck bater mais forte

segunda-feira, 18 de março de 2019

Agradeça a uma minissérie americana pelo sushi

Mesmo de época, a minissérie Shogun é acusada, entre outras coisas, pela popularização de hábitos no ocidente. Com a internet estreitando o mundo, será muito mais difícil que ocorram fenômenos culturais como a produção estrelada por Richard Chamberlain e Toshiro Mifune em 1980.

Consta no documentário The Creation of Shogun (presente como extra no DVD) que até aquele ano a população dos EUA não tinha o hábito de frequentar restaurantes japoneses ou de comer sushi. Foi com o enorme sucesso da adaptação do livro de James Clavel para a TV que as coisas teriam mudado.

Um bom registro do estranhamento que a comida causava está no filme Clube dos Cinco ( The Breakfast Club de John Hughes) de 1985. Causa repulsa a todos quando a jovem descolada Claire (Molly Ringwald) diz que vai almoçar sushi e explica o que é: arroz, peixe cru e algas marinhas. 
Se hoje é banal e em qualquer parte tropeçamos em uma temakeria ou coisa que o valha, é provável que seja culpa de Shogun. Claro que foi a mania nos EUA a partir de 1980 que puxou todo o planeta ao consumo, não o programa em si, afinal, em outros países a minissérie não teve o mesmo impacto.

O Brasil é um caso sintomático e mostra ainda como as coisas demoravam a chegar até nós. Uma pesquisa no acervo do jornal Folha de São Paulo, por mera curiosidade, mostra que antes de 1980 o termo “Sushi” era quase ausente das publicações do jornal.
Sendo que a maior comunidade japonesa fora do Japão fica em São Paulo. Há registros bem anteriores de consumo de culinária japonesa no bairro da Liberdade por ocidentais, como, por exemplo, no filme Noite Vazia dirigido por Walter Hugo Khouri em 1964.
Mas aí a poder chamar de “popularizado”, são outros quinhentos, né? Era uma elite que frequentava o “exótico” bairro paulistano, não um quiosque em shopping center ou uma bandeja de sushi de manga num quilão da vida.

Antes de ser exibido na televisão daqui, a minissérie Shogun apareceu nos cinemas brasileiros em 1981! Para isso, as 12 horas originais foram condensadas em duas, o que gerou reclamações da crítica, mas ainda assim, conseguiu ficar meses em cartaz.

Francamente não sei como sem uma dezena de horas ainda pode fez algum sentido. Esta versão diminuta também foi distribuída pela Paramount nos cinemas da Europa e posteriormente utilizada nos EUA quando saiu pela primeira vez em videocassete.
Na televisão, Shogun foi anunciado como pertencente ao pacote que a Bandeirantes (atual Band) exibiria em 1982, mas só estreou mesmo na TV Globo em 1984. Quatro anos após a estreia original e ainda reeditada em 10 capítulos, dois a mais do que na americana NBC.

Testemunharíamos o sushi aparecer com naturalidade no horário nobre em 1988, na novela Vale Tudo. A cosmopolita jornalista Solange Duprat (Lídia Brondi) o serve em casa ao suburbano bonitão André (Marcello Novaes).
A ideia era seduzi-lo pra fazer um filho de forma independente e sushi parecia ser um bom caminho. Pois é, 1988, uma moça bem informada coisa e tal, ignorando a necessidade do sexo seguro, mas pelo menos todos já sabiam manusear o hashi com desenvoltura.

Update: O Jorge Wakabara lembrou da série brasileira Armação Ilimitada de 1985. Realmente no primeiro episódio (Um Triângulo de Bermudas) aparecem alguns sushis porque o Juba tem uma namorada japonesa bem estereotipada e apenas o casal os come, o resto, inclusive o menino Bacana (que diz não gostar dessas comidas de palitinho), comem cachorro quente. 

sábado, 16 de março de 2019

Você pode dormir e até comer churrasco no posto original de O Massacre da Serra Elétrica!

Algum gênio comprou o velho posto de gasolina utilizado de locação para o Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, 1974 de Tobe Hooper) e o transformou em pousada! Duas coisas em que norte americanos são ótimos em cultivar: memória popular e atrações de beira de estrada.
Frame do filme com a fachada em 1974
O velho posto ainda era apenas uma casinha branca no meio do nada, ou melhor, na rodovia 1073 em Bastrop no Texas. Ele foi reformado tal e qual aparece na película de Hooper, inclusive com a máquina de Coca-Cola antiga e as duas cadeiras na frente, azul e vermelha, e não só!
Outro frama com detalhes da frente do posto em 1974
Construíram nos fundos alguns bangalôs para quem quiser passar a noite ali e ter alguns bons pesadelos... Como dá pra ver pelas fotos há bastante espaço caso você tenha que correr no meio da madrugada.
Como você deve se lembrar, no filme o “We Slaughter Barbecue” parece ser um lugar bucólico, mas é administrado por uma família de doentes mentais. Aparece duas vezes, quando o grupo de amigos chega na van verde para abastecer e fazer perguntas e depois quando a Marilyn Burns vai pedir socorro.
Além de ponto turístico, posada, há a inevitável lojinha de suvenires com fotos autografadas do elenco e toda sorte de quinquilharia referente ao cinema de horror. Outra atração, que também exige certa coragem, é o churrasco, conforme você vê no print da página do lugar.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Até possível erro de Hitchcock é analisado

Alfred Hitchcock cercou seus filmes de tantas camadas que até possíveis erros são analisados e debatidos sobre possíveis intenções propositais. No vídeo desta semana conversamos sobre a vila onde mora a mãe da protagonista de Marnie, Confissões de Uma Ladra (Marnie, 1964).

