quinta-feira, 10 de julho de 2014

Tarzan à caça de James Bond (ou quase isso!)

 Criado na literatura pulp na década de 10 do século passado, Tarzan é o mais prolífico super-herói cinematográfico. Um bem sucedido bisavô da febre de heróis de quadrinhos que pesteia os cinemas nos últimos anos.

A Brook Fun está distribuindo em DVD vários títulos de Tarzan, com excelente qualidade de áudio e imagem. As mais de duas ou três décadas de filmes disponíveis com qualidade agora, com interpretes diferentes, são um deleite para se observar a trajetória de um personagem blockbuster, além das mutações socioculturais. Mas vamos por partes!

A Maior Aventura de Tarzan (Tarzan's Greatest Adventure, 1959 de John Guillermin) é a penúltima aventura protagonizada por Gordon Scott, considerado por muitos o melhor intérprete do Homem Macaco.

Após seis filmes (1955 – 1960) gritando na selva ele partiu para a Itália, em plena febre dos Peplums para aproveitar seus músculos como Maciste, Hércules, Golias, etc. Não que Tarzan tenha deixado de fazer sucesso!

Característica interessante do personagem é que durantes estes mais de 90 anos nem sempre ele está no topo das bilheterias, mas sempre tem pelo menos um filme a ser lançado, além de cópias, sátiras e séries de TV. Em 2013 saiu uma animação 3D, mas há outros projetos em andamento até 2016, segundo o IMDB.

A produção em questão, de 1959, teve sequencias rodadas na África e conta com direção de John Guillermin, que em 1976 seria o responsável pela refilmagem de King Kong. Ainda faria outros dois ou três filmes rodados ou referentes ao continente Africano, um especialista em florestas!

Em termos de trama, grupo de traficantes ingleses que pretende explodir uma mina de diamantes hora foge do Tarzan, hora caça o Tarzan. Entre os bandidos, Sean Connery, um pouco antes de se tornar ninguém menos que o agente James Bond, enfeita o núcleo feio.

Connery, que não era propriamente um novato, tem um papel relevante, com texto e tudo. Mas não é o líder da gangue, o que, traduzindo em linguagem do cinema popular, diz muita coisa quanto a sua permanência em cena.

E a história é isso, desculpa para um desfile de clichês (literalmente) rio abaixo, conhecidos provavelmente até por quem nunca viu um filme do Tarzan. Entre flechas, armadilhas no chão disfarçadas com folhagens e a infalível areia movediça, o grito célebre só acontece no final, pra plateia ficar ansiosa pra ouvir.
Com efeitos especiais que envolvem maquetes e imagens de arquivo de animais abaixo de granulado diferente, é voltar a ser criança nos idos em que a Sessão da Tarde exibia coisas do tipo. Divertimento garantido para os de boa imaginação.

Há ainda, claro, alguns momentos bizarros pelo tempo em que o filme foi feito. Começando por conceitos como ecologia que ainda engatinhavam entre o grande público.

Por exemplo, pra salvar uma periguete que fazia gracejos para ele de dentro de um avião, e cai de bico na água, Tarzan mata um lindo crocodilo sem remorso algum. Ok, na verdade um grande crocodilo de plástico, mas ainda assim, muito estranha a atitude do herói hoje em dia.


 Num dos enxertos de imagens de animais, a mocinha fica aflitíssima vendo (se não me engano) leões devorando um outro animal qualquer. Para acalmá-la, Tarzan muito sério explica que é da natureza deles, para comer e que apenas o “homem mata por matar".

Isso porque, ele não só mata o já citado crocodilo, com mandará para o colo do capeta dois dos vilões! Do tempo em que herói não fazia cerimônia em mandar vidas humanas ou não pras cucuias.

Final da década de 50 e ainda imperava aquele pudor estranho de mostrar o umbigo, assunto que já tratei antes neste post aqui do blog. A tanga do ator forçadamente esconde o umbigo...
Mas não havia menor problema em mostrar até a polpa do bumbum do rapaz.
 Pra gente ver como a moral e bons costumes é uma coisa muito subjetiva, dependendo da época e dos olhos de quem enxerga. Umbigos foram motivo de muita vergonha por décadas.

