quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Maior premier de Hollywood!

Bem notória a declarada inveja que Hitchcock dizia sentir de Walt Disney. Para ele, feliz era o cartunista, que quando estava insatisfeito com algum ator, bastava passar a borracha.

Outra vantagem que eu vejo no desenho animado é poder utilizar um vasto elenco, inclusive de estúdios rivais num mesmo filme. Inimaginável em termos de cachê se fosse contar com os de carne e osso.

Disney abarrotou o curta “Mickey's Gala Premier" de 1933com as maiores estrelas do momento. Voltaria a fazer algo semelhante com o Pato Donald no curta “The Autograph Hound” de 1939.

Só quem realmente era famoso na primeira metade da década de 30 teve vez. Como Jean Harlow, Joan Crawford e Constance Bennett da Metro!

Entre as dezenas a serem reconhecidos, há Mae West . Ela devia ser querida do pai do Mickey, porque apareceria caricaturizada em outro de seus curtas: "Who Killed Cock Robin?" De 1935.

Aliás, “Who Killed Cock Robin?” é o desenho que Sylvia Sidney assiste no cinema quando sabe da morte do irmãozinho em O Marido Era O Culpado (Sabotage, 1936 de Alfred Hitchcock). Ali, Mae West é a inspiradora da pomba sexy que mata de amor o pardalzinho.

Voltando ao de 33, destacável e curiosa a aparição de Bela Lugosi e Boris Karloff, caracterizados como Drácula e criatura de Frankenstein, dos filmes da Universal. Fredric March (ao centro) é o Dr. Henry Jekyll e Mr. Hyde da Paramount.

A Universal é cuidadosa em permitir a utilização da maquiagem de seus monstros, tornando-se este um momento raro em que eles são vistos fora de uma produção do estúdio. Seus filmes originais são de 1931, então, Disney foi rápido em sacar os ícones que se tornariam para incluí-los, e não uma febre passageira.

Outra peculiaridade histórica de “Mickey's Gala Premier” é que ele estava sendo exibido na BBC (primeira emissora de TV do mundo) de Londres no dia um de setembro de 1939, quando a Inglaterra declarou guerra à Alemanha. Cortaram a transmissão na metade dele, acreditando que o sinal VHF poderia ajudar os aviões inimigos a localizar alvos.

O desenho também foi a primeira coisa a passar, quando a BBC voltou a funcionar em sete de julho de 1946. Só aí os ingleses viram Greta Garbo dando muitos beijinhos no Mickey!

[Ouvindo: Pop Goes The Weasel – Anthony Newley]

10 comentários:

Leticia disse...

Que bonitinho!

Homenagens. Foss hoje, os estúdios Disney triam de pagar, e caro!

Miguel Andrade disse...

Leticia, tem essa também. Disney não era Disney na época. Imagina a fortuna que isso custaria hoje...

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

É um belo filme e uma bela homenagem ao cinema dos anos 30Parabéns pelo post.
Abraços

www.ofalcaomaltes.blogspot.com

Miguel Andrade disse...

Antonio, obrigado!

Nayara disse...

Garbo, divina até em desenho.
Não é a toa que o senhor Mouse está empolgadissimo, rs.
E a Jean Harlow está parecendo a Eliana cantando Marilyn Monroe:
http://www.youtube.com/watch?v=xjJaQLrpk2Q

Miguel Andrade disse...

Nayara, só vi isso agora! Que ultrajante! rs

Kelly disse...

Esse blog é no minímo SENSACIONAL!!!

Estou adorando, parabéns!

Miguel Andrade disse...

Kelly, obrigadão! :D

Anônimo disse...

Miguel, na verdade não é a Universal que permitiu o uso de seus monstros do cinema e sim a lei americana (o chamado Fair Use), aqui no Brasil só é permitido usa personagens famosos em paródia.

é algo meio difícil de explicar, os livros do Bram Stoker, da Mary Shelley estão em domínio público, os filmes da Universal não.

se alguem quiser fazer filmes do Frankenstein e do Drácula precisam criar um visual novo, já o clássico pertence a Universal, estamos acostumados a ver esse visual em paródias (com o Frank da Turma da Mônica).

o livro Cultura Livre do Lawrence Lessig explica um pouco isso(tem em pdf e em português para baixar).
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fair_use

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura_Livre_(livro)

Miguel Andrade disse...

Anônimo, sim! Isso, o que cabe à Universal, não sei se está claro no post, é o direito à caracterização dos personagens conforme ela criou em suas adaptações da literatura.

Por tanto, é curioso ver eles aparecendo no desenho Disney.

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