quinta-feira, 16 de março de 2017

O Homem de Hollywood versus O Homem do Sul

Na metade da década de 90 alguém achou que seria uma ótima juntar quatro dos nomes do cinema independente americano mais promissores naquela época. O resultado foi Grand Hotel (Four Rooms, 1996 de Allison Anders, Alexandre Rockwell, Robert Rodriguez e Quentin Tarantino).

Irregular como era de se esperar (e o tempo confirmou), apenas os episódios de Rodriguez (Os Pestinhas) e Tarantino (O Homem de Hollywood) são memoráveis. Pra ser sincero, naquela época eu só gostei do de Rodriguez, bastante cartunesco.

Não me era muito palatável aquela verborragia do Tarantino sobre a superioridade de Jerry Lewis, champanhe Crystal. Até ali ele só tinha dirigido dois longas bastante incesados: Cãe de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992) e Pulp Fiction: Tempo de Violência (Pulp Fiction, 1994).
O episódio “O Homem de Hollywood” é a essência de Tarantino conforme veríamos posteriormente, muito mais do que seus dois primeiros filmes.  Texto, texto, texto e PÁ! A antítese do que se pode considerar suspense.

Aos menos interessados pode aborrecer como pode aborrecer comer uma coxinha. Tem que estar muito disposto pra aguentar toda aquela massa pastosa até chegar ao frango desfiado.

A premissa é ótima, citando “O Homem do Sul” (Man from the South), 15º episódio da quinta temporada da série Alfred Hitchcock Apresenta (Alfred Hitchcock Presents), exibido em 1960. No filme eles se referem a ele como O Homem do Rio, mas na verdade é do Sul.
Na história um homem oferece a um rapaz ambicioso a oportunidade de ter seu carrão conversível. Para isso ele precisa apostar que acenderá seu isqueiro zippo 10 vezes sem a chama falhar uma única vez.

Se falhar ele perde o dedo mindinho ali na hora, a sangue frio! Para quem não conhece, a famosa marca de isqueiros é conhecida por ser resistente inclusive ao vento, na realidade não é bem assim, além de dar um trabalhão ficar trocando a pedrinha e o fluído.
Essa história é na verdade uma adaptação conto de Roald Dahl (o mesmo de A Fantástica Fábrica de Chocolate e tantas outras histórias) publicado pela primeira vez em 1948. Antes da série de Hitchcock o texto já havia sido adaptado para a TV em 1955, para a série Cameo Theater.

Como a história é boa mesmo, foi novamente adaptada em 1979 para a série Tales of the Unexpected (exibida na Globo com o título Shock).  É possível assistir a este episódio legendado em português no YouTube ou clicando no player abaixo.
“O Homem do Sul” ainda seria refeito em 1985 no piloto do remake da série Alfred Hitchcock Apresenta. O elenco contava com John Houston, Melanie Griffith (no papel da garota do rapaz) e Kim Novak e Tippi Hedren.

Assim como a ação de Grand Hotel, todas as versões se passam em hotéis. O que foi engenhoso resgatar o velho episódio, visto que todos os episódios dos outros diretores transcorrem no mesmo espaço, interligados pelo carregador atrapalhado.

Pode não parecer nada agora, veja bem, tem até uma versão de O Homem do Sul legendado em nossa língua disponível no YouTube, mas foi uma referência bem legal lá em 1996. Nem parece que existiu um tempo em que penávamos para assistir, ou até mesmo ter conhecimento, sobre alguma coisinha mais diferentona.

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