sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ovelha negra dos Wilder

Talento não tem nada com genética mesmo. Ou como se explica um lar onde foi criado alguém como Billy Wilder, ganhador de 6 Oscars, reconhecido gênio da sétima arte, blá-blá-blá, também ter criado W. Lee Wilder?

O segundo, irmão mais velho, virou especialista em produzir, escrever e dirigir filmes de ficção científica de baixo orçamento na década de 50. Não conseguiu o reconhecimento ilustre do outro, mas fez a alegria da gurizada em matinês, drive-ins e nas madrugadas das TVs.

Fantasma do Espaço (Phantom from Space) é de 1953, e dá pra imaginar o que nos esperara de uma Sci-fi deste período. 16 anos antes de o homem pisar na lua!

Também ainda estávamos um pouco longe da paranoia anticomunista que assolaria os EUA com a crise dos mísseis na próxima década, fenômeno refletido em 9 entre 10 películas do gênero. Quando a terra da liberdade ficou em constante ameaça extraterrestre.

Tal recurso faz com que míseros 74 minutos pareçam horas e horas! Só entrando no espírito da coisa pra aguentar.

E claro que há diálogos involuntariamente engraçados. Daquelas coisas que mentalmente a gente diz “Dãããã”.

Aqui, o alienígena é um pobre coitado. Depois que radares detectam algo estranho nos céus, vários populares alertam a polícia de que viram um ser estranho, chegam até a fazer um retrato falado.

De escafandro de mergulhador, embora dentro do capacete não dê pra ver seu rosto. E bora caçar a aberração!

E como toda produção B similar, ocupa-se boa parte da metragem com imagens militares de arquivo e muito texto explicativo! Deve dar pra economizar bastante simplesmente falando o que custaria uma fortuna mostrar.

Ao ser encurralado, o alienígena prova ser realmente um ser mais evoluído. Tira a roupa e fica pelado, afinal, como fantasma, ele é invisível!

Ok! Mais uma espetacular economia! A princípio, ninguém precisou investir um centavo se quer na criação do monstro, embora seja realmente aflitivo apenas ouvi-lo tentando respirar em nossa atmosfera.

Mas ele aparece, viu? Tenha fé e paciência, que lá no trágico final ele fica visível!

Não quero ser estraga prazeres. Caso você realmente queira ver um screenshot da criatura (que até é bem bacana!) antes de assistir ao filme, clique aqui.


[Ouvindo: Sung Nang – Salak Silathong]

2 comentários:

Leo disse...

Dois gênios tipo Billy Wilder saindo da mesma mãe ia ser muita coisa né.

Miguel Andrade disse...

Leo, seria algo impossível! Haha

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