terça-feira, 2 de março de 2010

Sentinela da TV: Viver a Vida

Sabe aquele povo que trocou TV por Internet e DVD e que as estatísticas apontam como causa pra queda no Ibope? Muito prazer!

Faz séculos que aquele trambolho serve de monitor pra eu assistir filmes. Mas às vezes até tento...

Essa novelinha Viver a Vida por exemplo, nem dá pra chamar a trama de ruim, porque pra alguma coisa ser ruim precisa pelo menos existir. Capítulos e mais capítulos com cenas repletas de diálogos (longos) que não dão em NADA!

E como tenho a mania nojenta de ficar analisando as coisas... Primeiro! Vários canais fazem novelas hoje em dia com relativa qualidade.

Dramaturgos, tratados a pão de ló, com o país inteiro literalmente nas mãos, não devem se contentar só com salários astronômicos pra ficarem na mesma empresa. Com o ego desenfreado, poucos devem levar na boa críticas da emissora.

Então, como filhos mimados, nunca tiveram tanta liberdade como agora. Manuel Carlos se dá ao luxo de sentar na frente do computador e escrever: blábláblá, blábláblá e blábláblá no Leblon!

Ruim com eles, pior sem eles, deve achar a Globo, bastante liberal (como nunca foi) com o que aprova pra ir ao ar. Mas mesmo a pior das piores novelas da Vênus Platinada, tipo as da Glória Perez, está anos luz das que Rede Record exibe!

A emissora da Igreja Universal tentando ser Globo, contratando apenas o refugo dela, só garante a 2ª linha as suas produções. Podem se esforçar o quanto quiserem, dinheiro (sem fim) não compra décadas de aprimoramento técnico.

Voltando ao Maneco (forma intimamente ridícula que os ditos entendidos em novela se referem a ele), seus roteiros insistem em reproduzir a banalidade da vida real tal e qual já o fazem os figurinos e a cenografia. E se há uma coisa que não combina com gênero é realismo.

Não há conflito algum! Um gêmeo não matará o outro pra se passar pelo irmão que roubou a namorada, a ex-mulher do galã não coloca sonífero no champanhe da concorrente, não há lanchas sabotadas que explodem, nem a deficiente está fingindo pra ferrar a mocinha...

Dia destes, como festa de grã fino sempre dá ibope no horário nobre, teve um rega bofe. O evento, sem motivo aparente para existir, tomou conta do capítulo inteiro até que no final o José Mayer anuncia a grande surpresa: Estavam inaugurando a iluminação de UMA ROSEIRA!

E tem a menina vilã, né? Que não aparecerá afogada na piscina, levando a Helena da vez (grávida!) a ir parar atrás das grades...

Aliás, a mini malvada será castigada como? No último capítulo levará uma chinelada na bunda?

[Ouvindo: Love Potion No. 9 – Nancy Sit]

16 comentários:

Leticia disse...

Hahahahahá! Não tenho nada contra novelas, Miguel. Vai ver é porque deixei de acompanhá-las diariamente. Se há alguma que vejo de vez em quando, por inércia, é essa das 9, justo pra observar essas coisas.

Uma menina chatísstima, fútil e burra, que fica paraplégica e vira a mais compreensiva, elevada e universal das criaturas. A mãe dela, que tinha TUDO para ser uma ex comme il faut, ficou civilizada da noite pro dia.

A modelo, toda moderna, independente, se deixou levar pelo seu lado Isaltina e não vê que casou com um cafa.

E a menina, não? A menina!, que em termos de malandragem dá de lavada na mãe.

Fora a prostituta-do-Leblon tratada com compreensão pelo cara-do-Leblon, a ausência de polícia em Búzios, a apresentadora retardada de um boletim de economia, bla-bla-blá.

Concorde comigo: é divertido!

Miguel Andrade disse...

Letícia, mas não acontece nada. Estes personagens não têm atrito algum!

Acho chatíssimo. Acabo trocando de canal e esqueço do que estava assistindo.

Leo disse...

Até para os padrões Manoel Carlos de pasmaceira, essa novela é lenta demais. Não acontece absolutamente nada, uma enrolação só, e dá-lhe paisagens, mais um pouco e vira "Pantanal".

O que mais me dá nos nervos são aquelas cenas de ensaios fotográficos, coisa mais capenga e enrolativa. E aquela música pseudo-mudéééérna de fundo pra climar um clima do mundo fashion e descolado é deveras irritante.