O figurino só revelaria o umbigo dele em Tarzan Vai à Índia (Tarzan Goes to India) de 1962, também dirigido por John Guillermin. Enfim, a revolução sexual 60’s não deixaria esse mero detalhe continuar escondido.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Clássicos pop: Macarrão com tartaruga e baunilha

 E tudo ia muito bem para o rapper Vanilla Ice naquele tempo. Cantou o tema de As Tartarugas Ninja II - O Segredo do Ooze (Teenage Mutant Ninja Turtles II: The Secret of the Ooze, 1991 de Michael Pressman) e logo depois apareceu no livro Sex da Madonna.

 A capa do VHS acima é do vídeo single de Ninja Rap (Go Ninja, Go Ninja, Go!), que toca no filme. A fita tinha apenas 4’27’’ que você assiste na íntegra no player abaixo ou clicando aqui.


Assim como as tartarugas protegidas do Mestre Splinter os dias de glória foram rápidos. Quando Vanilla Ice posou nas fotos picantes ao lado de Madonna no ano seguinte já fez muita gente perguntar o que ele fazia ali.

 A última vez que ouvi falar dele foi numa dessas madrugadas, num reality sobre decoração. Era o jurado convidado, tinha se tornado de designer de interiores em Nova York...

Assim como as tartarugas protegidas do Mestre Splinter, que voltarão aos cinemas ainda em 2014, tivemos novidades do rapper este ano. Ele reapareceu na TV norte americano num anúncio que você não pode deixar de assistir no player abaixo ou clicando aqui.


O primor da publicidade internacional reaproveitou Go Ninja, Go Ninja, Go! para o lançamento de macarrão com queijo (Mac and Cheese) das Tartarugas Ninja. A iguaria é um dos trash foods instantâneos mais populares nos EUA, quase como o "nosso" miojo.


 ... E a gente suou tanto pra isso?

A primeira imagem é um oferecimento Sorry Mom, a segunda, Guardian Screen Images

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Filme permite ver fantasmas (quase) reais


Gênio da promoção, o diretor William Castle prometia a quem fosse assistir a Os 13 Fantasmas (13 Ghosts, 1960) nada menos do que visualizar assombrações. Para isso desenvolveu o fabuloso sistema Illusion-O!

Nada mais era do que um visualizador portátil de manifestações fantasmagóricas.  Em determinadas partes do filme as pessoas eram impelidas a colocar diante dos olhos um tipo de “lente” (na verdade celofane) avermelhada que permitia ver os "desencarnados" na tela.

Tudo de acordo com o que se assistia, não mero efeito apenas para a platéia. Na história, que mais é policial do que de terror, uma família classe média baixa herda mansão de desconhecido tio que colecionava fantasmas.

Envolvido tanto com ocultismo quanto com a ciência, o finado desenvolveu óculos especiais que permitem enxergar as assombrações. Quando um personagem os usa é a deixa para a plateia experimentar o Illusion-O.

O que aparece sendo usado pelos atores é uma engenhoca parecida a tantos outros objetos de ficção científica. A versão que a plateia recebia na entrada do cinema era de papelão, similar aos antigos óculos 3D, mas que não era vestido, apensas segurado com as mãos.


Só que além dos avisos na tela, com os atores colocando os óculos e tudo, todas as cenas com fantasmas eram em tom azul, contrastando com o resto do filme preto e branco. Olhando pra tela através do celofane avermelhado, o cérebro filtrava a imagem, permitindo ver os "seres ocultos".

É evidente, até pela tecnologia da época, que devia funcionar mais ou menos, com os fantasmas visíveis até a olho nu. Mas funcionou muito bem como atrativo a mais para quem pagou ingresso, embora, não haja informações de outra película a usar o recurso, nem o remake de 2001.

Mais tarde, para exibições na TV, o filme foi totalmente transferido para o preto e branco com os fantasmas visíveis mesmo sem o Illusion-O. No exterior existem edições em DVD que preservam o efeito, vindo com o artefato especial de brinde e tudo.

Inédito em DVD no Brasil, Os 13 Fantasmas tem sido exibido nos canais HBO. Na internet circula um arquivo dublado em português, oriundo da TV paga, apenas em preto e branco.

