sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Drácula nas (nem tanto) boas lojas do ramo

As surpresas que nos aguardam prateleiras de supermercado com  brinquedos ordinários encartolados... Drácula para botar o terror naquela pseudo Barbie de plástico reciclado!!!

Encontrei isso no mercadinho aqui perto de casa. Na verdade, segundo a embalagem é um “Vampyro” (com ipsilone mesmo), mas a capa preta de aba grande e o cabelo em V na testa meio que entregam o jogo.

Será que se precaveram contra copyrights? Drácula já está em domínio público, amiguinhos de Hong Kong...

O que não está em domínio público é a cara do Bela Lugosi, coisa que nem a Universal Studios usa nas rebuscadas action figures dos monstros que "criou" na década de 30. Veja na imagem abaixo.

Ao contrário da Criatura de Frankenstein, com maquiagem muito parecida à do Boris Karloff no filme de 31, o Drácula “oficial” da Universal nas lojas sempre tem um rosto genérico. Bela Lugosi Jr., filho do ator, sabiamente preserva bem a imagem do pai. 

No caso de Karloff, é a maquiagem, aquela com cabeça achatada e dois eletrodos no pescoço, que pertence ao estúdio. O que faz com que qualquer brincado relacionado ao personagem seja muito mais legal do que os relativos ao Conde da Transilvânia

Esse do mercadinho tentei encontrar ainda algum traço pelo menos do Cristopher Lee, outro ator famoso por interpretar o personagem. 

Mas nada, só viagem da minha cabeça! Por 7,99 pratas seria querer demais...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Desconstruindo Cary Grant: bêbado e despenteado

Foto da produção de Intriga Internacional (North by Northwest, 1959 de Alfred Hitchcock). A função dela seria marcar o visual de Cary Grant para que na filmagem houvesse continuidade em todas as tomadas.

Entre identificações técnicas, no cartão está escrito que o personagem está bêbado e despenteado. Aparência de bêbado tanto quanto a figura elegante do ator permitia.

Na história ele é obrigado pelos caras maus a tomar uma garrafa de Bourbon. Tudo para suas denúncias serem desacreditadas pela polícia quando for à delegacia denunciar os espiões.
Isso se ele escapar do previsível desastre, já que é posto dentro de um carro numa estrada beirando precipício. O cabelo despenteado é, provavelmente, porque o carro é conversível.
E esse cuidado tem lá o seu lado irônico, visto que o filme geralmente entra na lista dos erros de continuidade por aquela sequência célebre do avião no milharal. Cary Grant literalmente deita e rola na terra e logo fica impecável.

Embora o errinho mais legal de Intriga Internacional é o garotinho que prevê o tiro. Relembre clicando aqui.

A primeira imagem é um oferecimento Your Horrible, a segunda Cary Grant.Net

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Deusa egípcia do Espaço sideral

Valerie Leon a rigor para Sangue no Sarcófago da Múmia (Blood from the Mummy's Tomb, 1971 de Seth Holt) na capa da Titbites. A Hammer foi grande provedora de beldades para a tradicional publicação britânica e tantas outras revistas.

E nunca houve esquema de produção tão bom quanto o da Hammer. Até pra escolha de elenco, quando davam preferência a moças bonitas, não necessariamente com talento dramático.

 Muitas delas haviam aparecido em revistas para adultos, o que creio não seja o caso de Leon. Assim, automaticamente seriam selecionadas por editores para serem capa das publicações, o que economizava um bocado na promoção dos filmes.

Desde que o mundo é mundo, mulher bonita vende muito mais. A pauta da revista acima nem é Sangue no Sarcófago da Múmia, mas a estreia da série televisiva Space 1999, que aconteceu em 1975, quatro anos após o filme da Hammer.

Valerie Leon, que ainda foi Bond Girl duas vezes, embelezava bem qualquer banca! Na foto da Titbites o figurino de Tera, a deusa egípcia, parece ser muito ousado, mas na imagem restaurada e nítida do DVD dá pra perceber que está com um sutiã cor da pele.

A própria aparece no mini doc presente na edição brasileira do DVD revelando outra coisinha: Não é ela quem aparece nua de costas no filme, mas uma dublê de corpo.

