sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Sombras da Noite e o senhor da razão

Juntas duplas e sangue húngaro!

E assisti Sombras da Noite (Dark Shadows, 2012 de Tim Burton)... Pra variar, boiei nas avaliações que andei lendo.

Não é uma obra-prima, não é o filme da minha vida! Mas Sombras da Noite está longe de ser a catástrofe repetida exaustivamente neste rincão de meu Deus, repleto de cinefilões que é a Internet.

Burton perdeu aquele toque (faz tempo) de falar com a poveza e ainda assim ter alguma profundidade no cinema comercial. Ou esculacha na obviedade ou se cerca de referências pra entendimento de pouquíssimos.

Aqui ele conseguiu as duas coisas num roteiro cheio de pontas mal amarradas, com muitos personagens que nem se tivesse cinco horas de metragem daria para explora-los dignamente. É provável que tenha acontecido isso pela origem novelesca do material e a aposta da Warner no sucesso, para estender em sequencias.

Outro ponto negativo é a trilha sonora de Danny Elfman, cheirando a um esforço brutal para não parecer o Danny Elfman de sempre. Howard Shore (que sempre se reinventa) teria sido uma escolha superior, relembrando as composições incríveis de Ed Wood (1992).

No todo foi uma boa surpresa. Os trailers indicavam uma comédia boboquinha de costumes, não uma chuva de violência, politicamente incorreto, conflitos psicológicos e dezenas de lembranças a coisas que a gente gosta (Hammer, Roger Corman, cinema popular europeu, etc.).

Até Johnny Depp conseguiu ser menos caricaturalmente irritante. Olha que ele tem a ousadia de vampiristicamente hipnotizar ninguém menos do que Christopher Lee!

O melhor Tim Burton em muitos anos! E como aconteceu muitas vezes em sua filmografia, só será reconhecido no futuro.

Num tempo em que filmes com vampiros mornos e tanta tolice inspirada em quadrinhos e coisas do tipo levam milhares as salas de cinema, chega a ser um alívio Sombras da Noite não ter agradado a multidão.


12 comentários:

Igres Leandro disse...

Eu gostei desse filme. Rolou um tempinho durante a exibição preu me adaptar. Sabe, ficou aquela sensação de WTF! Cadê as obras primas do Tim Burton, mas aí a gente para, pensa, reflete e sabe que não é bem assim, que o aqui a gente considera obra prima muitas vezes tem esse status porque tem uma história na nossa vida. Eu me diverti com esse, bem mais do que com Batman Dark Knight Rises.

Miguel Andrade disse...

Igres, idem, idem! perto das coisas mornas que saem toda hora, é um filme bem acima da média.

Anônimo disse...

Só pela presença de Michele, valeu a pena.

marco disse...

Já valeu a pena só por ter visto a Michelle!

Miguel Andrade disse...

Marco, toda botocada e com filtros, mas lindona ainda.

Daniel Tavernaro disse...

Eu gostei bastante; mesmo com várias pessoas falando que odiaram. Pessoas com grana e que se auto-intitulam cult ou entendedoras de cinema.

Gostei porque a cada 5 minutos, os cortes e cenas me lembravam algum outro filme, inclusive os próprios de Tim Burton. Os grandes ou que ficaram famosos estão todos ali. Ou foi alucinação minha? Um, que nunca vi - nem o trailer, nem nada - e que visualizei foi, por exemplo, "Inferno na Torre" (tem uma imagem famosa do filme que me lembrou, pelo enquadramento).

As músicas são outro delírio à parte; são aquelas mesmas batidas do popularzão americano que ninguém arriscaria usar num filme; afinal, todo mundo tem em casa e sabe cantar junto, então é brega. A trilha segue a linha da década em que o filme se passa (comecinho dos anos 70); em alguns momentos, a trilha sonora do Forrest Gump poderia ser usada sem problemas - e algumas músicas foram as mesmas... E outras, aquelas que você não pensaria que apareceriam num filme, ainda mais de Tim Burton, rs.

Fui ao cine assistir à Alice e ficava olhando, perdido, não entendendo muita coisa. A história em si já é excessivamente cheia de vírgulas, firulas e informações; com Tim e o 3D, achei que fosse um ode ao kitch.

Miguel Andrade disse...

Daniel, ah sim! Nesse ponto, foi muito divertido mesmo.

E filme divertido não é tudo o que a gente espera? rs

Se surpreender, melhor ainda!

Marcos Barbosa disse...

esse filme é de Tim Burton! os piores fim de Tim Burton, assim como os piores de Woody Allen, são melhores que os melhores dos outros diretores! Destaque para Eva Green, que mostrou competência, duvido nada que ela vire uma das parceiras dele

Marcos Barbosa disse...

corrigindo: os piores filmes de Tim Burton*

Miguel Andrade disse...

Marcos, sim! Pelo menos pra quem acompanha a filmografia dele.

Daniel Tavernaro disse...

Bom...deixe-me, em minha humilde grande ignorância, tentar entender: como se gosta de uma coisa que é ruim? Para um filme ser bom eu tenho que ver se a crítica foi boa? Não entendi, rs. Eu analiso o filme como um todo, sei lá.....

Mas falar de algo que gostou, e admitir que é ruim, fraco e pior, é até ter uma certa posição, mas sempre com aquele pé atrás caso alguém "que entenda" aponte o dedo na sua cara, rs.


Tem aquele filme do Zodíaco, que eu adorei, achei várias coisas interessantes, e muita gente desceu o pau nele. Quer dizer que eu tenho que falar que é legal, mas que é um filme muito ruim? Rsrsrsrsrsrs

Miguel Andrade disse...

Daniel, pode ser divertido mesmos endo péssimo. Se não me aborrecer eu já acho o filme ótimo.

Sabe o que pega na geral com filmes? Caso o caboclo não tenha um final que lhe satisfaça eles falam mal, mesmo se toda a metragem da película tenha sido espetacular.

Há ainda o fator "se todo mundo falou que é bom é porque é" e assim, muito engodo ganha fama de obra-prima.

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