quinta-feira, 31 de julho de 2014

Centenário Mario Bava


Hoje, dia 31 de julho de 2014, celebra-se os 100 anos de nascimento do mestre Mario Bava. Um dos maiores nomes do cinema de horror, embora não deva ser limitado apenas a este gênero.

Como muitos colegas da era de ouro do cinema italiano, ocupou muitas funções num set de filmagens, até comandar seus próprios filmes, preincipalmente como fotógrafo. Todos de notável beleza a cada frame.

Mario Bava com Barbara Steele
Os Vampiros (I, Vampiro) que terminou para Riccardo Freda em 1956 é considerado seu primeiro longa, já com alguns elementos do que seria giallo. No subgênero policialesco faria algumas obras fabulosas como Seis Mulheres Para O Assassino (Sei donne per l'assassino, 1964), transcorrido num mundo da moda psicodélico.

Sua marca ainda apareceu no peplum Hercules No Centro da Terra (Ercole al centro della Terra, 1961). Com Christopher Lee no elenco, o herói mitológico interpretado por Reg Park desce as terras de Hades.

No ano anterior, Mario Bava deu ao mundo sua obra-prima A Maldição do Demônio (La maschera del demônio). A adaptação livre do conto de terror de Nikolai Gogol é uma influência para gerações de cineastas.

Brilhante em soluções estéticas com baixo orçamento assinou a ficção científica Planeta dos Vampiros (Terrore Nello Spazio, 1965), aquele filme com a brasileira Norma Bengell. Na década de 70 passou a reclamar dos distribuidores.

Lisa e il diavolo de 1973 só foi lançado após ser reeditado pra lucrar com sucesso do norte americano O Exorcista (The Exorcist, 1973 de William Friedkin). Anos depois chegou aos cinemas americanos como House of Exorcism, embora isso não faça lá muito sentido.

Bava se aposentou em 1978 aos 63 anos, falecendo em 1980 de causas naturais. Deixou pelo menos um filme inacabado, Semaforo Rosso, filmado em 1974.

Em 1990, seu filho Lamberto Bava, com quem trabalhava desde 1965, reeditou este material e o lançou como Rabid Dogs (Cani arrabbiati ) e mais tarde como Kidnapped. Uma pérola do suspense que tem como cenários quase que apenas o interior de um carro.

O centenário de Mario Bava acontece agora em um panorama de reconhecimento popular de forma muito mais ampla graça à Internet. Uma nova geração o reconhece com mestre: Ave Bava!

A segunda imagem é um oferecimento DVDClassik

Veja também:

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Grandona Disney agindo como pequeno filme B


Os anos 80 pareciam que seriam negros para o Império Disney com seus tradicionais longas de animação empacando nas bilheterias. Aí a empresa do Mickey se virou nos longas em live action.

Virou-se mesmo, lucrando milhões gastando quase nada. Embalou velhas ideias do cinema B (Z?) da década de 50 para apreciação do público moderno, glória também de muitos estúdios da época, como Indiana Jones que resgatava as velhas séries da década de 40.

Custando apenas 18 milhões de dólares Querida, Encolhi As Crianças (Honey, I Shrunk the Kids, 1989 de Joe Johnston) arrecadou só nos Estados Unidos 130 milhões para a Disney! Ideias como diminuir o corpo humano a tamanho ínfimo já haviam sido feitas, mas não com efeitos especiais que só um orçamento e a tecnologia que os novos tempos permitiam.

Mas o legal é que a essência de sci-fi B não era apenas coisa do argumento. Entre os roteiristas de “Querida...” estão Brian Yuzna (diretor de A Noiva do Re-Animator)  e Stuart Gordon (de A Hora dos Mostos Vivos), personalidade ilustres do cinema independente.

Era a estreia de Joe Johnston como diretor, sendo que ele pertenceu à equipe de efeitos especiais da trilogia Star Wars. O êxito de Star Wars muito provavelmente foi o causador dessa leva de reciclagem de antigos filmes fantásticos na década de 80.

E, OPA!!! 130 milhões de dólares não é um valor de se jogar a chance de fazer uma sequência. A dúvida era o que ainda dava pra se fazer com o tema?

A imprensa ainda em 1989 noticiou que a Disney correu atrás imediatamente. Registrou vários títulos possíveis que davam pistas do que agora aconteceria com as crianças.