A primeira imagem é um oferecimento Catacombs, a segunda 24 Femmes per Second.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

E Muriel completa Bodas de Porcelana!

 Faz 20 anos que aconteceu O Casamento de Muriel (Muriel's Wedding, 1994 de P.J. Hogan). Qual a importância que isso tem para o mundo? Provavelmente nenhuma...

Até porque o filme é bonitinho, adorável até, mas não inovou em nada. Não há, evidente, problema algum na competência em entreter e, portanto, ter marcado uma fase da vida de tanta gente que estava lá na primeira metade dos anos 90.

Conforme essa década vai se distanciando mais e mais vamos observando peculiaridades que na época não percebíamos tanto. No cinema a Austrália, levando em conta sucessos como o da sofrida Muriel, parecia que se empunharia com toda sua docilidade kitsch.

Na mesma época tivemos Priscilla, A Rainha do Deserto (The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert, 1994 de Stephan Elliott) esfregando na cara do maistream que o fenômeno drag era uma realidade. Assim como a persistência dos suecos Abba em angariar fãs.

A algazarra colorida australiana não demoraria muito nas telas. Logo Hollywood absorveria seus astros e técnicos, além de se transportar para aquele continente afim de contenção de gastos, o que, de certa forma minou as produções exclusivamente locais.

Fomos de extrema reverencia ao século XX que estava por acabar. Não ríamos com suspeita superioridade das modas e produtos culturais passados e consagramos os ícones com rótulos como “Cult”, ou no mínimo “trash” (essa última expressão já devia ter sido esquecida, sublinho).

Quem tinha virado gente nos anos 90 achava os 70 deliciosamente exóticos e muito distantes. Iam a clubes noturnos eufóricos por estarem de certa forma estarem revivendo os “dias dançantes”, voltaram a usar calças pantalonas e até havia uma sitcom na TV chamada “That ‘70s Show”.


Em 2014 estamos igualmente distantes dos 90, como os 90 estavam para os 70. E eu estranharia muito se surgisse agora uma sitcom chamada “That ‘90s Show”...

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Tempo e espaço dentro da cabeça de Almodóvar

  O diretor Pedro Almodóvar dá um sentido especial a  “universo do autor”. Ser autorreferente é natural dentro de uma cinegrafia, mas ele vai além.

Cita trabalhos antigos dele de forma evidente como em Chicas y Maletas, o filme dentro do filme Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos, 2009) que reproduzia muito de Mulheres À Beira de Um Ataue de Nervos (Mujeres al borde de un ataque de "nervios"", 1988). Mas também referências a filmes que ainda não fez.

Coisas que passaram sem maior importância reaparecem muitos anos depois com relevância. Por exemplo, este diálogo de A Flor do Meu Segredo (La flor de mi secreto, 1997) onde a editora explica porque rejeitou o romance de Leo/Amanda Gris.
A história da dona de casa que dá fim ao corpo do marido, morto pela filha que ele tentou violentar é um dos motes de Volver (2006). A Ideia de “O Frigorífico” foi guardada por quase uma década!
Ainda sobre esses dois filmes, no da década de 90 havia um diálogo sobre as tias do vilarejo que enlouqueceram, tema que desenvolveu melhor em Volver. Em ambos, as protagonistas partem para o lugar onde cresceram quando o mundo desaba.
Carmen Maura, antiga estrela almodovariana, ressurgiu nesse filme de 2006 como a avó fantasmagórica. Vimos uma pincelada disso antes em A Má Educação (La Mala Educación, 2005).
O poster do fictício “La Abuela Fantasma”, um mero detalhe cenográfico, se tornou real em seu filme seguinte. Pelo menos em termos.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Elas querem poder

 Sandra Brea e Édson França na capa da revista Sétimo Céu de julho de 1973

Márcia Gonçalves e Navarro Puppin na capa da revista Ele Ela de dezembro de 1973

Tava super na moda em 1973 a derrocada do macho. Pelo menos nas bancas, sendo que normalmente leva um tempinho para o que está nas revistas ganharem as ruas.

E mais tempo ainda pra chegar até a TV. O seriado Malu Mulher, notório por mostrar a Regina Duarte prafrentex, sem precisar de marido pra viver, estrearia apenas em 1979.

