terça-feira, 22 de agosto de 2017

Travolta, o cantor romântico

Não havia rostinho bonito que passasse incólume pela indústria fonográfica (independente do talento vocal). Assim, parece inevitável que John Travolta tenha tido seus dias de Fábio Júnior.

Lançou o single "Let Her In" em 1976, e alcançou a posição número 10 da Billboard Hot 100 de julho daquele ano. Na contracapa, claro, ele aparecia literalmente com em pelo.
Chegou a frequentar alguns programas de hits na TV. No vídeo abaixo sua visita ao American Bandstand rende alguns gritos nervosos da plateia feminina usa.

Travolta não cantava mal, embora a música soe de gosto bem duvidoso, como soa dez entre dez dessas canções para galãs.  1976 foi um grande ano para o ator que estava com 22 anos de idade que desfrutava já de certa popularidade graças a participações em produções para TV.

Além de cantor, naquele ano ele estreou como ator de cinema.  O namorado bonitão, porém abusivo da vilã Chris, interpretada pela Nancy Allen, em Carie, A Estranha (de Brian De Palma) era um papel pequeno, mas o filme foi um tremendo sucesso.

Na televisão ele ainda apareceria no dramalhão O Menino da Bolha de Plástico (The Boy in the Plastic Bubble de Randal Kleiser).  A produção de Aaron Spelling (de Casal 20, Barrados no Baile, As Panteras) se tornaria um clássico da cafonice televisiva.

Nos próximos dois anos alcançaria o status de super astro com Os Embalos de Sábado à Noite (Saturday Night Fever, 1977 de John Badham) e Grease: Nos Tempos da Brilhantina (Grase, 1978 de Randal Kleiser). Indicado ao Oscar pela primeira vez por os “Os Embalos” a subida foi tão rápida quanto a queda. 
Travolta já declarou que ficou tão famoso e era tão novo que achava que aquilo tudo seria para sempre. Como sabemos, para se reerguer teria que esperar 16 anos para provar certo milk-shake de cinco dólares.

Enquanto isso, ele continuou vendendo discos, não apenas com as trilhas sonoras dos filmes. "You Set My Dreams To Music" tocou bastante nas rádios brasileiras por fazer parte da trilha sonora internacional da novela Chega Mais, em 1980.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Cinco cenas de Jerry Lewis que marcaram nossa infância na Sessão da Tarde

O anúncio da morte de Jerry Lewis ontem, aos 91 anos de idade, encheu muita gente de saudosismo. Não é pra menos, seus clássicos das décadas de 50/60 foram exibidos na TV por anos a fio, eram “filmes maravilhosos” recomendados por nossos pais, avôs, tios.

Muitas crianças na década de 80 (e que estão quarentonas hoje) davam pulos de alegria quando chegava julho e a Globo anunciava Festival Jerry Lewis. Um filme dele por dia durante uma semana na Sessão da Tarde!
Quem tinha irmãos e irmãs se reuniam pra assistir, cada um se jogava num canto da sala, sofá, tapete, tanto fazia, só havia um aparelho de televisão na casa. Claro que estudavam pela manhã e sempre dormiriam até o final da Sessão da Tarde, mas Festival Jerry Lewis era um bônus das férias!!!

Repleto de gags, cada filme (apenas produções em technicolor da fase Paramount) nos alimentava de micagens para serem reproduzidas às gargalhadas por meses! Eram como memês daquele tempo, só quem tinha assistido entendia e dava risada de novo e de novo.

Selecionei cinco momentos de cinco filmes de um jeito muito pessoal. Provavelmente você e seus amigos tinham outras que foram lembradas com a morte deste eterno gênio.

- A cena do “Rapaaaaaz!” em Cinderelo Sem Sapato (Cinderfella, 1960 de Frank Tashlin)
Lewis é o pobre Cinderfella escravizado pela madrasta malvada (Judith Anderson de Rebecca, A Mulher Inesquecível -  que nós ainda não sabíamos quem era mais curtiríamos pacas no futuro!) depois que o pai morre.  Sentado no fundo de uma mesa enorme ele tenta comer, mas seu “irmão”, sentado na outra ponta, o chama toda hora pra pedir alguma coisa.

Bem, lá em casa a gente dizia “Rapaaaaaz!” para quem estivesse mais longe quando querimos que passassem a jarra de suco, ou a panela de alguma coisa. É uma bobagem hoje, né? Mas era divertido!

- Grande liquidação em Errado Pra Cachorro (Who's Minding the Store?, 1963 de Frank Tashlin)
Não há liquidação do Supermercado Guanabara que impressione quem viu Jerry Lewis sendo soterrado por senhoras atrás de uma pechincha. Não há também anúncio de uma grande barganha que não dê vontade de literalmente se jogar como no filme.

