terça-feira, 31 de julho de 2018

Música para animar replicantes

O tradicional Million Dollar sobreviveu não só até no nosso 2018, como em 2019 visto em Blade Runner – O Caçador de Androides (Blade Runner, 1982 de Ridley Scott). Em cartaz no fictício 2019 uma série de atrações latinas.

Na babel futurista do filme não se encontram muitas referências a latinos/hispânicos, pela época em que foi produzido, começo dos anos 80.  Porém, a principal época reverenciada em Blade Runner é a década de 40, quando a América viveu um boom de música latina.
A invasão de balangandãs e ensopadinho de chuchu fez o país suingar ao som de orquestras  especializadas em ritmos como salsa, rumba e mambo. Há quase nada sobre Mimilocos, o primeiro nome na marquise do Million Dollar, na Internet que possa ser apontado como referencia.

Existiu uma bandinha argentina ativa a partir de 1986, ou seja, é posterior ao filme, assim como alguns projetos recentes também batizados como Mimilocos.  O nome é ótimo, mas parece ter sido criado para o filme.
Em compensação, Mazacote y Orquestra, o nome escrito na parte inferior, existe mesmo e fez bastante sucesso a partir de Los Angeles. Tanto que hoje existem várias bandas que ostentam a palavra “Mazacote”.

A original foi fundada pelo percursionista cubano Orlando López (homônimo do lendário baixista do Buena Vista Social Club) que assumiu o pseudônimo Mazacote. Abandonou a Ilha em 1964, se refugiando nos EUA, onde passou a tocar com conterrâneos célebres como Celia Cruz.

O nome “Mazacote y Orquestra” em Blade Runner é uma previsão futurista meio certa. Quase em 2019 dificilmente veríamos esse nome numa marquise de teatro, mas sobreviveu, presente em qualquer serviço de streaming.
Bem difícil imaginar um ritmo tão alegremente contagiante naquela Los Angeles sombria. Ei! Mas o groovy até que é bem legal.

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