quarta-feira, 16 de março de 2011

Amityville: Os vivos se divertem?

Mesmo sabendo que 13 meses antes o jovem Ronald DeFeo havia assassinado ali o pai e os quatros irmãos enquanto dormiam, o casal George e Kathy Lutz comprou a casa na Avenida Ocean, 112, em Amityville, Nova York. O preço de 80 mil dólares, uma pechincha, pode ter sido um dos atrativos.

Não demoraria muito para que Lutz e seus três filhos pequenos abandonassem a casa alegando terem sido atacados por forças sobrenaturais. Após 28 dias procuraram o escritor Jay Anson pra incumbi-lo de contar a desventura em livro.

Lançado em 1977, foi best-seller instantâneo, tendo a história sido vendida logo para o cinema. The Amityville Horror (No Brasil A Cidade do Horror, depois Terror em Amityville) conquistou grande bilheteria em 1979 a exemplo de outros filmes que exploravam o sobrenatural, sendo o mais bem sucedido O Exorcista (The Exorcist, 1973 de The Exorcist).

Estrelado por Margot Kidder e James Brolin, a produção capricha nos efeitos mecânicos, dando ênfase a muito do que é apenas sugerido no livro. Gerou uma continuação, um prequel (em 3D, estrelado por Meg Ryan em começo de carreira!), uma série de TV e alguns videogames, sendo refilmado em 2005.

Levando os fãs de histórias macabras ao delírio, tudo sempre foi vendido como “baseado em fatos reais”. O endereço numa rua pacata recebe até hoje uma peregrinação de curiosos, prontos a fotografas qualquer manifestação espiritual.

Há quem diga que aquele local foi num passado distante depósito de índios doentes ou loucos, abandonados por sua tribo. Também contam que um poderoso feiticeiro de Salém teria se refugiado ali, ao escapar da Santa Inquisição.

Tudo não passaria de uma farsa! Um acordo entre os Lutz e o advogado de Defeo para seu cliente ter a pena abrandada, além de lucrarem bons dobrões.

Não haveria ocorrências policiais vindas dos Lutz enquanto residiam ali, não há registros da tribo indígena na história da cidade, o padre que foi atacado por moscas na versão cinematográfica faleceu negando veemente o que lhe foi atribuído...

Existe depoimentos de parapsicólogos que garantem a autenticidade de tudo. Os crentes também alegam que George (falecido em 2006) E Khaty (falecida em 2004) nunca tiveram bens nenhuns.

Difícil acreditar nisso, levanto em conta que fizeram peregrinação por shows de TV quando o primeiro filme foi lançado. Seriam altruístas a este ponto?

O marido também repudiou a refilmagem recente, alegando quebra de acordo contratual original e entrou na justiça contra a MGM. Em 2002 registrou para si a marca The Amityville Horror.

Procurando o endereço pelo Google Maps (veja clicando aqui), a casa parece estar normalmente habitada, com carro na garagem e tudo. As janelas redondas, que davam um aspecto de olhos, foram trocadas por quadradas, numa tentativa de dar um pouco de paz aos moradores e vizinhança.

4 comentários:

Alex Gonçalves disse...

Adorei este post!

Eu não gosto de Amityville (original e refilmagem), mas sempre tive uma imensa curiosidade quanto a veracidade da história real. Eu mesmo tenho as minhas dúvidas e até acho estranho que poucos comentem a respeito da casa amaldiçoada. Preciso conferir o livro, aliás.

Miguel Andrade disse...

Alex, li o livro, vi o filme coisa e tal. São divertidos, independentes de serem verdade ou não.

Assisti ontem um documentário no NatGeo onde uma velhinha parapsicóloga, que esteve na casa a pedido da tal família, que jura de pés juntos ser tudo verdade.

Mas há tanta controvérsia, e envolve tanto dinheiro que é de se duvidar de tudo.

Alan Oliveira disse...

Opa! Ótimo post. Eu li o livro quando criança (foi um dos primeiros best sellers que li) e desaprovei o filme (que consegui alugar numa locadorazinha de bairro) logo depois que terminei o livro. A primeira filmagem realmente faz o que vc disse, mas todos os detalhes da história são realmente intrigantes (que o diga divertidos) a ponto de ser um dos livros que mais gostei de ler quando pequeno. N vi s refilmagem até hoje, fiquei com preguiça. Gosto daquele suspense de que a casa tem força própria e que detona quem ousar morar ali. Agora essas informações sobre a veracidade da história são novas pra mim - nunca havia pesquisado a respeito. Faz sentido ser um "golpe", tanto quando faz sentido para os tais parapsicólogos que o lugar realmente seja assombrado. Um amigo meu chegou a passar na frente da casa (ha mto tempo atrás) e me disse que era exatamente como a do filme, mas que tudo ali parecia muito tranquilo, normal e que a vizinhança convive com o tal mito como um grande atrativo para o bairro. Vai entender.
Eu gostaria de dar uma passadinha lá, viu....

Miguel Andrade disse...

Alan, vi o filme na infância, na TV, li o livro na adolescência.

Só fui rever o filme em DVD, não faz muito tempo. Também não vi o remake, quem sabe um dia...

No doc que assisti, que inspirou este post, aparece os vizinhos xingando os turistas. "Deixem eles em paz!" grita uma senhora de dentro de um carro para um povinho que fotografa com celular.

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