sábado, 1 de agosto de 2015

Bette Davis em desenho animado!

 A era de ouro de Hollywood é quase a mesma época da era de ouro da animação. Muitas das maiores estrelas acabaram aparecendo como caricatura nos desenhos animados clássicos.

Bette Davis, claro, é uma delas. Não tantas vezes quanto Greta Garbo ou Mae West, mas foi uma das que mais foram homenageadas por mestres do traço como Tex Avery e Walt Disney.

Se ela gostava de ser retratada em cartoon? Provavelmente detestava! Nunca escondeu que odiava sátiras, imitadores e similares.

Mas sabemos que é uma honra, sátira é sinal de que se chegou lá. Selecionei alguns (Todos podem ser encontrados online) excluindo animações atuais de fãs e personagens que são talvez inspirados em seu rosto e jeito de atuar.

She Was an Acrobat's Daughter (1937)
No filme que os personagens do desenho assistem num cinema aparece essa sátira a A Floresta Petrificada (The Petrified Forest, 1936 de Archie Mayo). Produção da Warner colorida, mas o “filme” é P&B como o original.

Dangerous Dan McFoo (1939)
Clássico de Tex Avery para a série de desenhos Merrie Melodies da Warner. Bette Davis é vista de forma realista na visão do lobo vilão quando fica atraído pela cachorrinha.

The autograph hound – 1939
Produzido por Disney, Pato Donald vai a Hollywood tentar conseguir autógrafos. É hostilizado pro várias estrelas até que descobrem que ele é o Pato Donald e todos correm pra pedir seu autógrafo.

Bette Davis aparece rapidamente com o vestido avermelhado de Jezebel (1938 de William Wyler).

Malibu Beach Party – 1940
Pérola do politicamente correto, repleto de estrelas e estereótipos raciais. Davis entra mancando vestida de rainha numa referência evidente a Meu Reino Por Um Amor (The Private Lives of Elizabeth and Essex, 1939 de Michael Curtiz).

Hollywood Daffy - 1946
Patolino também vai de penetra a Hollywood. Produzido pela Warner, casa oficial da Bette Davis, o único em que ela é chamada pelo guardinha da porta do estúdio nominalmente: “Bom dia, Senhora Davis!”.

Ela responde (na voz de outra atriz que a imita) como se estivesse falando sozinha algo como: “Então você diz que eu sou má com você. Você diz que eu sou louca, cruel, dominadora. Bom Dia. Bem, você está certo! Eu sou tudo isso, e o céu também.”. É uma citação ao melodrama Tudo Isto e o Céu Também (All This, and Heaven Too, 1940 de Anatole Litvak).

A primeira imagem é um oferecimento Gods and foolish grandeur

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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Dália Negra a seis graus de separação

  Faz dez anos (JÁ!!!)  que os Fisher partiram desta pra melhor. É inevitável para quem não consegue superar o luto, ficar procurando referências dos entes perdidos em outros lugares.

Não é incrível a similaridade entre a capa da primeira temporada de A Sete Palmos (Six Feet Under,  2001-2005) e o pôster de Dália Negra (Black Dahlia, 2006 de Brian de Palma)? Tão incrível que não passou despercebida na época do lançamento do filme.

No Brasil o filme do De Palma foi distribuído em DVD pela Imagem Filmes que, assim como outras distribuidoras pelo mundo, utilizou uma arte com o resto do elenco famoso ao fundo. A semelhança diminui bastante desta forma.

Mas há mais relação entre A Sete Palmos e Dália Negra! A atriz Mena Suvari participou de vários episódios da quarta temporada (2004) da série como a quase namoradinha da caçula Claire, daí em 2011 ela também participou de dois episódios da primeira temporada de American Horror Story como...

... Elizabeth Short, a Dália Negra!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Como Bela Lugosi salvou Thriller e mudou a história da música

 É um daqueles causos saborosos do mundo pop que podem alimentar muitas rodas de conversa. Tal e qual Drácula, Bela Lugosi já estava morto há 26 anos quando conseguiu revolucionar a música e os videoclipes.

A história foi registrada no livro "Michael Jackson - A magia e a loucura" de J. Randy Taraborrelli (Editora Globo) e replicada no blog Monster Vision pelas palavras do historiador Stan Sinberg. A versão que consta no livro é levemente diferente:

“Como foi observado várias vezes desde a morte prematura de Michael Jackson, o vídeo "Thriller" mudou a história da música. O vídeo de forma eficaz "integrou" a MTV, e revolucionou a forma como os vídeos de música foram concebidos, produzidos e orçamentados. E tudo isso não teria acontecido se não fosse, de uma maneira estranha, por Bela Lugosi.

