terça-feira, 16 de junho de 2009

Em glorioso preto e branco


Tim Burton na faixa de comentários de Ed Wood afirma que pela opção de preto e branco sabia estar fadando o filme ao fracasso nas bilheterias. Um pecado, mas azar de quem perdeu a obra-prima.

Particularmente, se há algo que não me importo é a cor ou falta dela. Tanto faz! Na minha infância meus sonhos eram em berrante Technicolor.

Lembro bem disso porque foi por isso que fui atrás e aí soube da existência da tradicional técnica adotada por muitos estúdios de Hollywood. Hoje, se lembro do que sonhei já é festa.

Não há B&W mais bonito do que o dos filmes até o final da década de 40, com tons prateados, cintilantes. Creio que seja pela mudança de matéria prima dos negativos, já que Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevar) de 1950 é considerado o último norte americano a utilizar negativos com o altamente inflamável nitrato.

Até então, volta e meia havia notícias de incêndios em salas de projeção tipo aquele mostrado em Cinema Paradiso (88). Também nesse filme, o pequeno Totó é surrado pela mãe porque os pedacinhos de película que guarda numa lata pegam fogo.

Tentativas de cinema em cores foram feitas desde a fase silenciosa da sétima arte, mas a partir da década de 50, junto ao Cinemascope, foi importante arma de Hollywood perante a ameaça da chegada da TV. Por seu custo dispendioso, sistemas como Technicolor e DeLuxe (adotado principalmente pela Fox) eram usados apenas em produções de alto poder comercial.

Bom exemplo é a filmografia de Marilyn Monroe após se tornar o principal nome nas bilheterias. Apenas dois são em preto e branco. Quanto Mais Quente Melhor (59), dizem que por razões estéticas da maquiagem feminina nos atores, e Os Desajustados (61), produção dramática autoral.

Para dramas, filmes B (horror, ficção científica...) seria um desperdício gastar com cor. E foi nesse momento que a produtora inglesa Hammer Films passou à frente de Hollywood com o imenso sucesso de A Maldição de Frankenstein (57).

Reaproveitou os monstros usados á exaustão pela Universal a partir de 1931, só que agora se podia ver o vermelho do sangue. Num tom tão típico que mais tarde quase nominaria uma cor específica: Vermelho Hammer!

Veja também:
CinemaScope - o milagre moderno
O sensacional Odorama


3 comentários:

Glauco disse...

Mais uma precioso texto! Pra mim, cinema é bom de qualquer jeito. Aliás, nosso querido Méliès já coloria algumas de suas películas a mão.

Olha só Le Locataire Diabolique, de 1909: http://www.youtube.com/watch?v=f-n6EN4DyuE

Anônimo disse...

quando eu era bem pequeno eu via os filmes antigos em preto e branco e eu perguntei pra minha mãe quando eh que o mundo ficou a cores hahaha
Eu era uma coisinha taaauuuumm fofa
:D
denis - daniela carrera

Miguel Andrade disse...

Glauco, ai que link chique! Obrigado!

Denis, tive alunos que não sabiam nem que o cinema já foi mudo! =0 Alunos adultos!!!!

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