Segue a lista de alguns traduzidos para o português pela jornalista Ana Maria Bahiana na revista Set, edição de dezembro daquele ano:

  • Querida, Eu Não Consigo Tirar as Crianças da Minha Cabeça
  • Querida, Eu fac-similei as Crianças
  • Querida, Eu Xeroquei as Crianças
  • Querida, Eu Comi as Crianças
  • Queria, Eu Transformei as Crianças em Animais
  • Querida, Eu Transformei as Crianças em Gigantes
  • Querida, Eu Tornei as Crianças Invisíveis
  • Querida, Eu Mandei As Crianças pra Lua

Em 1992 estreou a sequência: Querida, Estique o Bebê (Honey I Blew Up the Kid de Randal Kleiser). Como nada faz sucesso impunemente na Disney, depois de dar origem a um seriado de TV ainda originou Queria, Encolhi a Gente (Honey, We Shrunk Ourselves, 1997 de Dean Cundey), terceiro filme distribuído diretamente em vídeo.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

“O filme de terror da Sandy”

...Ou Quando Eu Era Vivo (2014 de Marco Dutra) causou euforia assim que saiu o trailer. Não só pelo elenco inusitado que misturava a filha do Xororó com Antonio Fagundes, mas pela temática sobrenatural, pouco explorada pelo cinema brasileiro.

Baseado num livro de Lourenço Mutarelli o filme tem uma premissa interessante. Filho esquisitão volta a morar com o pai no mesmo apartamento do centro de São Paulo em que cresceu após terminar seu casamento.

Aos poucos ele vai entrando numa paranoia de volta ao tempo juntando cacos (literalmente) de seu irmão que não está mais presente, assim como sua mãe. Há um uso interessante de fitas VHS que se intercalam com a memória tanto do personagem quanto, inevitavelmente, com a nossa.

A produção toda se dá maravilhosamente bem nisso. Cada caixa de velhos objetos que vão sendo expostos vamos juntos encontrando um pouquinho do nosso passado, seja nos cacarecos kitsch de decoração aos medos pueris de discos de vinil em rotação contrária e brinquedos populares da década de 80.

Como cenário principal, o antigo apartamento identificável como sendo do Centrão de São Paulo, logo assume também ser um personagem importante. Nele ainda habita a jovem Sandy Leah, uma moça que aluga quarto desde que veio do interior para estudar... Música na capital.

Tecnicamente sofisticado, exceto alguns efeitos sonoros, como a sensação de que os personagens andam de salto altos o tempo todo num assoalho de madeira, demora, mas constrói bem a atmosfera de terror. Lembra muito a recente safra de filmes de fantasmas “baseados em fatos reais” de Hollywood, que por sua vez, bebem na fonte das histórias de casas mal assombradas produzidos na década de 70.
E aí, quando todos os personagens são apresentados, vem o principal problema de Quando Eu Era Vivo: na junção de terror com drama familiar, jamais toma um lado. Como resultado, o sabor de promessas não cumpridas, de que faltou meia hora de metragem para que o filme realmente acontecesse.

Não há sustos, não há sangue, não há possessões, não há um terço da violência que poderia e deveria ter, mas também não há lágrimas, nem emoções mais desenvolvidas. Tímido, com uma profusão de pistas e pontas mal amarradas (ou desnecessárias?) apenas frustra expectativas para todos os lados.

Tem um grande momento de exorcismo ou benzimento que se desenrola na quebra de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Muito em parte pela boa atriz que desempenha o papel de Miranda, a manicure e mediúnica, chega a lembrar o horror do mestre italiano Mario Bava, mas não passa disso.

Sandy, a eterna virgem (que até já é mamãe!), chega a falar um palavrão, dar uns malhos num carro e dizer que “É moça séria, sim senhor!”,mas seu ponto alto aqui é ouvi-la cantar para Satã, ou coisa que o valha. Talvez algum hater vá dizer que ouvi-la cantar é a parte legítima de terror da fita... 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Do bang bang ao funk, o ícone Léo Canhoto

Totem da masculinidade sertaneja, Léo Canhoto ainda será reconhecido como grande referência de estilo da Música Popular Brasileirae quem sabe do mundo! Encontrei essa imagem no Retrospace, epicentro internacional de coisas legais na internet.

O primeiro comentário de um gringo lá, deveria ser título de um dos seus próximos discos: “Leo Can-HOT-o”. A capa pertence ao disco de 1986, quando ele alçou voo solo, sem o colega Robertinho.

