quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Trailer do novo Godzilla tem muito do velho Godzilla. Confira!

Esta semana saiu o primeiro trailer do novo Godzilla produzido pelos americanos a estrear em 2014. A tentativa é esquecer de vez a criticada versão que fizeram em 1998.

Não se pode esperar absolutamente nada de remakes ou releituras hollywoodianos de filmes asiáticos, mas parece existir dessa vez um cuidado em seguir direitinho a cartilha. Pelas primeiras imagens divulgadas, há muitos elementos do Godzilla de 1954, o primeiro, dirigido por Ishirô Honda.

Guardando, claro, os devidos clichês do gênero, muitos deles, fundados pelo próprio “Gojira”. Confira a comparação entre os dois trailers!

Plano geral da cidade no caos. 

Prédios amassados. 
Rotas de fuga sendo explodidas (Em 1954 um navio, 2014 um avião). 

Pessoas fugindo na chuva. 
 Militares em ação. 

Crianças na escola tendo que se refugiar. 

Close em homem adulto sofrendo (Pondo a mão na boca!). 

Mocinha chorando (provavelmente porque alguém terá que se sacrificar). 

Closes em pessoas numa multidão sem saber pra onde ir. 

Pessoas dentro de um trem enquanto Godzilla o pisa. 
O trem após Godzilla pisar.

 E o grandão, que é muito mais visível no trailer japonês.

O que tinha numa noite fraca de programação de filmes na TV em 1973


Filmes na TV
Drácula no 13 
Uma velha reprise com Joan Crawford é a atração da TV em termos de filmes, hoje. Como a noite é fraca, pode-se tentar a sorte assistindo à Sessão Mistério, que traz uma fita com o Conde Drácula, ao gosto dos apreciadores da Fantasia ensopada de sangue.
 (...)

22h30, Canal 4 - ALMAS MORTAS (Straight Jacket), um drama que vem desfilando pelos canais de TV há muito tempo. Joan Crawford, nos bons tempos (hoje é mulher de negócios, dona da Pepsi-Cola), vivia a personagem Lucy Harbin, que mata o marido e a amante deste a golpes de machado. Por isso, passa 20 anos num nosocômio, até receber alta para ir morar com o irmão. Começam aí os problemas da mulher: primeiro a reaproximação com Carol, a filha de 23 anos, que ainda criança presencia o assassínio do pai pela mãe. Depois, as suspeitas recaem sobre Lucy por causa de crimes misteriosos que ocorrem nas proximidades de onde ela mora. O resto é surpresa que o diretor William Castle prepara para o telespectador. Mas ela não chega a provocar nenhum grande impacto em quem vê o filme.
 (...)
23 h, Canal 5 - DRÁCULA O PRÍNCIPE DAS TREVAS (Dracula, Prince of Darkness), fita de terror da Hammer Films, que começa onde termina a aventura anterior, "O Vampiro da Noite". Drácula morto e transformado em cinzas, volta a atacar a região do seu castelo. Com Christopher Lee, que várias vezes foi Drácula, e Barbara Shelley.

1h, Canal 5 – ÊXITO FUGAZ - Comédia irreverente com Kirk Douglas, Lauren Bacall e Doris Day nos papéis principais. Uma história onde Doris, a mulher americana típica, defende o seu ar ingênuo contra toda sorte de investidas.

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Texto ipsis litteris publicado na Folha de São Paulo em 30 de maio de 1973. Numa noite de quarta-feira as emissoras exibindo William Castle, Terence Ficher e Michael Curtiz, sem falar na batelada de astros.

Parece, em vista do que temos hoje, uma programação especial, mas é o mais ordinário do que o crítico podia esperar. E é o conteúdo de apenas três emissoras (Tupi 4, Globo 5, Bandeirantes 13), contra dezenas existentes agora, entre canais abertos e pagos exibidores de filmes.

Ao mesmo tempo, precisamos levar em conta o seguinte: Pra ilustrar este post me levantei, fui até a estante e peguei três disquinhos contendo três dos filmes transmitidos há 40 anos. Não precisei esperar até a uma da matina pra ver a Doris Day sendo assediada sexualmente pela Lauren Bacall.

Uma comodidade e qualidade de áudio e imagem inimagináveis em 1973. Rever filmes só quando eram relançados nos cinemas ou na TV mesmo, com Bombril envolvendo a antena para dar um up na recepção.