William Castle dirigiu e produziu muitos filmes populares e simplórios, muitas vezes acompanhados de recursos curiosos que lhes empregava uma inegável aura de atração de parque. Em A Casa dos Maus Espíritos (House on Haunted Hill, 1959) foi o Emergo, nome pomposo para um esqueletinho que pulava no meio da plateia, amarrado por cordas.

Em Força Diabólica (The Tingler, 1959) cientista descobre um parasita na coluna cervical causador de calafrios. Castle ousou dar choques nas poltronas, recurso que chamou de Percepto.

Nem tudo era maluquice ingênua. Em A Máscara do Terror (Mr. Sardonicus, 1961), que pedia ao público para decidir qual seria o final da história, conceito interativo que seria bastante reaproveitado na posteridade.

Algumas imagens são um oferecimento Midnight Only

Veja também:
Rara imagem de Emergo em ação
Percepto, outra chocante invenção de William Castle
Cinema interativo é coisa do passado

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Deus e o diabo na terra da coca


A propaganda oficial diz que o Carnaval de Oruro é o melhor carnaval do mundo. A gente sabe que sabe que não é verdade, mas isso não diminui a secular tradição do evento boliviano.

Não há muita coisa em comum entre o que existe no Rio de Janeiro e nessa cidade da Bolívia além da palavra “carnaval”, acontecer no começo do ano e de ser um evento muito popular. Ah, sim! Também atrai turistas de todo planeta atrás do exotismo.

No vídeo abaixo você assiste ao spot de 2014. A tradução brasileira seria um misto de carnaval carioca, baiano e festas juninas.

A UNESCO registrou o carnaval de Oruro como uma das “Obras-primas do Patrimônio Oral e Patrimônio Imaterial da Humanidade”. Sua origem remonta ao período pré-inca, quando a festividade pagã Ito celebrava Pacha Mama e o Tio Supey entre outras divindades mitológicas.

Com a colonização espanhola, os nativos disfarçaram sincreticamente as comemorações em cristãs, da mesma forma que religiões Africanas fizeram no Brasil. Assim, as figuras de Pacha Mama e Tio Supey se transformaram em Virgem Maria e o Demônio.

A consolidação do carnaval de Oruro como folclore nacional aconteceu entre o século XVIII e na primeira metade do século XX, após um período em que foi proibido. Na festividade, milhares de pessoas separadas por grupos fazem um tipo de dança, por mais de quatro quilômetros até chegarem à igreja Sanctuaria del Socavon.

Junto desfilam bandas tocando marchas animadas com ritmos chamados de Diablada, Morenada entre outros. Uma peculiaridade preservada são as vestimentas das divindades que remetem a dragões e demônios do folclore chinês, embora pelo distanciamento geográfico e histórico, não deve passar de mera coincidência.



A primeira imagem é um oferecimento Sounds from Worn Grooves

quinta-feira, 26 de junho de 2014

25 anos de Jack Coringa Nicholson

 Batman de Tim Burton completa 25 anos este mês, embora no Brasil só tenha estreado em outubro. Nada mais justo que relembrar Jack Nicholson se transformando em Coringa, bem ao espírito de 1989, com a imprensa apontando que ele roubou o filme.

Na verdade, a maquiagem é quase uma caricatura do que já é o rosto do ator. Um dos casos incríveis de atores que nasceram para um papel.

O próprio Nicholson acreditava nisso, visto que na produção milionária trocou o cachê por porcentagem na receita bruta da bilheteria e se deu bem. Posteriormente, quando lançado, sabia-se que pelo barulho promocional que a Warner fez, dificilmente Batman não daria certo...

Nesse contrato, o ator conseguiu ainda a palavra final na maquiagem, conforme o maquiador Nick Duckman contou ao blog 1989 Batman. Quanto à aparência do personagem (já explorado nos quadrinhos e na série de TV 60’s), Duckman disse que o brief era bem claro: “A maquiagem tinha que ser alcançada em duas horas. Tanto mais, ela seria impraticável. Ah, e Jack teria a palavra final sobre o olhar.”.

Deram cinco esculturas para Jack Nicholson escolher a sua favorita e ponto! De resto foi tomar cuidado em escolher uma cola que ele não fosse alérgico.

