sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O guru sabe tudo


“Um grilo: eu me amarrei num cara e ele em mim, entende? O caso é que a minha mother não aceitou a transa. Mas nós não desistimos dela. Já desatarraxamos todos os parafusos da cuca pra ver se pintava alguma idéia, mas nada! Daí me lembrei de você e resolvi pedir S.0.S. Ah, outra coisa: vocês podem me dizer onde arrumar uma jaqueta do exército? Um beijão aí pra turma.

C.R., Belo Horizonte, MG.

Sabe como é, C.R., fica meio difícil a gente dar o S.O.S. sem saber direito por que sua mãe grilou com essa transa. Será que é só implicância ou ela tem algum motivo? Isso, só você mesmo pra saber... Em todo caso, se o cara é legal de verdade, ela acabará se acostumando, ao ver você feliz, naquela de paz com o mundo.

Mas se há motivo mais sério, seria bom compreender o ponto de vista da sua mãe e só depois chegar a uma conclusão. Agora, o lance da jaqueta: aí em Belô não conhecemos nenhum lugar pra dar essa dica. O melhor seria perguntar nas butiques mais incrementadas. Se você vier a São Paulo, procure no Lixão, uma loja que manja dessas bossas, bem debaixo do viaduto Santa Ifigênia. Se você levar um papo com alguma pessoa que vem pra cá, ela pode comprar e levar pra você, falou?”


Cartinha publicada na revista Pop em 1973. Do tempo em que transa não significava sexo, cabeça era cuca e estar bolado era ter um grilo, mora?

Pela época, imagina se não era o cabelo do cara que fazia a véia olhar atravessado pra transa? Se é que C.R. não significa Carlos Roberto.

Veja também:
Significado dos sonhos por Pedro de Lara
Zora Yonara - Passado, Presente, Futuro


[Ouvindo: Dayha Oulabes – Boutaiba Sghir]

7 comentários:

Refer disse...

Quem escrevia a seção era, se não me engano, Luis Carlos Maciel — o próprio Guru da Contracultura, editor de Flores do Mal e de outras publicações lisérgicas, viajantes, chapantes.
Esse txt aí parece eu falando — abuso da gíria; pior: misturo gíria de malaco e de surfista; antiga e ultranova. Gíria gay e straight. Muitas vezes, tenho de pegar leve, segurar a onda, senão, nêgo não sabe do que estou falando.

Miguel Andrade disse...

Refer, coisa mais Cheech & Chong! :D

Eu estou absolutamente por fora das gírias do momento... Tenho algumas manias linguisticas próprias que vão e vem, mas são pra fazer graça entre os amigos.

Notei que o cara na resposta até que usa poucas e deu uma resposta super boa. Eu diria o mesmo!

Leticia disse...

Humm, sei não, essa cartinha está com pinta de ter sido escrita lá na redação mesmo...

Mas eu também sou como você, Miguel, pego uns termos, não importa de que época sejam, e uso até enjoar.

Igres Leandro disse...

Muito bom!

Miguel Andrade disse...

Letícia, não importa época nem sentido muitas vezes.

Igres, muito mesmo... ;)

OMM disse...

Esta é a típica carta forjada em redação e escrita por alguém totalmente por fora dos problemas da vida real. Um amontoado de clichezinhos. Se era o Maciel que escrevia, tá na cara que era delírio. Porque a Pop era escrita pra garotada, mas por jovens adultos que ainda não haviam desenvolvido o olhar mercadológico sobre o grupo de consumidores em foco.
Ih,tô braba hoje!!!!

Miguel Andrade disse...

OMM, cheira mesmo porque se analisar bem, a carta do "leitor" é muito mais escrachada em gírias do que a resposta, até que bem realista.

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