terça-feira, 9 de agosto de 2011

Celebridades entre a cruz e a caldeirinha

Filme que gostei, mas não dei muita bola quando assisti a primeira vez, e hoje está entre meus favoritos: Los Angeles Cidade Proibida (L. A. Confidential, 1997 de Curtis Hanson). Tornou-se clássico diante dos nossos olhos.

Clássico, compreenda, num acepção correta da palavra, um trabalho que ainda cheira a novo muito tempo depois. Não naquele sentido vulgar em que qualquer filme antigo o rótulo de clássico.

Quanto mais gosto de cinema mais vou compreendendo o universo caótico retratado por Hanson. Los Angeles na década de 50 era o bicho!

Adaptação da novela de James Ellroy (a única que o autor diz gostar) é cheia de camadas misturando tipos sinistros com farelos vindos de Hollywood. Tropeço volta e meia em coisas que serviram de referência ao filme.

Como por exemplo o romance entre Lana Turner e o mafioso Johnny Stompanato. A estrela chega a ser confundida com uma prostituta se passando por Lana Turner por estar envolvida com o cara barra pesada.

A união acabou em tragédia na vida real, largamente explorada na imprensa. Você pode ler tudo a respeito no post “O Crime Que Abalou Hollywood” clicando aqui.

Época em que se esbaldavam revistas sensacionalistas, que na falta de fatos, armavam seus próprios escândalos. Vendo essas revistas hoje temos a sensação de folhear uma espécie de Casseta Popular, mas com intenções reais de informar sobre a devassa vida alheia.

Poderosos que se cuidassem, porque estavam permanentemente na mira de detetives armados com câmeras para expor qualquer podre. Os avós dos moribundos taloides ingleses.

As mexeriqueiras Louella Parsons e Hedda Hopper pareciam afáveis tias velhas perto dessas publicações. Enquanto as damas disfarçavam suas fofocas com conselhos pessoais, as revistas como Hush-Hush tinham como lema a (suposta) verdade a todo e qualquer custo.

O que menos importava era se as "notícias" seriam positivas ou não aos famosos. Se é que dava pra falar em positividade promocional em qualquer coisa publicada ali.

Veja também:
Pecado na Cidade dos Anjos
Calúnia e difamação comunista
Veronica Lake: estrela da posteridade


[Ouvindo: Evlerinin Önü Tahta Taraba - Özkartal, Hüsnü Orkestrasi]




10 comentários:

Leticia disse...

Dos tabloides ingleses nem falo...

Mas a imprensa brasileira melhorou pacas! Em O Cruzeiro havia o David Nasser, que já vi mais de um artista ou filho de artista chamando de canalha. O cara metia o pé na jaca, mesmo. Não era que mentia, mas sabia extrair o lado mais escabroso de tudo.

Hoje o cerne não muda, claro, mas a imprensa de fofocas nacional passou do tom do denuncismo para a falsa solidariedade, do tipo "nos preocupamos com fulano, queremos saber o que está acontecendo".

Miguel Andrade disse...

Letícia, aqui a fofoca se assumiu fofoca. Tem uma moça que era da grupo Folha e agora está no portal do Bispo.

Tão primário o texto tentando ser engraçadinho, venenoso, que sempre que caio lá fico constrangido.

Esculachado ao ponto de ficar evidente quais são as vontades do patrão. Se levarmos ao pé da letra o que ela diz, a Globo está prestes a fechar.

É o Paulo Henrique Amorim das línguas de trapo. Só pra lembrar outro jornalista duvidoso debaixo do braço do Bispo.

Anônimo disse...

E por falar em Curtis Hanson, ainda se lembra de A Mão Que Balança o Berço ? c/ Rebecca De Mornay (gosto dela!) que tb fez Risky Business..

Miguel Andrade disse...

Anônimo, lembro! Tenho na minha DVDteca. Mas nunca o revi além de quando saiu em VHS e eu aluguei.

Anônimo disse...

Eu tb tenho e assisto sempre. Rebecca De Mornay atuava tão bem... ela se dava bem c/ as vilãs da mesma forma que a Glenn Close se deu bem em Atração Fatal. Me pergunto pq não foi pra frente e fez muitos filmes B e filmes made-for-tv depois... Não foi bem aproveitada...

Miguel Andrade disse...

Anônimo, lembro que ela relativamente famosa. Será que Sharon Stone a partir da cruzada de pernas (pouco lembrada agora) abafou qualquer possibilidade de termos uma outra loura sexy nos cinemas? heheh

Leticia disse...

Hummm, Miguel, não me ligo muito nessas coisas, mas acho que sei quem é.

E jornalismo que faz a vontade do patrão, meu bem, tô fora há umas duas décadas!

Vai que o patrão quer mais?

Miguel Andrade disse...

letícia, fico bobo com a cara de pau! cada um tem a sua consciência, mas não ter vergonha publicamente são outros quinhentos.

Anônimo disse...

É verdade, Miguel, faz sentido o q vc falou sobre a Sharon Stone que está mesmo tão sumida quase qto a Rebecca... engraçado que ela só fez filme ruim tb dps de Instinto Selvagem. No imdb a nota dos filmes que ela estrelou dificilmente passam de 6, rs.

Miguel Andrade disse...

Anônimo e era hiper, mega, super famosa! Não manteve um terço disso, embora seja facilmente reconhecida por todos.

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