terça-feira, 21 de outubro de 2014

Encontros e desencontros: Andy Wahrol e TDK


É divertido quando o garoto propagandafamoso nada tem com o produto que anuncia, mas é brilhante quando ambos se casam. Andy Wahrol e TDK nasceram um pro outro!

A campanha englobou anúncios nas principais revistas do Japão, além de comerciais na TV. Você assiste a um deles, já um clássico no You Tube, no player abaixo ou clicando aqui.

No vídeo ele fala em japonês as cores (“Aka, Midori...”, “Verde, azul...”) , mais vibrantes nas fitas daquela marca.

Em 1982 Andy Wahrol estava muito popular naquele país. A exemplo de tantas celebridades internacionais foi convidado a fazer publicidade lá, primeiro apenas gráficas. A parceria com a TDK durou até 1985, auge do VHS, provável época do comercial de TV.

Nesse meio tempo o sucesso do musical da Broadway Cats chegou à Terra do Sol Nascente e foi agregado à campanha. A primeira apresentação do espetáculo no Japão foi em 1983, época em que a propaganda principal dessa página deve ter sido produzida.

O sistema caseiro de gravação em vídeo tinha em sua essência um bom chamariz para a pessoa comum que queria se destacar, ser famosa, aparecer na televisão. Antes dele, aparecer na TV só mesmo através de uma emissora de TV.

Menos mundano, a popularização do VHS ainda proporcionou o aparecimento de muitos vídeo artistas em todo planeta. Qualquer que seja seu uso, inegável a ideal associação com o Papa do Pop.

As imagens são um oferecimento Jezebel

Veja também:

Campanha mais crível dos últimos tempos
Faye Dunaway e um ovo cozido no Japão

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

10 anos sem John Waters

No dia 24 de setembro de 2004 estreava nos cinemas dos EUA Clube dos Pervertidos (A Dirty Shame) e John Waters nunca mais dirigiu nada!!!! Foi o 13º longa de uma carreira iniciada em 1964 com o curta em Super8 “Hag in a Black Leather Jacket”.

De lá pra cá ele chegou a anunciar o projeto Fruit Cake, oportunidade em que flertaria com o publico infantil. Só por isso já era interessante imaginar o que poderia sair do homem, entre tantas outras alcunhas lisonjeadoras, conhecido como o Papa do Vômito.

Há cerca de dois anos, em entrevista ao jornal carioca O Globo, justificou o tempo sem filmar com a crise que os EUA enfrentavam. De independente só estava produzindo quem se dispunha a gravar com o celular e publicar no You Tube.

Tenho uma amiga menos otimista. Pra ela, John Waters nunca mais filmou porque tem ganhado muito dinheiro com as adaptações das suas histórias para a Broadway e coisas do tipo.

Seja o que for, aos 68 anos de idade, tem feito shows de standup ao redor do mundo e lançado alguns livros, sendo o mais recente com as suas aventuras como caronista de costa a costa do seu país. Ainda tem feito pequenas aparições como ator.

Faz falta! Seu cinema é o que de melhor existe como crônica dos costumes do nosso tempo. O Clube dos Pervertidos mesmo, recebido com certa frieza pelos fãs, previa este momento maluco da sociedade onde há tantos “sem vergonha” e ao mesmo tempo tantos puritanos que causariam inveja ao mais medieval dos inquisidores.


No Brasil O Clube dos Pervertidos saiu direto em DVD em 2005 pela Playarte numa edição paupérrima, que ainda tinha o escopo alterado pra 4x3. Pelo menos tivemos a edição “X-Rated” com palavrões e nudez frontal, ao contrário dos Estados Unidos que primeiro tiveram uma versão familiar nos cinemas.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Grandes clássicos da Internet: Batman e a bomba

Poucos filmes geraram tantos memês quanto Batman (1966 de Leslie H. Martinson). E alguns bem tradicionais, dos primórdios da Internet, como o da bomba, saída da cena da que você assiste no player abaixo ou clicando aqui.
Talvez existam milhares de sátiras e citações a essa quase autoajuda do Homem Morcego:  “Some days you just can’t get rid of a bomb” (algo como "Tem dias que você simplesmente não consegue se livrar de uma bomba") . Neste link aqui encontramos de ponto cruz a recriações de todos os tipos.