Só que  “Leo Can-HOT-o” é muito mais do que um cara estiloso! Compositor, roteirista de cinema e,espantosamente um dos artistas mais sampleados no Brasil.

A dupla Leo Canhoto e Robertinho foi criada em 1968, estourando logo no primeiro LP, lançado no ano seguinte. Continha o hit Apartamento 37 que você ouve no player abaixo ou clicando aqui.

Graças a Apartamento 37 é considerada a primeira dupla sertaneja a receber disco de ouro. Na época, significava mais de 100.000 cópias vendidas, desde 2004, a Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD) concede o prêmio a metade disso, o que só aumenta a incrível façanha de Leo Canhoto e Robertinho.

 A letra que emocionou multidões fala sobre um cara que fez a namorada chorar (!!!) porque sabia que ela o amava (!!!),  e daí tomou um belo pé lá! O refrão e o nome da música é o endereço dele pra caso alguém a encontre: “Moro na rua da amargura vinte e cinco/ Apartamento 37, quinto andar”.

Mas nem só de corações partidos vivem nossos heróis! Muito pelo contrário, eles entraram na onda do spaghetti western e ficaram lá por muitos e muitos anos.

A partir do disco Volume 2, também de 1969, eles apareceram com armas de fogo em quase todas as capas. Repare que até o Volume 17 (de 1986) tem balas de revolver sublinhando o nome do artista.

Dá pra conferir quase toda a discografia no Raízes Sertanejas. Em 1977 saiu uma coletânea chamada Léo Canhoto e Robertinho no Bang Bang contendo Jack, O Matador, O Valentão da Rua Aurora, Buck Sarampo e Rock Bravo Chegou Para Matar, todas compostas por Canhoto.

Neste mesmo ano estrelaram o filme Chumbo Grosso, faroeste caboclo também roteirizado por Canhoto. Isso quando o subgênero nem interessava mais na Itália, o país onde isso começou...

São considerados os precursores do uso de instrumentos eletrônicos na bucólica música caipira. Ainda inseriam textos e efeitos sonoros dando uma sensação de novela radiofônica, embora, provavelmente a intenção tenha sido cinematográfica.

Pela variedade de sons e diálogos encontradas nas músicas, os discos deles passaram a ser muito procurados na década de 90 pelos Djs de funk carioca para criar samplers. Ouça no player abaixo ou clicando aqui a inacreditável versão de Jack Matador do Pipo’s.


Essas montagens (como essas composições eram conhecidas) marcaram época para muitos do Rio de Janeiro. Assim, quem for pesquisar sobre as origens do funk acabará esbarrando na dupla sertaneja, importante para o movimento, embora de forma involuntária.

Ainda juntos e em atividade,  Léo Canhoto e Robertinho lançaram em 2009 o primeiro DVD, celebrando os 40 anos de carreira. A abertura do show é, claro, com lindas dançarinas de saloon em habilidoso cancã...

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Patolino caçador de androides

 Rocket Squad é aquele episódio onde Patolino e Gaguinho policiais blasés.Também é conhecido pelos personagens infantis fumarem cigarro, mas eles não aparecem com arma de fogo, o que também não seria nenhum empecilho na época.

 Produzido para o cinema em 1956 com direção do lendário animador Chuck Jones, é o 81º curta dos Looney Tunes/Merrie Melodies. O desenho faz uma paródia das séries policias Dragnet e da agora obscura Racket Squad, a exemplo do que o episódio Duck Dodgers havia feito com Buck Rogers e Flash Gordon três anos antes.

Embora seja uma trama policial, a ação é transcorrida no futuro, provavelmente para reaproveitar células e cenários de 1953. Assim, apresenta uma inusitada junção do noir com a ficção científica, mistura que daria muito certa no cinema em Blade Runner (1982 de Ridley Scott).

Narrado em primeira pessoa pelo Patolino, que interpreta o Sargento Joe Segunda-Feira, a história é sobre como ele e seu parceiro, o Detetive Schmoe Terça-Feira (Gaguinho) solucionaram um caso utilizando toda a incrível tecnologia espacial disponível. Rocket Squad pode ser assistido online com ótima qualidade, mas apenas em inglês, no Super Cartoons.


Como qualquer paródia, geralmente é imprescindível que se conheça os programas satirizados para compreendermos totalmente. Não neste caso, como atestam as várias gerações de crianças que se divertem com o desenho sem nunca terem ouvido falar nas duas séries de TV 50’s.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Escândalo sexual arruinou atriz de Hollywood


Conselhos de beleza com Joan Bennett! Tai alguém apto a escrever esse tipo de autoajuda, sempre com carinha de banho tomado...

