sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Blues limpinho pra quê?

A homenagem duvidosa dos correios dos EUA em 1994 para a lenda do blues Robert Johnson. Pra gente refletir que caminho está-se tomando, higienizando a história, espanando hábitos de outros tempos...

O cara faleceu com 27 anos em 1938 (faz muito tempo!) de pneumonia. Estava enfraquecido por ter tomado whisky com estricnina, supostamente, envenenado pelo dono do bar, que desconfiava de seus olhares para a esposa.

Sua história (imagino cinematograficamente) foi feita entre plantações de algodão no Mississipi. Considerado o maior cantor de blues de todos os tempos, sua curta trajetória é cercada de mitos, assim como sua morte.

Contava-se que ele tinha feito pacto com o diabo. Sua alma em troca de aprender a tocar violão seria o trato firmado na encruzilhada de uma rodovia.

E é esse o instrumento endiabrado que se ouve nas raras gravações que fez. A historia foi relembrada em Crossroad Blue, oitavo episódio da segunda temporada do seriado Supernatural.

Na verdade, Robert Johnson superou tanta coisa, nascendo com tão pouco além do brutal talento, que o surgimento de qualquer folclore faz sentido. Ouça “Kind Hearted Woman Blues“ no player abaixo ou clicando aqui.

O que é um hábito comum do passado perto desta grandeza, inspiradora de tantos outros artistas? As pessoas se apegam a detalhes, e Robert Johnson sabia quem mora nos detalhes.

Post inspirado por Bulb Ferramenta Dull Dim

Veja também:
Jogo dos sete erros. Cadê o cigarro?
Bette Davis com e sem cigarro


[Ouvindo: Crossroad - Robert Johnson]


8 comentários:

Refer disse...

A história do pacto (vinha cantando alegremente, quém, quém!)do músico com o diabo também está em Coração Satânico, com De Niro, M.Rourke. Engraçado que em tudo que li sobre o filme nunca vi qq referência à história de R. Johnson, que provavelmente foi a inspiração.

Miguel Andrade disse...

REFER, VEEEEEERDADE!!!! Eu também nunca li nenhuma associação, mas é muito provável. Nem eu tinha pensado nisso.

O que lembram sempre é daquele filme com o Ralph Macchio.

Refer disse...

Voltando ao meu mantra 'maluco só pensa em som', enquanto assistia ao fime no cinema, lembrei imediatamente dessa lenda.

'Lenda', o caraio, né? RB era um mala sem alça, um músico péssimo, que colava nos mestres bluseiros e torrava o saco dos caras pra lhe ensinarem a tocar.

Aí, quando RB estava com 20, 21 anos, já viúvo e casado com a 2ª mulher, sumiu por uns 2 meses e reapareceu tocando melhor até que seus mestres. Coisa do demo.

Miguel Andrade disse...

Refer, e 'lendas' servem pra explicar tudo o que aparentemente não tem explicação, né?

Leticia disse...

"Vai ver" o cigarro também fazia parte do pacto...

Mas como vivemos tempos chatos, Jesus!

Miguel Andrade disse...

Letícia, se fosse um charuto, vá lá! rs

Leticia disse...

Ah, charuto tudo bem...

Miguel Andrade disse...

Letícia, charuto pra mim é tão feitiço...

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