terça-feira, 17 de junho de 2014

Marilyn e o Monstro da Lagoa Negra

Pouco antes da célebre sequência do vestido esvoaçante em O Pecado Mora Ao lado (The Seven Year Itch, 1955 em Billy Wilder) há um diálogo interessantíssimo. Marilyn Monroe, A Garota, e o vizinho travam o seguinte diálogo após assistirem O Monstro da Lagoa Negra (Creature from the Black Lagoon, 1954 de Jack Arnold).
A Criatura é triste, de aparência apavorante, mas meramente solitária. De burra a garota realmente não tinha nada, muito menos de insensível ao ir ao cinema.

O brilhante diálogo de Billy Wilder e George Axelrod é um dos tantos momentos que elevam o filme a muito mais do que uma comédia romântica tola. Um compêndio da eterna discussão entre o erudito e o popular
travestido de comédia romântica tola.

Simpático também o uso do blockbuster (escapista como tal) da concorrente Universal (o filme da Marilyn é da Fox) que ainda cria um paralelo entre A Garota e o vizinho solitário e galanteador interpretado por Tom Ewell. Geralmente entretenimento popular só é reverenciado após os anos o tornar Cult.

Claro que um filme de Marilyn Monroe também era popular, mas na direção deste estava Wilder, o gênio já consagrado aquela altura. A própria Marilyn, a atriz do momento, é citada pelo roteiro em outro diálogo inspirado.

 A personagem da loira nem nome tem, é mero devaneio do homem casado com um fim de semana longe da família. Em 1954, todos os sonhos masculinos giravam em torno de Marilyn Monroe, embora sua voluptuosa figura escondesse alguém que só queria ser amado.

Os gifs são um oferecimento Missing Marilyn

Veja também:
Comichão mundo afora
O Pecado Mora Ao Lado novinho em folha
Homem casado e batata frita

Rachmaninoff's à meia luz
Como uma lenda brasileira virou sucesso em Hollywood
Espelho, espelho meu...


2 comentários:

Gastão disse...

Verdade, Miguel, Seven year itch tem toda uma nuance sutilmente melancólica em cima da personagem da Marilyn, que fica mais evidente quando o espectador está por dentro da biografia dela e percebe que o filme ecoa de leve a vida da atriz. Tanto que a personagem nem tem nome próprio. É a pessoa que está "always moving, but going nowhere", como na música do Paul Young/Jimmy Ruffin ("What becomes of the brokenhearted").

Miguel Andrade disse...

Gastão, esse filme é um primor. mesmo com todos os defeitos impostos pela moral da época.

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