quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Francesinha de araque

Jacqueline Myrna teve seus momentos de glória ao participar do humorístico A Praça da Alegria. Natural de Bucareste, fazia-se passar por uma ingênua francesa boazuda de sotaque carregado.

Conseguiu fazer pegar o bordão “Brasileiro é tão bonzinho”. Mais tarde Kate Lyra (atualmente na telenovela Passione) fez o mesmo papel em A Praça É Nossa, só que como norte-americana.

No cinema, Myrna é mais lembrada por ter sido dirigida por Walter Hugo Khouri num dos episódios de As Cariocas (1964). Mas pelo IMDB não trabalha desde 1971, e para os fãs é tida como totalmente desaparecida.

Seu personagem cômico alcançou tanto êxito que acabou sendo aproveitado num compacto. A música que você ouve no player abaixo foi me enviada pelo Refer.
Uma graça! Na música ela cite bastante “ser carioca”, no programa de TV talvez tenha notabilizado Araraquara (Arrarraquarra) no país da mesma forma que Simplício com Itu.

A imagem é um oferecimento Filmologia

[Ouvindo: Goodnight Andy - Miki Obata]

36 comentários:

Glauco disse...

Lembro de Jacqueline em As Amorosas, se não me engano é a moça que sonha em fazer carreira na TV. Acho esses sumiços de estrelas do passado no mínimo curioso, hoje todos querem seus 15 minutos. Será que ainda está viva?

Miguel Andrade disse...

Glauco, deu uma procurada.... Tem muito blog de fã sem pista alguma dela. Tipo nem sabem se ela casou ou não.

Aposto que voltou pro país dela...

Glauco disse...

Procurei sim, por isso me intriga muito, ninguém sabe nada, tem sempre alguém com uma pista.

Será? Para Romênia comunista não creio, deve ter virada uma recatada dona de casa na Europa ocidental ou mesmo nos E.U.A.

Miguel Andrade disse...

Glauco, ou casou e tá no subúrbio carioca mesmo... Na miúda.

Glauco disse...

Será? Irajá, Méier, Penha ou Madureira?

Miguel, você chegou a ler sobre esse Superbeldades (1962), parece que era bem ousado, foi recolhido pela censura logo após a estréia.

Miguel Andrade disse...

Glauco, catete! Gamou em ser ~carioca~

Nunca! Estou ouvindo falar agora.

Glauco disse...

Miguel, Catete não fica no subúrbio, rsrs.

Também nunca tinha ouvido falar nesse filme, foi pesquisando sobre Jacqueline que o "descobri".

Depois vou ver se está no Dicionário de Filmes Brasileiros.

Miguel Andrade disse...

Glauco, sei lá onde que fica! haha

Eu quero esse dicionário! Tive com ele em mãos outro dia e não levei.

Ultimamente dei pra fazer destas. não levo e me arrependo.

Refer disse...

As Cariocas é de 1966; As Amorosas, de 68, do Khoury, também, é um filme tão bom ou melhor, com elenco superior e com maior destaque de JM; ela fez vários filmes em menos de 10 anos de carreira.

JM era ótima atriz dramática e comediante, além de ter uma plástica sensacional; não sei de outra vedete maior nos anos 1960,embora fosse uma década ainda recheada de grandes vedetes. Foi superpopular, não havia quem não imitasse aquele sotaque engraçado, carregado de erres; foi uma das maiores estrelas da TV Excelsior, dos grandes musicais, principalmente 'Times Square', o auge da televisão de qualidade feita no Brasil porque tínhamos então material humano para tanto - grandes atores, comediantes, bailarinos, músicos. Daquele povo, somente a Íris Bruzzi e Daniel Filho estão aí para contar a história.

Estranho, não me lembro de JM na Praça da Alegria, embora o bordão 'brasileirro é tão bonzinho' seja dela, sim. Lembro da Jacqueline mulata em filme do finalzinho dos anos 60; lembro dela como MC dos shows de Vic Damone (acho que na Record, mas pode ter sido na Tupi, por volta de '65). Por volta de 70 ela foi contratada para fazer um programa semanal na antiga TV Cultura (ainda não era da Fundação Pe Anchieta), ao vivo; pelo menos um deles foi ao ar porque eu assisti.

Também assisti a Superbeldades, um filme feito por volta de '61, '62, antes de ela ficar famosa. Era de Alfredo Palácios, se não me engano, um filme curto, uns 60 mnts, em cores, no estilo sexplotation que se fez nos EUA nos anos 50 e 60, com Bettie Page e outras vedetes. O filme ficou interditado por alguns anos não por censura, mas por causa de uma pendência na Justiça, uma das vedetes que aparece no filme processou a produtora.

Aqui, uma homenagem legal que fizeram para Jacqueline Myrna, que resolveu partir um dia sem dar adeus: http://www.youtube.com/watch?v=IjSOVa4db4g

Miguel Andrade disse...

Refer, ótimo comentário!

