domingo, 30 de maio de 2010

Dennis Hopper e a invenção da rebeldia

No começo era a luz, e Hollywood disse: Façam-se as trevas! E centenas de jovens com distúrbios de personalidade tomaram as telas.

Foi no cenário transitório da metade da década de 50, quando o público médio deixou de ir ao cinema para ficar em casa vendo TV, que o cinema americano apontou para outra plateia até então quase ignorada. O jovem que jamais deixaria de sair de casa para se divertir ou namorar.

Afinal, que lugar mais propício para se levar um interesse amoroso que a sala de cinema? E assim, adolescentes, que já eram considerados pela indústria fonográfica graças ao Rock, foram notados também como público alvo dos estúdios cinematográficos.

Oportunamente lançaram dezenas de produções com rebeldes inconformados com o mundo em que estavam inseridos. Dennis Hopper, falecido ontem (29/05) surgiu nesse período.

Seu primeiro papel relevante foi em Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955). Junto a O Selvagem (The Wild One, 1953), a obra de Nicholas Ray é germinal ao subgênero “gangues de maloqueiros”.

Hopper é só mais um no bando de deliquentes que hostiliza o mocinho James Deam, mas preservaria a aura de à margem da sociedade pro resto da vida. Com Dean ainda faria Assim Caminha a Humanidade (Giant, 1955).

Como era de se esperar, ao noticiarem seu falecimento foi amplamente lembrado por Easy Rider – Sem Destino (1969), Veludo Azul (Blue Velvet, 1986) e Velocidade Máxima (Speed, 1994). Mas o que não nos faltam são lembranças dela em dezenas de outros.

Com fama de ser tão durão nos bastidores quanto nas telas, era do tipo de ator que parece nunca dizer não aos papeis que lhe oferecem. Ativo por 6 décadas, o encontramos tanto em obras menores como A Noite do Terror (Night Tide, 1961) como em máximas como Apocalypse Now (1973), sem esquecer de Super Mario Bros (1993) e várias outras bombas homéricas.

Por este estilo vale-tudo, sua “pirraça social” foi vista em 202 produções. Deixou um filme pronto a estrear, “The Last Film Festival”.

[Ouvindo: Anything Goes – Pat Suzuki]

5 comentários:

Refer disse...

É pouco comentado que Dennis Hopper ganhou a vida como fotógrafo nos anos 60. A foto da capa deste disto de Ike & Tina Turner (circa 1965/66) é dele:

http://farm2.static.flickr.com/1359/1305327496_ce0b828c7d.jpg?v=0

Aí está o link entre Hopper e Phil Spector, que fez ponta em Easy Rider (comprando drogas no começo do filme).

Spector se comprometeu em financiar o filme seguinte de DH, The Last Movie, mas o sacana deixou DH na mão.

Refer disse...

...ahnn, na foto em p/b na parte alta, de chapéu sobre os olhos, Nick Adams.

Miguel Andrade disse...

Refer, eu não sabia das fotos dele. Um verdadeiro artista, não só celebridade!

Moacir disse...

Outro dia, num programa chatinho da Fernanda Young, Betty Faria disse que teve um tórrido caso de amor com Dennis Hopper, na época da refilmagem de "Roque Santeiro". Por isso ela não fez a Viúva Porcina, uma segunda vez.

Ela disse que vivia indo pra Los Angeles e que ele vinha ao Rio "escondido".

Bafão!

Miguel Andrade disse...

Moacir, assisti também! Bota bafão nisso!

E conseguiram guardar segredo. Ah os velhos tempos...

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