terça-feira, 17 de abril de 2018

Quando o demônio ronda o set

O relacionamento entre Barbara Steele e o diretor Mario Bava não foi dos mais fáceis durante as filmagens de A Maldição do Demônio (Black Sunday/La maschera del demônio, 1960). Obviamente ela ainda não sabia que participava de uma obra-prima.

Ela estava com 23 anos e alguns filmes no currículo, mas nada com o peso de uma protagonista e ainda em papel duplo. Bava havia sido cinematografista de algumas produções e dirigido apenas curtas, ou auxiliado algum outro diretor.

Steele se lembra bastante dele bastante dividido entre dirigir e fotografar o filme. Britânica, sem entender direito o italiano se sentiu alheia aquilo tudo, detestando do figurino muito decotado até a peruca que foi obrigada a usar.
Pra piorar, talvez pelo entrave da língua, teve um dia que se recusou a entrar no set, crendo que o diretor queria filma-la nua. Mais tarde assumiu que todos os problemas foram por sua imaturidade e inexperiência.

“Ele era muito quieto, muito íntimo, muito discreto, muito um-para-um. Ele não era carregado de si como a maioria dos diretores italianos - muito inflamados, você sabe.” relembrou a atriz décadas depois em uma entrevista. Ainda disse que, assim como todos naquele set, Mario Bava estava bastante gripado.
Estavam todos morrendo sufocados com o gelo seco e algum vírus que se aproveitou do terrível inverno romano. Na Itália era uma prática comum não trabalhar com áudio direto, assim como foi no Brasil por muito tempo, deixando pra adicionar as vozes e sons posteriormente, o que no caso foi ótimo, porque segundo ela, todos do elenco estavam falando de um jeito anasalado.

Barbara Steele acredita que tudo isso ajudou a deixar o filme ainda mais intenso. E foi tão intenso que por anos acabou sendo proibido em vários países, ressurgindo nos cinemas com muitos cortes.
No Brasil ele foi exibido em 1961 como A Maldição do Demônio e redescoberto por uma nova geração que se tornou fã a partir de 2003, ao sair em DVD pela London Films/Dark Side com o título A Mascara a de Satã. Depois foi relançado pela Versátil num disco duplo com outros três filmes do diretor, infelizmente também em DVD.

Veja também:
O gênio Mario Bava
Aquela que apanhou pra interpretar

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