Mas mais que dicas de formosura, a irmã famosa de Constatine Bennett poderia contar histórias picantes. Inclusive na atual onda de biografias cinematográficas iria bem assistir sobre Joan Bennett.

Destruidora de lares em Alma Perversa
Pode não ser hoje lá muito conhecida, mas vivenciou situações dignas de folhetim com tendências a noir. Ao contrário de muitas personalidades que embora ainda famosíssimas ainda, tiveram trajetórias lineares, ou extensivamente já exploradas.

Fatal em muitos papéis como em Alma Perversa (Scarlet Street, 1945 de Fritz Lange), acabou por vivenciar momentos complicados em sua vida. Alvo constante da mexeriqueira Hedda Hopper, no dia dos namorados de 1950 enviou um gambá de presente à jornalista com um cartãozinho escrito “Você fede!”.

Após terminar o casamento com o produto Gene Markey, dez anos mais velho, engatou um romance com o também produtor Walter Wanger. Este seria seu terceiro marido, com quem teve dois filhos, já possuindo outros dois das uniões anteriores

Wanger era dezesseis anos mais velho, raposa de Hollywood, deu novo rumo à carreira da amada. Começou por torná-la morena e descolar personagens com a mesma índole duvidosa do já citado filme de Fritz Lange.

Com o marido Walter Wanger
Até que chegou a seus ouvidos que Joan Bennett estava tendo um caso com seu agente, Jennings Lang, notório conquistador. No réveillon de 1951 o produtor resolveu dar um flagra na adultera e seu amante, ficando de tocaia no estacionamento do lugar em que Jennings Lang trabalhava.

E assim foi! Ao vê-los chegando juntos disparou um tiro certeiro na genitália do agente, que antes ainda negou o affair.  O resto é imaginar a glória dos tabloides e revistas de fofoca!

Com advogados competentes, Walter Wanger cumpriu uma pena leve, alegando insanidade emocional. Saiu da prisão e produziu Quero Viver! (I Want to Live!, 1958 de Robert Wise), filme sobre o sistema carcerário que deu o Oscar a Susan Hayward.

Só deu o divórcio à atriz em 1965, três anos antes de morrer. Com o escândalo, a carreira dela foi totalmente ofuscada, embora não tenha parado de trabalhar no até então veiculo sem prestígio que era a TV, onde conquistou novos fãs graças a série cult Dark Shadows (1966-1971).

O último filme de Joan Bennett foi a obra-prima Suspiria (1977 de Dario Argento). Casou-se pela quarta vez em 1978 com um critico cinematográfico que continuou ao seu lado até seu falecimento aos 80 anos em 1990.

A primeira imagem é um oferecimento 54 mg, a terceira Fanpix

Veja também:

As Certinhas do La Dolce

Kate O’Mara
provocativa
Um oferecimento The Telegraph

terça-feira, 22 de julho de 2014

Barrinha de cereal é para os fracos

Não é segredo meu amor por embalagens e rótulos retrô, mas não qualquer retrô. De preferência os produtos que continuam praticamente do mesmo jeito que vieram ao mundo, décadas atrás.

De tubaína a grampo de cabelo, só temos a agradecer aqueles segundos de anacronismo ao passar os olhos por eles na gôndola do supermercado. Da série sempre te amei, nunca te comprei: Mocoforte!

Principalmente pelo beefcake que parece ter sido desenhado pelo Napoleão Dinamite (Repare no “R” ao lado dele, pra caso alguém queira rouba-lo). Ainda é pra macho, mas é rosinha e isso é bem moderno, né? 

E tão legal quanto ter uma embalagem vintage é ter um site idem...

Parece que a página foi feita em 1989 junto com a receita do mocotó!!! Aliás, Mocoforte é apenas de 1989?

Pensei que a marca fosse muito mais antiga, tipo, 1959! Pra gente ver o quanto o mocinho do rótulo me influencia.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Selma Egrei duas vezes às voltas com o Braille

 Selma Egrei em Sexo, Sua Única Arma (1981 de Geraldo Vietri) 
Selma Egrei em Hoje Eu Não Quero Voltar Sozinho (2014 de Daniel Ribeiro) 

Dois momentos de Selma Egrei no cinema indiretamente correlacionados. De sedutora deficiente visual no começo da década de 80 a avó boazinha de um deficiente visual em filme recente.

