sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sugestão pra refilmagem

A gente vive reclamando das ideias medíocres de produzirem remakes, mas que tal um filme que REALMENTE mereceria? A Górgona (The Gorgon, 1964 de Terence Fisher)!

Ele é quase, quase, quase bom... Como toda produção da Hammer (até na decadência) é riquíssima em charme, suspense e classe, mas por outro lado fica a desejar na conclusão, no desenrolar da trama.

É irrelevante o erro da Górgona, o monstro de cabelo com cobras que petrifica quem olhar nos seus olhos, se chamar Megera. Na mitologia grega, Megera é uma das três Erínias (Tisífone e Alecto).

As Górgonas também são três irmãs: Medusa, Esteno e Euríale. Mas num filme de fantasia teoricamente, esse deslize ta valendo.

O argumento é ótimo! No começo do século XX, a população de um vilarejo inglês acredita estar sob a maldição do ser mitológico depois de que nos últimos 5 anos várias pessoas apareceram transformadas em pedra.

Para não atrair a fúria do ser, preferem arranjar culpados entre os que são estranhos à sua vida recatada. A começar pelo bon vivant que passa apenas férias ali e era o namorado da vítima grávida.

Mesmo aparecendo enforcado, o juiz local o considera culpado pela petrificação, por mais absurdo que isso pareça, principalmente pela suspeita dele ser um libertino. Contra todos, seu rico pai promete não abandonar o local enquanto não desvendar a trama e limpar o nome do filho.

Talvez o que não funcione no filme é que a partir de certo ponto se torna um “Quem é o culpado?”, ou melhor, quem estaria possuído pela Megera? Sendo que há apenas uma mulher no elenco... Óbvio demais!

Christopher Lee, sempre apto a opinar sobre seus trabalhos, teria dito que o grande falha de A Górgona é... A Górgona! O aspecto da criatura é deveras fake, mas com poucas cenas, isso atrapalha muito pouco.

Até ela aparecer já estamos emergidos no clima gótico tão prazeroso e comum à Hammer Films. Falando nisso, apenas um comentário pessoal quanto à produtora britânica, quanto mais filmes se assiste dela, há uma graça extra.

Dá pra identificar a repetição de cenários com leves mudanças, elenco similar, etc., entre as produções. Por exemplo, os atores Barbara Shelley e Christopher Lee são os mesmos de Drácula, Príncipe das Trevas (Dracula: Prince of Darkness) rodado em 1966.

O diretor Terence Fisher também é o mesmo, assim como o castelo da Megera tem o mesmo hall do castelo de Drácula. Outro comandado por Fisher, Frankenstein Tem que Ser Destruído (Frankenstein Must Be Destroyed, 1969) possui o quintal que aparece em A Górgona, com um canteiro no lugar do laguinho.

Isso não os desmerece de forma alguma. Manter a mesma equipe era o segredinho da Hammer para baratear e manter sua qualidade ímpar em um estúdio dedicado principalmente ao gênero horror.

Outra coisa comum a todos os seus roteiros, destacando os dirigidos por Terence Fisher, era o olhar extremamente crítico perante os defensores da moralidade vigente. Os que precisavam expor ferozmente seu “bom mocismo” eram mais insanos e desprovidos de qualquer razão/noção coletiva do que os monstros.

Das criaturas das trevas a gente pelo menos sabe o que esperar. Hoje, esse raciocínio é defendido nas películas de Tim Burton, principal nome a perpetuar o legado Hammer.

[Ouvindo: Estranha Loucura - Alcione]

7 comentários:

Sam disse...

Lendo o teu texto sobre o filme, só mesmo Tim Burton para assinar um remake disto!

Não conhecia este título e fiquei curioso. E se em vez do remake, alguém arranjar forma de o ver? :)

Abraço!

Miguel Andrade disse...

Sam, BOA IDÉIA!!! Pq pra funcionar teria que todo gótico como o original é.
Abraço

Sam disse...

Sim, sem dúvida.

E ainda acerca de gótico, Tim Burton está agora à volta disso, com uma adaptação de DARK SHADOWS (http://en.wikipedia.org/wiki/Dark_Shadows_(film)#Upcoming_film).

Conheces a série? Ou melhor, "seriado"? :)

Rubens disse...

Esse eu assisti numa madrugada na globo!! Eu deixava meu videocassete gravando durante as madrugadas da globo, antigamente.

Miguel Andrade disse...

Sam, WOW! Não conhecia!
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Rubens, sinto muita falta dessa época. De poder gravar a programação da TV...

estranho como os DVDs que gravam não barateiam nunca!

DAVI VALLERIO disse...

REMAKE,PRA MIM SO DA NOVELA GABRIELA,ANTES QUE A CAMILA PITANGA FIQUE MUITO VELHA...MAS DIZEM QUE A FAMILIA AMADO QUER UMA FORTUNA,POR ISSO NAO FAZEM

Miguel Andrade disse...

Davi, a Pitanga já não tá muito velha pra ser Gabriela?

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