segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Antes da fama

Desde seu surgimento, a televisão sempre foi encarada como um degrau em relação ao cinema. Seja pra subir ou descer.

A gente tropeça volta e meia em incontáveis exemplos de pessoas que se deram bem em alguma destas mídias embora tenham começado na outra. Veja a lista com alguns:

Pierce Brosnan em A Casa do Terror (Hammer House of Horror) - Episódio Águia dos Cárpatos (Carpathian Eagle) 1980 – James Bond por 5 vezes, começou na TV inglesa como vítima de prostituta serial killer. Por se tratar do último suspiro da produtora Hammer, dá pra dizer que, embora o mulet e a boca suja nos cantos, como de quem acabou de tomar café, começou com o pé direito.

Zachary Quinto em A Sete Palmos (Six Feet Under) – 3ª temporada 2003 - Episódio O Olho Interno (The Eye Inside) – O Spock da nova geração conseguiu pelo menos uma frase como colega de classe da Claire (Lauren Ambrose): “A inspiração foi quando meu amigo teve overdose”.

June Lockhart em A Mulher-Lobo de Londres (She-Wolf of London) 1946 – Caso inverso, durante as décadas de 40 e 50 apareceu em várias produções cinematográficas. Protagonizou este pequeno horror mas será eternamente lembrada como a Senhora Robinson, matriarca da série Perdidos no Espaço (Lost in Space, 1965-1968).

Farrah Fawcett em Jeannie é um Gênio (I Dream of Jeannie)- 5ª temporada 1969 - Episódios Destruidora de Lares (My Sister, The HomeWrecker) e Pouso Forçado em Cuba (See You in C-U-B-A) – A modelo graciosa que anunciava pasta de dente na TV teve uma das primeiras oportunidades como atriz na última temporada. Sete anos depois pararia a América como Jill Munroe em As Panteras (Charlie's Angels, 1976).

George Clooney em A Volta dos Tomates Assassinos (Return of the Killer Tomatoes!) 1988 – Parece que os tios famosos não ajudaram em nada até Clooney chegar lá. Apareceu em séries bizonhas e filmes idem, até a sorte lhe sorrir como o Dr. Ross na série Plantão Médico (ER, 1994). Depois correu para o abraço, a.k.a. astro hollywoodiano de primeira grandeza.

Fran Drescher em Os Embalos de Sábado à Noite (Saturday Night Fever) 1977 – Grande estréia! Seu único texto foi perguntar ao Tony Manero (John Travolta) se ele era tão bom na cama como na pista de dança. Na década de 90 criou, produziu e protagonizou The Nanny, uma das séries de maior sucesso na época.

Tom Selleck em Coma, 1978 – O bigodão mais famoso dos anos 80, batalhou bastante até estrelar seu próprio show, Magnum (Magnum, P.I. 1980-1988). Antes foi paciente/vítima na conspiração a ser desbaratada por Michael Douglas e sua amada neste suspense.

Maria Luisa Mendonça em TV Pirata, 4º episódio 1988 – E no Brasil tanto faz, né? Muita sorte ser ator e estar com as contas em dia. No IMDB sua filmografia começa em 1993, com a novela Renascer, onde fez a inesquecível hemafrotida Buba, mas claro, já tinha chão. Entrou muda e saiu calada neste quadro no humorístico da TV Globo, onde Louise Cardoso é a vendedora de uma loja que vende donos aos sapatos. Mendonça é o modelo Cinderela e Zico o esportivo.

Veja também:
Guaraná Antártica com Rodrigo Santoro
Bill Cable em Instinto Selvagem
Germano Vezzani em Vale Tudo


[Ouvindo: Wait – Wang Chung]

13 comentários:

Leticia disse...

O cabelo do Clooney!!!!!!

Não sei por que (aliás, sei por que) Travolta me desperta dos mais primitivos instintos, mesmo com essa cara de espinha anos 70.

Miguel Andrade disse...

Letícia, assisti Carrie outro dia e idem, idem! Sei lá porquê. Está com a imagem cansada há décadas e ainda acho interessante.

Leticia disse...

É isso, Miguel! Porque envolve nossa história particular e os símbolos que carregamos...

Miguel Andrade disse...

Letícia, desde que me entendo por gente ele era suuuuuuuuuuper famoso.

Leticia disse...

Pois eu te conto: na época do Saturday Night Fever eu tinha uns 14 anos e morava num bairro muito engajado nas ondas pop. TODO MUNDO tinha de ver esse filme, e eu não gosto de pressão. E naquela época eu já era um protótipo de pentelha descolonizada, e só ia ver sessãozinha de filme fora de circuito na Aliança Francesa. Me recusava a ver sucesso de bilheteria (pra falar a verdade, sou meio assim até hoje...). Mas, vamos fazer a ressalva, sempre achei a trilha sonora um escândalo, e me esbaldei de dançar aquilo (mas não com meia lurex...).

Muito tempo depois é que fui ver SNF numa madrugada perdida, no conforto do meu cafofo. E aí bateu nostalgia. E aí olhei bem para o JT e pensei: como esse menino era bonito!!!!

E aí me bateu umas encanações: será que não curti bem minha adolescência? Será que isso? Será que aquilo?

Besteira! O que seria de John Travolta de não existisse Fassbinder? Ou o contrário...

Miguel Andrade disse...

Letícia, ele era sinônimo de beleza. Lembro bem disso.... E pra eu lembrar deve ter sido até a metade dos 80 pelo menos.

Olha, também encano com isso.... E se eu perdi minha adolescência por ser chatinho? E se estiver perdendo o presente pelo mesmo motivo?

Mas não consigo andar na onda....

Stefano disse...

she-wolf?? putz... ke castigo horrivel!!! Ainda mais ke mulher tem horror a pelo!!!

Leticia disse...

Também não, Miguel. É mais forte que eu... Lembro até hoje eu saindo do cinema me perguntando o por que da choradeira de Ghost, e prometendo a mim mesma que nunca mais tentaria ser normal nesse quesito.

Em compensação, rios de lágrimas no Cinema Paradiso, na cena do cara mais velho, bonitudo, vendo os beijos que Alfredo tinha separado pra ele. Até hoje não sei se choro por causa da cena em si ou por causa do simbólico - que me remete a uma esfera absolutamente particular.

Miguel Andrade disse...

Stefano, hehehe pois é!

Letícia, o ruim é que o marketing de Hollywood está tão aprimorado que eles conseguem facilmente embutir na cabeça da massa-maria-vai-com-as-outras-manipulável-etc que se eles não assistirem à última porcaria que lançaram não são ninguém.

Precisava rever Cinema Paradiso hoje em dia. Não vejo há mais de dez anos.

Leticia disse...

É meu fraco. Por questões particulares, como disse.

Miguel Andrade disse...

Letícia, tenho alguns desse mesmo estilo.... Marcam momentos específicos.

Anônimo disse...

Maria Luisa Mendonça também participou de outra esquete da TV Pirata, a paródia do primeiro sutiã, ela está no vestiário quando Debora Bloch ganha o sutiã, tem até umas fala, quase nada,mas aparece.

PC

Miguel Andrade disse...

PC, legal! E a Ingra Liberato aparecia na vinheta do Hospital Geral. Era aquela que ficava mumificada! rs

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