Arlete Montenegro e Selma Egrei em 1981
 Mera coincidência, claro, mas não deixa de ser interessante. O próprio cinema nacional em dois momentos absolutamente distintos.

Sexo, Sua Única Arma é quase uma versão de Teorema (1968 de Pier Paolo Pasolini), com inclinações menos políticas. Egrei é uma deficiente visual tão bela quanto misteriosa que se infiltra numa família disfuncional do sul do Brasil.

Toda coitadinha, toda simplória, recebida de braços abertos por quase todos, esconde um ardiloso plano de vingança! Sua intenção ali é seduzir sexualmente todos os homens até destruir a família.

Do jovem seminarista ao patriarca idoso, bobeou ela pimba! Uma maravilha camp com humor involuntário e reviravoltas tão rocambolescas quanto previsíveis.

Não há notícias de que Selma Egrei tenha dado dicas de interpretação ao coleguinha durante as filmagens de Hoje Eu Não Quero Voltar Sozinho.

Evoluindo com estilo: Um macaco na alta roda

 A revista britânica Shortlist de julho traz Caesar num editorial de moda. A estrela de Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes, 2014 de Matt Reeves) veste quatro modelos das principais grifes de alfaiataria de luxo.

Armani, Dolce & Gabbana, Gucci e Roberto Cavalli emprestaram suas roupas para a parceria entre a revista, 20th Century Fox e a Weta Digital, responsável pela computação gráfica do filme. A Weta, com sede na Nova Zelândia, ficou internacionalmente conhecida depois de O Senhor dos Anéis.

Eles não só toparam na hora como disseram que seria mais fácil que colocar um chipanzé de verdade dentro de um terno. Até segunda ordem, seria a primeira incursão da empresa num editorial de moda, um esforço conjunto de seus artistas, com uma sessão fotográfica de verdade.

Não foi tão fácil assim, levando em consideração as proporções distintas de um símio com o do modelo humano vestindo cortes exclusivos. Foram gastos três meses de planejamento e três meses de produção, ou seja, quatro meses para ter o resultado final.

Bem, o último chipanzé que vimos elegantemente trajado foi justamente... 

...O saudoso Cornelius em Fuga do Planeta dos Macacos (Escape from the Planet of the Apes, 1971 de Don Taylor). Deslumbradíssimo com os bens de consumo dos humanos.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Loja exibe na vitrine noiva cadáver (de verdade?)

 Parece argumento de para um filme macabro estrelado por Vincent Price. Alguns populares de cidade do México acreditam que o manequim exposto na vitrine de uma pequena loja de vestidos de noiva é na verdade um corpo embalsamado.

E os rumores já duram nada menos do que 84 anos, ganhando nova força com a Internet.  A loja se chama La Popular e fica em Chihauhau, rua Victoria, número 801. Sua vitrine atrai diariamente dezenas de curiosos e crentes que juram que o manequim de noiva na janela, um boneco altamente detalhado, é uma mulher morta.

Tudo começou em 25 de março de 1930, quando o manequim de aparência estranha foi colocado pela primeira vez numa das mais conhecidas lojas de noivas daquela cidade mexicana. Quase imediatamente, os locais comentaram que algo não estava certo com a figura.

Em pouco tempo, histórias do manequim impressionante começou a se espalhar pelo país, e o povo começou a vir de todo lugar só para ver os detalhes intricados da boneca. Das rugas nas mãos, cabelo humano verdadeiro, ao olhar misericordioso de seus olhos de vidro, era quase como se a figura fosse uma pessoa real congelado no tempo.

Logo, as pessoas também começaram a notar as semelhanças entre o manequim, apelidado de La Pascualita, e a filha da primeira proprietária do La Popular, Pascuala Esparza. Segundo comentavam, a filha de Esparza tinha falecido tragicamente no dia de seu casamento, vítima de uma picada de aranha Viúva Negra.

Moradores sussurravam que a bela figura na vitrine era, de fato, o corpo embalsamado da filha de Esparza, que inconformada com seu falecimento, teria dado um jeito de ter sua presença para sempre. Cada vez mais, os detalhes da história começaram a fazer sentido e as pessoas da cidade tornaram-se indignadas.

Claro, Pascuala Esparza, a dona, negou formalmente as acusações, mas a essa altura, já era tarde demais. A
Pascuala Esparza
lenda estava registrada na pedra e hoje, La Pascualita ainda se senta na janela de La Popular, e os rumores só tornaram-se ainda mais difundidos.