Há pelo menos uma foto do making off da sequencia. Algo como construindo um mito que seria lembrado após quase cinquenta anos.


No mesmo filme ainda tem o célebre repelente de tubarões em spray e a corridinha de Batman e Robin, um ícone dos gifs animados. A versão psicodélica do personagem cabe muito bem no espírito "a zoera never ends" da Internet.

Tudo isso retirado da produção para a tela grande de 1966, não da série do mesmo ano, por uma razão óbvia. Graças a um imbróglio de direitos autorais entre a Warner e a Fox o programa continuou inédito (exceto exibições na TV), enquanto o longa metragem está disponível para colecionadores desde os idos do VHS. 

Inclusive no Brasil, temos um DVD caprichado distribuído pela Fox faz muito tempo. Portanto, não tinha como rolar screenshots, gifs animados nem nada sem ser do filme.

Lembrando que baixar episódios da internet que alguém gravou da televisão, assim como os gravadores domésticos, é algo relativamente recente. Embora os nerds hoje sejam outros do começo da Internet, com a serie completa finalmente saindo em DVD novos memes devem surgir. 

A contar com a extensa galeira de vilões (Vincent Price de Cabeça de Ovo!!!) , por falta de Batman 60's a Internet não acaba tão cedo...

A segunda imagem é um oferecimento Great Grottu

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Madonna, a aventureira sul-americana

Distribuidores argentinos (e de outros países da América do Sul) capricharam na hora de escolher um título local para Shanghai Surprise (1986 de Jim Goddard): Las Aventuras de Madonna en Shanghai!!! Pá!

VHS do Brasil
Numa tacada só incluíram dois assuntos quentes do momento, filmes de aventura retrô e Madonna. E o quão raro é o nome de algum ator ser aproveitado no título do filme? Xuper Xuxa Contra o Baixo Astral não vale!!!

Talvez eles tenham entendido logo de cara que a loira era um personagem como Indiana Jones e tantos outros produtos pop. Porque não fazê-la num tipo Lara Croft antes que a Lara Croft fosse inventada?

Aqui no Brasil pelo menos (desta vez) fomos lacônicos utilizando “Surpresa de Shanghai”. No nosso país ainda tivemos uma correta capa que passa longe de qualquer sentido de aventura eletrizante. 

A arte do VHS latino força uma ligação com as releituras de heróis estilo 40’s, na esteira de Indiana Jones, que infestaram o cinema popular dos anos 80. Além do traço pulp, Sean Penn aparece usando até um chapeuzinho similar ao do Harrison Ford. 

De se imaginar a decepção de quem locou isso esperando um pouco mais do que roncar no sofá...

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Drácula nas (nem tanto) boas lojas do ramo

As surpresas que nos aguardam prateleiras de supermercado com  brinquedos ordinários encartolados... Drácula para botar o terror naquela pseudo Barbie de plástico reciclado!!!

Encontrei isso no mercadinho aqui perto de casa. Na verdade, segundo a embalagem é um “Vampyro” (com ipsilone mesmo), mas a capa preta de aba grande e o cabelo em V na testa meio que entregam o jogo.

Será que se precaveram contra copyrights? Drácula já está em domínio público, amiguinhos de Hong Kong...

O que não está em domínio público é a cara do Bela Lugosi, coisa que nem a Universal Studios usa nas rebuscadas action figures dos monstros que "criou" na década de 30. Veja na imagem abaixo.

Ao contrário da Criatura de Frankenstein, com maquiagem muito parecida à do Boris Karloff no filme de 31, o Drácula “oficial” da Universal nas lojas sempre tem um rosto genérico. Bela Lugosi Jr., filho do ator, sabiamente preserva bem a imagem do pai. 