Na época, John Branca era advogado de entretenimento de Jackson. Branca representava muitas bandas de rock, incluindo The Beach Boys e Fleetwood Mac (...). Naquela época, em 1983, vídeos de música de rock estavam em sua infância, tinham um orçamento médio de $ 50 mil, e a MTV estava sendo criticado por ignorar artistas negros.

Nesse ambiente, Jackson disse a Branca que queria um orçamento de um milhão de dólares para seu próximo vídeo, "Thriller". Quando o advogado se opôs, Jackson retrucou: "Faça acontecer!" 

Branca surgiu com a ideia de persuadir o (canal) Showtime a desembolsar 1,2 milhões dólares para um "Making of 'Thriller'" - o primeiro vídeo de "making of" do tipo.

Depois que "Thriller" foi concluído, mas antes de seu lançamento, Jackson, Testemunha de Jeová, contou aos anciãos da igreja que no vídeo ele se transformava em um lobisomem.  Os anciãos o repreenderam pela promoção da demonologia. Jackson, então, pediu a Branca para destruir o vídeo.

"Isso é uma loucura", disse Branca, que tinha a cópia master. "Eu não posso destruí-lo."

Desesperado, Branca lembrou que o Rei do Pop era um grande fã do ator Bela Lugosi, que tinha interpretado "Drácula." Então em um blefe, ele telefonou para Jackson. "Você sabe, Bela Lugosi foi um homem muito religioso", ele começou, embora na verdade Branca não tinha ideia se isso era verdade.  "E Bela mandava colocar um aviso em seus filmes dizendo que seus filmes não endossavam o vampirismo." Esta foi uma mentira completa.

Branca convenceu Jackson colocar um aviso semelhante no início de "Thriller" (" Devido às minhas fortes convicções pessoais, gostaria de salientar que este filme de modo algum ... ") –
e a história dos vídeo clips foi alterada. Nos cinco dias seguintes ao lançamento do vídeo, o álbum "Thriller", que já tinha sido lançado há meses, vendeu um milhão de cópias, e seguiu seu caminho para a estratosfera.”

Banana no sarcófago da múmia

Um momento bucólico com Valerie Leon e Mark Edwards em Sangue no Sarcófago da Múmia (Blood from the Mummy's Tomb, 1971 de Seth Holt e Michael Carreras).  Uma sutileza cortesia da Hammer Films para bom entendedor.

O roteiro gira em torno da reencarnação da rainha egípcia má Tera sem dar espaço pra muita coisa além disso.  Na hora de filmar foram acrescentando uma coisinha extravagante aqui, outra ali.

Leon (em papel duplo) também aparece em cena muitas vezes com esvoaçantes camisolas, cobrindo nos seios pouco mais do que os mamilos. Há um nu não frontal, que a atriz esclareceu anos depois tratar-se de dublê de corpo, coisa que diz se arrepender de não ter feito já que tinha um corpo belíssimo.


Sangue no Sarcófago da Múmia foi um dos filmes da Hammer com a produção mais conturbada. Entre várias ziquiziras, cuja culpa, claro, recaiu sobre uma suposta maldição da múmia, o diretor simplesmente morreu de soluço durante as filmagens, conforme você lê clicando aqui.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Problemas com défice de atenção?

  A revista “Science and Invention” trouxe numa edição de 1925 o estranho The Isolator. O invento prometia, conforme o próprio nome diz, isolar o usuário de qualquer distração para ler ou escrever.

Criado por Hugo Gernsback, qualquer som externo seria bloqueado, além de não permitir que se fale ou que se leia algo além do que uma linha de cada vez. Mente totalmente focada até para respirar!

É claro que, como não havia diagnóstico na época, o artigo não cita nada sobre Défice de Atenção como ou sem Hiperatividade. Seu desconforto (afinal é um tipo de escafandro) também deveria limitar a hiperatividade ou pelo menos diminuí-la.


Como nunca ouvimos falar na engenhoca, presume-se que a ideia brilhante não foi muito adiante. Além de inventor, Gernsback se tornou um conceituado autor e editor de revistas científicas que mais tarde se tornaram de ficção científica.

As imagens e infos são um oferecimento Kitschy-kitschy-coo e A Great Disorder

terça-feira, 28 de julho de 2015

Um vestido para Marilyn e Mulher Maravilha

 A ruiva aí da foto está irreconhecível, mas é a amiga Mulher Maravilha disfarçada! Ela se infiltra num concurso de beleza no episódio "Beauty on Parade", quarto episódio da primeira temporada, para caçar um sabotador nazista.

Mas além de constatar que Lynda Carter não fica nada bem com outra cor de cabelo chama a atenção o vestido com estampa de cerejas.

Bastante similar ao que Marilyn Monroe usou em Os Desajustados (The Misfits, 1961 de John Huston.).