De todos os funcionários que trabalham na loja, apenas dois têm permissão para mudar sua roupa, e só a portas fechadas. É uma prática que faz com que alguns dos empregados se sintam bastante desconfortáveis. "Toda vez que eu chegar perto Pascualita minhas mãos quebrar a suar", disse um dele a imprensa.

 "Suas mãos são muito realistas e ela ainda tem varizes nas pernas. Eu acredito que ela é uma pessoa real ". Outros funcionários dizem que quando chegam pra trabalhar pela manhã parece que encontram Pascualita em outra posição, pra assisti-los com um olhar inquietante.

Tanto tempo depois, alguns passaram a admirá-la como uma santa, fazendo preces e acendendo velas diante da loja. A maioria dos pedidos, como era de se esperar, é para encontrar um amor.

Muitas noivas permitem que La Pascualita escolha qual vestido usarão na cerimônia ao decidir usar um modelo idêntico ao que ela está. Isso ajudaria a trazer sorte no casamento.

Logicamente, é quase impossível que um corpo humano fosse conservado por tanto tempo, ainda mais exposto ao sol diariamente por 84 anos. Seria ainda bem simples, com raio X, confirmar a lenda, se isso interessasse aos atuais proprietários do estabelecimento e ao turismo local.

Nada disso também parece importar a quem lhe faz uma visita com fé. De um jeito bem mórbido, não deixa de ser a melhor estratégia de marketing utilizada por uma vitrine no mundo que já dura mais de oito décadas.

As imagens e informações são um oferecimento Road Trippers, Banderas News e Cool Weirdo

Veja também:
A maldição das crianças que choram 
Lobisomem apavora cidade do nordeste


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Warren Beatty por pouco em Kill Bill


Notinha publicada na revista Set em dezembro de 2000:

“Se o intervalo entre um filme outro implicar em qualidade, Kill Bill será o melhor filme de Quentin Tarantino. Sem filmar desde Jackie Brown (1997), o diretor finalmente começou a soltar alguns detalhes da produção. De acordo com o cineasta, a idéia desse policial noir surgiu na época de Pulp Fiction, mas foi descartada logo em seguida. O que ficou foi a vontade de ter Uma Thurman no papel principal, mantida até hoje. Segundo alguns boatos, Tarantino também está conversando muito com Warren Beatty (Reds, Bugsy), tentando convencê-lo a participar do trabalho. Resta saber se o astro vai viver até lá.” 

Demoraria mais quatro anos para Kill Bill (estrear estrear, dividido em dois volumes. Com muitas mudanças, o filme teria sido praticamente outro.

O papo de que a ideia (ainda com acentinho ortográfico) surgiu durante Pulp Fiction (1994) tanto Tarantino quanto Thurman continuaram repetindo á exaustão. Mas é pouco comentado de que seria um noir!

As voltas que o projeto deu inclusive pela escalação do elenco... Acho que sendo noir justificaria os boatos” de Warren Beatty no projeto como Bill, afinal, não há outro papel do quilate dele nos dois filmes.

O tema foi bastante especulado e não era boato, conforme foi noticiado em 2004, época do lançamento nos cinemas. Tarantino chegou a dizer que ambos desistiram por não ser o filme certo para trabalharem juntos, o ator Michael Madsen conta uma história um pouco diferente.

Ele, que está no filme como Budd, se lembrava de ir a um jantar com o produtor Lawrence Bender e Beatty para que pudessem se entrosar. "Saímos para sentir se estaríamos confortáveis um com o outro", contou Madsen que três dias depois recebeu um telefonema do Tarantino falando sobre as alterações.

O diretor contou-lhe que dispensou o grande astro porque "Ele não entende o que acontece com o filme e eu não vou passar por isso. Ele não entende o que acontece com o filme, ele não quer fazê-lo e eu não quero que ele faça”. Na mesma ligação soube que o grande vilão seria agora o decadente David Carradine, o que causou estranheza.

Carradine, pertencente a uma linhagem de grandes atores, acabou com o papel como todos nós sabemos. Segundo o próprio no livro sobre os bastidores do épico, por sugestão de Warren Beatty, o que denota que o rompimento dele com o diretor não foi tumultuado.

Voltando à nota da Set, o astro estava apenas com 63 anos em 2000. Que agouro era esse de colocar em dúvida se ele duraria até o filme ficar pronto?
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