Veja também:
Chamada de Batman estreando na Tela Quente
Batman na capa da Veja

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Julia Mattos entre vampiros e cowboys

Num mercado quase dominado por publicações infantis, a revista Audax foi uma tentativa da Editora Abril de alcançar leitores jovens adultos de quadrinhos em 1978. Terror, faroeste, ficção científica, aventura e romance audaciosamente conforme o título sugere.

Quinzenal, cada edição continha histórias de artistas diferentes e mesmo com boas intenções não durou mais do que onze números. A partir da edição 8 as gostosas a nanquim foram trocadas por celebridades do momento.

Estreando essa nova fase da capa, Sonia Braga como Julia Mattos de Dancin’ Days, embora essa foto não pareça ter qualquer relação com sua personagem da novela. Mas Julia estava na crista da onda, pra usar uma expressão da época, e ela poderia alavancar as vendas.

Vai de encontro ao depoimento da atriz Gloria Pires ao Viva, agora que o canal reprisa a história de Gilberto Braga. Ela, que aos 15 anos interpretou Marisa, recorda que foi a primeira novela que todas as pessoas assumiam assistir.

Embora o tema fosse comum apenas a revistas com fofocas de astros da TV, pela capa da Audax, até os leitores de quadrinhos violentos e fantasiosos se interessaram por Dancin’ Days. Tinha acabado definitivamente ali a desculpa de que “estava passando pelo quarto da empregada e vi qualquer coisinha a respeito na TV dela”.

As imagens são um oferecimento Morto Vivo 3

terça-feira, 24 de junho de 2014

Bianca Del Rio do agreste


Vencedora da edição 2014 do reality RuPaul's Drag Race, Bianca Del Rio mira agora no cinema. Hurricane Bianca (Furacão Bianca, embora Bianca Furacão fosse mais legal aqui por parecer nome de chacrete) será produzido com doações de fãs.

Comédia de humor negro, contará uma história simples de vingança. Roy Haylock será um professor muito doce e simpático de Nova York que uma cidadezinha do Texas o expulsará ao descobrirem que ele é gay.

Regressará disfarçado como Bianca Del Rio, afim de não deixar pedra sobre pedra com todos os que lhe hostilizaram. A direção e roteiro ficarão a cargo do estreante Matt Kugelman.

Nada é novidade alguma como se nota. Incontáveis filmes já falaram sobre uma pequena cidade provinciana contra alguém que julgam imoral, inclusive drags em Para Wong Foo, Obrigada Por Tudo! Julie Newmar (To Wong Foo Thanks for Everything, Julie Newmar, 1995 de Beeban Kidron).

Até no Brasil, tendo o romance Tieta do Agreste de Jorge Amado já adaptado para TV e cinema o principal exemplo. Outros tantos tiveram homem disfarçado de mulher para conquistar seus objetivos.

É claro que o diferencial em Hurricane Bianca será a própria Bianca Del Rio, metralhadora de gags que remetem aos velhos tempos de Vaudeville. Não tem como não ter boas expectativas no projeto.

Interessante que o argumento para ela preserva a dupla identidade do personagem, como convém a uma drag. O que difere de outros atores célebres por trajarem roupas femininas como Divine e Charles Busch que na tela interpretam mulheres.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Escolhendo o elenco a dedo


Esse moço esquisito é Brad Pitt, pouquíssimo antes de virar astro de cinema. Pagando as contas com qualquer coisa que surgia, como a série de televisão A Hora do Pesadelo - O Terror de Freddy Krueger (Freddy's Nightmares) em 1989.

Ele aparece no episódio 14 da primeira temporada (Black Tickets), disponível no Brasil apenas em VHS. De relativo sucesso nos EUA, a série chegou a ser exibida aqui no SBT e no Warner Chanel.

Pitt ficaria internacionalmente conhecido em 1990, como o garoto bonitão que engana Geena Davis em Thelma & Louise de Ridley Scott. E graças aos poucos minutos em cena foi um estouro!!!!

Passou a fazer não sei quantos filmes para moçoilas pouco exigentes suspirarem na sala escura. Também resgataram outros mais antigos nas locadoras de VHS, como O Príncipe das Sombras (The Dark Side of the Sun, 1988 de Bozidar 'Bota' Nikolic).

