sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Jayne Mansfield: Êxtase cor-de-rosa

Ela passou a perna em todas a pinups que ansiavam ser a nova Marilyn Monroe. Não que Jayne Mansfield tenha conseguido tal façanha, mas é muito mais festejada pela tentativa do que qualquer outra. Sempre simpática, carregando a prole de quatro filhos pra lá e pra cá, derrotou nomes como Mamie Von Doren ou a inglesa Diana Dors.

O diferencial de Jayne é que jamais imitou Monroe, e sim a caricaturava. Assumiu até em entrevistas e aparições públicas a postura de loira imbecil total, cheia de gemidinhos a cada frase. Era uma comediante, não uma imitadora, o que ajudou na conquista até dos fãs da principal estrela dos 50.

Marilyn Monroe e ela ficaram cara a cara uma única vez na vida. Em 56, Monroe esteve na platéia da peça “Will Success Spoil Rock Hunter?”, comédia protagonizada por Mansfield interpretando Rita Marlowe, atriz de Hollywood loira e burra, lutando para ser levada a sério. Não deve ter achado muita graça nas semelhanças com sua vida, embora evitasse alimentar polêmicas. Na biografia assinada por Donald Spoto consta apenas que telefonou ao teatrólogo George Axelrod, também autor de seus filmes Nunca Fui Santa (Bus Stop, 1956) e O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch, 1955), e comunicou incisivamente ter assistido ao espetáculo. Só!

Jayne, antes de ir à Hollywood foi vitoriosa em inúmeros concursos de beleza. Só recusando o título Miss Queijo Roquefort. Ousadíssima, apareceu na revista Playboy, edição de fevereiro de 1955, e talvez por essa postura desinibida nunca tenha sido levada a sério pelos grandes estúdios cinematográficos. As comédias ligeiras que estrelou são quase um subgênero. Pouca roupa e muita dança em cenários multicoloridos.

Apaixonada por animais, formatos de coração e da cor rosa, sua mansão (chamada de Pink Palace) possuía um mini zoológico que junto à exótica decoração era constantemente fotografada por revistas de celebridades. Nunca recusou abrir suas portas pra nenhum jornalista. A brasileira Dulce Damasceno de Brito esteve lá por duas vezes e se espantou com a presença de um ocelot, espécie de onça domesticada que ao menor sinal de cheiro de sangue (como na menstruação) pode atacar.

Em seu livro de memórias, Hollywood Nua e Crua, a correspondente incluiu um capítulo chamado “Jayne, a Doce Mamãe”, tamanha dedicação e zelo com os filhos, contrastando com a imagem de sedutora implacável. Há quem aponte (Dulce é uma delas) que, embora Mariska Hargitay, atriz atualmente no seriado Lei e Ordem, carregue o sobrenome do segundo marido de sua mãe, seria fruto do romance com o paulista Nelson Sardelli.

Nem tudo foram jujubas na vida de Jayne Mansfield. Com o falecimento de Marilyn Monroe em 5 de agosto de 1962, mesmo que parecesse evidente para muitos que teria sua grande chance como platinada no cinema, aconteceu exatamente o inverso. Fazendo humor em cima da personalidade da outra, morta em circunstâncias estranhas, Mansfield perdeu totalmente a graça para a opinião pública.

Com os papéis, que nunca foram muitos, se definhando, aceitou aparecer nua em uma produção de baixo orçamento chamada Promessas! Promessas! (Promisses! Promisses!) lançado em VHS no Brasil. Aparecer com os grandes seios expostos em duas cenas, em uma fita pavorosa, convenhamos, não ajudaria na carreira nem da mais talentosa das atrizes. Para a posteridade valeu-lhe o título de primeira atriz de Hollywood a aparecer nua num sexplotation, o equivalente às nossas pornochanchadas.

Como o show não podia parar, passou a fazer shows em casas noturnas por todo o EUA. Sempre com muita pressa pra cumprir a agenda, em 29 de junho de 1967, seu carro em alta velocidade entrou na traseira de um caminhão.

Na frente iam Jayne (com apenas 34 anos) e seu atual namorado. Nos bancos de trás, três dos seus filhos dormindo. As crianças, como por milagre, sofreram leves escoriações, mas todos os outros passageiros foram mortos.

Os primeiros que chegaram ao acidente relataram que a imagem era tão chocante que muitos desmaiaram. O motorista do caminhão teve que ser retirado do local com camisa de forças depois de tentar pular do despenhadeiro próximo. Imediatamente muitas fotos do acidente foram tiradas e espalhadas pela imprensa.

Segundo contou uma das filhas no documentário Marilyn Monroe X Jayne Mansfield, do canal Fox, veio deste caos o mal entendido difundido até hoje, de que sua mãe havia sido decapitada, com a cabeça indo parar a alguns metros dos destroços. Na verdade seria o aplique que usava na ocasião que se desprendeu no choque.

