sexta-feira, 15 de abril de 2011

O precursor da música viajante

Enquanto a TV no Brasil dava seus primeiro passinhos nos anos 50, a dos EUA era atômica. Repleta de figuras fanfarronas e mitológicas como o reverendo Criswell, Vampira anunciando filmes de terror e um certo Korla Pandit.

Nascido no seio de uma casta superior em Nova Deli, Índia, demonstrou um extraordinário talento musical ainda pequeno. Assim, o pai de Pandit o mandou estudar em escolas inglesas para a elite.

Com o inglês aperfeiçoado, foi para os EUA no começo da década de 40 para se matricular na Universidade de Chicago. Verdade? Não! Era tão indiano quanto eu...

Após seu falecimento em 1998, descobriram que se tratava de um afrodescendente norte-americano, nascido em St. Louis, Missouri com o nome de John Roland Redd. Como fazia um som exótico e climático, assumiu publicamente o personagem indiano Korla Pandit.

Após trabalhar no rádio, conseguiu contrato na TV, num programa diário de 15 minutos, onde apenas tocava órgão enquanto bailarinos faziam coreografias teoricamente asiáticas. No You Tube é possível assistir a vários destes números.

Ironicamente, nos anos subsequentes, quando o movimento Hippie transformou este estilo de música em mania mundial sua notoriedade diminuiu na TV. Passou a se apresentar em clubes noturnos, inaugurações de pizzarias, saldões de veículos e similares além de dar aulas particulares.

Em 1994 Korla Pandit fez uma participação no filme Ed Wood de Tim Burton. Aparece como ele próprio, tocando “Nautch Dance” para Johnny Depp fazer strip-tease em meio às carnes do frigorífico.

Dinosaur Gardens fez um excelente post sobre ele. Muito bom para conhecer sua música, rara na Internet.

As fotos são um oferecimento korlapandit.com

Veja também:
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Mae West e Criswell: amigos até na lua
Uma vida em tons de cinza
Sorte de Dolores Fuller



6 comentários:

Leticia disse...

Pela primeira foto, eu jurava que era o Chico Anisio. à medida que fui lendo, lembrei do Malba Tahan, carioquíssimo da gema.

Depois - Korla Pandit - na fascinante arte de inventar nomes. Isso DEVIA ser profissão.

Miguel querido, sei que aqui não é lugar, mas um abraço bem carinhoso em você pelo Boris.

Miguel Andrade disse...

Letícia, obrigado. Que bom que a senhora apareceu.

Leticia disse...

Estou de volta de vez. Também acho bom. Bjocas!

Miguel Andrade disse...

Letícia, beijocas.

Daniel Tavernaro disse...

Hahha, conheci algumas coisas dele, mas nem imaginava quem era, ou que tinha alcançado algum sucesso. Aqueles desenhos do Pernalonga, Pica-Pau e outros da mesma época usavam algumas músicas dele, não? Na hora que ouvi, me veio à cabeça na hora!

E ainda acho que o mundo é dos espertos, viu... Inventar um passado é o que há, rs!

Miguel Andrade disse...

Daniel, verdade! Desenhos do Pica-pau! Deve ter alguém parecido a ele inclusive.

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