quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Tempo e espaço dentro da cabeça de Almodóvar

  O diretor Pedro Almodóvar dá um sentido especial a  “universo do autor”. Ser autorreferente é natural dentro de uma cinegrafia, mas ele vai além.

Cita trabalhos antigos dele de forma evidente como em Chicas y Maletas, o filme dentro do filme Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos, 2009) que reproduzia muito de Mulheres À Beira de Um Ataue de Nervos (Mujeres al borde de un ataque de "nervios"", 1988). Mas também referências a filmes que ainda não fez.

Coisas que passaram sem maior importância reaparecem muitos anos depois com relevância. Por exemplo, este diálogo de A Flor do Meu Segredo (La flor de mi secreto, 1997) onde a editora explica porque rejeitou o romance de Leo/Amanda Gris.
A história da dona de casa que dá fim ao corpo do marido, morto pela filha que ele tentou violentar é um dos motes de Volver (2006). A Ideia de “O Frigorífico” foi guardada por quase uma década!
Ainda sobre esses dois filmes, no da década de 90 havia um diálogo sobre as tias do vilarejo que enlouqueceram, tema que desenvolveu melhor em Volver. Em ambos, as protagonistas partem para o lugar onde cresceram quando o mundo desaba.
Carmen Maura, antiga estrela almodovariana, ressurgiu nesse filme de 2006 como a avó fantasmagórica. Vimos uma pincelada disso antes em A Má Educação (La Mala Educación, 2005).
O poster do fictício “La Abuela Fantasma”, um mero detalhe cenográfico, se tornou real em seu filme seguinte. Pelo menos em termos.

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