terça-feira, 17 de abril de 2012

Batman e Drácula possuem o mesmo DNA

Percalços da carreira de um astro pop! O Morcego (The Bat) fez tanto sucesso no início do século XX, que originou personagens iconográficas, embora ele esteja esquecido.

Hoje pode parecer um emaranhado de clichês, mas o texto de Avery Hopwood e Mary Roberts Rinehart causou uma sensação nos palcos. Escritora de livros de mistério aluga um antigo casarão para passar uma tranquila temporada, mas ela e seus convidados serão assombrados pelo criminoso Morcego, cuja identidade será revelada ao final.

Impulsionou uma versão cinematográfica em 1926, na era do cinema mudo, outra em 1930 (The Bat Whispers) e em 1959 com o título brasileiro de A Mansão do Morcego, estrelado por Vincent Price e Agnes Moorehead. A de 30 é celebrada como um dos primeiros a ser fotografado numa variante arcaica de 70mm, o que por si demonstra a aposta orçamentária do projeto.

Voltando ás origens teatrais, o melhor fruto talvez seja Drácula! Com o êxito The Bat produtores pensaram em outro livro de mistério que também tivesse um morcego, e o livro de Bram Stoker parecia ter todos os elementos para se igualar.

Ou melhor, superar, já que deixaram a modéstia à parte e estamparam no pôster que era “melhor do que O Morcego”. A imagem do monstro utilizado fazia alguma referência ao assassino anterior também, distante da imagem que temos de Bela Lugosi, que repetiria o papel em 1931, na célebre adaptação de Drácula produzido pela Universal Studios.

Aliás, o roteiro do filme de Tod Browning adaptou essa peça teatral, não o livro de 1897. Daí por diante, ninguém mais parou o Conde da Transilvânia que se mostrou realmente imortal na cultura pop.

Mas diretamente, O Morcego de 1926 inspirou ninguém menos do que Batman! Bob Kane teria admitido ter se baseado no personagem, mas analisando frames do filme de 26 com os primeiros quadrinhos do Paladino da Justiça (uma gentileza de Head Injury Theater) ele nem precisa falar nada.

As “coincidências” de muitos elementos são mais do que óbvias em ambos os personagens. Claro que o Batman (que surgiu 13 anos depois) é um herói e o outro é um vilão, mas os dois se vestem como mamíferos de asas e suas histórias ainda têm como essência casos de detetive.

Nesse tempo todo de longevidade o guardião de Gothan City se distanciou de muita coisa, mas preservou outras tantas do filme mudo. Como o Batsinal, por exemplo, e a mania de usar objetos em formato de morceguinhos.

Quem sabe agora com as atenções de Hollywood voltadas a antigos personagens como Tarzan e Cavaleiro Solitário alguém não tenha a ideia de ressuscitar O Morcego? Johnny Depp talvez, sem querer entregar um spoiler da identidade do criminoso antecipadamente...

Uma última curiosidade: Embora com “pai” em comum, Batman e Drácula só se encontrariam cara a cara em 2005, numa animação feita pela Warner diretamente para o DVD. Sabendo da origem de ambos, a ideia nem é tão estúpida assim.

Nada estúpida, diga-se de passagem! Fico devendo um post sobre esse desenho cheio de pontos interessantes.

O poster é um oferecimento jk2swag, algumas outras imagens e informações Head Injury Theater e Steven Nix.

Veja também:
O Morcego! Quando ele voa, alguém morre!

2 comentários:

Calabouço do Andróide disse...

Miguel, no quadrinhos Batman se encontrou com Drácula algumas vezes. Na revista Chuva Rubra (Batman & Dracula: Red Rain) ele inclusive chega a ser transformado em um vampiro.
Já nas animações, além desse desenho q vc citou (que eu acho uma droga), Batman e os Superamigos enfrentaram em 2 ou 3 episódios. Até os Super Gêmeos foram vampirizados... hahahaha

Miguel Andrade disse...

Calabouço, me falaram no Facebook que o Drácula era da Marvel!

Enfim, eles estão intimamente ligados faz tempo! rs

Olha, como filme esse desenho pode ser flopado, voltado a criancinhas pequenas, mas há coisas legais, como a aparição da Karnstein.

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