E quando a baciada de DVDs nas Lojas Americanas ficavam numa piscina Regan montada no meio da loja? Só facilitava a ideia de pular de cabeça!

- Comendo um grão de feijão com classe em Artistas e Modelos (Artists and Models, 1955 de Frank Tashlin)
É meu filme favorito de Lewis, aqui ainda em parceira com o Dean Martin (num alto grau de maravilhosidade! – mas minha mãe reclamava por ele parecer muito vaidoso). Poderia contar cenas e mais cenas fantásticas de Artistas e Modelos, mas vamos nos ater apenas à do feijão que culmina num banho de catchup.

Posso citar outra desse filme envolvendo comida também. Vem logo depois dessa, onde os dois são artistas em momento de vacas magras sem nada pra comer.

Martin vai dormir com fome e Lewis na janela começa a ouvir uma briga nos vizinhos do apartamento superior. O cara está furioso porque a esposa fez bife de novo e acaba jogando um pela janela.

Morando em apartamento não há briga de vizinho que eu não espere que um bife pule pela janela. Nunca aconteceu evidente.

- Luva de borracha para amamentar trigêmeos em Bancando a Ama Seca (Rock-a-Bye Baby, 1953 de Frank Tashlin)
Luvas de látex não eram lá muito comuns no nosso cotidiano, mas às vezes apareciam algumas ou pra lavar louça ou pra alguém que ia pintar o cabelo. Irresistível reaproveita-las pra encher de água.

- A implacável ressaca em O Professor Aloprado (The Nutty Professor, 1963 de Jerry Lewis)
Piada que entenderíamos após muitos anos, quando teríamos a primeira ressaca brava. Que sofrimento!

O Professor Aloprado, espécie de Médico e o Monstro sexual, não era de total compreensão infantil até no seu argumento central, mas quem se importava? A sucessão de piadas visuais e a berrante palheta de cores (azul, rosa e amarela) eram suficientes para ser um dos mais amados filmes.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A melhor reação a uma derrota no Oscar

Perder nunca é fácil! Ficar imortalizada diante das câmeras numa cerimônia transmitida para o mundo todo, então...

A atriz Talia Shire, por exemplo, competia ao Oscar por sua atuação em Rocky: Um Lutador (1976 de John G. Avildsen) e parece que estava certa da vitória! Bem como sabemos, Faye Dunaway levou a melhor por Rede de Intrigas (Network de Sidney lumet), assista ao vídeo do momento no player abaixo.

Caramba! Adriaaaaaaan!!!

E não sei o que dói mais. Perder em si ou perder para Faye Dunaway, a pior pessoa de Hollywood segundo Bette Davis, lembra?!

Dá até para imaginar reviravoltas nos bastidores semelhantes às da cerimônia de 1963 entre Davis e Joan Crawford, relembre o embate das duas clicando aqui. Claro, apenas me divertindo com a desgraça alheia e supondo.

Talia Shire já havia sido indicada em 1975 por seu papel de coadjuvante em O Poderoso Chefão II (The Godfather: Part II) dirigida pelo irmão Francis Ford Coppola. Perdeu para Ingrid Bergman e chegou a aplaudir sorrindo a colega, bem diferente desta segunda vez.
Faye Dunaway estava em sua terceira (e última) indicação, sempre como atriz principal. Em 1975 ela também estava indicada nesta categoria (por Chinatown de Roman Polanski), mas perdeu para Ellen Burstyn (que nem estava presente!) por Alice Não Mora Mais Aqui (Alice Doesn't Live Here Anymore de Martin Scorsese).

Ambas nunca mais seriam indicadas ao Oscar, mas foram ao Framboesa de Ouro de Pior Atriz do Ano. Ainda aí Dunaway leva a melhor com oito indicações e duas vitórias e Shire com apenas três indicações.

Veja também:
Faye Dunaway, a pior pessoa de Hollywood segundo Bette Davis
Faye Dunaway querida!
Faye Dunaway e um ovo cozido

Em vídeo a melhor noite do Oscar: Bette Davis Vs Joan Crawford
"Piada" no Oscar quebrou boicote da imprensa

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

La Dolce Vita completa 15 anos!!!

 É isso! Este blog chega á idade perigosa dos 15 anos. Vamos dançar valsa!!?

Veja bem, uma das maiores celebridade em 2017 acabou de lançar filme chamado “Meus 15 anos”. A guria mal tinha nascido quando isto aqui começou!