41 anos depois, Jayne Mansfield foi homenageada pela banda The 5.6.7.8's na música "I Walk Like Jayne Mansfield" incluída em Kill Bill Volume 1 e é sempre lembrada com bom humor.


18 comentários:

Leticia disse...

Ah, esses seus relatos esclarecedores... Adorei! Eu sabia que ela tinha morrido horrivelmente, mas não lembrava. Thanks,

MARCUS disse...

LEGAL, CONHECI MAIS DA HISTÓRIA DELA, ACHAVA QUE ELA ERA APENAS UMA SIMPLES PEITUDA...

Leticia disse...

"Uma simples peituda" é ótima, Marcus...

Miguel Andrade disse...

Letícia, obrigado. Clicou no link das fotos da mansão? Noooossa!!!

Marcus, não era nem simples peituda nem peituda simples! rs

Tia Cris disse...

Adorei as fotos da mansão, mas fiquei com pena da faxineira que tinha de limpar aquilo.

Miguel Andrade disse...

Afe! Imagina se ela tem gato? Se eu tiro ao varrer verdadeiros ursinhos de pelúcia dos cantos da casa imagina ali?

Nivaldo disse...

Recusar o título de Miss Queijo Roquefort, vamos combinar: foi de uma ousadia impressionante!

Mais impressionante ainda foi a morte dela. É incrível como naquela época, essa gente só morria de forma absurdamente trágica, né?

Miguel Andrade disse...

Nivaldo, também achava isso, mas é que se acaba comentando sempre as menos naturais... Algumas estão vivas, ou se foram naturalmente com o passar do tempo. O que me espanta é a quantidade de carreiras arruinada na década de 30 graças ao alcool.

Olga disse...

A filha mais jovem dela é atriz de TV, estrela de um dos Law and Order.

Miguel Andrade disse...

Olga, é Mariska Hargitay, conforme citei no texto.

Olga disse...

Menino, é mesmo. Foi ela a sobrevivente, com dois irmãos. Tem mais uma ou duas filhas da Mansfield, mas não sabia que rolava uma suspeita de bastardice, não.
Jayne Mansfield era péssima! Teve um filme dela com Cary Grant lamentável, uma comédia sem muito prumo, acho que até dirigida pelo Stanley Donen... Ah, e teve um filme impagável com Tom Ewell, aquele cara do "Pecado Mora ao Lado", em que o papel dela era dar gritinhos e o dele era tentar torná-la uma estrela do rock 'n' roll. E dá-lhe grupo da época, encabeçados por Little Richard. O filme era um terror, absolutamente promocional. E o título era algo como "A garota não dá certo mesmo".
Pra lá de ruim.

Miguel Andrade disse...

Olga, sim, ela jamais passou disso mesmo...
Essa comédia do Cary Grant provavelmente é "O Beijo da Despedida" http://cinemorama.blogspot.com/2008/08/o-beijo-da-despedida.html . Um dos maior desperdícios de talentos por centímetro de película. Nemn parece que é do Stanley Donen!!! Jayne é puro enfeito de cena. Sua presença é o de menos em meio a tantos equívocos.

bruno reis disse...

Seu blog é tão bom que deveria virar um livro. Tipo um alamanaque de cultura pop/vintage. Já pensou nisso?

Miguel Andrade disse...

Bruno, obrigadão. Seria legal, né?

PERFECCIONISTA disse...

...vamos conbinar...com um rosto e corpo daqueles ela não precisava de nenhum talento...era violonista eximia e muito inteligente,mais um corpo como aquele nasce de 100 em 100 anos.já pesquisei.,nimguem sabe o segredo...acho que ela usava ESPARTILHOS.Desde á puberdade.Igual ...HOJE...SÓ BIÔCE.

Miguel Andrade disse...

PERFECCIONISTA, em termos de peito? Fafá tinha iguais! Veja :
http://cidadaoquem.blogspot.com/2009/12/jayne-mansfield-vs-fafa-de-belem.html

Perfeccionista disse...

...CARA.Inacreditávél...e como lhe caia bem aqueles seios grandes...vi dideos ela...uns numa piscina...numa lancha...aquele bronzeado...para uma americana...ela tinha uma cor linda com aqueles cabelos platinados...seu andar também...todos olhavam aquela mulher passar...era um fenomeno.ELA era o filme...era impactante depois de tanta gravidez.ela tinha algum segredo...aquela barriga e cintura finissimas...quem vai saber?

Miguel Andrade disse...

Perfeccionismo, hehehe, mais ou menos tudo isso. Passei a admirá-la com o passar dos anos. Foi de caricatura da Marilyn Monroe a caricatura dela mesma...

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