sábado, 14 de agosto de 2010

Fascinante cara que encolheu

Filmes para o grande público que escapam, ou vão além do entretenimento puro e rasteiro merecem palmas! É o caso de O Incrível Homem Que Encolheu (The Incredible Shrinking Man, 1957 de Jack Arnold).

Uma coisa é fazer um filme cabeça, chatíssimo, mas que todos vão passar décadas elogiando, tal e qual a roupa nova do imperador, visível apenas aos olhos dos inteligentes. Ai dos que gritarem que o rei está nu!

Na Hollywood da década de 50, o tradicional cinema de horror, aquele de monstros saídos das trevas, estava morto e enterrado. Notícias sobre as barbaridades científicas que haviam sido promovidas na Segunda Guerra Mundial, assim como os avanços tecnológicos, eram bem mais assustadores que qualquer conde sugador de sangue do leste Europeu.

Ficção científica era a bola da vez para a molecada que queria passar medo no escurinho do cinema. Engoliu o horror tradicional, sendo que raros gêneros cinematográficos estão tão interligados ao momento em que foram produzidos quanto horror e pornografia.

Não é à toa que muitos destes filmes, fora de sua época contextual, ganham involuntário senso cômico. E pela falta de identificação com a plateia de outros tempos, poucos gêneros possuem tanto valor histórico quanto eles.

A ironia foi que justo a Universal, estúdio iconográfico na década de 30 ao adaptar com poucos recursos romances de horror góticos, ter virado referência novamente. Em 1954 já tinha conseguido êxito fenomenal com O Monstro da Lagoa Negra (Creature from the Black Lagoon) em 3D, também direção de Jack Arnold.

Talvez por este precedente que a produção de O Incrível Homem Que Encolheu mereceu atenção da Life Magazine. Há várias fotografias de bastidores no acervo da revista escaneadas pelo Google, clique aqui para ver outras além da que está acima.

O homem comum, com sua mania milenar de grandeza, torna-se minúsculo exposto à ciência. Qual seria afinal nossa relevância diante do que nos cerca?

Quem sabe não passamos mesmo de um cisco nos olhos de Deus? Habitantes inconscientes de Lilliput...

Divertidíssimo, com truques de câmera e proporção, serviria de inspiração a tantos outros filmes, muitos feitos às pressas para aproveitar o sucesso dele. O mais celebre é Attack of the 50 Ft. Woman de 1958, com Allison Hayes invertendo o jogo da mudança de tamanho.

Consta que Richard Matheson, papa do sci-fi, autor da história original em que o roteiro se baseia, escreveu uma continuação. The Fantastic Shrinking Girl foi publicado em 2006 no livro Unrealized Dreams, junto a outros de seus roteiros jamais filmados.

Estranho que a Universal, que nunca se fez de rogada em produzir continuações e remakes de suas criaturas fantásticas, tenha preservado seus maiores hits da década de 50. Isso até agora!

Assim como O Monstro da Lagoa Negra, há indício (ou boatos?) de uma refilmagem de O Incrível Homem Que Encolheu protagonizado por Eddie Murphy. Já existe uma página no IMDB indicando 2012 como o ano do lançamento.

Inspiração e imagens deste post são oferecimento Monster World

Veja também:
O Monstro da Lagoa Negra: Espelho, espelho meu...
O Fantasma do espaço
Tarântula: Filmes B trilhas sonoras A


[Ouvindo: Honeyman Blues – Bessie Smith]

8 comentários:

Luiz Alberto disse...

Cansei de assistir esse filme nos corujões da vida. Clássico!

Já estou com medo do remake...

Miguel Andrade disse...

Luiz, medo? Eu tô com P-A-V-O-R!!!

Luiz Alberto disse...

Isso tá com uma cara de bomba nuclear, deixa o original lá quietinho.

Cara as fotos da Life são fantásticas, eu sempre tive a maior curiosidade de conhecer os detalhes da produção!

Não gosto de desejar mal a nada ou a ninguém mas pelo bem do cinema eu espero que esse remake fique no papel.

Miguel Andrade disse...

Luiz, de qualquer forma, remakes não maculam o original. Povão que vai assisti-lo jamais iria assistir ao original, nem sabe que é uma refilmagem.

O que acho que ferra mesmo um filme são as sequencias. Mas enfim...

Só acho muito estranho eles terem deixado quieto por tanto tempo e agora quererem refaze-los.

Leticia disse...

Eu acho que vi esse filme. Como disse o Luiz Alberto, deve ter sido nesses Corujões...

Miguel Andrade disse...

Letícia, também vi a primeira vez nas madrugadas da vida... rs

Luiz Alberto disse...

Se existe um lado bom é a esperança que o remake traga edições caprichadas do original em dvd e blu-ray.


Como esses caras não perdem a chance de faturar mais uns trocados pode ser que eles resolvam dar uma promovida na versão dos anos 50.

Miguel Andrade disse...

Luiz, sim, como eles fizeram com Fúria de Titãs, cujo DVD do original estava sumido.

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