
Podemos considerar o dia
16 de fevereiro como o Nylon Day! Foi nessa data em 1937 que
Wallace Hume Carothers, lider na
DuPont do departamento de química orgânica, recebeu a patente da fibra sintética que revolucionaria o mundo.
Resistente, de secagem rápida e leve, seu
uso a princípio foi militar,

para os paraquedistas da Segunda Grande Guerra. Para os civis em larga escala primeiro apareceu nas escovas de dente, substituindo os pelos de javali, logo depois virou quase sinônimo de
meias.
A maior curiosidade sobre seu "inventor" (embora
existam outros nomes) é o fato dele andar sempre com uma pílula de cianeto grudada a um cordão de relógio. Para o caso dele resolver cometer o suicídio.
Coisa que Carothers realmente fez naquele ano mesmo, mas misturando o veneno a uma limonada. Pela profissão, sabia que a mistura de cianeto numa solução ácida potencializaria seu efeito.
Seu principal invento (cujas pesquisas remontam a 1935) é largamente utilizado até nos dias de hoje, mesmo com incontáveis materiais concorrentes. De forte impacto social e cultural, seguem algumas pensamentos sobre como o mundo seria sem nylon.

Mocinhas fashion victims da década de 40 não teriam tido o trabalho de desenhar a lápis um risco nas pernas para imitar as novíssimas meias de nylon. Vemos uma delas em A Era do Rádio (Radio Days, 1987 de Woody Allen).
De valor elevado, só passaram ao mercado após o fim da 2ª Guerra Mundial (1945). Coqueluche do momento (como se dizia), evidente que não estavam para os bolsos de todas, nem fabricadas em escala tão grande quanto a demanda, mas o efeito da costura podeia ser reproduzido na pele.

Figurinistas de TV não levariam toda a hora a culpa de um erro crasso em produções de época ao incluir o material nas vestimentas. Não importa se a história se passa em 1888, 1930, 1940, sempre tem nylon.
Desconheço se a insistente escolha do material é por ingenuidade dos profissionais, se é porque amarrota menos, confiança demais na cegueira do público... Ou para baratear, substituindo a seda (material que a princípio era anunciado como antecessor), como se o resultado visual não fosse tão dispare.

Super-heróis não poderiam realmente assumir a alcunha de vigilantes. Após cada luta teriam que voltar pra casa e costurar o uniforme rasgados se continuassem no algodãozinho.
Justinha (sem limitar os movimentos) e resistente, foi o tecido favorito deles até 1990. Daí apareceu o Batman de Tim Burton, todo emborrachado.

Teríamos ficado livres da roupas de aeróbica que se tornaram febre
nos anos 80 até para quem não praticava a modalidade. Entre os itens mais estranhos que tomaram conta das ruas está a bermuda antes restrita aos ciclistas.
Com listras de cor diferente aos lados, a bermuda colada ao corpo caiu até no gosto masculino, embora de aparência anatomicamente muito estranha. A peça está morta, enterrada e esquecida, mas sobraram vídeos com o DJ Mauro Borges que sempre vestia uma delas à frente do grupo Quem Fim Levou Robin?.

Hollywood não teria inventado (ou explorado) um dos maior fetiches da humanidade: Mulheres com pernas belíssimas vestindo meias de nylon, perfeitas para a sedução por se ajustarem fielmente ao corpo.
A moda dessas meias coincidiu com o cinema noir e suas louras misteriosas. Garotas de pernas longilíneas sempre estiveram expostas desde o começo, mas nunca pareceram tão atraentes quanto após os anos 40.
A primeira imagem é um oferecimento Glamour Daze
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