segunda-feira, 19 de julho de 2010

Senhor da razão

“No Calor do Buraco (87, BRA). Direção: Sady Baby. Com: Sady Baby, X-Tayla, Luama Scarlet.
Depois de ter a mulher estuprada, capataz se torna um matador com requintes de perversidade e acaba fugindo para São Paulo. Mulheres feias e pseudo-atores recrutados nas ruas da zona da bocado-lixo dirigidos, pessimamente como sempre, pelo ex-jogador de futebol Sady - um dos mais prolixos e incompetentes cineastas paulistas de sexo explícito. 85 min. Century Vídeo.”

E é assim, nessa gentileza toda, que o Guia de Vídeo Nova Cultural 1990 se refere ao diretor Sady Baby. Com aquele velho olhar estigmatizante diante do sexo explícito.

Dá pra entender levando em conta que ele era ativo nos cinemas da época. A mesma publicação também não é simpática aos filmes da Hammer, então, reprisados à exaustão na TV brasileira.

Não que dê agora, em 2010, para comparar Sady Baby com Orson Welles, mas justiça seja feita! Talvez não exista no mundo cineasta como ele!

Absurdamente cru, legítimo cineasta de guerrilha tapuia. Já vi muito filme nessa vida, mas pouquíssimos mexeram tanto comigo quanto os deles.

Nem só em matéria de filme, mas de uma forma geral, raras vezes me senti tão ultrajado quanto assistindo coisas como “A Máfia Sexual” ou “Emoções Sexuais de um Jegue”. Mundo cão displicente em 24 quadros por segundo e sem culpa.

E tão brasileiro quando arroz com feijão polvilhado com farinha. Pela vulgaridade que a palavra “gênio” ganhou nestes tempos, é preciso encontrar outro adjetivo.

Particularmente, gostaria de saber o que aconteceria se seus filmes fossem distribuídos lá fora. Se o mundo chocou-se com a Divine comendo cocô de cachorro em Pink Flamigos de 1972 (um dos 1001 filmes para se ver antes de morrer, segundo livro da editora Sextante), imagina com as barbaridades do Lorde da Boca...

Aliás, John Waters de começo de carreira é professor de pré-escola perto de Sady Baby. Além de boa vontade e mínimo senso de ironia, é preciso estômago forte!

[Ouvindo: Because – The Roamers]

2 comentários:

Refer disse...

Nunca vi filme de Sady Baby – mas vi trailers, sei do que se trata.

Fiquei tentado a ver essa demência ao vivo: a trupe de SB esteve instalada por uns meses em um “teatro” nas imediações do hotel Cambridge, começo da Av. 9 de Julho, no final dos anos 80. Amarelei, não fui.

Hoje, nem pensar em assistir às cenas escatológicas quaisquer em filme, quanto mais ao vivo.

Miguel Andrade disse...

Refer, mas vi além da escatologia... É muito esquisito, displicente e único!

E é ótimo ver a cara das pessoas assistindo! SCHOK!!! Hahahaha

Related Posts with Thumbnails