quinta-feira, 24 de julho de 2014

Patolino caçador de androides

 Rocket Squad é aquele episódio onde Patolino e Gaguinho policiais blasés.Também é conhecido pelos personagens infantis fumarem cigarro, mas eles não aparecem com arma de fogo, o que também não seria nenhum empecilho na época.

 Produzido para o cinema em 1956 com direção do lendário animador Chuck Jones, é o 81º curta dos Looney Tunes/Merrie Melodies. O desenho faz uma paródia das séries policias Dragnet e da agora obscura Racket Squad, a exemplo do que o episódio Duck Dodgers havia feito com Buck Rogers e Flash Gordon três anos antes.

Embora seja uma trama policial, a ação é transcorrida no futuro, provavelmente para reaproveitar células e cenários de 1953. Assim, apresenta uma inusitada junção do noir com a ficção científica, mistura que daria muito certa no cinema em Blade Runner (1982 de Ridley Scott).

Narrado em primeira pessoa pelo Patolino, que interpreta o Sargento Joe Segunda-Feira, a história é sobre como ele e seu parceiro, o Detetive Schmoe Terça-Feira (Gaguinho) solucionaram um caso utilizando toda a incrível tecnologia espacial disponível. Rocket Squad pode ser assistido online com ótima qualidade, mas apenas em inglês, no Super Cartoons.


Como qualquer paródia, geralmente é imprescindível que se conheça os programas satirizados para compreendermos totalmente. Não neste caso, como atestam as várias gerações de crianças que se divertem com o desenho sem nunca terem ouvido falar nas duas séries de TV 50’s.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Escândalo sexual arruinou atriz de Hollywood


Conselhos de beleza com Joan Bennett! Tai alguém apto a escrever esse tipo de autoajuda, sempre com carinha de banho tomado...

Mas mais que dicas de formosura, a irmã famosa de Constatine Bennett poderia contar histórias picantes. Inclusive na atual onda de biografias cinematográficas iria bem assistir sobre Joan Bennett.

Destruidora de lares em Alma Perversa
Pode não ser hoje lá muito conhecida, mas vivenciou situações dignas de folhetim com tendências a noir. Ao contrário de muitas personalidades que embora ainda famosíssimas ainda, tiveram trajetórias lineares, ou extensivamente já exploradas.

Fatal em muitos papéis como em Alma Perversa (Scarlet Street, 1945 de Fritz Lange), acabou por vivenciar momentos complicados em sua vida. Alvo constante da mexeriqueira Hedda Hopper, no dia dos namorados de 1950 enviou um gambá de presente à jornalista com um cartãozinho escrito “Você fede!”.

Após terminar o casamento com o produto Gene Markey, dez anos mais velho, engatou um romance com o também produtor Walter Wanger. Este seria seu terceiro marido, com quem teve dois filhos, já possuindo outros dois das uniões anteriores

Wanger era dezesseis anos mais velho, raposa de Hollywood, deu novo rumo à carreira da amada. Começou por torná-la morena e descolar personagens com a mesma índole duvidosa do já citado filme de Fritz Lange.

Com o marido Walter Wanger
Até que chegou a seus ouvidos que Joan Bennett estava tendo um caso com seu agente, Jennings Lang, notório conquistador. No réveillon de 1951 o produtor resolveu dar um flagra na adultera e seu amante, ficando de tocaia no estacionamento do lugar em que Jennings Lang trabalhava.

E assim foi! Ao vê-los chegando juntos disparou um tiro certeiro na genitália do agente, que antes ainda negou o affair.  O resto é imaginar a glória dos tabloides e revistas de fofoca!

Com advogados competentes, Walter Wanger cumpriu uma pena leve, alegando insanidade emocional. Saiu da prisão e produziu Quero Viver! (I Want to Live!, 1958 de Robert Wise), filme sobre o sistema carcerário que deu o Oscar a Susan Hayward.

Só deu o divórcio à atriz em 1965, três anos antes de morrer. Com o escândalo, a carreira dela foi totalmente ofuscada, embora não tenha parado de trabalhar no até então veiculo sem prestígio que era a TV, onde conquistou novos fãs graças a série cult Dark Shadows (1966-1971).

O último filme de Joan Bennett foi a obra-prima Suspiria (1977 de Dario Argento). Casou-se pela quarta vez em 1978 com um critico cinematográfico que continuou ao seu lado até seu falecimento aos 80 anos em 1990.

