quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Todos querem Morricone. Menos Almodóvar

Após o sucesso internacional de Mulheres À Beira de Um Ataque de Nervos (1988) Pedro Almodóvar pôde contar com o renomado compositor Ennio Morricone em seu próximo filme. O que parecia um sonho se tornou troca de farpas entre ambos!

Mestre Ennio Morricone
Desde seu inicio Almodóvar contava com as trilhas incidentais compostas pelo amigo Bernardo Bonezzi.  Ter algo de Morriconne para Ata-me (1989) era de certa forma um caminho evolutivo natural.

Só que quando recebeu a trilha o diretor detestou! Pior, disse isso publicamente o que gerou uma resposta do italiano, para quem Almodóvar não entendeu sua composição e por isso picotou e jogou fora boa parte na hora de montar o filme.

Perguntado sobre o trabalho com compositores, ele foi bem claro ao citar Morricone: "Nunca estou feliz com toda a música quando eu dirijo e, na verdade, o trabalho de Ennio Morricone para Ata-me foi removido pela metade porque sua música era mais convencional do que a narrativa do filme. É um risco quando chamo um músico. Quando eu comecei a ouvir outros filmes com composições de Morricone percebi que a única coisa que ele tinha feito foi copiar a si mesmo. O tema central da Busca Frenética (Frantic, 1988 de Roman Polanski), exceto duas notas é igual a Ata-me”.

É bastante discutível, visto que é natural que um artista busque referências próprias em suas obras. Ouvido separadamente dos filmes, a música de Ata-me remete muito mais a produções 70’s do que se ouve em Busca Frenética ou Os Intocáveis (The Untouchables, 1987 de Brian De Palma).

Dez anos depois, em 1999, tanto Morricone quanto Almodóvar se reencontraram no Festival de Berlim. Como a imprensa gosta destas rusgas (não importando se já havia se passado uma década!) foram indagados pela parceria e ambos se disseram “muito satisfeitos com um trabalho um do outro”.

Conforme sabemos, jamais voltaram a trabalhar juntos. Ennio Morricone seguiu uma fantástica e premiada carreira que conta com a participação em 528 filmes até agora, tendo recebido recentemente o Golden Globe por Os Oito Odiados (The Hateful Eight, 2015 de Quentin Tarantino), além de estar indicado ao Oscar deste ano pela mesma trilha sonora.

Almodóvar tentaria outro compositor internacional, o japonês Ryuichi Sakamoto para De Salto Alto (1991). Mais uma vez reclamou do resultado e pra Kika (1993) desistiu de ter qualquer composição original, embalando o filme apenas com velhos hits.

Não se sabe qual a mágica, mas desde A Flor de Meu Segredo (1995) Almodóvar conta ininterruptamente com a música de Alberto Iglesias em todos os seus filmes. Particularmente, vendo ao primeiro teaser de Julieta (2016), está na hora de um novo compositor.

Algumas informações oferecidas por Encandenados

Veja também:
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Vamos cantar, companheiros!

1 comentários:

Leonardo Soares disse...

EU sou fã dos dois (Morricone e Almodóvar), mas devo confessar que a trilha de ATA-ME não é das mais felizes. Acho que o segundo encontrou no Alberto Iglesias um bom parceiro, ainda não vi Julieta...

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