No final da rua existe um navio atracado que até hoje gera discussões em livros, documentários e na web. Bem longe de ser realista em um filme de um diretor famoso por tentar a perfeição.

Como sempre, peço que curta o vídeo e, se ainda não o fez, se inscreva no canal! https://www.youtube.com/c/DolceVideo

quarta-feira, 13 de março de 2019

Bonita pra caramba: Até Martha Rocha enfrentou uma "Garota da Laje"

 O que seria de um concurso de beleza sem uma perdedora inflamada? O Miss Brasil 1954 é bastante lembrado por ter eleito Martha Rocha, aquela que teria perdido o miss Universo por duas polegadas a mais, mas na época se falou bastante também da carioca perdedora Patrícia Lacerda, a moça sem papas na língua da vez.

 Essa edição do concurso foi no Hotel Quitandinha quase que a portas fechadas. Não teria até então empolgado o grande público brasileiro até a perdedora ir parar nos jornais, revistas e rádios acusando o resultado de falcatrua.
O país eternamente dividido entre Emilinha e Marlene assumiu a contenda Martha e Patrícia. Havia apenas seis competidoras, mas Patrícia (ou Pat, como gostava de ser chamada) nem chegou as finalistas e se considerava favorita!

A página Miss Memorabilia conta que assim que saiu o resultado do júri (que entre outros incluía o poeta Manoel Bandeira, o pintor Santa Rosa e os escritores Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos) Patrícia alardeou a marmelada. Ela justificou a má vontade do júri – que denominou de boçalíssimo - por ser neta do poeta Coelho Neto (o júri era modernista)!
Disse também que o vestido de gala usado por Martha Rocha era horroroso e parecia traje de anjinho de procissão. Para Patrícia Lacerda não havia ninguém menos preparado a ostentar a faixa de miss Brasil do que a baiana de olhos claros: “não tem classe, não sabe usar um vestido, não sabe falar, não sabe andar, não sabia nem onde fica Long Beach, tem pernas finas e tortas, tem muito ventre e é deselegante”.

Logo mais, em agosto daquele mesmo, ano o Brasil se depararia com o suicídio do Presidente da República Getúlio Vargas. É obvio que o assunto do país mudou de foco, porém, em janeiro de 1955, durante a retrospectiva, a revista Manchete relembrando as personalidades de destaque no ano anterior (Nelson Rodrigues entre elas) deu uma boa notinha sobre Pat Lacerda e nada sobre a vencedora.
PATRICIA LACERDA - Já era artista de cinema. E resolveu ser Miss Universo. Não Chegou ao Miss Brasil - por causa de Marta Rocha e mais duas polegadas. Pôs a boca no mundo. Tornou-se a mais feroz inimiga da baiana. E varou o ano com o cartaz.

“Já era artista de cinema”. O concurso de miss era um trampolim para as beldades alçarem o estrelato. Tanto que um dos patrocinadores dessa edição de 1954 era a Universal Studios que ofertava à vencedora um contrato para ir trabalhar em Hollywood. Prêmio que Marta Rocha recusou.

A brasileira voltou de LosAngeles desencantada. Achou o ambiente hollywoodiano muito artificial e que não se acostumaria aquilo, ainda desmitificou o caché alegando que com os contratos que lhe ofereceram “mal poderia se sustentar na Califórnia”.

Já Pat Lacerda, “que já era artista de cinema”, havia aparecido aos 15 anos na comédia Com o Diabo no Corpo (1952 de Mario del Rio) e naquele mesmo ano em que tentou ser miss esteve nas telas em Rua Sem Sol (de  Alex Viany) ao lado de Glauce Rocha, Doris Monteiro e Angela Maria. Faleceu em 1973, aos 37 anos, pouco depois de se afastar do show business.

Veja também:
Miss Universo 1954: Duas polegadas a mais
A baiana que recusou Hollywood
Oportunidade de fama e fortuna

terça-feira, 12 de março de 2019

A sorte e as muitas versões de clássico do Mário Bava

É sempre bom contar com a sorte para filmes italianos clássicos.  As obras do diretor Mario Bava, por exemplo, sua maioria conta com diversos títulos e versões dependendo de vários fatores.

