quarta-feira, 26 de maio de 2010

De carne e osso para desenho

Inesquecíveis frames da abertura de Heidi (Heidi, Girl of the Alps). Anime dos anos 70, marcante para gerações de vários países.

Particularmente este trecho parece ter o toque de gênio de Hayao Miyazaki, um dos responsáveis pelo desenho. A perfeição dos movimentos lembra bastante o das suas obras como A Viagem de Chihiro (Spirited Away, 2001).

Mas não é! A dança em círculos de Heidi e Pedro é obra do animador experimental Yasuji Mori. Para conseguir o efeito mais realista possível ele teria filmado em Super 8 o colega Miyazaki e o diretor Yoichi Kotabe dançando de mãos dadas.

A técnica, conhecida como Rotoscopia, é bastante conhecida desde os primórdios do cinema. Walt Disney já a empregou no seu Branca de Neve e Os Sete Anões (Snow White and the Seven Dwarfs, 1937).

Isso pode explicar a repetição dos movimentos em incontáveis dos seus longas. Há algum tempo roda pela Internet um vídeo comparando determinadas cenas.

Branca de Neve dançando com os anões é idêntica à certas sequencias de Robin Hood, Mogli, etc. Todos da fase mais econômica do estúdio, na década de 60.

Reaproveitaram o trabalho com rotoscopia de Branca de Neve (que deve ter sido intensivo) para contenção de gastos. Assista clicando aqui.

Em 2006, Richard Linklater radicalizou dirigindo O Homem Duplo (A Scanner Darkly) apenas com a técnica. Utilizando PCs, claro, mas máquinas, como se sabe, não trabalham sozinhas.

Aquém das expectativas, o filme vale algumas estrelinhas a mais justamente pelo experimento. Pelo menos para quem realmente gosta de cinema e animação.

Veja também:
Rotoscopia e a Mulher Maravilha
O "Mickey"" da Warner...
Em glorioso preto e branco
A garota dos Alpes


4 comentários:

Carmen disse...

Poxa, me lembrar de Heydi e o vovozinho foi o máximo!

Miguel Andrade disse...

Carmen, e aqueles pães de leite que a vó cega do pedro gostava? Morria de vontade de provar.

Igres Leandro disse...

Desculpa falar só sobre uma parte do teu post, mas eu gosto de todos os filmes do Richard Linklater, só não aprovei muito O Homem Duplo. Isso me lembrou que uma das poucas coisas boas nele, além da animação, é que toca Radiohead no final. Aí eu lembrei mais: já assisti três filmes não muito inspirados que têm Radiohead na trilha sonora. Seria maldição?

Miguel Andrade disse...

Igres, comigo é exatamente o contrário. DETESTO aqueles onde fica um casal falando nada com nada. Acho pretensão pura!

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