Você tem algum palpite sobre o paradeiro dela? Simplesmente se aposentou tão cedo, depois de tanta fama?

Refer disse...

Até onde sei, a Jacqueline se mudou para a Europa, ela e a mãe (um tipo mãe de miss, marcação firme!). Abandonou a carreira por completo, lamentavelmente. Ela deve ter ficado superdesapontada em ver tudo "acabando": a TV Excelsior, o teatro musicado, o cinema entrando em crise, as portas se fechando para ela depois de tanto sucesso. A virada da década 60/70 foi realmente o final de uma grande era artística brasileira. Agora pouco, escrevendo sobre a JM, fiquei pensando no Paulo Celestino, na Lilian Fernandes, no Valdir Maia, Sonia Mamede, GRande Otelo, Aizita, Dorinha Duval, com a certeza de que nunca mais vi artistas de palco tão bons e que a gente gostava tanto.

A Jacqueline sofreu uma campanha de difamação das mais horrorosas, das mais cruéis, promovida pela imprensa sensacionalista — vc já viu jornalista prestar? Raça maldita, bando de chacais FDP. Ela fez bem em sumir sem avisar. Só gostaria de ter a certeza de que ela viveu bem as últimas quatro décadas e que vai viver bem muito mais. Saudades.

Miguel Andrade disse...

Refer, aaaaiiiiií! Esse é meu garoto!

E que difamação foi essa? Você se lembra?

Refer disse...

O óbvio, né? Que ela era ninfômana, que ela se prostituía. Qq office boy contava histórias escabrosas da Jacqueline nos bastidores da TV Excelsior e de outras TVs. Um dos caras que orquestrava a central de boatos era diretor do jornal Notícias Populares, por coincidência (ou não) romeno igual a ela. Difamar artista pra vender jornal é o fim da picada.
E mais: quando ela resolveu sumir a ditadura militar entrava na fase mais barra-pesada, censura bravíssima — ela deve ter achado que não havia mais lugar pra ela. E quem podia, ia embora mesmo.

qualquergordotemblog disse...

E esse "As Cariocas" do Khouri baseado nos mesmos textos que o Daniel Filho usa na versão atual que a Globo exibe. Tinha um episódio "A desinibida do Grajaú" que a Globo já tinha filmado nos anos 90 com a Andréa Guerra no papel-título,mas era beem mais ousado que essa série nova. Duvido que a Grazi mostre mais que a Andréa (infelizmente).

Glauco disse...

Refer, quanta informação bacana! As Amorosas é muito bom mesmo, meu Khoury preferido junto com Noite Vazia. Infelizmente não vi As Cariocas, também fiquei muito curioso com esse Superbeldades, o Dicionário de Filmes Brasileiros traz apenas a ficha básica, e a direção está creditada a Konstantin Tkaczenko, provavelmente pseudônimo, se bem que teve muito gringo em nosso cinema nessa época, especialmente em SP. Poxa, será que tem no acervo da Cinemateca Brasileira? Como eu queria passar alguns dias confinado lá, explorando aquelas prateleiras.

Aizita Nascimento era uma daquelas maravilhosas mulatas do Clube Renascença, acho que foi vice-Miss Guanabara. Mamede acaba de ganhar um musical homenagem que está em cartaz aqui no Rio, se chama A Garota do Biquíni Vermelho.

Miguel Andrade disse...

Refer, isso mudou pouco. É o mais espantoso.

Ainda rola boatos de prostituição pra vender jornal. Que coisa ridículo.

Gordo, tente lembrar do nome Andrea Guerra! A Globo chegou a reprisar esse episódio da Desinibida do Grajaú num daqueles festivais de verão, quando não existia BBB.

Glauco, que bom que essa modinha de musicais não se resume só a requentados de filmes americanos.

Vai ser a Grazi? Duvido mesmo que mostre algo semelhante.

Refer disse...

Glauco, esse Konstantin Tkaczenko não é pseudônimo, era um gringo, fotógrafo, que se radicou no Brasil e dirigiu vários filmes aqui, inclusive alguns para o mercado externo. Ele dirigiu 2 filmes com participação de Jacqueline Myrna, 'Isto é Strip-Tease' — outro sexplotation, igualzinho a 'Superbeldades', mas não fez tanto sucesso — e 'Amor Na Selva'; KT fotografou uma porrada de filmes nacionais, desde o início dos anos 50.

É provável que ele 'dirigiu' também o Superbeldades pois são filmes gêmeos, um parece continuação do outro. A produção do Superbeldades é do Palácios, tenho quase certeza.
Uma curiosidade, at. MIGUEL: Guy Loupe (depois Tereza Cristina, de O Direito de Nascer, TVTupi), participou de 'Isto é Strip-Tease'.

Miguel Andrade disse...

Refer, dessa Guy Loupe já tinha ouvido falar!

Isto é Strip-Tease parece uma espécie de Mondo Topless do Russ Meyer. Só que feito muito antes.

