sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Forma nada secreta da Coca-Cola

Com os avanços científicos tornou-se uma balela o tal segredo da fórmula da Coca-Cola. Esse marketing (que a empresa preserva) cai por terra quando lembramos dos laboratórios atuais que podem decifrar elementos químicos muito mais complexos.

Há coisas mais interessantes a se pensar sobre o produto, como a tradicional forma de suas garrafas. Na página oficial, contam que ela surgiu após um concurso em 1916, devido á preocupação com centenas de imitadores que surgiram.

Com o formato diferenciado, além de identificar o produto exclusivo seria possível encontra-la entre todas as outras garrafas sem precisar olhar. Como no fundo de um freezer ou, antigamente, no de uma tina com gelo.

Tanto os verbetes da Wikipédia em inglês quanto português apontam que a inspiração para o design veio do cacau. No documentário Mundo-Cola (The Cola Conquest, 1998 de Irene Lilienheim Angelico) há outra explicação mais interessante.

Seguiria os contornos das mulheres usando a chamada saia-funil em moda no começo do século XX. Faz sentido porque o marketing do período era calcado em “Coca-Cola girls”, tal e qual Betty da imagem ao lado.

[Ouvindo: Heartbreak Hotel – Ann Margret]

13 comentários:

Leticia disse...

Ah, não posso deixar um post tão bacana sem comentário, por isso conto da primeira vez que minha avó provou uma Coca-Cola (anos 40). Foi na casa de uma aluna cujo pai tinha uma vendinha. Geladeira, né, nem pensar! E a Coca foi servida quente. Vovó odiou, e não viveu o bastante pra mudar de ideia.

A Segunda Guerra foi o marco definitivo da mudança de influência estrangeira no Brasil. Passamos das maravilhas de Paris para os gadgets americanos. E o plástico chegou como artigo de luxo!!! Imagina, nos anos 40, uma bolsa de plástico. Fazia furor, segundo testemunhos aqui de casa.

E hoje nossa piscina de bolinhas é chinesa. Eu me pergunto quando, QUANDO! a indústria nacional vai alavancar.

Miguel Andrade disse...

Letícia, com as pernas abertas pro estrangeiro, JAMÉ!

Imagino que marketing ferrado dona Coca precisou pra vingar em países pobres, com falta de geladeira...

Leticia disse...

Nem precisava! Todo mundo era acostumado ao calorão, e até manteiga se comprava a granel, na porta de casa: o cara pegava um naco, servia em papel-manteiga e a criatura levava pra dentro de casa e o mantinha resfriado num recipiente com água.

Tenho a forte impressão de que os EUA estavam tão por cima no final da segunda Guerra que nem precisava de marketing...

Miguel Andrade disse...

Letícia, verdade! Mas Coca- Cola quente é terrível mesmo assim!

Falando nisso... Outro dia fui ver uns episódios de uma novela recente. A última que tive interesse, e como todas que tenho interesse foi pro vinagre e acabei desistindo diante das mudanças pelo ibope.

Enfim, das 6, de uns 4 anos. Se passava na década de 30/40, com a Malu Mader de vilã.

Não aguentei vendo agora as assincronias. Tecido sintético a dar com um pau, expressões não condizentes e o pior, geladeira na casa de gente com idade avançada que vivia numa cidadezinha nos confins do Brasil!

Alexandre K. disse...

Coca cola quente é o melhor desentupidor de pias e ralos que existe. Mais barato que soda caustica. Dissolve até pelos e cabelos. Experimente!

Refer disse...

Até + ou - o final dos anos 50, geladeira no Brasil só havia na casa "de rico" (digamos, da classe média pra cima); e estou falando de SPaulo, nos interiores devia ser ainda + rara.

Sabe como se "gelava" cerveja e refrigerantes? Colocavam as garrafas num engradado e deixavam o engradado mergulhado no fundo do poço, até a hora do almoço.

Quando digo que a gente era índio, NÃO ESTOU EXAGERANDO.

Leticia disse...

Aleivosias da classe média, a detentora audiovisual do país.

Geladeira, eu te digo, se expandiu (nas urbes!) nos anos 50. Digo isso porque meu outro avô adorava essas novidades e comprava logo. E nem era uma "Frigidaire" 60' tal como imaginamos. Era um troço, uma caixa com barras de gelo da parte de baixo. Mais uma vez, era o "geleiro" que vinha de porta em porta e as famílias compravam as barras.

Agora, o tecido sintético eu não perdoo. Acho que uma grosseria de pensamento ímpar!

Refer disse...

Íssa! Ah, as barras de gelo...!

Lá no histórico Ipiranga, o "geleiro" deixava as barras nas portas das casas de madrugada. Os marmanjos catavam 2 ou 3 barras dessas, depositam nos trilhos do bonde, no ponto + alto da Rua Bom Pastor; esfregavam cada barra de gelo até ela desgastar e encaixar direitinho nos trilhos — aí, era só empurrar, deitar em cima das barras, e descer a rua a toda velocidade sobre os trilhos! Lá em baixo, o gelo se despedaçava todo e os garotos ficavam espalhados na rua, um pra cada lado. Não sei dizer como nunca morreu ninguém nessas sandices.

Miguel Andrade disse...

Alexandre, isso é lenda, hein?

Refer, você chegou a ver isso? Minhas irmãs mais velhas se lembram da TV a válvula.

Pra ver TV à noite precisava-se ligar de tarde. Pra elas irem esquentando.

Isso na EUROPA!

Quanto à geladeira em si, em Asfalto Selvagem o político tenta comer a Engraçadinha dando uma geladeira.

Geladeira que era tão luxo que ficava na sala!

Letícia, GELEIRO!!!! Profissão que sumiu e ninguém se lembra.

Eu mesmo nunca tinha ouvido falar.

E o Refer lembrou de uma brincadeira jamais registrada nos anais da história?

Refer disse...

Brincadeira? Ideia de jerico, isso sim. Fiz a "brincadeira" algumas vezes — na épóca, havia poucos carros rodando, até porque o lance acontecia de madrugada, porém, cada cruzamento que o gelocípede passava, com 2,3 ou mais patetas em cima, era uma espécie de roleta-russa!

* *
Tudo era a válvula, né? Eu tinha um rádio de baquelite que esquentava tanto que devia dar para frigir um ovo em cima do tampo.

Miguel Andrade disse...

Refer é do tempo do geleiro! Refer é do tempo do geleiro!!! Hahahaha!!!!

Refer disse...

êi, isso aconteceu nos anos 60!

Nas casas já havia geladeiras parecidas com as nossas, mas algumas casas, bares etc. usavam ainda as geladeiras com barras de gelo. Era um crime perfeito porque o gelo despedaçado derretia na rua e sumia. O caso era tratado como roubo de gelo, simples. Acho que nunca descobriram a finalidade do roubo.

Bom, agora que o crime prescreveu, posso contar. :)

Miguel Andrade disse...

Refer, entendi. Mas o senhor acabou convivendo com os geleiros!

E vem cá, era garotão de sair esquiando em gelo? Vou perguntar aqui em casa se mais alguém se lembra dos geleiros! rsrsrs

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