Rabid Dogs é conhecido também como Cani Arrabbiati, Man and a Boy, Kidnapped ou Semaforo Rosso. Rodado em 1974, teve a zica de ser um filme que Bava apostou tanto, mas o produtor faleceu antes de encerrar os trabalhos e todo material foi confiscado pela Receita.
Só viu a luz das telas em 1996 (alguns lugares contam como 1997) quando finalmente foi remontado, sonorizado e finalizado com o que deu. Em 2001 resurgiu na Europa um DVD com acabamento distinto.

Também em 2001, Lamberto  Bava, filho do agora falecido diretor, e o produtor Alfredo Leone resolveram remontar adicionando nova partitura de Stelvio Cipriani, planos e retirando outros que acreditava serem de desagrado do seu pai. Essa versão foi intitulada Kidnapped.
De lá pra cá ressurgiram no mínimo três outras versões e restauros, cada qual com mudanças principalmente no desfecho. Há edições em Blu-ray lá fora que incluem mais de uma versão.

Falei sobre esse filme aqui no blog pela primeira vez em 2010, sob o impacto de ter descoberto uma obra prima sem o menor exagero. Não faço a menor ideia de qual versão era, mas a abertura (conforme o post da época confirma) era a que você pode assistir no player abaixo.

As fontes amarelas com chanfro são bem feias e vemos a sombra enigmática de uma mulher no telefone chorando copiosamente. Com os títulos em andamento passasse a ouvir os acordes enervantes de Cipriani que pontuarão todo o filme.

Agora vi no YouTube a abertura feita para Kidnapped e é absolutamente diferente, conforme está no player abaixo. Lembrando que Lamberto Bava havia sido assistente de direção lá em 1974.
A música ainda é de Stelvio Cipriani, mas bem menos inspirado. Pra falar a verdade, lembra os créditos iniciais de um pornôzinho qualquer estrelado pelo Roberto Malone.

Não estou julgando os créditos de abertura para ter qualquer juízo de valor de toda a obra, apenas os usando para destacar as muitas versões existentes. E aí eu volto a falar sobre o fator sorte: Com tantas versões eu fui assistir logo a melhor ou qualquer montagem daquele material teria um resultado fabuloso?

Graças a Nossa Senhora das Torrents das Poucas Seeds hoje é possível tentar caçar o maior número possível dessas versões e tirar a prova dos 9. Em se tratando de Bava, nãos erá sacrifício algum.  

Veja também:
Rabid Dogs: Sob o domínio dos cães

segunda-feira, 11 de março de 2019

Luxo e lixo na 1ª temporada de Westworld em Blu-ray

Compra box de série em andamento tem lá seus riscos. No caso de Westworld a gente já sabe que dificilmente qualquer outra temporada superará a primeira “O Labirinto”.

Exatamente por isso, fiz questão de adquirir a ela assim que encontrei com um preço mais simpático. Neste vídeo de unboxing você acompanha minhas primeiras impressões ao desembalar do celofane.

Spoiler: Nem tudo são flores, embora seja uma caixa bem luxuosa.  Como sempre, peço sua ajuda para dar like no vídeo no Youtube e se inscrever no canal se ainda não o fez. https://www.youtube.com/c/DolceVideo

Para outros vídeos com avaliações de DVDs e Blu-rays clique aqui.

Mórbida enciclopédia lista celebridades suicidas

 O livro é de tão mau gosto que aparece nas mãos de David Hasselhoff em Clube dos Pervertidos (A Dirty Shame, 2004 de John Waters). John Waters também não conhecia a obra até ganhar de presente.

“Suicide in the Entertainment Industry: An Encyclopedia of 840 Twentieth Century Cases” ainda pode ser encontrado à venda na Amazon. Como o título indica, são 840 casos na indústria do entretenimento, englobando de 1905 a 2000.

Compiladas a partir do que foi publicado na Daily Variety, inclui casos envolvendo pessoas de vaudeville, TV, teatro, música e cinema e literatura. Não apenas as celebridades mais famosas, o que explica o número tão elevado de histórias.

Alguns casos são bem manjados, como o da jovem estrelinha Peg Entwistle que em 1932, após uma carreira fracassada, pulou do célebre letreiro de Hollywood (Hollywoodland na época). Falei dela junto a Barbara Bates, Capucine, Diana Barrymore entre outras beldades trágicas aqui no blog em um post de 2008.
O nome de Peg Entwistle finalmente no New York Times           Rare Newspapers
Mortes de causas acidentais são omitidas com exceções, como nos discutíveis casos de Marilyn Monroe e Dorothy Dandridge. Não há um consenso entre overdose acidental ou suicídio, mas são ícones que não poderiam ficar de fora.

David K Frasier, o autor, recentemente, voltou na mesma linha com “Show Business Homicides: An Encyclopedia, 1908-2009”. O livro sobre homicídios no Show Bussiness tem, obviamente, John Lennon estampando a capa.

E as vezes baixa a Sonia Abrão por aqui! Como a vida nem sempre é doce, o La Dolce Vita publicou algumas dessas histórias envolvendo celebridades:
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