segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Pausa para nossos comerciais

“Tempos atrás, ela jamais se imaginaria vendo uma peça de Eurípedes.” – Rede Globo
“Na sua curta história, a televisão teve a sua fase de conquista de audiência.
Foi a época das concessões. Foi a época em que ela sofreu mais críticas, também.
Mas era uma etapa necessária.
Sem espectadores torna-se impossível fazer qualquer tipo de televisão. Boa ou má.
Felizmente, para a Rede Globo a época das concessões já acabou. O espectador brasileiro começa a se cansar do popularesco, exigindo mais.
Quem imaginaria, anos antes, que uma peça de Eurípedes — Medeia, em versão atualizada — pudesse bater, em todos os níveis de audiência, um programado tipo popular?
E o mesmo está acontecendo com Dostoievsky, Molière, Gogol ou Guimarães Rosa.
Resultados como esse é que animam a Rede Globo a continuar a desenvolver um trabalho de renovação, que tem apenas oito anos de existência, possibilitando uma televisão cada dia melhor.”
Enfim, a elitizada na programação da Globo no começo dos anos 70 (1973 pra ser mais específico) foi notória e divulgada. Anúncios como este nas revistas deixavam claro que a emissora do Roberto Marinho era diferente, mas também é uma indireta bem direta a alguém.

Em 2011, época em que lançou sua biografia, o Boni, diretor artístico da emissora por décadas, lembrou do atrito que aconteceu com o Chacrinha, que insistia em fazer TV pro povão no começo dos 70. Culminou no afastamento do apresentador, que só voltaria ao canal muitos anos depois, relembre clicando aqui.

“A audiência a todo custo não interessa” diz o ex Todo Poderoso até hoje. E assim, nasceu o chamado “Padrão Globo de Qualidade”, um diferencial que se tornou mais maleável desde a década de 90.

Em tempo, a Medéia a que se referem foi um Caso Especial com o texto de Eurípedes adaptado por Oduvaldo Viana Filho, dirigido por Fabio Sabag e protagonizado por Fernanda Montenegro. Exibido no mesmo horário que o Programa do Chacrinha, agora na Tupi, conseguiu alcançar 20 pontos de audiência.

E ao mesmo tempo em que este anúncio mostra a sempre bem vinda tentativa de se fazer TV de qualidade, também exala certo ranço elitista. Embora a mensagem pareça ser clara ao Velho Guerreiro que deixou a emissora , e se referia ao “popularesco”, ainda assim parece que cultura popular é menor, desmerecedora de ser exibida na tela da TV.

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