Refer disse...

A Guy Loup - depois ISABEL Cristina, não Tereza, desculpem - virou mãe de santo (!); o centro de umbanda dela funciona até hoje no Bixiga.

Outra curiosidade, atenção GLAUCO: a Aizita até hoje trabalha como enfermeira em São Paulo.

Miguel Andrade disse...

Refer, SIM!!! Ela ia nesses programas de TV em fim de ano!

Refer disse...

Poots, véio quando começa a lembrar... é phoda. K. Tkaczenko dirigiu um filme de/sobre nudismo aqui, para o mercado americano — tinha o Mario Benvenuti no elenco, narrado em inglês com legendas, em cores. Passou em Spaulo meio clandestino, logo saiu de cartaz.

Lembro de mim, com uma puta cara de fezza, assistindo esse filme numa matiné no Cine Miami, na Pça. Marechal Deodoro, finzinho da São João!

Miguel Andrade disse...

Refer, hahahahahaha!!! Imaginando a cena!

O sufoco que era pra se assistir algo minimamente hot antes da Internet. Aliás, bem antes!

Leticia disse...

Miguel, já que o Refer não quer ter um blog pra despejar todo seu hard disk ambulante, peça licença, credite e faça um post imenso para Jackqline Myrna. Já se deu conta que seria o único, já que as pesquisas foram infrutíferas?

Esse cara é um fichário desses redondos, de repartição pública das antigas. É uma pena que não ponha seus escritos numa página própria, vou te contar!

Miguel Andrade disse...

Letícia, verdade! Verdade!!!

Vou ficar de olho se consigo imagens decentes dela. Não há nada na web além de capturas.

Leticia disse...

Bem, eu nunca ouvi falar dessa moça. Mas perguntarei pra velha guarda aqui de casa, pode ser ele os dois lembrem porque viam Times Square recém-casados...

Miguel Andrade disse...

Letícia, tadinha! Foi deletada da memória de muita gente.

Andei perguntando também e ninguém se lembra.

Leticia disse...

Perguntei pra eles e necas! Não lembram, nunca ouviram falar; e olha que a memória do papai é de elefante.

Leticia disse...

Achei isso na Coleção Aplauso, que não difere muito do que o Refer forneceu:

MYRNA, JACQUELINE
Nasceu em Bucareste, Romênia, em 4 de dezembro de 1944.
Educa-se na França e se radica no Brasil em 1959. Aos dezessete
anos chama a atenção do fotógrafo Constantin Tkaczenko, que
a convida para fazer cinema, mas acaba deixando escapar a
oportunidade. Quando resolve seguir carreira artística, consegue
oportunidade na TV Excelsior do Rio de Janeiro, integrando o seu
elenco cômico. Em seguida, transfere-se para a TV Record de São
Paulo e anima programas infantis com muito sucesso. Trabalha
também em teatro, em peças como Uma Certa Cabana, de André Roussin. Estreia no cinema em 1962 no filme Isto é Strip-Tease, vindo depois As Cariocas (1966), que lhe vale o prêmio Governador do Estado, e Confissões do Frei Abóbora (1971).
Participa, como atriz, de uma novela apenas, A Indomável, em
1965. Como cantora, atua na televisão, teatros e boates. Eclética, faz de tudo um pouco na sua carreira, mas, após casar-se, muda para a Europa e abandona a carreira.
Filmografia: 1962 – Isto é Strip-Tease; 1964 – Superbeldades; 1965 – Riacho de Sangue; A Desforra; 1966 – As Cariocas; Amor na Selva; 1967 – Cangaceiros de Lampião; 1968 – As Amorosas; 1969 – Adultério à Brasileira; 1971 – Confissões
do Frei Abóbora.


Pode ser que haja mais informações em outros volumes.

Segue a home page e o link específico:

http://aplauso.imprensaoficial.com.br/novo.php

http://aplauso.imprensaoficial.com.br/edicoes/12.0.813.814/12.0.813.814.pdf

Miguel Andrade disse...

Letícia, eu também tinha suspeitado disso. Casou e voltou pra Europa!

Super valeu! Pelo menos é oficial.

Leticia disse...

Ai, Miguel, ainda fiquei um tempinho fuçando aquele volume.

E informação impressa, ali, ó, no papel respeitável é tudo, não?

Miguel Andrade disse...

Letícia, pois! Vou fazer a rapa no site!

Leticia disse...

Faça que você vai gostar.

Miguel Andrade disse...

Letícia, fiquei ontem até altas horas lá! Obrigado! :D

Leticia disse...

Já percebi....

Miguel Andrade disse...

Letícia, hahahahaha!!! E é uma delícia ler no netbook, na cama.

Muito prático. E já o equipei pra quando for viajar, sem precisar carregar livros.

Olga Tkaczenko disse...

Ela mora nos Estados Unidos, casou-se por la. Podem encontra-la no Facebook.

Related Posts with Thumbnails