Regina Duarte em Malu Mulher, 1979
Um ano antes a novela Dancin’ Days já discutiu o papel da mulher numa relação, mas sem ser o foco central. Embora a mocinha Julia passe pelo dilema de arranjar um marido rico para dar um jeito na sua vida...

Lá fora, sutiãs haviam sido queimados muito antes de 1973. Demorava muito mais para uma tendência chegar até o Brasil e, espantoso que mais de 40 anos depois, o posicionamento da mulher ainda é uma extravagância.


É espantosa também a quantidade de tiazinhas candidatas a deputadas que aparecem no horário eleitoral conclamando o voto feminino. O discurso não é bem pelo voto feminino, mas o das donas de casa que gostam de deixar a casa um brinco para quando o maridão chegar.

A primeira imagem é um oferecimento Revista Amiga e Novelas, a segunda Revista Ele Ela

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

King Kong seria pai do Monstro do Lago Ness. É sério!!!

 Historiador da Universidade de Columbia sugere que o mito em torno do Monstro do Lago Ness foi criado por causa do sucesso do filme King Kong (1933 de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack). A criatura é a principal fonte turística daquela região da Escócia.

A teoria que faz a ligação ao filme pode ser debatida, mas faz certo sentido. Há relatos sobre a criatura (carinhosamente chamada de Nessie) desde o século VI, mas nunca descrevendo sua forma, assim como um mergulhador no final do século IX que mergulhou nas águas turvas e saiu apavorado, alegando ter visto algo.

Segundo informações do Daily Mail, o estudioso Daniel Loxton lembra que a forma do monstro como conhecemos surgiu em 1933, período em que King Kong era febre nos cinemas do Reino Unido. Na época um casal de hoteleiros alegou ter visto uma criatura de pescoço comprido entrando na água do lago.

O relato deles foi publicado com sensacionalismo por um jornal local e logo ganhou repercussão nacional e depois internacional. No ano seguinte, um circo chegou a oferecer uma boa quantia para quem capturasse o ser, sendo que também naquele ano surgiu a primeira fotografia que “comprovaria” sua existência, fraude revelada apenas em 1994.

Antes da década de 30 figuras de dinossauros não eram tão populares quanto agora, o que também ajuda a explicar o encantamento com a película do macaco gigante e seus possíveis desdobramentos naquela região. “O relato do casal deu origem a muitas outras aparições, tornando o dinossauro que aparece em King Kong a explicação favorita para Nessie ao longo do século 20 ", diz Loxton.

Um dos dinossauros a aparecer em King Kong
Mesmo com toda a extensão do lago já tendo sido escaneada e pesquisada por sondas, resultando na afirmação das autoridades locais em 2003 de que o monstro não existe, várias pessoas continuam dizendo que o viram. O jornal The Scotsman publicou ao final de 2013, que pela primeira vez em décadas, Nessie não havia sido visto por ninguém naquele ano.

O Monstro do Lago Ness não seria a única vez que o estrondoso sucesso de um filme teria relação com o comportamento das pessoas. A partir de 1973, quando O Exorcista (The Exorcist de William Friedkin) levou multidões aos cinemas, aumentaram consideravelmente as notícias de pessoas que se diziam possuídas pelo tinhoso.

Não deve ser à toa que boa parte dessas igrejas que tiram demônios dos fiéis por módicas quantias em dinheiro foram inauguradas na primeira metade dos anos 70...

A primeira imagem é um oferecimento Skyenimals

As Certinhas do La Dolce

Rosamaria Murtinho
Tropical
Um oferecimento Biscoito, Café e Novela

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Gênero: Inspiração de Tarantino

  Vamos combinar que já dá pra fazer uma subcoleção de DVDs com filmes que citam Tarantino, Kill Bill ou coisa que o valha na capa. Devo ter já uns três ou quatro.

Lady Snowblood – Vingança Na Neve (Shurayukihime, 1973 de Toshiya Fujita) está para sair em DVD no Brasil, sem escapar da sina. Não que isso seja um problema, é apenas uma constatação.