Então, o passado era legal, era batuta, mas truco dez!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Popeye mais transgressor do que nunca

Quem sempre desconfiou de que havia algo mais na latinha de espinafre de Popeye precisa assistir a “Rodeo Romeo”. Em sua 143º aventura, o marinheiro fica vermelho de ciúmes, usa narcóticos e aí sim, acontecem coisas incríveis!

Produzido em 1946, ou seja, pertencente à excelente fase da Famous Studio, traz Brutus com a aparência “bear” bem delineada. Ele chega a fumar, atitude rara do personagem bem anterior ao cowboy da Marlboro, ascendendo o cigarro no cachimbo do rival.

No episódio Brutus é um campeão de rodeio cujos incríveis feitos fazem Olivia na plateia bater muitas palminhas. Recalcado, o marinheiro de um olho só (que continua sendo marinheiro pelo que se percebe no figurino) além de deixar transparecer sua ira, fará uso do seu famoso vegetal pra mostrar que também é o tal numa arena.

Geralmente Popeye fica forte para socorrer a namorada quando o brutamonte a coloca em perigo. Longe dos tempos politicamente corretos, o uso torpe de seus poderes funciona perfeitamente e a volúvel Olivia volta a se interessar por ele.

É aí que fulo o oponente lhe oferece "amigavelmente" uma outra lata com o conteúdo adulterado. Batata! O “Boa Noite Cinderela” lhe faz até dançar tango com um touro enfurecido.

Enquanto Brutos se diverte com a desgraça alheia, acidentalmente também consome a erva e passa a confundir a garota com uma vaquinha.  E isso é o que ele precisa pra tentar colocar um ferro em brasa no bumbum magro da Olívia.

Sorte que mesmo drogado Popeye lembra-se que tem ainda uma terceira lata guardada em algum bolso. Espinafre ingerido pra cortar o barato, (depois de uma cafungada do nosso herói que confirma que desta vez “é da boa!”), corre ferir que com ferro feriu.

E chegamos ao nádegas a declarar: fim! ...
 



Veja também:

Espinafre é melhor que aviãozinho
Disney e a arte de perverter fábulas
Tom & Jerry na mira do politicamente correto

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

E no princípio eram as trevas (Até pra Mary Poppins!)

Prometendo contar o embate entre Walt Disney e a autora de um de seus principais clássicos, Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks, 2013 de John Lee Hancock) gera expectativa. Na infinita fornada de filmes biográficos, os que se atém a o making-off sempre podem ser mais interessantes do que qualquer mexerico.

É claro que tivemos o dissabor de Hitchcock (2012 de Sacha Gervasi) que prometia mostrar os meandros de Psicose (Psycho, 1960), mas é um caso à parte. Qualquer coisa referente a Alfred Hitchcock que não tenha sua assinatura sempre parecerá pouco.

O exemplo mais positivo até agora foi o telefilme “An Adventure in Space and Time” produzido pela BBC em 2013. Super recomendado, a história conta de forma não mais do que brilhante a criação da série Doctor Who (a mais duradoura ainda no ar) em 1963 enquanto pincela ao fundo a ascensão e consagração da TV, cultura pop e da mulher na sociedade.

Com produção da Disney e a britânica BBC, até 2011 “Walt nos Bastidores de Mary” era considerado o melhor roteiro não filmado a rodar pelas mesas dos executivos de Hollywood, até que o próprio estúdio do Mickey teve interesse. O filme se concentra nas duas semanas de reuniões entre os protagonistas, após a longa jornada desde que as filhinhas de Walt Disney pediram para o papai transformar em filme seu livro favorito, mas autora, P.L. Travers, simplesmente não via graça nenhuma na ideia.

Demorou quase 20 anos para que ela precisasse de dinheiro e topasse, mesmo que cheia de reticências, num desfecho que culminou com ela chamando o resultado de “adaptação vulgar e desrespeitosa de seus romances”. Travels acabou por proibir qualquer outra adaptação de seus livros sobre a babá voadora, embora o filme tenha se tornado um clássico, muito mais conhecido em todo o planeta do que suas obras originais.

 Nos papéis principais estão Tom Hanks e Emma Thompson, que seguindo a lógica recente da Academia em destacar atores em biografias (o que afinal deve ter gerado todos essas produções recontando a vida alheia), podem esperar suas indicações. O filme deve estrear no Brasil apenas em fevereiro de 2014.

A capa do livro é um oferecimento All My Own Work!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Cinema e computação gráfica: 40 anos!

Um casamento que chega às bodas de rubi! Cinema e efeitos gerados em computação é o único casamento até que a morte lhes separe.

