quinta-feira, 30 de junho de 2011

Exemplo raro de carreira bem sucedida

E essas atrizes fantásticas que sucedem filmes ótimos com a mais absurda mediocridade? Para cada Oscar da Hilary Swank, ela tem que obrigatoriamente aparecer em dezenas de produções insignificantes?

Juliane Moore, uma das poucas de hoje com aplomb legítimo de diva hollywoodiana é outro caso. Às vezes acho que quem escolhe seus trabalhos é um daqueles macaquinhos que fazem testes na NASA, tamanha aleatoriedade.

Impossível deixar de lembrar de Anne Bancroft, aquela que entendeu perfeitamente a diferença entre uma atriz e uma celebridade. Após uma série de papeis na TV foi a Hollywood.

Década de 50, estreou logo ao lado da maior promessa: Marilyn Monroe. Foi coadjuvante em Almas Desesperadas (Don't Bother to Knock, 1952 de Roy Ward Baker), único filme a explorar Marilyn como uma vilã psicopata.

Nem loira ela era pra ser vista com relevância para a época. Assim foi aparecendo apenas em personagens pequenos no cinema até decidir priorizar o teatro.

Levou o Oscar apenas em 62 por O Milagre de Anne Sullivan (The Miracle Worker , 1962 de Arthur Penn ). Histórica premiação em que Joan Crawford recebeu o prêmio em seu lugar.

Furiosa ao não ter sido indicada por O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane? de Robert Aldrich), ao contrário de Bette Davis, Crawford pesquisou qual das concorrentes não iria ao evento. Assim, é ela quem aparece segurando o prêmio da Academia ao lado dos outros vitoriosos daquele ano, dando o troco na colega de elenco.

A grande chance mesmo de Bancroft só aconteceria em 1967 com A Primeira Noite de Um Homem (The Graduate, de Mike Nichols). Vivendo a cora papa anjo Sra. Robinson (embora com apenas 36 anos), entrou para o panteão das grandes estrelas, e das maiores bruacas da tela grande.

E assim, foi driblando as furadas profissionais, inclusive escapando de levar uma Framboesa Dourada em 1981. Cotada desde o início do projeto na adaptação do best-seller Mamãezinha Querida (Mommie Dearest de Frank Perry), pulou fora assim que leu o roteiro concluído.

Mais tarde teria dito que recusou o filme venenoso sobre Joan Crawford por respeito à colega, que foi gentil em representá-la para receber seu único Oscar em 1963. Mas que também foi uma sorte danada, lá isso foi. Faye Dunaway que o diga!

A imagem maior é um oferecimento The Guardian, e a da Academia, IMDB

[Ouvindo: A Soda Tá Liberada - Gaiola das Popozudas]

12 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

Eu acho que Joan Crawford é uma atriz inesquecível pela força na atuação - seu "Alma em Suplício" mesmo me marcou, além do "Baby Jane", bem citado por você. Ela era chata, tinha fama de ser mesquinha e inconstante, mas...who cares?! Ela era uma atriz excepcional!

Já a Anne foi correta e famosa pelo jeito amigável de sempre. Meus filmes prediletos dela é o "O Milagre de Anne Sullivan", um marco, além de outro pouco citado, quando ela estava mais velha: "Grandes Esperanças", aquele mesmo com Gwyneth Paltrow e Ethan Hawke e Robert De Niro.

Abraço

Miguel Andrade disse...

Cristiano, Crawford é uma das que me deixam confuso sobre qualquer
avaliação pessoal.

Uma das poucas a passar bem do cinema mudo ao sono. Posso falar o quê?

Dino Napoleão disse...

Joan Crawford foi uma das atrizes mais talentosas, conseguiu fazer a transição do cinema mudo perfeitamente bem diferente de outras atrizes.
Muitos filmes dela foram marcantes,mas o filme Humoresque me marcou muito,sempre revejo. E Anne Bancroft tenho muito respeitopor ela,uma ótima atriz também com um porte impecável,o tipo de atriz que quando entra em cena hipnotiza a todos.
Miguel você já viu o filme Um Amor de Dançarina com a Joan Crawford?o que acha? vou comprar esse filme pra fazer parte da minha coleção Joan Crawford.

Miguel Andrade disse...

Dino, bem lembrado de Humoresque. Um dos meus favoritos dela também, e sempre pouco lembrado.

Nunca vi este filme da Joan Crawford. Me fale mais dele depois.

Refer disse...

A mim, parece que Anne Bancroft passa meio "despercebida" pelo público. É estranhíssimo.
Eu mesmo vi vários filmes com ela, lá desde os anos 50, e não me lembro dela em alguns desses filmes. Não gostei de The Graduate quando vi no cinema. Em Agnes de Deus a mulher dá um show.

A JCrawford está um tesão na foto, segurando o Oscarito.

Miguel Andrade disse...

Refer, nem eu! Acho que é por isso, se manteve à margem do oba-oba hollywoodiano.

Crawford está mais espalhafatosa que a Loren, haha!

Ed. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ed. disse...

A Anne teria dito que ela merecia ter sido indicada ao Oscar por "Noite de Desamor" ('Night Mother, 1986) só por ter conseguido decorar todas as suas falas para este filme.

Miguel, vc já viu esse?

Miguel Andrade disse...

Ed, não assisti. Curioso que ele foi indicada uma porrada de vezes, mas só levou aquele primeiro mesmo.

Alex Gonçalves disse...

Só peguei os últimos trabalhos da Anne Bancroft mesmo, todos como coadjuvante ("A Assassina", "Grandes Esperanças", "Colcha de Retalhos"...). Atualmente, acredito que há atrizes que são capazes de associar os extremos existentes entre ser atriz e uma celebridade.

Lembro-me que no lançamento de "Evolução" (aquela coisa horrorosa estrelada pelo David "Fox Mulder" Duchovny) a Julianne Moore afirmou que às vezes ela precisa de um "refresco", se referindo que para cada "Boogie Nights" e "Fim de Caso" ela precisa de um repouso em filmes como "Leis da Atração" e "O Mundo Perdido".

Em tempo: sei não se Joan Crawford ainda está fazendo seus "feitiços" do além. Aposto que Kate Winslet se dará mal nas premiações de tevê por fazer a Mildred de Crawford recentemente. =P

Miguel Andrade disse...

Alex, poucas sabem. Todas acabam se saindo melhor como vedetes e a carreira vai minguando.

Mas dona Moore faz MUITOS refrescos! Hahaha

A finada Dulce falou isso da carreira da Faye Dunaway pós Mamãezinha Querida. Como se a Joan Crawford estivesse possessa no além!

Acredito que ela compreenderia que o trabalho da Kate Winslet em nada diminui o dela, muito pelo contrário, colocou holofotes ao clássico. rs

Alex Gonçalves disse...

Jodie Foster, Laura Linney e Cate Blanchett são algumas das atrizes que acredito que conduzem suas carreiras impecavelmente.

E eu gosto da Julianne, mas não muito. Os "refrescos" dela são amargos (vide "O Vidente" e "Assassinos") e na maior parte do tempo ela fica toda lamuriosa - não me recordo de um filme que ela não chore, rs. Acredito que se Julianne se livrasse dessa preferência em incorporar mulheres frágeis a sua carreira seria muito mais próspera.

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