quarta-feira, 3 de junho de 2009

Os Pássaros: A culpa é da velha


É bom começar lembrando que Hitchcock detestava que ficassem analisando seus filmes. Para ele, as pessoas ficavam viajando em coisas óbvias e esqueciam de outras muito mais importantes.

Mas é irresistível assistir Os Pássaros (The Birds, 1963), com um mistério tão em aberto, sem querer teorizar um pouco, ou dar palpite. E de tudo um pouco já foi dito sobre este filme.

O ataque das aves seria alusão á invasão comunista, apocalipse bíblico, alerta ecológico... Sempre achei que a culpa era da urubaca da Lydia (Jessica Tandy) ao ver a sirigaita Melanie, interpretada por “Tippi” Hedren, arrastando a asa pra cima de seu filho solteirão.

Revendo hoje em dia, continuei tendo um raciocínio semelhante. Se considerarmos que Hitchcock colocou em cena várias mães possessivas (Interlúdio, Pacto Sinistro...) como deflagradoras da ação, faz mais sentido ainda.

Sua obra anterior foi Psicose (Psycho, 1960), o maior sucesso de sua carreira. Mostrava justamente o embate psicológico entre mãe e filho.

Os Pássaros discorreria sobre a conhecida “síndrome do ninho vazio”, distúrbio que acomete pais após seus filhos saírem de casa. Naquele tempo, saia-se de casa para casar.

Após Melanie invadir o lar da família do pretendente para colocar de forma secreta o casal de “love birds” (traduzido no DVD como periquitos, embora o VHS mantivesse o nome em inglês), logo depois sofre o primeiro ataque de uma gaivota. Leva uma bicada muito semelhante à defesa de uma galinha choca quando nos flagra mexendo em seus pintinhos.

A futura sogra (viúva recente, com medo de ficar sem a figura masculina em casa) não sabia de sua presença na Bodega Bay, mas a garota já tinha ido se apresentar à professorinha local, ex-namorada do filho, que mantém boas relações com a senhora.

O próximo ataque será em massa. Durante a festa de aniversário da irmãzinha do galã, quando a velha observa Melanie e seu filho vindo do mato em clima romântico.

Quando a professora estiver contando à protagonista o porquê do fracasso do relacionamento o diálogo é encerrado com a porta alvejada por outra ave. Mais claro fica quando lá na frente a menina e seu irmão convencerem Melanie a passar a noite no quarto de hóspedes da casa.

Após Lydia fazer cara de quem não gostou da notícia entra uma revoada de pardais pela chaminé. A pendenga entre as duas nunca é resolvida, nem quando resolvem fugir juntas.

E um dos baratos das fitas de Hitchcock é exatamente isso. Pode ser, pode não fazer nenhum sentido, ou tanto faz!

Veja também:
As cores dos lingeries de Psicose
Aquela que comeu o pão que Hitchcock amassou


3 comentários:

Ca VM disse...

PERFEITO!

A. disse...

Eu amo esse filme...

Só acho que no final a "mãe" e a Melanie se entendem, mas só quando a Melanie fica fraca e feia, e a "mãe" ainda garante o seu lugar indo embora junto.

Miguel Andrade disse...

Ca VM, pode ser! :D

A. sim! Mas isso é relativo com "se entendem"...

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