Sim, sim! Muita água rolou desde três de agosto de 2002. Essa semana eu aproveitei o clima nostálgico e fui ler nos arquivos daqui o que escrevi quando completou um ano, dois, três...

No primeiro ano indico aos leitores meu fotolog, pra você ter uma ideia da era paleolítica que viemos!  E era meio que falar para as paredes já que pouca gente tinha acesso á internet.

-Eu fiz um blog
-Fez o quê?!
-Um blog! (e lá tinha que explicar que raios era isso)

Cara, o início foi a compra do meu primeiro computador. Um maravilhoso K6 com 1 Giga de HD, usado, pago em seis vezes de 100 Reais (piedade de uma amiga, que vendeu baratinho – Computadores, mesmo usados eram muito caros!).

Dei o nome de Matusalém pra ele  um idoso que, invariavelmente me deixava na mão. Era 2002, mas o Windows era 95, troquei pra 98 e escangalhei o bichinho de vez.
Antes de dar meia noite (pra me conectar pelo pulso único via dial-up), aproveitava pra limpar e tentar sobreviver com apenas 1 Giga a mais uma madrugada. Ironicamente, 15 anos depois, meu atual tem 1 Tera e passo o mesmo perrengue de precisar limpar toda hora. Vamos rir desse 1 Tera quando completar 30 anos?!

Bem, e é isso! Valeu pelo carinho nesse tempo todo, aqui, no Facebook ou no canal do Youtube. Foi isso que nos mantém no ar por tanto tempo.
Parabéns pra todos nós, quinceaneros!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Marilyn Chambers atrás do microfone

Se o cinema “made in Hollywood” sempre olhou de soslaio para artistas provenientes do X-Rated, o mesmo não se pode falar da indústria fonográfica, bem mais liberal. São muitos os exemplos de astros e estrelas famosos em filmes adultos e arriscaram soltar a voz em disco.

Aqui mesmo no blog La Dolce Vita você já leu sobre vários, de Cicciolina a Traci Lords. Marilyn Chambers é mais um caso, gravou músicas sem, aliás, largar a área que lhe fez famosa, muito pelo contrário, conseguiu juntar ambas.
Conhecida a partir do clássico filme Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door , 1972 de Artie Mitchell e Jim Mitchell), assinou contrato com o produtor Michael Zager (o mesmo de Whitney Houston) em 1977. No ano anterior a colega Andrea True havia alcançado o Top 40 com o super hit “More, more, more”.

Chambers  contra-atacou com a canção "Benihana" em um compacto. São alguns minutos de gemidinhos acompanhando uma voz suave que chegaram a fazer relativo sucesso, se apresentando até no programa de TV do James Brown (assista abaixo!).
Chega a ser um som banal agora, mas a conceituosa revista Billboard o elogiou na época: “... canta muito bem com uma voz pequena e sexy neste cativante tributo ao homem amante oriental". O mais bacana é "Benihana" tocar de fundo no filme Enraivecida Na Fúria do Sexo (Rabid, 1977 de David Cronenberg).
Embora Rabid tenha recebido esse nome em português, não se trata de um pornô, mas de terror. Hoje cult, o trabalho de Cronenberg é  um dos poucos filmes convencionais a ter Marilyn Chambers no elenco.

O próximo passo mais notável aconteceria em 1980 com a música “Shame On You”. A música foi tema do filme Insaciável (Insatiable de Stu Segall), produção que juntou Chambers, que havia se afastado dos filmes adultos, ao lendário John Holmes.
Com um orçamento acima da média, Insaciável se tornou um enorme sucesso de bilheteria num período em que o VHS começava a matar a tentativa de se fazer cinema pornô com qualidade, como um gênero qualquer. “Shame On You” toca quase inteira na sequencia de abertura. Ouça no player abaixo.
Em 1983 estrelaria Up 'n Coming dirigida novamente por Stu Segall. Neste trabalho ela interpreta uma cantora country de sucesso, boa oportunidade para Marilyn Chambers surgir cantando entre uma cena de sexo ou outra.

E parece que acabou por aí. Mesmo após Madonna ter lançado o álbum Erotica em 1992, evento que motivou muitas celebridades com apelo sensual a apelaram pra voz, Chambers não se arriscou mais.

Por um período se dedicou apenas ao papel de mãe. No começo deste século recebeu 946 votos ao se candidatar como vice presidente dos EUA nas eleições de 2004, fato que não lhe desencorajou a continuar tentando cargos públicos.