No caso de Karloff, é a maquiagem, aquela com cabeça achatada e dois eletrodos no pescoço, que pertence ao estúdio. O que faz com que qualquer brincado relacionado ao personagem seja muito mais legal do que os relativos ao Conde da Transilvânia

Esse do mercadinho tentei encontrar ainda algum traço pelo menos do Cristopher Lee, outro ator famoso por interpretar o personagem. 

Mas nada, só viagem da minha cabeça! Por 7,99 pratas seria querer demais...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Desconstruindo Cary Grant: bêbado e despenteado

Foto da produção de Intriga Internacional (North by Northwest, 1959 de Alfred Hitchcock). A função dela seria marcar o visual de Cary Grant para que na filmagem houvesse continuidade em todas as tomadas.

Entre identificações técnicas, no cartão está escrito que o personagem está bêbado e despenteado. Aparência de bêbado tanto quanto a figura elegante do ator permitia.

Na história ele é obrigado pelos caras maus a tomar uma garrafa de Bourbon. Tudo para suas denúncias serem desacreditadas pela polícia quando for à delegacia denunciar os espiões.
Isso se ele escapar do previsível desastre, já que é posto dentro de um carro numa estrada beirando precipício. O cabelo despenteado é, provavelmente, porque o carro é conversível.
E esse cuidado tem lá o seu lado irônico, visto que o filme geralmente entra na lista dos erros de continuidade por aquela sequência célebre do avião no milharal. Cary Grant literalmente deita e rola na terra e logo fica impecável.

Embora o errinho mais legal de Intriga Internacional é o garotinho que prevê o tiro. Relembre clicando aqui.

A primeira imagem é um oferecimento Your Horrible, a segunda Cary Grant.Net

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Deusa egípcia do Espaço sideral

Valerie Leon a rigor para Sangue no Sarcófago da Múmia (Blood from the Mummy's Tomb, 1971 de Seth Holt) na capa da Titbites. A Hammer foi grande provedora de beldades para a tradicional publicação britânica e tantas outras revistas.

E nunca houve esquema de produção tão bom quanto o da Hammer. Até pra escolha de elenco, quando davam preferência a moças bonitas, não necessariamente com talento dramático.

 Muitas delas haviam aparecido em revistas para adultos, o que creio não seja o caso de Leon. Assim, automaticamente seriam selecionadas por editores para serem capa das publicações, o que economizava um bocado na promoção dos filmes.

Desde que o mundo é mundo, mulher bonita vende muito mais. A pauta da revista acima nem é Sangue no Sarcófago da Múmia, mas a estreia da série televisiva Space 1999, que aconteceu em 1975, quatro anos após o filme da Hammer.

Valerie Leon, que ainda foi Bond Girl duas vezes, embelezava bem qualquer banca! Na foto da Titbites o figurino de Tera, a deusa egípcia, parece ser muito ousado, mas na imagem restaurada e nítida do DVD dá pra perceber que está com um sutiã cor da pele.

A própria aparece no mini doc presente na edição brasileira do DVD revelando outra coisinha: Não é ela quem aparece nua de costas no filme, mas uma dublê de corpo.

A primeira imagem é um oferecimento Catacombs, a segunda 24 Femmes per Second.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

E Muriel completa Bodas de Porcelana!

 Faz 20 anos que aconteceu O Casamento de Muriel (Muriel's Wedding, 1994 de P.J. Hogan). Qual a importância que isso tem para o mundo? Provavelmente nenhuma...

Até porque o filme é bonitinho, adorável até, mas não inovou em nada. Não há, evidente, problema algum na competência em entreter e, portanto, ter marcado uma fase da vida de tanta gente que estava lá na primeira metade dos anos 90.

Conforme essa década vai se distanciando mais e mais vamos observando peculiaridades que na época não percebíamos tanto. No cinema a Austrália, levando em conta sucessos como o da sofrida Muriel, parecia que se empunharia com toda sua docilidade kitsch.

Na mesma época tivemos Priscilla, A Rainha do Deserto (The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert, 1994 de Stephan Elliott) esfregando na cara do maistream que o fenômeno drag era uma realidade. Assim como a persistência dos suecos Abba em angariar fãs.