 Enfim, visto que Johnny Depp também teve uma de suas primeiras oportunidades em A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984 de Wes Craven) concluímos que Freddy Krueger pode ter as garras afiadas, mas o pé é quente!

A primeira imagem é um oferecimento Alan Oliveira.
Veja também:
A série de TV do Freddy Krueger
Freddy Krueger o símbolo sexual
Horror high-society
In Memoriam: Amanda Krueger

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Mamie Van Doren com a bola toda

Ok! Falaremos da Ingrid Bergman, mas na capa será a Mamie Van Doren... 1958, com as loiras platinadas entrando em extinção, e ela ainda como muito gás comercial.

Isso porque, filmes de baixo orçamento, categoria em que reinou, sempre foram quase um universo paralelo, com público cativo. Conforme mencionado por quem postou essa imagem no Flikr, o verbete dela no livro “The Illustrated Who's Who of the Cinema” é fabuloso:

"Uma das loiras platinadas de produções B geradas pelo sucesso de Marilyn Monroe, em meados dos anos cinquenta... Apareceu em uma série de melodramas escabrosos produzidos para a MGM por Albert Zugsmith... Eles frequentemente exploravam pânicos morais contemporâneas sobre adolescentes drogados (Escola do Vício/High School Confidential!), beatniks (A Noite dos Malditos/The Beat Generation) e o crime organizado (Sindicato de Vigaristas/The Big Operator)... Faltando a vulnerabilidade calculada de Monroe ou excessos caricaturais de Jayne Mansfield, Mamie Van Doren se tornou a soberba sirene, uma fantasia delirante Fifties de encarnada sensualidade feminina. "

Perceba que seus filmes possuem títulos em português, ou seja, foram distribuídos no Brasil e depois esquecidos em VHS ou DVD. Pode estar relegada a orbita Cult, como a “Marilyn Dos Pobres”, mas já foi considerada uma atriz pop como outra qualquer.

Pesa contra seus trabalhos, assim como em todo o cinema exploitation, os temas terem sido oportunamente atuais na época, visavam comercialmente apenas o momento. Não são clássicos, são apenas filmes antigos, adquiriram humor involuntário.

Embora Mamie Van Doren como bad girl 50's seja muito mais interessante do que qualquer bad girl 2014, são histórias datadas para o grande público.  Azar o dele!

Veja também:
A Marilyn Monroe dos pobres
Mamie Van Doren, a venusiana

Mamie, Certinha do La Dolce

terça-feira, 17 de junho de 2014

OITNB: Você não precisa estar na cadeia para aprender a fazer seu próprio isqueiro

 O livre comércio de tabaco dentro da prisão é parte importante da segunda temporada de Orange Is The New Black. Junto com ele apareceu um bizarro isqueiro nas mãos das detentas.

Trata-se de um isqueiro caseiro, já que assim como tabaco, condutores de fogo são proibidos na prisão. Esse método é tradicional, não foi criado para a série, e chama-se justamente “Prison Lighter”.

Consiste simplesmente de uma pilha e de um daqueles papeis laminados que embalam o chiclete Trident. Fumante ou não, quem nunca se viu na mão, sem fósforos ou isqueiros?

Existe um vídeo que ensina a fazer passo a passo, em inglês mas não há segredo algum, dá pra entender apenas observando. Clique aqui para assistir.

Basicamente é: Corte uma tira fina do tamanho que cada ponta fique num dos polos da pilha. Divida essa tira em duas e emende elas novamente apenas as enrolando, será aí que a chama deve acontecer!

Em OITNB elas simplesmente usam uma tira, sem cortar e a chama surge ali perto de um dos polos, podendo queimar o dedo. Conforme no vídeo é, portanto, mais seguro (embora se crianças fizerem qualquer um dos métodos irão fazer xixi na cama. Estejam alertados!).

Eu tentei usar aquele papel laminado de cigarro mesmo, mas não consegui provavelmente por ser mais grosso do que o do Trident. Foi minha única e frustrada tentativa.

Sem pilha ou papel de chiclete ainda há a opção de bater pedrinhas ou esfregar pauzinhos... Acho que desses jeitos só o Macgyver consegue.