A primeira imagem é um oferecimento 54 mg, a terceira Fanpix

Veja também:

As Certinhas do La Dolce

Kate O’Mara
provocativa
Um oferecimento The Telegraph

terça-feira, 22 de julho de 2014

Barrinha de cereal é para os fracos

Não é segredo meu amor por embalagens e rótulos retrô, mas não qualquer retrô. De preferência os produtos que continuam praticamente do mesmo jeito que vieram ao mundo, décadas atrás.

De tubaína a grampo de cabelo, só temos a agradecer aqueles segundos de anacronismo ao passar os olhos por eles na gôndola do supermercado. Da série sempre te amei, nunca te comprei: Mocoforte!

Principalmente pelo beefcake que parece ter sido desenhado pelo Napoleão Dinamite (Repare no “R” ao lado dele, pra caso alguém queira rouba-lo). Ainda é pra macho, mas é rosinha e isso é bem moderno, né? 

E tão legal quanto ter uma embalagem vintage é ter um site idem...

Parece que a página foi feita em 1989 junto com a receita do mocotó!!! Aliás, Mocoforte é apenas de 1989?

Pensei que a marca fosse muito mais antiga, tipo, 1959! Pra gente ver o quanto o mocinho do rótulo me influencia.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Selma Egrei duas vezes às voltas com o Braille

 Selma Egrei em Sexo, Sua Única Arma (1981 de Geraldo Vietri) 
Selma Egrei em Hoje Eu Não Quero Voltar Sozinho (2014 de Daniel Ribeiro) 

Dois momentos de Selma Egrei no cinema indiretamente correlacionados. De sedutora deficiente visual no começo da década de 80 a avó boazinha de um deficiente visual em filme recente.

Arlete Montenegro e Selma Egrei em 1981
 Mera coincidência, claro, mas não deixa de ser interessante. O próprio cinema nacional em dois momentos absolutamente distintos.

Sexo, Sua Única Arma é quase uma versão de Teorema (1968 de Pier Paolo Pasolini), com inclinações menos políticas. Egrei é uma deficiente visual tão bela quanto misteriosa que se infiltra numa família disfuncional do sul do Brasil.

Toda coitadinha, toda simplória, recebida de braços abertos por quase todos, esconde um ardiloso plano de vingança! Sua intenção ali é seduzir sexualmente todos os homens até destruir a família.

Do jovem seminarista ao patriarca idoso, bobeou ela pimba! Uma maravilha camp com humor involuntário e reviravoltas tão rocambolescas quanto previsíveis.

Não há notícias de que Selma Egrei tenha dado dicas de interpretação ao coleguinha durante as filmagens de Hoje Eu Não Quero Voltar Sozinho.

Evoluindo com estilo: Um macaco na alta roda

 A revista britânica Shortlist de julho traz Caesar num editorial de moda. A estrela de Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes, 2014 de Matt Reeves) veste quatro modelos das principais grifes de alfaiataria de luxo.

Armani, Dolce & Gabbana, Gucci e Roberto Cavalli emprestaram suas roupas para a parceria entre a revista, 20th Century Fox e a Weta Digital, responsável pela computação gráfica do filme. A Weta, com sede na Nova Zelândia, ficou internacionalmente conhecida depois de O Senhor dos Anéis.

Eles não só toparam na hora como disseram que seria mais fácil que colocar um chipanzé de verdade dentro de um terno. Até segunda ordem, seria a primeira incursão da empresa num editorial de moda, um esforço conjunto de seus artistas, com uma sessão fotográfica de verdade.

Não foi tão fácil assim, levando em consideração as proporções distintas de um símio com o do modelo humano vestindo cortes exclusivos. Foram gastos três meses de planejamento e três meses de produção, ou seja, quatro meses para ter o resultado final.

Bem, o último chipanzé que vimos elegantemente trajado foi justamente... 

...O saudoso Cornelius em Fuga do Planeta dos Macacos (Escape from the Planet of the Apes, 1971 de Don Taylor). Deslumbradíssimo com os bens de consumo dos humanos.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Loja exibe na vitrine noiva cadáver (de verdade?)

 Parece argumento de para um filme macabro estrelado por Vincent Price. Alguns populares de cidade do México acreditam que o manequim exposto na vitrine de uma pequena loja de vestidos de noiva é na verdade um corpo embalsamado.

