segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Respeito ao Capitão Kronos

Caso típico de filme bacana produzido e lançado no momento errado: Capitão Kronos – Caçador de Vampiros (Captain Kronos - Vampire Hunter, 1974 de Brian Clemens). Se fosse hoje, qualquer fã de Tarantino, mangá e coisas do tipo urrariam de alegria!

Quase na segunda metade dos anos 70 os temas “vampiros” e horror gótico estavam saturados, embora tenha boa levada de aventura e ação. A produtora Hammer apostava no inicio de uma cine série dispensando atores iconográficos de seu cast como Christopher Lee, Ingrid Pitt e Peter Cushing, coisa que não aconteceu.

Acabou se tornando um dos poucos do estúdio com sugadores de sangue que não fazem parte de uma serie como Drácula ou as Karnstein. Mas os personagens têm cara de quadrinhos, se encaixariam perfeitamente em muitas outras histórias, além de um logo que ficaria bem em camisetas e outros merchandisings.

Tão interessante que ele joga por terra muito do que se conhece como mitologia vampírica e cria outras. Por exemplo, enterra-se sapos mortos para saber se algum vampiro andou por um caminho.

Se ao desenterrá-los eles estiverem ressuscitados, hora de reforçar as réstias de alho e principalmente tomar cuidado com as mocinhas castas. Aqui eles têm predileção por elas, sugando toda a sua juventude e beleza.

No encalço está Capitão Kronos, um errante espadachim muito habilidoso no manejo inclusive de katana, o que pode indicar andanças pelo Japão feudal. Manda pro colo do capeta num piscar de olhos quase tantos vivos quanto mortos-vivos.

Como companheiros um corcunda (que Kronos não admite que se refiram pela deformidade física) e uma belíssima aldeã, salva das garras da santa inquisição. Caroline Munro (bond girl!) seria julgada porque dançou num domingo.

Tira a moça do fatal destino e a põe na caça aos vampiros. Claro que também passam a compartilhar a cama de feno quando cai a noite.

É outro diferencial. O herói não faz parte dos loucos religiosos sedentos pra dar cabo aos que não se encaixam nos preceitos cristãos, como Van Helsing, tem suas próprias regras.

A identidade do vampiro (dos vampiros?) não é revelada logo de cara. E nem é muito óbvia pela atmosfera lúgubre, com vários personagens bizarros que podem ter importância ou não ao desenrolar da história.

Tai um filme que merecia ser redescoberto. Bem acima da média, ainda mais por sair do lugar comum num universo largamente explorado.

[Ouvindo: Shazam – Gomer Pyle]

2 comentários:

elemesmo disse...

Tá vendo! Um filme como esse merecia sim um remake, não filmes conhecidíssimos e consagrados tipo "Conan" ou "Robocop"

Miguel Andrade disse...

Elemesmo, pensei também na possibilidade de remake. Mas os remakes de coisas manjadas existem até pelo fator econômico.

A bela grana gasta em publicidade diminui bastante com um título já conhecido. Povão corre no cinema pra ver como ficou.

Deviam simplesmente virar as costas. Se o mundo fosse perfeito...

De qualquer jeito, a fita de 74 está moderna. Pode ser assistida de forma prazerosa.

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