terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Com a Maldade na Alma: O filme que não foi

Agnes Moorehead com Joan Crawford e abaixo na mesma cena com Olivia de Havilland
 Agora há várias fotos de cenas de Com a Maldade na Alma (Hush...Hush, Sweet Charlotte, 1964 de Robert Aldrich) com Joan Crawford interpretando a prima Miriam. Como se sabe, o papel acabou ficando com Olivia de Havilland.

Antes na internet conhecíamos duas ou três fotos promocionais, com Joan e Bette Davis posando num tumulo.  Stills de sequencias eram raros, o que nos leva a ter esperança de algum dia assistir ao que foi filmado e dispensado.


Fica evidente que se tornou um filme absolutamente diferente com a troca de atrizes. Até porque, Olivinha é fofa, mas não é Joan Crawford, que impingiria muito mais força ao trabalho.

Prima Miriam da Joan chega, chegando, com colar de diamantes e tudo, enquanto a que acabou valendo vai mostrando as garras aos poucos. Olivia de Havilland manteve a princípio a imagem adocicada que tinha perante o público.


Seria possível esperar pelo menos um pouco que ela tivesse alguma boa intenção com a parente sulista reclusa, acusada de decapitar um homem por amor? Com Olivinha sabemos que sim!

Pelas fotos também vemos que Joan não filmou pouco. A sequência da escada da primeira foto (com a Agnes Moorehead) é lá na frente da história.

Todas, claro, sem Bette Davis que exigiu não filmar nada com Joan Crawford, embora no roteiro houvessem muitas cenas juntas. Antes de achar uma solução ao entrave absurdo, o diretor Robert Alderich foi adiantando as sequências em que elas não apareciam juntas.

Isso até o clima ficar insuportável com inúmeros atritos e exigências cada vez mais loucas das estrelas da película, culminando com Joan faltando as filmagens alegando indisposição. Brecha pra Davis sugerir a amiga de longa data Olivia de Havilland como substituta!

Além do filme oposto ao que poderia ter sido, ficaram muitas histórias de deliciosa rivalidade. Não deixe de ler o post “Com amaldade na alma: Joan Crawford por Bette Davis” contendo detalhes.

As imagens são um oferecimento Joan Crawford Babylon! 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Obedeça à internet


Sátira à já clássica revista Paper com a Kardashian. Isso tem trocentas tirações de sarro, mas nenhuma chegou a este ponto crucial de desnudar a real, conforme o filme Eles Vivem (They Live, 1988 de John Carpenter).

No principio da internet criou-se o mito de que ela seria uma mídia livre, onde cada um não só produziria, consumiria o que bem quisesse. Muito tempo depois essa utopia está morta e enterrada.

A segunda imagem é um oferecimento Cuncunoide

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Monstro entre minisaias


Parece qualquer coisa (flyer de boate?), menos foto promocional de filme de terror. Mas essa imagem foi pra divulgar O Horror de Frankenstein (The Horror of Frankenstein, 1970 de  Jimmy Sangster).

1970! A Hammer tentava modernizar o monstro criado por Mary Shelley em seu sexto filme. O mundo era outro desde que os estúdios britânicos ficaram internacionalmente famosos com A Maldição de Frankenstein (The Curse of Frankenstein, 1957 de Terence Fisher).

Tanto que é o primeiro sem Peter Cushing como Barão de Frankenstein, dando lugar ao jovem Ralph Bates. Na tentativa de refrescar a “franquia”, a trama também não tem relação alguma com os outros filmes, embora mantenha sua ambientação no século XIX.

Na foto o resto do elenco principal: Veronica Carlson, David Prowse e ate O’Mara, todos figurinhas conhecidas para os fãs da Hammer.

A loira Carlson havia estado no anterior Frankenstein Tem Que Ser Destruído (Frankenstein Must Be Destroyed, 1969 de Terence Fisher) em papel diferente. Dos três é a única que ficou conhecida apenas entre fãs de cinema fantástico.