E os rumores já duram nada menos do que 84 anos, ganhando nova força com a Internet.  A loja se chama La Popular e fica em Chihauhau, rua Victoria, número 801. Sua vitrine atrai diariamente dezenas de curiosos e crentes que juram que o manequim de noiva na janela, um boneco altamente detalhado, é uma mulher morta.

Tudo começou em 25 de março de 1930, quando o manequim de aparência estranha foi colocado pela primeira vez numa das mais conhecidas lojas de noivas daquela cidade mexicana. Quase imediatamente, os locais comentaram que algo não estava certo com a figura.

Em pouco tempo, histórias do manequim impressionante começou a se espalhar pelo país, e o povo começou a vir de todo lugar só para ver os detalhes intricados da boneca. Das rugas nas mãos, cabelo humano verdadeiro, ao olhar misericordioso de seus olhos de vidro, era quase como se a figura fosse uma pessoa real congelado no tempo.

Logo, as pessoas também começaram a notar as semelhanças entre o manequim, apelidado de La Pascualita, e a filha da primeira proprietária do La Popular, Pascuala Esparza. Segundo comentavam, a filha de Esparza tinha falecido tragicamente no dia de seu casamento, vítima de uma picada de aranha Viúva Negra.

Moradores sussurravam que a bela figura na vitrine era, de fato, o corpo embalsamado da filha de Esparza, que inconformada com seu falecimento, teria dado um jeito de ter sua presença para sempre. Cada vez mais, os detalhes da história começaram a fazer sentido e as pessoas da cidade tornaram-se indignadas.

Claro, Pascuala Esparza, a dona, negou formalmente as acusações, mas a essa altura, já era tarde demais. A
Pascuala Esparza
lenda estava registrada na pedra e hoje, La Pascualita ainda se senta na janela de La Popular, e os rumores só tornaram-se ainda mais difundidos.

De todos os funcionários que trabalham na loja, apenas dois têm permissão para mudar sua roupa, e só a portas fechadas. É uma prática que faz com que alguns dos empregados se sintam bastante desconfortáveis. "Toda vez que eu chegar perto Pascualita minhas mãos quebrar a suar", disse um dele a imprensa.

 "Suas mãos são muito realistas e ela ainda tem varizes nas pernas. Eu acredito que ela é uma pessoa real ". Outros funcionários dizem que quando chegam pra trabalhar pela manhã parece que encontram Pascualita em outra posição, pra assisti-los com um olhar inquietante.

Tanto tempo depois, alguns passaram a admirá-la como uma santa, fazendo preces e acendendo velas diante da loja. A maioria dos pedidos, como era de se esperar, é para encontrar um amor.

Muitas noivas permitem que La Pascualita escolha qual vestido usarão na cerimônia ao decidir usar um modelo idêntico ao que ela está. Isso ajudaria a trazer sorte no casamento.

Logicamente, é quase impossível que um corpo humano fosse conservado por tanto tempo, ainda mais exposto ao sol diariamente por 84 anos. Seria ainda bem simples, com raio X, confirmar a lenda, se isso interessasse aos atuais proprietários do estabelecimento e ao turismo local.

Nada disso também parece importar a quem lhe faz uma visita com fé. De um jeito bem mórbido, não deixa de ser a melhor estratégia de marketing utilizada por uma vitrine no mundo que já dura mais de oito décadas.

As imagens e informações são um oferecimento Road Trippers, Banderas News e Cool Weirdo

Veja também:
A maldição das crianças que choram 
Lobisomem apavora cidade do nordeste


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Warren Beatty por pouco em Kill Bill


Notinha publicada na revista Set em dezembro de 2000:

“Se o intervalo entre um filme outro implicar em qualidade, Kill Bill será o melhor filme de Quentin Tarantino. Sem filmar desde Jackie Brown (1997), o diretor finalmente começou a soltar alguns detalhes da produção. De acordo com o cineasta, a idéia desse policial noir surgiu na época de Pulp Fiction, mas foi descartada logo em seguida. O que ficou foi a vontade de ter Uma Thurman no papel principal, mantida até hoje. Segundo alguns boatos, Tarantino também está conversando muito com Warren Beatty (Reds, Bugsy), tentando convencê-lo a participar do trabalho. Resta saber se o astro vai viver até lá.” 

