sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Oscar por piedade

Eita que 250 dólares naquele tempo devia ser uma dinheirama... Quer um resumão de Disque Butterfield 8 (Butterfield 8, 1960 de Daniel Mann)?

Gloria é uma moça de origem humilde porém bem dada. Trabalha como modelo numa agência em que os clientes contatam discando... Butterfield 8!!!

Pensa que fisgou um granfino casado, mas ao acordar sozinha se depara com o trocado deixado pelo amante. Só de birra, decide picar mula vestindo o casaco de peles caríssimo da mulher do cara.

E o quiproquó está armado! E não há muito mais do que isso nesse filme vazio de sabor kitsch.

Seu valor basicamente está em ter rendido o primeiro Oscar da carreira de Elizabeth Taylor. Um Oscar de piedade, junto com os dizeres “Ei! Você é uma má menina, mas a gente ainda gosta de você”, bem ao gosto da Academia.

Fizeram o mesmo com a grande Ingrid Bergman empor Anastácia, a Princesa Esquecida (Anastasia, 1956 de Anatole Litvak. Premiada por um filme fraco, mas bela mensagem de que estava aceita entre eles novamente após ter deixado o marido por Roberto Rossellini.

Quem não sabe que Taylor era bem mais merecedora nas indicações dos anos anteriores? Por De Repente, No Último Verão (Suddenly, Last Summer, 1959 de Joseph L. Mankiewicz) ou Gata Em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Tin Roof, 1958 de Richard Brooks). Qualquer um menos por Disque Butterfield 8!

Namoradeira que só ela, a ex menininha da Metro tinha roubado o marido da amiga de infância Debbie Reynolds. Roubado, claro, conforme devem ter divulgado as revistas de mexericos da época.

O cantor Eddie Fisher abandonou Reynolds com dois filhos de colo!!! Nitroglicerina pura! Relembre o bafão neste post aqui.

Embora popular em vendagens de disco, ele era péssimo ator! A estrela ainda por cima exigiu a presença dele como o mocinho de Disque Butterfield 8 e cada aparição dele em cena é de lascar!

Só que desde sempre, segundo biógrafos, a cada escândalo sexual que apontava no horizonte Elizabeth Taylor adoecia. O departamento de marketing dos estúdios divulgava notas exageradas com o estado gravíssimo de sua saúde.

Durante as filmagens de Cleópatra em 1961, ela teve pneumonia dupla, precisando fazer uma traqueotomia que quase lhe desfigurou o pescoço. Na imprensa saiu com estrondoso alarde que estava entre a vida e a morte!

Informação suficiente para que fosse esquecida sua conduta moralmente reprovável para a época. Levou o prêmio máximo de Hollywood após três indicações, sendo duas delas por produções bem mais relevantes que esta.

Veja também:
Lista dos principais problemas de saúde de Liz Taylor de 1942 a 1990


[Ouvindo: Tabidachi (Starting On a Journey) – Yoshida Brothers]

7 comentários:

Moyses Ferreira disse...

Meu lindo, como sempre adorei o post! Mas não concordo com vc. Acho o filme maravilhoso!!! B.8. é td o que o cinema tem de melhor. Belos figurinos, cenários e a Dame Trash dando um show de tédio!!! Uma coisa que poucos atores conseguem fazer! E isso na minha kitsch opinião, é o que fez ela ganhar um Oscar. Todo filme é vazio... E quanto mais vazio, melhor!!! Só cores e rostos lindos!!
I LOVE HOLLYWOOD OU HOLLOW-WOOD!!! BJS.

Miguel Andrade disse...

Moyse, e não foi isso que eu disse? Como cinema não vale nada!

Glauco disse...

A Academia desde sempre com a visão além do alcance. Não vale premiar só pela atuação em si, tem que ser queridinho, tido ótimas bilheterias ou simplesmente chegou sua vez e nós te aceitamos. Só isso pra justificar Bette Davis e Gloria Swanson preteridas por Judy Holliday entre tantos outros exemplos. Vejo o Oscar da mesma forma que Moyses descreveu B. 8, belos figurinos, cenários, só cores e rostos lindos, kistch.

Miguel, certa vez li que Liz Taylor não suportava MM, sabe que alguma coisa?

Miguel Andrade disse...

Glauco, que eu saiba, elas eram de universos diferentes. Só cruzaram na época de Cleópatra, quando a Fox na banca rota demitiu Marilyn.

E Taylor em todas as capas de revista nessa época fez com que Marilyn tomasse o famoso banho nua na piscina, para divulgar seu filme. E roubar um pouco a cena.

Não sou blasê disse...

Fosse eu votante da academia daria sempre o Oscar a essa pequena, não importando a fraqueza do filme que ela estrelasse.

Considero-a magnética.

Miguel Andrade disse...

Não sou blasê, mas aí, fácil assim, perderia a graça de premiá-la. hahahaha

Leo disse...

Uma coisa deve ser dita, pra mim Liz nunca esteve tão linda quanto neste filme.

Related Posts with Thumbnails