O’Mara, de fortes olhos claros, se tornou uma dama do teatro inglês. Faleceu em 2014 deixando uma filmografia extensa no cinema e na TV em séries como Doctor Who e Absolutely Fabulous, conforme você lê clicando aqui.

O grandalhão Prowse será para sempre lembrado como o corpo de Darth Vader de Star Wars, mas também apareceu em Laranja Mecânica (A Clockwork Orange,1971 de Stanley Kubrick). Foi o único ator a repetir o personagem na Hammer, voltando em Frankenstein e o Monstro do Inferno (Frankenstein and the Monster from Hell, 1974 de Terence Fisher).



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Motivo pra reprisar O Rei do Gado?


E eu estava até agora sem entender porque patavinas a TV Globo reprisará a novela O Rei do Gado (1996) para celebrar seus 50 anos. Não tinha que ser algo especial, um produto que tenha marcado sua história, que tivesse pelo menos algum impacto para a trajetória da dramaturgia nacional?

O que não faltam em seus arquivos são coisas mais interessantes, nunca mais exibidas por (segundo a própria emissora) não estarem mais de acordo com os padrões técnicos atuais. Seria a chance de confrontar esse público mediano, que torce o nariz a produções tecnicamente mais antigas, com produções realmente emblemáticas, já que “tudo é festa”.

Rei do Gado ainda foi reprisada há pouquíssimo tempo no canal Viva. Sem entrar em mérito ou demérito, apenas no que essa novela tem de "especial": Que presente de grego é esse, minha gente?

Mas aí o Ego hoje publicou a seguinte notícia que acalentou meu coração:

Lá do além, a saudosa Leila Lopes está ligadinha na programação da TV e ficou bem feliz com a reexibição da trama de Benedito Rui Barbosa onde interpreta a professora Suzanne. Achei justa a reprise. Amém!

Que gracinha! Assista a prévia de Pink Flamingos com crianças

O NY Times publicou hoje um teaser de Kiddie Flamingos, assista no player acima ou clicando aqui

Na vídeo-arte, crianças fazem uma leitura dramática de Pink Flamingo, o clássico hardcore que John Waters dirigiu em 1972. Claro que as partes barra pesada serão supridas, mas mesmo assim, elas parecem se divertir muito! 

O trabalho fará parte da próxima exposição do diretor, que geralmente envereda no mundo das artes para satirizar a sociedade do espetáculo (leia mais clicando aqui).

John Waters que não filma há mais de dez anos, desde O Clube dos Pervertidos (A Dirty Shame, 2004) já havia demonstrado interesse em trabalhar com crianças. Chegou anunciar Fruit Cake, protagonizado por uma dupla de assaltantes mirins.


Infelizmente o inusitado projeto foi cancelado. Quem sabe agora, com toda a repercussão de Kiddie Flamingos, Waters volta a se empolgar com a ideia.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Todas querem ser Marilyn

Resort na década de 50 promovendo concurso de beleza para escolher uma Marilyn Monroe própria. Difícil entender até hoje o nível de popularidade que Marilyn alcançou naquele tempo, nunca antes visto, jamais superado.

As tantas cópias que os outros estúdios concorrentes da Fox tentaram é assunto recorrente aqui na longa jornada deste blog. Mas houve outras tantas anônimas sonhando em ser Marilyn Monroe...

Uma coisa interessante nesta foto (além do próprio concurso em si) é a forma de tirar as medidas. As candidatas com altura em torno de 1,67m precisam literalmente se encaixar nas medias de busto, cintura e quadril.

Divulgadas à imprensa pelo departamento de publicidade do estúdio, as medidas da loira eram 93-58-91. No departamento de figurino constavam as mais modestas 88-58-88.


Ou seja, as pobres mocinhas precisavam ter um corpo que nem a original possuía.

A imagem é um oferecimento Miss Russia

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Encontros e desencontros: Andy Wahrol e TDK


É divertido quando o garoto propagandafamoso nada tem com o produto que anuncia, mas é brilhante quando ambos se casam. Andy Wahrol e TDK nasceram um pro outro!