Outro exemplo: O Mestre da Guilhotina Voadora
Que bom que esses filmes que duvidosamente chamariam a atenção das distribuidoras nacionais, possuem esse apelo comercial. Assim como do público médio, que não consegue consumir nada por vontade própria, sem um estímulo externo.

E esse é um bom argumento para aplacar os detratores de Tarantino. Aquele tipo de cinéfilo mais radical que só vê no diretor um oportunista que apenas faz uma colcha de retalhos com coisas bacanas do cinema obscuro.

Sem ele, muitas dessas maravilhas obscuras não seriam devidamente lançadas aqui, ou nem para download encontraríamos legendas na nossa língua. Teremos Lady Snowblood em edição dupla, quem diria?


Mesmo no caso de egoísmo cultural, todos nos beneficiamos com a “colcha de retalhos com coisas bacanas do cinema obscuro”. E tanto a gente quanto as distribuidoras podemos ficar tranquilíssimos, porque a fonte de inspirações tarantinescas é quase infinita. 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Relíquia macabra e milionária


 Clássico inegável do cinema noir, Relíquia Macabra/O Falcão Maltês (The Maltese Falcon, 1941 de  John Huston) ganhou matizes mitológicas com o passar do tempo. De se esperar que a escultura, cuja trama gira, tenha ganhado status entre cinéfilos e ainda de colecionadores de arte.

Mesmo sendo um adereço de cena, o falcão foi desenhado e esculpido pelo escultor de Nova York Fred Sexton, amigo íntimo de longa data do diretor Huston. Sexton produziu duas estatuetas em gesso e chumbo que incluem em uma pena traseira sua inicias “FS”.

Em 1994 uma delas foi vendida a um colecionador particular por 398.500. Em novembro passado a outra delas foi posta em leilão por nada menos do que incríveis 1,5 milhões de dólares!

Dez anos atrás, o perito avaliador Richard Walter, Professor da Universidade da Califórnia (UCLA), defendeu a supervalorização do objeto. Para isso ele comparou as estatuetas com um dos quatro sapatinhos de rubi usados por Judy Garland em O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939 de Victor Fleming), vendidos por 666 mil dólares em 2001.

“Os sapatinhos precisam custar menos que os falcões porque embora importantes para o filme, são apenas um dos itens da trama“, disse o Professor completando que as estatuetas “são parte central do filme, além de darem título ao mesmo”, o que por lógica os fariam mais iconográficos.

O colecionador Hank Risan comparou a discussão em torno do valor aos diálogos do filme envolvendo o detetive Spader e Gudman. Num caso em que a vida imita a arte, as esculturas reais se tornam objetos únicos de valor discutível e tão disputados quanto na tela.

Mas não muito! O leilão foi encerrado sem que os lances tenham alcançado o milhão e meio mínimo...

Fãs de Mary Astor e Humphery Bogart, um dia quem sabe estará novamente disponível e será para o bico de vocês?

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Feminilidade musical na TVS

Em primeiro lugar: Que logo maravilhoso é esse, Marta Coração? Imaginando, evidente, como teria sido a capa do disco da Susy Rego, caso ela tentasse ser cantora...

Lançado em 1982, a faixa Olhos de Mulher se trata de uma inacreditável versão em português de Bette Davis Eyes. Ouça (por sua conta e risco!) no player abaixo ou clicando aqui.

No lado B a música era Sol e Lua, trilha sonora da novela A Leoa, uma das primeiras produzidas pela TVS (futuro SBT). Obscura, essa novela pertence à memória afetiva de muita gente justo pelo tema de abertura, que você assiste, e provavelmente vai relembrar, no players abaixo ou clicando aqui.

Essa abertura é a típica coisa que a gente não lembrava que existiu até rever... E ficar com o refrão grudado na cabeça novamente após mais de 30 anos!

Havia uma dúvida entre colecionadores se a música principal é também cantada por Martha Coração. Sol e Lua, presente no compacto, seria a canção de encerramento dos capítulos e na abertura ouve-se a voz da cantora Rosecleide.

Rosecleide fez parte de uma das das últimas formações do Harmony Cats, aquele grupo acintoso que regrava disco music famosas quando a gravadora não queria pagar para o artista famoso. Elas cantaram em várias trilhas de novelas 70's da TV Globo, incluindo Dancin’ Days (1978).
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