sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Jorge Amado e as adaptações de sua obra

Movie-Trailer.UK
 Jorge Amado não costumava ter problemas com as adaptações de suas obras. Muito pelo contrário, acreditava que elas eram essências para a popularização de seus textos num país como o nosso, além de renderem um bom dinheiro.

Em entrevista a Antônio Roberto Espinosa em 1981 (pertencente ao livro da série Literatura Comentada da Abril Educação) assumiu orgulhoso que devia sua casa na Bahia ao imperialismo norte americano. Ele comprou o terreno em 1961 e terminou a construção três anos depois com os direitos de Gabriela que vendeu para o estúdio Metro Goldwyn Mayer (MGM).

“Até hoje, felizmente, o filme não foi feito”, completou aliviado. Seu romance de 1958 só seria adaptado para os cinemas pela MGM em 1983 tendo a direção do brasileiro Bruno Barreto, mesmo nome por trás do super sucesso Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976).
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Dona Flor foi adaptado pelos americanos no ano anterior (1982), versão que o autor dizia jamais ter assistido. Sob o título de Meu Adorável Fantasma (Kiss Me Goodbye de Robert Mulligan), o filme despreza toda picardia da obra original e se tronou numa doce comédia romântica estrelada por Sally Field.

Perguntado na mesma entrevista se os romances perdiam ao serem adaptados para cinema, TV e teatro Jorge Amado foi enfático: “Vale a pena perder”. Dava como exemplo o que aconteceu com Gabriela transformado em telenovela pela Globo em 1975, e em 1961 pela TV Tupi com menor exito.
“Talvez tenha sido o romance brasileiro mais vendido até hoje. Quando foi adaptado pra televisão, tinha vendido 600 mil exemplares no Brasil. A novela fez a Editora Record vender mais 80 mil, como foi vista por 25 milhões de pessoas. E depois ela foi reprisada!”, comemorava . Todas as perdas são insignificantes perto do volume de pessoas que o texto indiretamente acaba alcançando.

 “São pessoas que receberam certas ideias colocadas no romance; essas ideias atingiram uma massa muito maior, inclusive muitas pessoas analfabetas, outras semiletradas, e também aquelas que não tinham dinheiro pra comprar o livro...”. Gabriela seria ainda adaptada na televisão uma terceira vez em 2012.

Com as versões televisivas é ainda comum que surjam edições populares com as capas referentes a elas. Isso além de subprodutos como trilhas sonoras, álbuns de figurinhas e até livros de receitas alusivos aos personagens criados por ele.

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