Demoraria mais quatro anos para Kill Bill (estrear estrear, dividido em dois volumes. Com muitas mudanças, o filme teria sido praticamente outro.

O papo de que a ideia (ainda com acentinho ortográfico) surgiu durante Pulp Fiction (1994) tanto Tarantino quanto Thurman continuaram repetindo á exaustão. Mas é pouco comentado de que seria um noir!

As voltas que o projeto deu inclusive pela escalação do elenco... Acho que sendo noir justificaria os boatos” de Warren Beatty no projeto como Bill, afinal, não há outro papel do quilate dele nos dois filmes.

O tema foi bastante especulado e não era boato, conforme foi noticiado em 2004, época do lançamento nos cinemas. Tarantino chegou a dizer que ambos desistiram por não ser o filme certo para trabalharem juntos, o ator Michael Madsen conta uma história um pouco diferente.

Ele, que está no filme como Budd, se lembrava de ir a um jantar com o produtor Lawrence Bender e Beatty para que pudessem se entrosar. "Saímos para sentir se estaríamos confortáveis um com o outro", contou Madsen que três dias depois recebeu um telefonema do Tarantino falando sobre as alterações.

O diretor contou-lhe que dispensou o grande astro porque "Ele não entende o que acontece com o filme e eu não vou passar por isso. Ele não entende o que acontece com o filme, ele não quer fazê-lo e eu não quero que ele faça”. Na mesma ligação soube que o grande vilão seria agora o decadente David Carradine, o que causou estranheza.

Carradine, pertencente a uma linhagem de grandes atores, acabou com o papel como todos nós sabemos. Segundo o próprio no livro sobre os bastidores do épico, por sugestão de Warren Beatty, o que denota que o rompimento dele com o diretor não foi tumultuado.

Voltando à nota da Set, o astro estava apenas com 63 anos em 2000. Que agouro era esse de colocar em dúvida se ele duraria até o filme ficar pronto?

terça-feira, 15 de julho de 2014

Melancólico final da Deusa do Amor

 Distante dos tempos glamorosos, Rita Hayworth participou de The Naked Zoo (1970 de William Grefe). Assista no player abaixo (ou clicando aqui) ao absurdo trailer desse sexploitation que seria seu penúltimo trabalho.


Sim, sim! Você viu direito. A eterna Gilda sendo a coroa levada que trai o marido de cadeira de rodas com um garotão, que depois lhe violenta com vinho (ironicamente, já que as revistas de mexericos lhe acusavam de ser alcoólatra, quando na verdade começava a viver o pesadelo do Alzheimer)...

A partir de O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, 1962 de Robert Aldrich) muitas antigas estrelas de Hollywood toparam projetos jovens e ousados. Mais precisamente no encalço da indicação ao Oscar que Bette Davis recebeu pelo filme.

Nem todas encontraram produções minimamente à altura do seu brilho. Pra ser mais preciso, não houveram outras produções tão emblemáticas quanto a dirigida por Aldrich e até mesmo ele tentou em Com A Maldade Na Alma (Hush...Hush, Sweet Charlotte, 1964).

Veronica Lake em Flesh Feast
Depois do terror psicológico veio a vertente das drogas, tema recorrente na contracultura 60’s, onde se encaixa The Naked Zoo com a Rita Hayworth. Lana Turner apareceu no extravagante A Escrava do Desejo (The Big Cube, 1969 de Tito Davison) sobre os malefícios do LSD.

Veronica Lake saiu da aposentadoria para Flesh Feast (1970 de Brad F. Grinter). A sedutora loira do cinema noir é agora uma doutora senhorinha envolvida com nazismo e rejuvenescimento com grãos de arroz que fingem ser vermes.

Além do caché ser em conta, é sempre bom contar com um nome conhecido e isso aprendemos desde a parceria de Ed Wood e Bela Lugosi. Invariavelmente constrangedores, mas inegável que pelos temas sensacionalistas e suas atrizes, os filmes dessa fase são maravilhosos hoje. (Maravilhosos num sentido mórbido, mas maravilhosos!)

Veja também:
Veronica Lake, estrela da posteridade
Lana Turner nas garras do LSD
Quando Cansino tornou-se Hayworth

segunda-feira, 14 de julho de 2014

As Filhas de Drácula em fotonovela!

