quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Drácula de 1979

Nunca dei muita bola a esse filme. Pra mim, era coisa que o SBT reprisava ad nauseam nas madrugadas dos anos 90, e a gente assistia por pura falta de opção.

Revendo agora em DVD, widescreen, sem interrupções comerciais, áudio estéreo, não é bem assim. O Drácula de Frank Langella se garante!

Estranho que a esta altura do campeonato (final dos 70), a Hammer já havia saturado os monstros clássicos e a cores nas telas. A Universal Studios demorou para topar refazer sua célebre produção de 1931.

Super soturno, com cenários realistas, ainda possuiu uma das últimas trilhas sonoras relevantes do maestro John Williams. Antes de ele começar a trabalhar no piloto automático.

No elenco, além do já citado Langella, tem, e isto é marcante, Sir Laurence Olivier como Van Helsing. Aqui mais velho papai em busca de justiça do que um sanguinário caçador de vampiros.

E são estas alterações da obra manjada que mata! Há uma confusão absurda em quem é Lucy ou Mina, e toda a parte do romance passada na Romênia foi transposta para a Inglaterra mesmo.

Portanto, não há o castelo do Drácula, apenas o casarão que ele compra na Terra da Rainha. E a Mina, a primeira a ser mordida (!!!), é filha do Van Helsing...

Dá pra dar um desconto ao saber que o roteiro se inspirou numa peça de teatro, estrelada também por Frank Langella. O de Bela Lugosi em 31 também vinha do teatro onde ele também já era protagonista, não no livro de Bram Stoker.

Relevando toda estas diferenças, impossíveis de não serem notadas, é bacanão! Pelas referências encontradas em outras películas, também deve ter sido reprisado bastante na TV dos EUA.

Por exemplo, não só figurino e cabelo, Drácula cavalgando lembra muito o vilão de A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleep Hollow, 1999). Também há várias passagens que lembram as saídas cênicas utilizadas pelo Drácula de 1992.

Encontro romântico de Drácula e Lucy com centenas de velas como cenário, o conde descendo a parede de ponta cabeça, invadindo o quarto como fumaça... Há, claro, muita coisa que se pode convencionalmente chamar de clichê do gênero.

[Ouvindo: A New Song – Pizzicato Five]

7 comentários:

Refer disse...

Já disse aqui — Frank Langella é meu Dracula preferido. Vi no cinema, nunca vi na tela pequena. Gostaria de rever, no cinema.

Miguel Andrade disse...

Refer, foi uma grata surpresa revê-lo ontem. Cheio de climas, ruídos sinistros...

CaVM disse...

Dias e dias atrás estava passando no TCM. Assisti um bom pedaço antes de dormir (mas a culpa não é do filme, tenho dormido no meio de qualquer coisa). E olha, foi uma boa surpresa também. Estava achando bem bomzinho.

Calabouço do Andróide disse...

"DVD, widescreen..."??? Miguel, que eu me lembre esse filme não foi lançado aqui em DVD, vc baixou ou comprou importado?
Tenho boas lembranças deste filme. Quando eu era guri uma amiga que tinha um projetor, exibia esse filme e o piloto do seriado do Incrível Hulk nos seus aniversários!!! Vc não imagina como as festas dela eram concorridas.
Abs

Miguel Andrade disse...

CaVM, bem bonzinho foi ótimo! hahahah

Calabouço, baixei e converti para DVD. Não há em DVD mesmo. Só a trilha foi lançada em CD.

Disse DVD como exemplo para "digital".

Tinha uma amiga na 4ª série que exibia VHS nos aniversários. Tipo o Xou da Xuxa que a Globo Vídeo tinha. Era uma alegria!

BLOB disse...

Nunca gostei muito do Langella como Drácula. Desde que vi pela primeira vez, lá na minha infância, achava que ele tinha um ar de canastrão latino que destoava do resto do filme... Quem sabe uma revisãozinha... Sei lá, a impressão que me deixou é de alguém tão bobo quanto o George Hamilton em Amor à Primeira Mordida...

Miguel Andrade disse...

BLOB, eu também pensava assim e até penso....Mas o filme num todo me surpreendeu. Esperava muito menos.

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