A algazarra colorida australiana não demoraria muito nas telas. Logo Hollywood absorveria seus astros e técnicos, além de se transportar para aquele continente afim de contenção de gastos, o que, de certa forma minou as produções exclusivamente locais.

Fomos de extrema reverencia ao século XX que estava por acabar. Não ríamos com suspeita superioridade das modas e produtos culturais passados e consagramos os ícones com rótulos como “Cult”, ou no mínimo “trash” (essa última expressão já devia ter sido esquecida, sublinho).

Quem tinha virado gente nos anos 90 achava os 70 deliciosamente exóticos e muito distantes. Iam a clubes noturnos eufóricos por estarem de certa forma estarem revivendo os “dias dançantes”, voltaram a usar calças pantalonas e até havia uma sitcom na TV chamada “That ‘70s Show”.


Em 2014 estamos igualmente distantes dos 90, como os 90 estavam para os 70. E eu estranharia muito se surgisse agora uma sitcom chamada “That ‘90s Show”...

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Tempo e espaço dentro da cabeça de Almodóvar

  O diretor Pedro Almodóvar dá um sentido especial a  “universo do autor”. Ser autorreferente é natural dentro de uma cinegrafia, mas ele vai além.

Cita trabalhos antigos dele de forma evidente como em Chicas y Maletas, o filme dentro do filme Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos, 2009) que reproduzia muito de Mulheres À Beira de Um Ataue de Nervos (Mujeres al borde de un ataque de "nervios"", 1988). Mas também referências a filmes que ainda não fez.

Coisas que passaram sem maior importância reaparecem muitos anos depois com relevância. Por exemplo, este diálogo de A Flor do Meu Segredo (La flor de mi secreto, 1997) onde a editora explica porque rejeitou o romance de Leo/Amanda Gris.
A história da dona de casa que dá fim ao corpo do marido, morto pela filha que ele tentou violentar é um dos motes de Volver (2006). A Ideia de “O Frigorífico” foi guardada por quase uma década!
Ainda sobre esses dois filmes, no da década de 90 havia um diálogo sobre as tias do vilarejo que enlouqueceram, tema que desenvolveu melhor em Volver. Em ambos, as protagonistas partem para o lugar onde cresceram quando o mundo desaba.
Carmen Maura, antiga estrela almodovariana, ressurgiu nesse filme de 2006 como a avó fantasmagórica. Vimos uma pincelada disso antes em A Má Educação (La Mala Educación, 2005).
O poster do fictício “La Abuela Fantasma”, um mero detalhe cenográfico, se tornou real em seu filme seguinte. Pelo menos em termos.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Elas querem poder

 Sandra Brea e Édson França na capa da revista Sétimo Céu de julho de 1973

Márcia Gonçalves e Navarro Puppin na capa da revista Ele Ela de dezembro de 1973

Tava super na moda em 1973 a derrocada do macho. Pelo menos nas bancas, sendo que normalmente leva um tempinho para o que está nas revistas ganharem as ruas.

E mais tempo ainda pra chegar até a TV. O seriado Malu Mulher, notório por mostrar a Regina Duarte prafrentex, sem precisar de marido pra viver, estrearia apenas em 1979.

Regina Duarte em Malu Mulher, 1979
Um ano antes a novela Dancin’ Days já discutiu o papel da mulher numa relação, mas sem ser o foco central. Embora a mocinha Julia passe pelo dilema de arranjar um marido rico para dar um jeito na sua vida...

Lá fora, sutiãs haviam sido queimados muito antes de 1973. Demorava muito mais para uma tendência chegar até o Brasil e, espantoso que mais de 40 anos depois, o posicionamento da mulher ainda é uma extravagância.


É espantosa também a quantidade de tiazinhas candidatas a deputadas que aparecem no horário eleitoral conclamando o voto feminino. O discurso não é bem pelo voto feminino, mas o das donas de casa que gostam de deixar a casa um brinco para quando o maridão chegar.

A primeira imagem é um oferecimento Revista Amiga e Novelas, a segunda Revista Ele Ela
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