A campanha englobou anúncios nas principais revistas do Japão, além de comerciais na TV. Você assiste a um deles, já um clássico no You Tube, no player abaixo ou clicando aqui.

No vídeo ele fala em japonês as cores (“Aka, Midori...”, “Verde, azul...”) , mais vibrantes nas fitas daquela marca.

Em 1982 Andy Wahrol estava muito popular naquele país. A exemplo de tantas celebridades internacionais foi convidado a fazer publicidade lá, primeiro apenas gráficas. A parceria com a TDK durou até 1985, auge do VHS, provável época do comercial de TV.

Nesse meio tempo o sucesso do musical da Broadway Cats chegou à Terra do Sol Nascente e foi agregado à campanha. A primeira apresentação do espetáculo no Japão foi em 1983, época em que a propaganda principal dessa página deve ter sido produzida.

O sistema caseiro de gravação em vídeo tinha em sua essência um bom chamariz para a pessoa comum que queria se destacar, ser famosa, aparecer na televisão. Antes dele, aparecer na TV só mesmo através de uma emissora de TV.

Menos mundano, a popularização do VHS ainda proporcionou o aparecimento de muitos vídeo artistas em todo planeta. Qualquer que seja seu uso, inegável a ideal associação com o Papa do Pop.

As imagens são um oferecimento Jezebel

Veja também:

Campanha mais crível dos últimos tempos
Faye Dunaway e um ovo cozido no Japão

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

10 anos sem John Waters

No dia 24 de setembro de 2004 estreava nos cinemas dos EUA Clube dos Pervertidos (A Dirty Shame) e John Waters nunca mais dirigiu nada!!!! Foi o 13º longa de uma carreira iniciada em 1964 com o curta em Super8 “Hag in a Black Leather Jacket”.

De lá pra cá ele chegou a anunciar o projeto Fruit Cake, oportunidade em que flertaria com o publico infantil. Só por isso já era interessante imaginar o que poderia sair do homem, entre tantas outras alcunhas lisonjeadoras, conhecido como o Papa do Vômito.

Há cerca de dois anos, em entrevista ao jornal carioca O Globo, justificou o tempo sem filmar com a crise que os EUA enfrentavam. De independente só estava produzindo quem se dispunha a gravar com o celular e publicar no You Tube.

Tenho uma amiga menos otimista. Pra ela, John Waters nunca mais filmou porque tem ganhado muito dinheiro com as adaptações das suas histórias para a Broadway e coisas do tipo.

Seja o que for, aos 68 anos de idade, tem feito shows de standup ao redor do mundo e lançado alguns livros, sendo o mais recente com as suas aventuras como caronista de costa a costa do seu país. Ainda tem feito pequenas aparições como ator.

Faz falta! Seu cinema é o que de melhor existe como crônica dos costumes do nosso tempo. O Clube dos Pervertidos mesmo, recebido com certa frieza pelos fãs, previa este momento maluco da sociedade onde há tantos “sem vergonha” e ao mesmo tempo tantos puritanos que causariam inveja ao mais medieval dos inquisidores.


No Brasil O Clube dos Pervertidos saiu direto em DVD em 2005 pela Playarte numa edição paupérrima, que ainda tinha o escopo alterado pra 4x3. Pelo menos tivemos a edição “X-Rated” com palavrões e nudez frontal, ao contrário dos Estados Unidos que primeiro tiveram uma versão familiar nos cinemas.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Grandes clássicos da Internet: Batman e a bomba

Poucos filmes geraram tantos memês quanto Batman (1966 de Leslie H. Martinson). E alguns bem tradicionais, dos primórdios da Internet, como o da bomba, saída da cena da que você assiste no player abaixo ou clicando aqui.
Talvez existam milhares de sátiras e citações a essa quase autoajuda do Homem Morcego:  “Some days you just can’t get rid of a bomb” (algo como "Tem dias que você simplesmente não consegue se livrar de uma bomba") . Neste link aqui encontramos de ponto cruz a recriações de todos os tipos.

Há pelo menos uma foto do making off da sequencia. Algo como construindo um mito que seria lembrado após quase cinquenta anos.


