terça-feira, 7 de julho de 2009

Vida doméstica

Quando Noel Rosa casou com Lindaura, aluna de sua mãe, ele tinha 24, ela 13 (!!!) anos. Hoje em dia iria dar um falatório danado!

E foi até que a morte os separasse mesmo, já que o sambista morreria de tuberculose dois anos depois. Dizem que agravada por sua vida boêmia. Na foto menor, a viuvinha inconsolável!

Segundo o fascículo MPB Compositores da Editora Globo, Lindaura declarou que seu casamento foi um misto de alguns momentos hilários e de muitos outros tristes. Deu como exemplo a vez em que o casal saiu para ir ao cinema, mas antes passou numa leiteria pra comer arroz doce.

Noel encontrou um amigo e começou a conversar. Saiu com essa pessoa esquecendo completamente da pobre esposa sentada, sem dinheiro nem pra pagar o doce ou pegar um bonde de volta pra casa.

Ela ficou lá esperando por horas e horas até que o garçom emprestou-lhe dinheiro. Chegou em casa ás dez da noite. Verdadeira alta madrugada para a década de 30 carioca.

Em contrapartida, recorda também do marido apaixonado que teve. Tinha por hábito deixar bilhetinhos românticos pra ela ler ao acordar, de manhãzinha. Antes do Poeta da Vila chegar da noitada!

Veja também:
Aquela que faz comida boa
A vida real de Rita Hayworth
O lar feliz de Cary Grant e Randolph Scott


[Ouvindo: Las Palmas De Maracaibo – Lionel Belasco]

18 comentários:

Glauco disse...

Que precoces, a mocinha se casou aos 13, Noel viveu só 26 anos e é um dos gênios da nossa música. Pensando bem, minha avó se casou em 1945 com 15 anos, isso era bem comum no início do século passado, o conceito de adolescente não existia e o povo casava e trabalhava bem cedo.

De onde tirou essas fotos e histórias, Miguel?

Em tempo, anos que vem é o centenário do Noel e ele será enredo da Unidos de Vila Isabel!

Miguel Andrade disse...

Glauco, será uma merecida homenagem ao seu maior poeta!

Tirei desse fascículo que sitei no post. Acho a história dele muito fascinante, mas este trecho do casamento mostra muitos hábitos da época.

Tanto no ir a uma leiteria comer arroz doce, quanto a postura submissa da esposa. Tadinha...

O que será que ela considerava momentos hilários? Imagina, acordar e o marido não estar em casa, mas encontrar um bilhete romântico...

luci disse...

que legal! assisti "noel - poeta da vila" no domingo, e agora, esse post! é que eu procurei a foto da tal lindaura e não achei. e alias, o acervo de fotos do proprio noel na net é bem precario.

"O que será que ela considerava momentos hilários?" hahaha pois é! pro cara passar a noite fora e querer me amolecer com alguma coisa, seria com um livro! se ele me chegasse com um simples bilhete, ia receber uma tamancada na cara!

Miguel Andrade disse...

Luci, livro? Nem livro! Que dó da menina!

Bacana saber que não tem muitas coisa na net. De onde escaneei estas fotos tem algumas outras. Postarei aos poucos.

Leticia disse...

Posta, sim, Miguel! Ninguém dá bola pro Noel... Se dá, é pra ganhar dinheiro com alguma coisa do tipo "fulano canta "Noel.

E espero que, no centenário do cara, arrumem aquelas calçadas do Boulevard 28 de Setembro (que têm as partituras dos sambas dele, nos mosaicos de pedra portuguesa).

E aí vai minha preferida (que adoro na voz de Daaaaaalllva, mas que todos conhecem mais pela Angela Ro-Rô). Ela tem, na parte do cigarro, um dos versos mais fantásticos da MPB:

Pela décima vez

Jurei não mais amar pela décima vez
Jurei não perdoar o que ela me fez
O costume é a força que fala mais forte do que a natureza
E nos faz dar provas de fraqueza
Joguei meu cigarro no chão e pisei
Sem mais nenhum aquele mesmo apanhei e fumei
Através da fumaça neguei minha raça chorando, a repetir:
Ela é o veneno que eu escolhi pra morrer sem sentir
Senti que o meu coração quis parar
Quando voltei e escutei a vizinhança falar
Que ela só de pirraça seguiu com um praça ficando lá no xadrez
Pela décima vez ela está inocente nem sabe o que fez

Miguel Andrade disse...

Letícia, tomara que o centenário seja devidamente celebrado...

Só conheço essa música na voz da Angela Ro Rô mesmo. Vou tentar achar a da Dalva.

Leticia disse...

Na voz de Dalva é melhor, Miguel. Embora eu goste do tributo da Ro-Rô...

Miguel Andrade disse...

Letícia, Ro-rô tá merecendo um post aqui! :D

Igres Leandro disse...

Ela não parece ter 13. Parece ter mais.

Miguel Andrade disse...

Igres, também acho. As pessoas amadureciam muito rápido...

Kristanna disse...

Tadinha, se fosse ela naum estaria chorando naum, safado!!!!

Miguel Andrade disse...

Kristanna, mas acho que era comum na época... rs

Refer disse...

Noel se casou com Lindaura para se livrar de ser preso por crime de sedução de menor. Ela devia ter mais de 13 anos quando se casaram. Preparem-se — ano que vem, vamos tomar um porre de Noel. É o centenário do figura.

Miguel Andrade disse...

Refer, no texto dizia que ela tinha 13 mesmo. E ele tinha 2 amantes oficiais tb :D

Leticia disse...

Igres Leandro, naquele tempo, quando a menina casava, já tinha de usar roupas compatíveis com uma senhora. Com minha tia mais velha foi assim: sapatos, meias, vestidos, penteado compatíveis. E desde que nasci eu ouço, quando vemos uma foto dela: "parece uma senhora, mas só tinha dezesseis anos!!!".

Miguel Andrade disse...

Leticia, que puxa! É mesmo!

Mesmo na nossa geração, lembro que até quando a menina virava mocinha sempre tinha algum adulto idiota pra cobrar atitudes maduras. Nunca mais elas podiam brincar de correr por exemplo.

Leticia disse...

Às vezes bem antes. Com sapatos de verniz nas ocasiões especiais, correr, nem pensar!

Miguel Andrade disse...

Letícia, que droga! Adultos eram um porre!

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