Tenha o filme As Filhas de Drácula (Twins of Evil, 1971 de John Hough) completo em fotonovela. A capa, claro, remetia muito mais a erotismo do que ao terror, filão que Hammer apelou a partir do final da década de 60.

Dá para ler (em espanhol) e baixar em duas partes, clicando aqui e aqui. No total são 49 páginas em preto e branco com frames do filme.

Reveja momentos como essa demonstração do mais puro amor cristão por um inquisidor:

Emocione-se com o mocinho descobrindo que esta com a gêmea errada, pelo espelho:

Delire com a batalha entre o mal e o pior ainda em esvoaçante camisola!
Estrelado por Peter Cushing e as irmãs Mary e Madeleine Collinson, nada menos do que as primeiras gêmeas idênticas a aparecer na Revista Playboy. O filme encerra a trilogia Karnstein da Hammer, embora tenha pouquíssima relação com os anteriores.

Antes de VHS, DVD e outras mídias serem comuns para se rever um filme, era comum lançaram versões em fotonovela do que se assistiu na tela.  Anos depois As Filhas de Drácula ganharam também uma adaptação em quadrinhos.

De orçamento apertado, o filme destaca-e além do elenco pela trama inusual. Os caçadores de demônios eram em nome da fé afinal, tão nefastos quanto os hereges?

Duas lindas órfãs vão morar com o tio (Peter Cushing tão brilhante quanto insano), um furioso religioso a serviço da Santa Inquisição. Descontentes com a vida nova, uma delas (por pura opção!) resolve ir pro lado oposto ao da cruz e está armado o quiproquó difícil de tomar partido.

No Brasil o título faz referência a Drácula, assim como no mercado espanhol, “Dracula y Las Mellizas”(Drácula e As Gêmeas). Mera artimanha de marketing pra aproveitar a popularidade do Conde, promovido naquela época pelo estúdio britânico em todo planeta.

 Leia mais sobre As Filhas de Drácula e as Gêmeas Collinson clicando aqui.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Evolução a olhos vistos

 Essa coisa bizarra nada mais é do que a máscara de látex usada pelo ator David McCallum no episódio “The Sixth Finger” do seriado A Quinta Dimensão (The Outer Limits 1963-1965). Especificamente, o quinto episódio da primeira temporada.

Não se trata de um alienígena, mas de um humano do futuro, que evoluiu darwinisticamente. Por isso o título do episódio, que pode ser traduzido livremente como O Sexto Dedo, faz referência ao detalhe anatômico diferenciado da criatura.

A mascara, um pedaço da história da TV, foi vendida recentemente por US$ 5.500,00. Segundo o vendedor, ela é de espuma de látex, pintada à mão, muito provavelmente pelo artista John Chambers, nome por trás de séries fantásticas como Jornada nas Estrelas (Star Trek, 1966-1969) e Perdidos no Espaço (Lost in Space 1965-1969) .

Falando em evolução, como não pensar na maquiagem de O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 1968 de Franklin J. Schaffner), produzida também por John Chambers apenas cinco anos depois e que revolucionaria a indústria de entretenimento? Ao invés de uma máscara inteiriça, vários pedaços (próteses) colados ao rosto, o que possibilitava a expressão facial dos atores.

A categoria especial de melhor maquiagem do Oscar foi criada naquele ano para reconhecer o incrível feito. Uma ideia tão simples que ninguém tinha pensado antes, nem o próprio artista?

 Pode ser simples, mas elas ocupavam um bom tempo da produção para que fossem aplicadas, o que seria inviável nos baixos orçamentos da televisão daquele tempo. Tanto que muitos figurantes macacos, que não teriam closes, usaram máscaras simples, dessas de apenas vestir.

 Hoje, com a resolução dos DVDs e TVs, a diferença é bem perceptível. Principalmente no quinto filme da série, A Batalha do Planeta dos Macacos (Battle for the Planet of the Apes, 1973 de J. Lee Thompson), com muitos extras transitando pela câmera e orçamento mais apertado.

Nas produções recentes de cinema e televisão, mesmo com o regular uso do computador para criar monstros, ainda é utilizado o principio desenvolvido em 1968. Pelo menos enquanto a computador gráfica não substituir os atores.

Primeiras imagens são um oferecimento Sorry Mom, a segunda Monster Mask e a terceira ICollectors.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Tarzan à caça de James Bond (ou quase isso!)

