quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Simpatia demais o santo desconfia

“Dear Joan
Os diretores e redatores-chefes de jornais e revistas de São Paulo ficaram muito intrigados com uma carta que receberam na semana passada. Escrita em inglês e impressa com tal perfeição que os mais desavisados podiam imaginar que tivesse sido datilografada, começava com uma surpreendente intimidade: Dear Fulano. Sem um Mr. na frente, ou um sobrenome que se lhe seguisse, o que só costuma acontecer em cartas de parentes ou amigos próximos. Na primeira categoria, o signatário (a assinatura vinha impressa em tinta azul-claro, para aumentar a veracidade) certamente não se encontrava. Quanto à segunda, vale acrescentar que no cabeçalho aparecia Pepsi-Cola Company e o enderêço - 500 Parke Avenue, New York -, o que eliminava a possibilidade de um amigo próximo. Na despedida, então, consuma-se a perplexidade. Em vez de "Sincerily yours", cumprimento usual em inglês, lia-se um "Bless you" descontraído, uma espécie de "ciao" relaxado.

Não bastasse isso, secretárias da êmpresa insistiam com os diretores e redatores-chefes, em telefonemas que diziam "a Sra. Joan Crawford faz questão absoluta que o senhor compareça à inauguração da segunda fábrica da Pepsi no brasil, agora em São Paulo" (a outra é no Rio). O que se desconhece até agora é se êsse exemplo de informalidade americana já despedaçou corações pátrios. O que se sabe, com certeza, é que um diretor convidado, invariavelmente, respondia assim aos telefonemas: "Lamento, mas não poderei ir. Meu ídolo na juventude era Lana Turner e parece ela não vem". Êle não exigiu a presença de Bette Davis: Isso já seria ousar demais."

Texto reproduzido ipsis litteris da revista Veja de 28 de janeiro de 1970. A vinda de Joan Crawford ao Brasil como parte da diretoria da Pepsi era tratado como um evento.

A estrela usava seu status hollywoodiano para angariar atenção da mídia. Pela matéria percebem-se alguns pontos que eu julgava terem sido conhecidos apenas na posteridade, com a enxurrada de biografias e documentários.

Por exemplo, Bette Davis como rival máxima e principalmente o temperamento difícil, ao ponto da revista escrever sobre essa simpatia toda. A primeira vez que li sobre essa vinda dela a São Paulo foi pelas memórias do Refer, num dos comentários aqui no Blog.

Crawford foi conhecer as maravilhas gastronômicas paulistanas e teria tido um piriri! Afinal, estrelas de Hollywood também são gente.

Na década anterior, quando esteve no Rio de Janeiro, teve mais sorte. Fez uma amiga brasileira, reconhecida até por biógrafos americanos de hoje, conforme você lê clicando aqui.

Veja também:
Pepsi, vodka e duas pedras de gelo
Enjoy Coca-Cola


[Ouvindo: Anúncio de Jornal - Julia Graciela]

6 comentários:

DAVI VALLERIO disse...

Não tem Lana Turner,tem pepsi,pode ser?

Miguel Andrade disse...

Davi, hahahahahahahahahhaha!!!

Que nojo dessa propaganda. Nunca mais comprei e eu gosto de Pepsi.

BB disse...

Adoro a Joan. Essa vaca era da minha laia, kkkkkkk!

Miguel Andrade disse...

BB, idem! Falei disso ainda ontem. Como convivemos no planeta por um curto período, descarta-se a hipótese de reencarnação! KKkkkkk

Leticia disse...

Ah, vou tungar esse assunto e remeter. Posso?

Miguel Andrade disse...

Letícia, claro!

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