segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Raquel Welch desce bala em Hannie Caulder

 Raquel 'Linda' Welch é a dona de casa, esposa de um colono que eu ver suas terrar invadidas por três bandidos em fuga tem o marido morto, a casa queimada e seu corpo violentado. Nua e sozinha no deserto só lhe resta sair em busca do que os filmes chamam de “furor violento de vingança”.
E Hannie Caulder (1971 de Burt Kennedy) é basicamente sobre isso. O que não é pouca coisa, já que filmes sobre revanche protagonizados por mulheres dificilmente não são legais.

Um western spaggetti britânico seria um western Fish and Chips? Ingleses não possuem o escracho pop dos italianos, mas há beleza plástica demais na tela para que se note falta de alguma coisa.  

Tem muita coisa em comum entre Hannie Caulder e os Kill Bill (2003/2004 de Quentin Tarantino) além da espinha dorsal da trama se basear numa garota com sede de vingança e alguns planos no deserto. Hannie tem um treinamento de tiro ostensivo digno de Pai Mei!

Christopher Lee (o onipresente) é o recluso mestre que forjará uma arma exclusiva para a heroína. Tal e qual Hattori Ranzo (Sonny Chiba) presenteou Kiddo, referência assumida por Tarantino.

Do elenco merecem menção Ernest Borgnine como chefe dos bandidos e Diana Dors, já distante do tempo em que era considerada a "resposta britânica ao fenômeno Marilyn Monroe". Papel pequeno, chamada apenas por "Madame".

Uma das coisas desnecessárias é o humor patetalhado do trio de vilões. Não chega a atrapalhar, mas também não ajuda em nada a narrativa que devia ter se centrado mais na força da protagonista.

Mas claramente não é uma história sobre superação feminina e sim um filme com uma mulher muito bonita empunhando armas para macho ver. Tanto que Hannie não escapa de algumas piadas visuais um tanto quando sexistas, mesmo com o argumento tento partido de uma violência sexual contra a moça.

Por exemplo, ela compra calças e não há calças para tamanho feminino naquele tempo. O vendedor recomenda que ela as molhe e com o tempo elas encolherão até ficarem justas em seu corpo.
Boa desculpa para exibir as curvas de Raquel Welch, não? O velho oeste nas telas sempre foi um lugar inóspito para garotas que se aventurem fora dos saloons.

O material publicitário também foi todo calcado na atriz apenas de calcinha e poncho, além de no pôster ela aparecer com as pernas abertas entre seus estupradores. O que nada diz sobre o filme, muito distante de ser sexplotation. 


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