segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Tal qual Hitchcock, diretor de Garganta Profunda apareceu em vários de seus filmes. Veja!

 
Gerard Damiano era um cabeleireiro de Nova York que percebeu o quanto seus clientes ficavam entretidos com conversas picantes. Convidado a colaborar com filmes de terror B, logo revolucionaria a então moribunda indústria do cinema ao incluir sexo explicito em histórias peculiares.

Seu maior filme foi Garganta Profunda (Deep Throat, 1972), considerado um pontapé inicial em toda indústria pornô, mas na época chegou a ser cogitado como um gênero cinematográfico como qualquer outro. “Garganta” fez tanto sucesso que foi exibido em qualquer sala de cinema, não apenas as restritas a tarados e voyers.
Financiado pela máfia, Damiano não usufruiu diretamente de seus lucros. Mas claro, usufruiu da popularidade conquistada e desenvolveu uma carreira encerrada apenas em 1994, participando dos diferentes momentos por quais passou a indústria adulta que ele ajudou a criar.
Damiano não se repetiu tentando lucrar eternamente com a proeza difundida por Linda Lovelace. Cada novo filme foi explorando nossas fantasias e modalidades sexuais.

Marca pessoal mesmo eram as suas aparições como ator ou figurante em muitos dos seus filmes (não em todos!). Assim como Alfred Hitchcock, podemos procurar pelo diretor, mas nunca em sequencias de sexo.
Escapando de um pedinte logo no início de Magic Ring (1969), um de seus primeiros filmes.

Até o X-Rated se consolidar no ano seguinte com Garganta Profunda, muitas produções adultas eram disfarçadas como documentários, pretensos estudos que serviam de mera desculpa para a sacanagem.

Assim é Sex USA (1971) onde Damiano aparece como um sério diretor mediando debates entrecortados por cenas de sexo.

Em Garganta Profunda (1972) a primeira participação oficialmente engraçada. Ele é o vizinho efeminado que aparece reclamando no final da grande orgia.

Meatball é técnico e artisticamente inferior a Garganta Profunda, mas foi lançado no mesmo ano. Comédia debochada em que um cientista maluco (o mesmo Harry Reems de “Garganta”) desenvolve máquina que transforma almôndegas em pessoas praticantes de sexo livre.

Certa vez o aparelho fabrica o Gerard Damiano, recusado até pelo esqueleto do laboratório.

No próximo ano ele emplacaria outro clássico: O Diabo Na Carne de Miss Jones (The Devil in Miss Jones, 1973). Damiano tem um papel importante aqui logo no inicio como o amante que rejeita Georgina Spelvin, ato que desenvolverá toda a trama.

Ele é bem discreto numa sequencia de bar no ousado The Story of Joanna (1975). Além de sadomasoquismo (de fazer 50 Tons de Cinza parecer história da carochinha), um dos destaques desse filme inspirado em A História de O é uma sequencia de sexo oral gay envolvendo o astro da chamada “The Golden Age of Porn” Jamie Gillis.

O diretor aparece duas vezes em Let My Puppets Come (1976), absurdo filme de sexo explícito com fantoches. No inicio comendo cachorro quente e depois numa TV entregando um Oscar a um dos bonecos.

Em Join Venture/The Sex Team (1977) narra várias sequencias de uma disputa sexual como se fosse um esporte. Sem maiores atrativos além de ter sido um dos primeiros trabalhos no gênero da lendária Vanessa Del Rio.

Damiano em outra sequencia de bar em Skin-Flicks (1978). É o mais perto do ato sexual em si que ele chega em sua filmografia, com tédio assistindo a um strip-tease.

 Aconselhando uma moça deprimida num dos contos de Damiano's People (1979).

Meio Hitchcock participando rapidamente de um baile chique em For Richer, for Poorer (1979).

Minha favorita! Quase um photobomb, estragando a fotografia principal, no detetivesco Never So Deep (1981).

No final da ficção científica (!!!) The Satisfiers of Alpha Blue (1981) ao lado da atriz exausta. Para quem ainda não ligava o nome à pessoa.

Damiano no papel dele mesmo no mokumentário Consenting Adults (1982). Com a explosão do VHS os tempos já eram outros para o cinema adulto, agora absolutamente rápido e descartável, mas Damiano insistiu mais um pouco na classe e na película.

Em Night Hunger (1983) aparece novamente como ele mesmo, tendo que lidar com uma estrela temperamental. Oportunidade de ver um pouco como eram seus sets de filmagem.

Para celebrar os 12 anos de garganta profunda dirigiu Throat 12 Years After (1984). Aliás, aparece dirigindo um taxi para um casal caliente.

Seu filme de 1972 gerou várias cópias e sequencias, mas apenas aqui Damiano volta ao tema. Curiosamente há pouco de “garganta profunda” desta vez.

Já em vídeo, em outra cena de bar, brindando com uma dama no noir Forbidden Bodies (1986).

O tiozinho animado no bar beatnik de The Bitter End (1989). Outra trama policial que brinca com os clichés dos anos 50/60.

Beds, Butts and Breakfast (1990) não tem diretor creditado, mas Damiano aparece morrendo logo no inicio numa citação óbvia a Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941 de Orson Welles). Acho que “Rosebud” já tinha duplo sentido suficiente.

Como nos EUA qualquer um dirigia pornô e ganhava rios de dinheiro a cada esquina, Damiano foi dirigir na Europa, onde muitos ainda trabalhavam com película, não videotape. Foi assim que aparece como o tiozinho embalado no fone de ouvidos no italiano Giochi di Coppia (1991).

Para encerrar a carreira na frente das câmeras nada como interpretar Deus em Just for the Hell of It (1991)! Ele voltaria ao personagem pela última vez em For the Hell of It (1992).

1 comentários:

Eduardo disse...

Detalhismo como sempre impecável. Maravilha!

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