Como o episódio se passa em 1942, provavelmente os figurinistas procuraram referências ao visual do passado. A década de 70 (a série foi produzida em 1976) viveu uma ruptura estética tão grande que o ano de 1961 poderia soar a muitas décadas atrás.

Mas ainda assim, não é um anacronismo. A estampa de cerejas é um clássico americano que Marilyn havia trazido de volta à moda havia 15 anos. 

A primeira imagem é um oferecimento Randar, a segunda, Do Headhunter

Veja também:

Pausa para nossos comerciais

O brinquedo mais legal vindo da franquia Tubarão (Jaws, 1975 de Steven Spielberg)!!!  Pelo menos as criancinhas parecem estar se divertindo pra caramba.

Tão bacana que há cerca de quarenta anos não havia problema algum em encher os dentes do tubarão de brinquedo com sangue. Assim como no filme vemos sangue aos litros, o oposto aos pão de lós que o Spielberg fez depois.

Não só os dele, claro, até pra passarem com uma faixa indicativa de idade mais baixa e... Vender brinquedos relacionados aos filmes!  As razões educativas são discutíveis.

É bem estranho mostrar um monte de violência onde os personagens não sangram. Fica parecendo que tá tudo joia, que não há sofrimento se aquilo for reproduzido na vida real.

A imagem é um oferecimento The World of Doctor Orloff

Veja também:
Tubarão, o videogame

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Quando um filme ruim consegue ser mais do que apenas um filme ruim

Feito com um punhadinho de dólares em 1971, Octaman é como se espera:  Muito ruim, mas muito ruim mesmo! Mas ele guarda algumas singularidades que o fazem objeto de culto à frente de tantas outras pérolas B.

Meio homem meio polvo, a criatura deve ter algum parentes com a prestigiada O Mostro da Lagoa Negra (Creature from the Black Lagoon, 1954 de Jack Arnold), visto que seu diretor Harry Essex foi um dos roteiristas no filme da Universal. Não, por tanto, é coisa de um bando de garotos inexperientes sonhando em fazer cinema.

No elenco temos ninguém menos que a estrela de Hollywood Pier Angeli. Aquela eterna virginal namoradinha de James Dean, cujo amor proibido de ambos haviam feito muitas adolescentes suspirarem quase vinte anos antes.

Ela estava literalmente em fim de carreira, sem ser convidada para grandes produções se agarrou no que aparecia como várias outras antigas colegas. Depois de O Que Terá Acontecido a Baby Jane?  (What Ever Happened to Baby Jane?, 1962 de Robert Aldrich) filmes de baixo orçamento pareciam uma segunda chance para quem não interessava mais a Hollywood.

Joan Crawford topou o ridículo Trog, O Mosntro da Caverna (Trog, 1970 de Freddie Francis) e saiu dizendo que teve vontade de morrer quando viu seu nome estampado numa marquise junto a esse filme. Bem, Pier Angeli andava muito deprimida quando trabalhava em Octaman e realmente se matou com barbitúricos durante as filmagens.

Só que isso tanto faz para Octaman. Editaram de um jeito que ela continua praticamente em toda metragem, ainda muito bonita aos trinta e nove anos de idade.

Mas nem tudo é fim de feira. A criatura risível de borracha, por exemplo, foi o primeiro trabalho de Rick Baker, na época com vinte anos e apaixonado por cinema fantástico.

Baker depois se tornaria um dos principais nomes em maquiagem e efeitos visuais que já tem em sua prateleira sete Oscars de um total de doze indicações! Orgulhosamente já relembrou seu Octaman no Twitter exibindo a escultura original.
Ele criou o figurino, mas não o vestiu, como faria em 1976 para a super produção King Kong de Dino Di Laurentis. Aliás, incrível como apenas cinco anos separam Octaman de King Kong. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Estranhos autógrafos de Lana Turner


Como toda grande estrela de Hollywood, Lana Turner distribuiu centenas de autógrafos pela vida afora. Os mais banais são nas fotos do departamento de publicidade da MGM (como na imagem acima).

Este ano apareceu no Ebay uma nota de 20 dólares com a assinatura de Turner. Segundo o vendedor ela pertenceu a um motorista de limusines de Los Angeles das décadas de 70 e 80.

Apaixonado por cinema, ele sempre pedia para elas darem seus autógrafos. Engana-se quem pensa que a cédula é porque ele não tinha outro papel, mas porque ele queria ficar rico um dia as revendendo.

Por ironia, algumas destas notas se tornaram raras por si só e teriam mais valor se não tivessem sido escritas. A com a assinatura da Lana Turner mesmo foi vendida por US $39,95, algo em torno de R$ 133.