 Criado na literatura pulp na década de 10 do século passado, Tarzan é o mais prolífico super-herói cinematográfico. Um bem sucedido bisavô da febre de heróis de quadrinhos que pesteia os cinemas nos últimos anos.

A Brook Fun está distribuindo em DVD vários títulos de Tarzan, com excelente qualidade de áudio e imagem. As mais de duas ou três décadas de filmes disponíveis com qualidade agora, com interpretes diferentes, são um deleite para se observar a trajetória de um personagem blockbuster, além das mutações socioculturais. Mas vamos por partes!

A Maior Aventura de Tarzan (Tarzan's Greatest Adventure, 1959 de John Guillermin) é a penúltima aventura protagonizada por Gordon Scott, considerado por muitos o melhor intérprete do Homem Macaco.

Após seis filmes (1955 – 1960) gritando na selva ele partiu para a Itália, em plena febre dos Peplums para aproveitar seus músculos como Maciste, Hércules, Golias, etc. Não que Tarzan tenha deixado de fazer sucesso!

Característica interessante do personagem é que durantes estes mais de 90 anos nem sempre ele está no topo das bilheterias, mas sempre tem pelo menos um filme a ser lançado, além de cópias, sátiras e séries de TV. Em 2013 saiu uma animação 3D, mas há outros projetos em andamento até 2016, segundo o IMDB.

A produção em questão, de 1959, teve sequencias rodadas na África e conta com direção de John Guillermin, que em 1976 seria o responsável pela refilmagem de King Kong. Ainda faria outros dois ou três filmes rodados ou referentes ao continente Africano, um especialista em florestas!

Em termos de trama, grupo de traficantes ingleses que pretende explodir uma mina de diamantes hora foge do Tarzan, hora caça o Tarzan. Entre os bandidos, Sean Connery, um pouco antes de se tornar ninguém menos que o agente James Bond, enfeita o núcleo feio.

Connery, que não era propriamente um novato, tem um papel relevante, com texto e tudo. Mas não é o líder da gangue, o que, traduzindo em linguagem do cinema popular, diz muita coisa quanto a sua permanência em cena.

E a história é isso, desculpa para um desfile de clichês (literalmente) rio abaixo, conhecidos provavelmente até por quem nunca viu um filme do Tarzan. Entre flechas, armadilhas no chão disfarçadas com folhagens e a infalível areia movediça, o grito célebre só acontece no final, pra plateia ficar ansiosa pra ouvir.
Com efeitos especiais que envolvem maquetes e imagens de arquivo de animais abaixo de granulado diferente, é voltar a ser criança nos idos em que a Sessão da Tarde exibia coisas do tipo. Divertimento garantido para os de boa imaginação.

Há ainda, claro, alguns momentos bizarros pelo tempo em que o filme foi feito. Começando por conceitos como ecologia que ainda engatinhavam entre o grande público.

Por exemplo, pra salvar uma periguete que fazia gracejos para ele de dentro de um avião, e cai de bico na água, Tarzan mata um lindo crocodilo sem remorso algum. Ok, na verdade um grande crocodilo de plástico, mas ainda assim, muito estranha a atitude do herói hoje em dia.


 Num dos enxertos de imagens de animais, a mocinha fica aflitíssima vendo (se não me engano) leões devorando um outro animal qualquer. Para acalmá-la, Tarzan muito sério explica que é da natureza deles, para comer e que apenas o “homem mata por matar".

Isso porque, ele não só mata o já citado crocodilo, com mandará para o colo do capeta dois dos vilões! Do tempo em que herói não fazia cerimônia em mandar vidas humanas ou não pras cucuias.

Final da década de 50 e ainda imperava aquele pudor estranho de mostrar o umbigo, assunto que já tratei antes neste post aqui do blog. A tanga do ator forçadamente esconde o umbigo...
Mas não havia menor problema em mostrar até a polpa do bumbum do rapaz.
 Pra gente ver como a moral e bons costumes é uma coisa muito subjetiva, dependendo da época e dos olhos de quem enxerga. Umbigos foram motivo de muita vergonha por décadas.

O figurino só revelaria o umbigo dele em Tarzan Vai à Índia (Tarzan Goes to India) de 1962, também dirigido por John Guillermin. Enfim, a revolução sexual 60’s não deixaria esse mero detalhe continuar escondido.
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