quarta-feira, 13 de julho de 2011

4 vezes Miriam Pires

Tia Dalva em Irmãos Coragem (1970)

Margarida em Locomotivas (1977)

Dona Milu em Tieta (1988)

Dona Benvinda em Xica da Silva (1996)

Confirmação brasileira sobre a máxima de que é o ator quem faz o papel ser grande, não a quantidade de texto. Miriam Pires raramente foi protagonista, mas nem por isso deixa de ser inesquecível.

Consta que ela só defendeu o personagem principal em 1984, na novela da TVS (agora SBT) Meus Filhos Minha Vida. Falando em maternidade, foi incontáveis mães, tias, protetoras, todas sempre muito geniosas, pra não dizer bruacas completas.

Dona Milu de Tieta certamente significou um alívio. Mãe (de novo!) da Carmosina, personagem de Arlete Salles, teve vários momentos de humor e um bordão que emplacou em todo o país, lembrado até agora: “Mistéééééério!”.

Na TV Manchete (emissora em que trabalhou algumas vezes) foi praticante de wicca duas vezes, na minissérie Ilha das Bruxas (1991) e na novela Xica da Silva. O último é, pessoalmente falando, um dos trabalhos dela que mais gosto.

Brilhante fazendo o jogo de quem está sendo manipulada em tempos de Santa Inquisição, mas que na verdade era o contrário. Bruxíssima! Os diálogos entre ela e a pseudo cristã Violante Cabral (Drica Moraes) são das melhores coisas que nossa TV já produziu.

No cinema, teria temido, mas aceitou participar de rara cena sensual entre duas pessoas da terceira idade em Chuvas de Verão (1978 de Cacá Diegues). Em O Beijo da Mulher Aranha (1985 de Hector Babenco) seu personagem se chama apenas “mãe”, mas é mãe de William Hurt no papel que lhe valeu o Oscar.

faleceu em 2004, aos 74 anos, ainda em atividade. Estava no elenco da novela das 8 que a Globo exibia.

Veja também:
4 vezes Judith Anderson
4 vezes Udo Kier


[Ouvindo: Olhando O Mar – Leny Andrade]

11 comentários:

Leticia disse...

Dona Benvinda era o máximo! Aliás, aquela novela toda era o máximo. Tenho muito interesse por reconstituições do Brasil nos XVI, XVII. Desde que sejam benfeitas, é claro.

Miguel Andrade disse...

Letícia, eu também, eu também! Topava assistir mais uma reprise dessa novela. Incrível como esse tema é relativamente pouco explorado na nossa ficção.

Os séculos XVIII, XIX foram muito mais explorados.

Falando na Miriam Pires, quando assisti Irmãos Coragem agora em DVD, reparei muito como era realmente ótima. Morri de rir em todas as cenas dela, super querida mas perigosa no trato com a sobrinha Gloria Menezes. Haha

Cau V disse...

Ah... que ótima homenagem!
É uma pena grandes atrizes ficarem sempre de lado. O bom é que elas geralmente, devido ao talento, como você mesmo disse, roubam a cena.
É um saco as novelas e séries BR estarem sempre escalando os mesmos atores como protagonistas, não dá um mês o fulano(a) já está em outro trabalho sem nos dar descanso e espalhando (na boa maioria) seu talento medíocre enquanto ótimos atores ficam guardadinhos esperando um espaço.
Abraços, Miguel!
Cau Vimo.
P.S. Desculpe-me naquele meu post do F. não ter dado a devida atenção (link na postagem) ao 'La dolce...'. Colando o link apenas no fim do vídeo. Em breve irei reparar minha falta de tato.

Miguel Andrade disse...

Cau V, entendo que isso faça parte já que o império das novelas brasileiras foi montado em cima do cinema clássico de Hollywood: Estrelas, atores sob contrato rígido de exclusividade e gêneros.

Então até para que se formem "estrelas", reconhecíveis pelo público, faz sentido que os atores preferidos sejam repetidos.

Mas alguns não dá pra entender. Marcelo Anthony por exemplo, está lá novela sim, novela não.

Quanto ao outro assunto, imagina. Essas coisas acontecem.

Dino Napoleão disse...

Miguel eu morria de medo dela nessa personagem de A Ilha das Bruxas, A Manchete pegava pesado nas cenas ritualísticas eu sempre ia dormir tenso. Mas ela era aquele tipo de atriz que rouba mesmo a cena botava muita atrizinha no chinelo.

Miguel Andrade disse...

Dino, vi muito pouco dessa série, pq minha mãe sempre pegou no pé com filmes de terror.

Leticia disse...

Miguel, acho que os poucos bons trabalhos retratando o antes do XIX demandam algo que exige grana: pesquisa.

Miguel Andrade disse...

Letícia, verdade! A falta de piso até pra desenvolver a historia deve ser complicado.

Leticia disse...

Icha! Daí você vê umas aberrações...

Por exemplo, tenho solene DESPREZO por trajes pré-século XIX em que criatura ACHA que as mulheres se vestiam com cetim cor-de-rosa e mangas bufantes. De onde tiraram isso? De uma escola de samba?

Isso é o que mais tem no cinema brasileiro de certa época.

Miguel Andrade disse...

Letícia, tenho até com o excesso de cores nos figurinos dos épicos. Se pau-brasil era tão importante ao ponto de dar o nome a um país, imagina a dificuldade em se conseguir uma tonalidadezinha a mais.

Fora isso reparo bastante em sobrancelha afinada e maquiagem das moças que ferram bastante quase sempre.

Valéria disse...

É vdd que ela se sentiu mal com o papel de Dona Benvida em Xica da Silva

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