Mas o autógrafo mais estranho de Lana Turner, aliás, de qualquer grande estrela de Hollywood é o que está abaixo. Num belo dia alguém lhe pediu sua assinatura e ao invés de seu nome escreveu “NÃO”!

Repare que ela incluiu um subscrito embaixo do "não". A imagem foi originalmente postada num grupo de fãs de Joan Crawford no Facebook e a indignação foi generalizada.

Crawford jamais seria rude com um fã! Muito pelo contrário, tinha hábito de chegar muito mais cedo nas premières de seus filmes a fim de atender à fila de admiradores ávidos por uns rabiscos e um pouco de atenção.

A primeira imagem é um oferecimento Victoria Roberts

Lampejo de sabedoria

Não aceite ser tratada como cozinheira de presídio...
 Por quem já te tratou como capitã da Enterprise...

quinta-feira, 23 de julho de 2015

5 heresias cinematográficas no You Tube


Não há quem ainda se espante com a reciclagem, remakes e oportunismo ou o que quer que seja com um filme de sucesso. Desde que o cinema é cinema isso acontece e apenas em raríssimas vezes a obra original é maculada.

Listei cinco ocorrências bem bizarras encontráveis no You Tube. Deve existir mais por lá, sem dúvida, aquilo lá é um poço sem fundo pra filme B.

Os Pássaros 2 (The Birds II: Land´s End, 1994 de Rick Rosenthal)


A década de 90 foi bastante cruel para Hithcock. Se na década passada produtores espertões lucraram algum ao transformar Norman Bates numa espécie de Jason Voorhees nas sequencias de Psicose, por que não tirar um caldinho de Os Pássaros?

Tippi Hedren, a estrela do primeiro é a única relação forte aqui. Ela topou uma ponta em outro personagem e depois se disse constrangida, tadinha.

A cópia no YouTube está em inglês sem legendas.

O Iluminado (The Shining, 1997 de Mick Garris)

Se dizendo insatisfeito com a falta de fidelidade da versão de seu livro dirigido em 1981 por Kubrick, o próprio Stephen King escreveu o roteiro desta minissérie para TV. Não era um autor novato em adaptações pra saber que livros são livros e filmes são filmes.

Longas horas (QUATROS HORAS e tralalá pra ser mais específico) de muito draminha classe média e pouquíssimo terror. Ainda há uns efeitos digitais bem primários.

No YouTube a cópia está com boa qualidade dublada em português. Foi distribuída no Brasil em VHS na época pela Warner, com um trailer incluído na fita de Marte Ataca! (Mars Attack!, 1996 de Tim Burton).

O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane?, 1991 de David Greene)

As irmãs Redgrave Lynn e Vanessa toparam esse momento vergonhoso da TV. Absurda falta de noção, não acha nenhum motivo de existir desprendido da época e pessoas envolvidas no trabalho de 1962.

No YouTube é uma cópia da TV (foi exibido na TV do Bispo) com qualidade relativa. Choca ler alguns comentários de quem acha que este é o filme fabuloso de Robert Aldrich.

Casablanca colorizado (Casablanca, 1942 de Michael Curtiz) – Trecho.

A polêmica versão deste clássico colorizado foi muito discutida na década de 80. Foi fruto da compra de um pacotão de clássicos pelo magnata Ted Turner.

Sabemos que a cor acrescentada por computador ainda tem o motivo de não deixar os direitos autorais vencer. Além, claro, gerar interesse para gerações não acostumadas ao fabuloso B&W.

Em 2013 a TV Cultura exibiu Laura (1942 de Otto Premiger) colorizado. Ou seja, o recurso continua sendo feito, o que no caso de cinema noir tem o agravante de desrespeitar uma opção estética de seus realizadores.

 O trecho de Casablanca no You Tube ainda é interessante pela dublagem antiga que se ouvia na TV. 

Metrópolis (Metropolis, 1927 de Fritz Lang) – Anúncio versão musicada por Giorgio Moroder

Desde o seu lançamento, quase 90 anos atrás, ele sempre foi mutilado. Na década de 80 o músico Giorgio Moroder (com a participação de Freddy Mercury) musicou com rock e eletrônico uma condensação de 80 minutos.

O anúncio do DVD e Blu-Ray pela Rhino fala em 1986, mas foi 1984. Por muito tempo existia no Brasil, distribuído em VHS pela Continental, apenas esta versão da obra prima de Lang, o que irritava profundamente.

Para assistir tirávamos a cor da imagem (ele recebeu tonalidades coloridas e alguns efeitos digitais ultrapassados) e colocávamos um CD menos extravagante. Hoje, com longas versões mais próximas do original disponíveis, esta versão tem seu charme, mas não deixa de ser bizarra.
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