Marilyn e o Monstro da Lagoa Negra

Pouco antes da célebre sequência do vestido esvoaçante em O Pecado Mora Ao lado (The Seven Year Itch, 1955 em Billy Wilder) há um diálogo interessantíssimo. Marilyn Monroe, A Garota, e o vizinho travam o seguinte diálogo após assistirem O Monstro da Lagoa Negra (Creature from the Black Lagoon, 1954 de Jack Arnold).
A Criatura é triste, de aparência apavorante, mas meramente solitária. De burra a garota realmente não tinha nada, muito menos de insensível ao ir ao cinema.

O brilhante diálogo de Billy Wilder e George Axelrod é um dos tantos momentos que elevam o filme a muito mais do que uma comédia romântica tola. Um compêndio da eterna discussão entre o erudito e o popular
travestido de comédia romântica tola.

Simpático também o uso do blockbuster (escapista como tal) da concorrente Universal (o filme da Marilyn é da Fox) que ainda cria um paralelo entre A Garota e o vizinho solitário e galanteador interpretado por Tom Ewell. Geralmente entretenimento popular só é reverenciado após os anos o tornar Cult.

Claro que um filme de Marilyn Monroe também era popular, mas na direção deste estava Wilder, o gênio já consagrado aquela altura. A própria Marilyn, a atriz do momento, é citada pelo roteiro em outro diálogo inspirado.

 A personagem da loira nem nome tem, é mero devaneio do homem casado com um fim de semana longe da família. Em 1954, todos os sonhos masculinos giravam em torno de Marilyn Monroe, embora sua voluptuosa figura escondesse alguém que só queria ser amado.

Os gifs são um oferecimento Missing Marilyn

Veja também:
Comichão mundo afora
O Pecado Mora Ao Lado novinho em folha
Homem casado e batata frita

Rachmaninoff's à meia luz
Como uma lenda brasileira virou sucesso em Hollywood
Espelho, espelho meu...


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Quase Tarzan com uma boa causa


Capa de O Menino Rei (少年王者), arte e criação de Soji Yamakawa. Ele possui evidente referência ao ocidental Tarzan, um dos mais famosos personagens transformado em pulp a partir da década de 30 no mundo todo.

Tarzan de Edgar Burroughs gozava de muita popularidade no Japão até ser varrido, por razões óbvias, dos cinemas e livrarias durante a 2ª Grande Guerra e um bom depois. A capa acima data de ano Showa 21, provavelmente 1946 no nosso calendário.

Muitos artistas locais criaram sua versão do Homem Macaco, saciando a sede dos fãs por aventuras na selva. Osamu Tezuka (logo depois de Soji Yamakawa) criou o Jungle Makyo (imagem ao lado) com seu inconfundível traço.

Não deve ser exagero apontar que Hayao Miyazaki também foi na fonte de O Menino Rei para criar a obra prima Princesa Mononoke (Mononoke-hime , 1997). Miyazaki assume ter sido um leitor de Soji Yamakawa na juventude.

O Menino Rei não era bem mangá, embora tivesse suas aventuras publicadas com regularidade junto com as de outros personagens, conforme os mangás são até hoje. Eram ilustrações riquíssimas acompanhadas por texto.

 Sua leitura foi bastante incentivada para crianças do Japão pós-guerra por seu fundo de superação. Afinal, a nação em frangalhos podia tirar alguma lição da história do garoto que esquecido à própria sorte no Quênia tornou-se um rei.

As imagens são um oferecimento Tezuka Osamu Official

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Tor Vs. George: Trocados na maternidade

Tor Johnson em A Torre dos Monstros (The Black Sleep Lot, 1956 de Reginald Le Borg)
George 'The Animal' Steele como Tor Johnson em Ed Wood (1994 de Ed Wood)
  Tem muito, mas muito filme ruim atualmente baseado em pessoas famosas, que já começam errando ao escalar o ator. Ed Wood (1994 de Tim Burton) foi feliz até nisso.

George 'The Animal' Steele
Mesmo com Johnny Depp interpretando mais “o pior cineasta de todos os tempos”, do que aparentando fisicamente ser ele. O filme tem talvez a melhor reinvenção de alguém que já viveu da história do cinema: George 'The Animal' Steele como Tor Johnson!