Aos 56 anos de idade, em 2009, faleceu por problemas cardíacos. Continuou a ser lembrada apenas como aquela moça de “Atrás da Porta Verde”. 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Socialite casou com bênçãos do Papai do Chão

 Foi o casamento do ano! Em 1967 a socialite Judith Case e o jornalista John Raymond subiram ao altar para dizer o “sim”, mas não em qualquer altar, era o altar da recém inaugurada Church of Satan em São Francisco na Califórnia.
A imprensa foi em peso cobrir o grande dia, embora os próprios noivos, que riam muito, não pareciam lá muito féis. Existe o vídeo (que você assiste abaixo ou neste link com melhor qualidade) da cerimônia.

Fundada por Anton LaVey (que usava uma fantasia de capeta carnavalesca) um ano antes, a ocasião serviu principalmente para divulgar a igreja satanista. Os pombinhos casaram de novo no dia seguinte numa igreja convencional.
Para entender o contexto da época, em 1966 a revista Time trouxe em sua edição de abril a polêmica capa “Is God Dead?”. No chamado “Ano 1” (dia 6 do mês 6 de 1966) nasceria o Anticristo - o que parece não ter muita relação com a igreja de Lavey já que sua igreja não acredita no Diabo, nem numa noção cristã ou islâmica de Satanás, mas podemos vislumbrar o que acontecia no inconsciente coletivo.

O filme O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, 1968 de Roman Polanski) foi rodado alguns anos depois, mas preserva a mitologia da data (6/6 de 1966). Tanto que Rosemary encontra  essa edição especifica na sala de espera do médico.
Anton LaVey seguiu atraindo curiosos e celebridades de Hollywood para sua religião, conforme você confere neste outro post.  Seguindo os preceitos de uma bíblia própria, a Igreja de Satã ainda existe, se tornou uma organização religiosa internacional com sede em Nova York.

Veja também:
O avesso da cena: Dirigindo Rosemary
Ano Um e O Papa Negro

O homem que enganou o papa
Verdadeira face de Lâmia
Cidadezinha contra deus pagão (ou quase)

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Tarantino e tragédia de Sharon Tate no novo vídeo do canal

 
E o 10º Dolce Vídeo está no ar!  Aproveitando o diz-que-me-diz sobre o próximo projeto de Quentin Tarantino, um pouco sobre o terrível crime que vitimou a atriz Sharon Tate.

O assunto foi por muitos anos um tabu para este blog. O massacre de agosto de 1969 ajudou a enterrar o sonho de paz e amor da década de 60.

Ainda no mesmo vídeo uma análise da caixa com Blu-rays de Tarantino lançada pela Imagem Filmes. Assista, deixe seu like, se inscreva no canal
:)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Gringos imitando brasileiros: NBC vs. TVS

 Dono da coisa toda, quando líamos na Amiga ou Contigo! que o Silvio Santos estava de férias nos EUA havia a certeza que muita coisa mudaria na TVS, futuro SBT. De camelô a sacoleiro televisivo.

A mais yankee das emissoras de televisão brasileiras. De programas de auditório a linguagem visual, tudo vinha de gringa,  como por exemplo, a vinheta "Let'sAll Be There" da rede norte-americana NBC, no ar (em sua primeira versão) desde 1983.

Em 1987 os brasileiros se depararam com “Quem Procura Acha Aqui”, adaptação composta por Mário Lúcio de Freitas. Assista abaixo e se divirta na comparação.
Detalhe para o momento das palminhas. Se eles tinham Michael J. Fox e Pierce Brosnan...
... nós contra-atacamos com Vovó Mafalda, Silvio Santos e Cristina Rocha!

Menção honrosa para um raro e rápido registro da Bozolinda, assistente de palco do palhaço Bozo, interpretada pela Flor. Depois ela foi trocada por um efeito sonoro.
Em 1985 a NBC seguiu atualizando "Let's All Be There".
Colocou seu principal elenco da época usando umas cartolas brancas fosforescentes.
E claro que em 1989 a TVS também faria uma nova versão de “Quem Procura Acha Aqui”. Hebe, Mara e o elenco de A Praça É Nossa não poderiam ficar sem a sua cartolinha.
Pelo menos a emissora era fiel ao espírito do canal estrangeiro. Perceba que muitas das estrelas que aparecem nas vinhetas da NBC, como exceção o elenco de Family Ties, na programação da Globo como Caras e Caretas desde que Michael J. Fox estourou no cinema, eram de seriados exibidos pela emissora do Baú da Felicidade.

Era uma época em que a emissora assumia rivalizar com a Globo pelo primeiro lugar no Ibope, que se autoproclamava uma das maiores emissoras de TV do mundo. Época distante, sem internet ou TV paga para que alguém comparasse e apontasse qualquer falta de originalidade.

Veja também:
O dia em que o SBT caiu numa pegadinha
Inspiração fantástica do Hans Donner?

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