quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Baiana de Buenos Aires

Ironia das ironias! O primeiro filme em Hollywood da Carmen Miranda foi Serenata Tropical (1940), cujo título original é Down Argentine Way...

Pelo menos não faz uma argentina. A Pequena Notável aparece como ela mesma, brasileira estrelando um show em Buenos Aires.

Na verdade, seu show em Nova York fazia tanto sucesso que ela não pode ir filmar na Califórnia. Seu nome é o terceiro nos créditos embora só apareça cantando três músicas em cima do palco.

Geograficamente é naquele esquema: Eles são a América do Norte e todos nós aqui embaixo, a América do Sul!

E o povo? Bêbados ou festeiros, caricaturas raciais invariavelmente cômicas!

Cantinflas teria morrido de fome com tanta concorrência! Mas NENHUM deles se compara ao motorista Anastácio!

Sempre dormindo, só trabalha depois de gritos. E nem motorista profissional é, mas o cunhado do guia turístico fazendo bico.

Com final previsível (igual ao de 10 entre 10 comédias românticas), graças a estas gafes cultrais é um filme divertido. Ainda tem o mérito de, depois da desistência de Alice Faye, ter transformado Betty Grable numa estrela, uma das mais poderosas daquela década.

Faço um parêntese aqui! Note que para a mocinha ficar com o mocinho Don Ameche (o velhinho de Cocoon, 1985) ela usa roupas “típicas” locais.

Lembra em Shrek, quando a princesa precisou se tornar ogro para consumar o matrimônio? Sábado passado assisti o mocinho tendo que ser azul pra ficar com a mocinha no hi-tec Avatar (2009).

Como se fosse impossível povos diferentes serem felizes para sempre! Muda a tecnologia, mudam os hábitos, mas algumas coisas não mudam em Hollywood.

Veja também:
O brasileiro mais famoso de Hollywood
3 frames para Betty Grable
Um século de Carmen Miranda


[Ouvindo: Louie, Louie – Richard Berry and the Pharoes]

13 comentários:

Leticia disse...

Sempre impliquei com os estereótipos hollywoodianos dos sudamericanos bigodudos, suarentos, indolentes e dados a rolinhos. Mas de uns anos pra cá penso que uzamericâni tem suas razões...

E quanto à adaptação das mulheres com vistas a matrimônio, acho que é assim mesmo. Certas coisas não mudam mesmo. Fosse diferente, não veríamos Roberta Close com ares de duquesa europeia.

Miguel Andrade disse...

Letícia, concordo! Mas continuo engraçado. Aliás, a figura da Carmen me dá entre arrepios (por ouvir nossa língua no meio de todo aquele esquemão hollywoodiano) e ela estar tão bem, a estranhamento, porque parece um decalque.

Quanto aos desiguais, é bizarro que entre tantas utopias ABSURDAS, como no caso de Avatar, onde centenas de selvagens conseguem derrotar um exército inteiro, eles por outro lado são retrógrados.

Em 70 anos seu cinema só mudou a forma de fazer, e olhe lá!

Refer disse...

Não podemos reclamar — Cucaracha é festeiro de arromba, pracaraio, mesmo.

Em festas populares, os mexicanos, por exemplo, dão de dez a zero nos baianos. Imagina como deve ser aquilo lá!

Eu sei que o México é na América do NORTE, mas para os americanos cucaracha é tudo igual. :D

Miguel Andrade disse...

Refer, então... Mas no filme eles são SÓ festeiros! Hahahaha

Ninguém é bem sucedido, empresário, urbano...

Sim, sim! Os mexicanos JURAM que são norte americanos, por isso são visualmente tão overs. Mas é tudo cucaracha do mesmo jeito que a gente...

Calabouço do Andróide disse...

Miguel, mudando de alho para bugalhos, não vai rolar um review do Avatar no Cinemorama não?

Eu achei fraco, fraco...

Miguel Andrade disse...

Calabouço, como filme achei fraco, fraco, fraquíssimo! Mas tecnologicamente é um espetáculo!

Leticia disse...

É engraçado porque a gente sabe como foi feito, sabe como eles pensam e sabe que (parte) it's aaaaallll true.

Miguel, eu não vi Avatar. Nem sei do que se trata, pra falar a verdade. Só sei que é mais uma etapa da vitória da tecnocracia sobre o conteúdo.

Miguel Andrade disse...

Letícia, ah! Vá ver no Imax... É fabulosamente bem feito. Você jamais se esquecerá desse dia! Sério!

Não vejo a tecnologia como uma coisa negativa. Histórias tontas como a de Avatar eles vêm contando desde sempre.

Leticia disse...

Sim, sim, não que eu abomine a tecnologia, não. É que ela agora É o assunto, quando deveria ser um meio. E com esses quaisquaisquais de CG e 3D e tal, o povo abusa dos monstros e criaturas fantásticas, o que me dá certo fastio, confesso...

Miguel Andrade disse...

Letícia, sim! Mas no caso de avatar dá bem pra notar o quão artisticamente é medíocre, e mesmo assim, é super recomendável!

Tão recomendável quanto uma ida a um parque de diversões bacana. Sério!

Leticia disse...

Pensarei no seu caso...

Miguel Andrade disse...

Letícia, pense mesmo! Não sei se o 3D dos shoppings comuns conseguem o mesmo efeito, mas em Imax é S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L!

Leticia disse...

Sim, senhor.

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