No mesmo filme ainda tem o célebre repelente de tubarões em spray e a corridinha de Batman e Robin, um ícone dos gifs animados. A versão psicodélica do personagem cabe muito bem no espírito "a zoera never ends" da Internet.

Tudo isso retirado da produção para a tela grande de 1966, não da série do mesmo ano, por uma razão óbvia. Graças a um imbróglio de direitos autorais entre a Warner e a Fox o programa continuou inédito (exceto exibições na TV), enquanto o longa metragem está disponível para colecionadores desde os idos do VHS. 

Inclusive no Brasil, temos um DVD caprichado distribuído pela Fox faz muito tempo. Portanto, não tinha como rolar screenshots, gifs animados nem nada sem ser do filme.

Lembrando que baixar episódios da internet que alguém gravou da televisão, assim como os gravadores domésticos, é algo relativamente recente. Embora os nerds hoje sejam outros do começo da Internet, com a serie completa finalmente saindo em DVD novos memes devem surgir. 

A contar com a extensa galeira de vilões (Vincent Price de Cabeça de Ovo!!!) , por falta de Batman 60's a Internet não acaba tão cedo...

A segunda imagem é um oferecimento Great Grottu

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Madonna, a aventureira sul-americana

Distribuidores argentinos (e de outros países da América do Sul) capricharam na hora de escolher um título local para Shanghai Surprise (1986 de Jim Goddard): Las Aventuras de Madonna en Shanghai!!! Pá!

VHS do Brasil
Numa tacada só incluíram dois assuntos quentes do momento, filmes de aventura retrô e Madonna. E o quão raro é o nome de algum ator ser aproveitado no título do filme? Xuper Xuxa Contra o Baixo Astral não vale!!!

Talvez eles tenham entendido logo de cara que a loira era um personagem como Indiana Jones e tantos outros produtos pop. Porque não fazê-la num tipo Lara Croft antes que a Lara Croft fosse inventada?

Aqui no Brasil pelo menos (desta vez) fomos lacônicos utilizando “Surpresa de Shanghai”. No nosso país ainda tivemos uma correta capa que passa longe de qualquer sentido de aventura eletrizante. 

A arte do VHS latino força uma ligação com as releituras de heróis estilo 40’s, na esteira de Indiana Jones, que infestaram o cinema popular dos anos 80. Além do traço pulp, Sean Penn aparece usando até um chapeuzinho similar ao do Harrison Ford. 

De se imaginar a decepção de quem locou isso esperando um pouco mais do que roncar no sofá...

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Drácula nas (nem tanto) boas lojas do ramo

As surpresas que nos aguardam prateleiras de supermercado com  brinquedos ordinários encartolados... Drácula para botar o terror naquela pseudo Barbie de plástico reciclado!!!

Encontrei isso no mercadinho aqui perto de casa. Na verdade, segundo a embalagem é um “Vampyro” (com ipsilone mesmo), mas a capa preta de aba grande e o cabelo em V na testa meio que entregam o jogo.

Será que se precaveram contra copyrights? Drácula já está em domínio público, amiguinhos de Hong Kong...

O que não está em domínio público é a cara do Bela Lugosi, coisa que nem a Universal Studios usa nas rebuscadas action figures dos monstros que "criou" na década de 30. Veja na imagem abaixo.

Ao contrário da Criatura de Frankenstein, com maquiagem muito parecida à do Boris Karloff no filme de 31, o Drácula “oficial” da Universal nas lojas sempre tem um rosto genérico. Bela Lugosi Jr., filho do ator, sabiamente preserva bem a imagem do pai. 

No caso de Karloff, é a maquiagem, aquela com cabeça achatada e dois eletrodos no pescoço, que pertence ao estúdio. O que faz com que qualquer brincado relacionado ao personagem seja muito mais legal do que os relativos ao Conde da Transilvânia

Esse do mercadinho tentei encontrar ainda algum traço pelo menos do Cristopher Lee, outro ator famoso por interpretar o personagem. 

Mas nada, só viagem da minha cabeça! Por 7,99 pratas seria querer demais...
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