 Até por que, era um lutador, não é um ator, interpretando outro lutador que também tentou ser ator. George 'The Animal' Steele tinha pouca experiência no cinema, sempre fazendo participações especiais como ele mesmo, portando, pode-se considerar Ed Wood sua estreia.

Para ser o Tor Johnson sempre perdidão em cena não poderia ter melhor interprete. É até muito melhor que o incrível Martin Landau como Bela Lugosi, papel coadjuvante que rendeu ao filme um dos dois únicos e injustos Oscars.

O outro foi para Rick Baker que produziu justamente a maquiagem de Bela Lugosi. 'The Animal' nos fez acreditar que era Tor Johnson de cara limpa, com um par de lentes de contato brancas.

'The Animal' detonando nos ringues
Para viver o infame astro 50’s, ele aprendeu o sotaque sueco e calçar sapatos pesados. Ao contrário do original, George é muito ágil, e precisava ter mais lentidão no caminhar.

De resto, acho que era o famoso “Se melhorar estraga”. Um ator profissional ali não seria tão parecido ao que vimos em A Noiva do Monstro (Bride of the Monster, 1955) ou Plano 9 do Espaço Sideral (Plan 9 from Outer Space, 1959 de Ed Wood).

Infelizmente George 'The Animal' Steele está aposentado dos ringues e das telas. Sabemos que nos últimos 20 anos não apareceram no cinema outros personagens sob medida para ele.

A primeira imagem é um oferecimento Morbius19, a terceira e quarta georgetheanimalsteele.com

Veja também:
Tor Johnson tem um sonho
Locação histórica... E trash!
Pelúcia e horror

terça-feira, 10 de junho de 2014

E Hollywood se rendeu a Dorothy Dandridge

 A estrela subia! 60 anos que Dorothy Dandridge conquistou a capa da revista Life por sua atuação em Carmen Jones (1954 de Otto Preminger), sendo a primeira negra a aparecer ali.

Poster de Saul Bass
Bem antes do fenômeno blacksploitation, Camen Jones mostrou aos estúdios o óbvio quanto à diversidade da plateia. Com a elevação da autoestima das minorias, era evidente que não dava mais para continuar vendendo apenas um tipo de sonho inalcançável.

A adaptação da opera de Bizet para o universo black (que ainda contava com o galã Harry Belafonte) anteveio em quase uma década os conflitos raciais que mudariam a história. Mas os conflitos raciais já estavam pululando a cada esquina, no cotidiano segregador da época.

Dorothy Dandridge chegava ao topo da carreira, protagonizando uma grande produção hollywoodiana como nenhuma outra da sua etnia. Após papeis muito menores em filmes idem, como por exemplo rainha africana em aventura do Tarzan.

Otto Preminger foi além de abrir a Caixa de Pandora, chegou a aconselhar sobre o futuro profissional de sua estrela. Como primeira grande diva negra de Hollywood, no sentido de rivalizar com tantas loiras do momento, não deveria mais aceitar papéis que não fossem de protagonista.

O filme ainda renderia a indicação ao Oscar de melhor atriz para Dandridge. Feito então também inédito para uma atriz afro descendente, perdendo para Grace Kelly por Amar é Sofrer (Coutry Girl, 1954 de George Seaton).

Apenas em 2002 Halle Berry seria a primeira negra a ser contemplada com o Oscar de melhor atriz. Por ironia, Berry interpretou a vida da pioneira no telefilme Dorothy Dandridge - O Brilho de uma Estrela (Introducing Dorothy Dandridge, 1999 de Martha Coolidge).

A atriz, que teria chegado a ser cogitada pela Fox para ser Cleópatra, papel que ficou com Elizabeth Taylor, faleceu em 1965 com apenas 42 anos de idade após uma acidental ingestão de barbitúricos. Deixou um legado mais do que artístico, uma referência de conquistas.

A primeira imagem é um oferecimento Huffington Post, a terceira Music2MyEars.

Veja também:
Dorothy Dandridge certinha do La Dolce
Bela e suicidas
O primeiro beijo inter-racial na TV
Blacula esteve em cartaz no Brasil