Miguel Andrade disse...

Leo, "mais um pouco" aka mulheres peladas no rio". rs

Outro dia vi uma cena destas, e o fotógrafo canastrão acalmava a modelo dizendo que as fotos dela ela mal precisaria trabalhar. QUAL fotógrafo de verdade diria isso?

Bem visão do véio que escreve, de que o photoshop ainda é um vilão coisa e tal. Zzzzzz

Charles Bonares disse...

Talvez o foco do público não seja tanto a trama da novela, mas aqueles traços particulares do estilo de cada autor: as lindas paisagens do Rio e as tramas higiênicas de Maneco; as histórias proselitistas e rocambolescas nos cenários exóticos de Glória Perez, por exemplo. A atmosfera banal talvez condiga com os anseios de um público que se cansou do novelão dos anos 70 e 80. E claro, tem o homem ou a mulher dos nossos sonhos iluminando com seus dentes, cabelos e roupas a mediocridade da nossa condição de mortais. Nisso, a Globo nunca falha. Azar o nosso.

Miguel Andrade disse...

Charles, compreendo, mas não houve amadurecimento na TV do Brasil em 20 anos. Na essência houve o contrário, na evidente aposta da ignorância do telespectador médio.

Perderam telespectadores como eu e dificilmente os terão de volta. Tenho hoje em dia a possibilidade de assistir a zilhões de outras coisas muito mais interessantes que a pasmaceira que eles transmitem.

qualquergordotemblog disse...

Desculpe mudar radicalmente de assunro, mas você viu a polêmica com a Turma da Mônica? Um babaca escreveu besteira sobrte a turminha no melhor estilo "mensagens subliminares". Geralmente não dou trela pra isso mas depois que eu vi esse tumblr: http://porramauricio.tumblr.com/, resolvi fazer um post a respeito: http://qualquergordotemblog.wordpress.com/2010/03/03/qualquer-gordo-realmente-pode-escrever-muita-besteira/

É incrível como você pode ver o que quiser em qualquer imagem simplesmente tirando a do contexto original. Só comento aqui porque lembro de já ter visto voc~e fazendo algo do tipo com o Recruta Zero (na verdade acho até que você captou o espírito verdadeiro da historinha)

qualquergordotemblog disse...

*de assunto

Miguel Andrade disse...

qualquergordotemblog, eu vi o trelelê no Twitter. Realmente o texto é de conteúdo discutível, mas nem acho que mereça essa repercussão toda.

Se há algo que não gosto na Turma da Mônica é que seu nome é emprestado a QUALQUER produto. Isso de encarar a ingenuidade infantil como público consumidor é uma coisa bem fora de moda.

qualquergordotemblog disse...

Concordo, mas eu tô adorando o http://porramauricio.tumblr.com/. Nunca imaginei que renderia tanto. Você deveria voltar com a leitura alternativa dos quadrinhos. A do Zero ficou muito boa.

Miguel Andrade disse...

qualquergordotemblog, hehehehe também tô curtindo.

Mas quanto a "leitura alternativa", depende de mil fatores. Eu tenho lido cada vez menos HQs e principalmente o de encontrar coisas relevantes! :D

Glauco disse...

Miguel, perfeita a sua análise! Em termos que TV aberta, nesse horário, o que estaria passando de mais interessante que novela mala do Manoel Carlos? A Gimenez?

Pra mim, televisão só pra assistir jogos de vôlei, desenho animado e meus DVDs.

Leticia disse...

Tevê é, geralmente, decepcionante, mas a gente tem de dar a devida importância ao troço porque o povaréu daqui se forma na tevê. Não lê, não estuda, não faz porra nenhuma. O que aprende, e a concepção que tem das coisas, de bom ou de mau, é no quadradinho. Medo!

Miguel Andrade disse...

Glauco, até Gimenez pode ser mais divertida que Manuel Carlos!!!

Você andava sumido! Viu o post do Rock Hudson no carnaval carioca?

Letícia, certíssima! A TV vai pelo que o povão quer e é aí que a coisa desanda.

Charles Bonares disse...

Bem, talvez a televisão esteja se tranformando no primo pobre das mídias dentro das nossas casas. Perde só pro rádio.

Miguel Andrade disse...

Charles, interessante que coisas que a gente vê aqui, criadas por pessoas comuns, irão parar na TV depois de meses e até anos.

Antes era o contrário, a TV ditava modas e modismos soberana!

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