Começou logo com o pé direito, na excelente ficção científica com toques existencialistas Westworld – Onde Ninguém Tem Alma (Westworld , 1973 de Michael Crichton). CG no cinema é uma história de debates defasados sobre o homem versus máquina  e de algumas ironias.

Só ficaríamos boquiabertos com as possibilidades tecnológicas no cinema em O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2, 1991 de James Cameron) que, com o perdão do trocadilho, possui muito da alma de Westworld. Michael Crichton, o diretor de Westworld, escreveria o livro que geraria Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993 de Steven Spielberg), quando ninguém mais teve dúvidas do realismo alcançado.

Antes disso, são muito lembrados os filmes da década de 80 que flertaram com os pixels digitais, como O Enigma da Pirâmide (Young Sherlock Holmes, 1985 de Barry Levinson) e Jornada nas Estrelas II - A Ira de Khan (Star Trek: The Wrath of Khan , 1982 de Nicholas Meyer). Este último ostenta o título de primeiro a possuir uma sequencia totalmente gerada em computador, façanha da Industrial Light & Magic.

Voltando a 1973, o pioneiro efeito digital em Westworld pode parecer precário, mas é imaginativo. Para quem ainda não assistiu, as imagens foram manipuladas para simular o ponto de vista do androide interpretado por Yul Brynner.
Cinco anos antes, Stanley Kubrick fez a visão de Hall 9000 em 2001 - Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968) utilizando apenas truques óticos. Westworld também é admirável porque foi pioneiro tendo um orçamento baixo até para a época, 1.250 mil dólares.

O The New Yorker trouxe uma matéria contendo entrevista com o produtor Paul Lazarus, que, pra deixar as dificuldades claras, naquela época não bastava ir até a ILM e voltar depois pra pegar o trabalho pronto. Não haviam empresas voltadas a isso.

Um laboratório disse-lhe que cobraria duzentos mil dólares os dois minutos de imagens manipuladas, e que demorariam nove meses para terminar! Tanto o dinheiro quanto o tempo eram proibitivos em Hollywood.

Até que encontraram John Whitney, um cara apaixonado por informática que fazia pequenos filmes experimentais que topou por 20 mil dólares em quatro meses. Menos que o cachê do astro Brynner, que, num momento difícil da carreira, aceitou vestir novamente seu figurino de Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven, 1960 de John Sturges) por 75 mil dólares.

Whitney propôs o efeito simples que finalmente apareceu no filme, dividindo cada imagem em quadrados pequenos e calculando a cor média em cada área. Em essência, o efeito transformava uma imagem de alta-resolução numa de baixa resolução.

O artista conta hoje, aos 67 anos de idade, que aceitou a empreitada e fez sugestões sem saber ao certo como proceder. Eram raras as máquinas de digitalizar filmes ou gravar imagens em um computador.

Após firmar parceira com uma empresa, descobriu que não era possível escanear imagens coloridas, o que exigiu ainda recolorir cada bloco que compunha o quadro. E assim foi por tentativa e erro, num processo, que claro, consumiu mais tempo do que os quatro meses planejados.

Lançado nos cinemas e elogiado, outros filmes demoraram a aderir à computação gráfica nos anos 70. Coube à sequência de Westworld, Ano 2003 - Operação Terra (Futureworld , 1976 de Richard T. Heffron), dar um passo além ao apresentar pela primeira vez um rosto em computação gráfica 3D, também obra de John Whitney e parceiros.

Peter Fonda torna-se  então o primeiro astro a ser digitalizado. No ano seguinte, Guerra nas Estrelas (Star Wars, 1977 de George Lucas) traria breves sequencias de CG, mas vitais ao desenvolvimento da técnica.

O The New Yorker destaca a diferença das intenções de hoje para os primórdios, nos anos 70. "Ao contrário dos efeitos digitais atuais, que rotineiramente usam efeitos para tentar reproduzir a realidade, ou fantasiar a realidade, as intenções da era "Westworld" eram muito mais modestas no fim."

As intenções artísticas e as possibilidades tecnológicas permitiam a criação de monitores de aspecto futurista. “Nisso reside a contradição existencial dos efeitos digitais da década de setenta: eles deveriam se parecer com os gráficos de computador de uma sociedade avançada, mas uma sociedade avançada não teria os computadores primitivos da década de setenta.”.

Após o desbunde na segunda metade dos anos 90, período em que qualquer história podia ser filmado para expor efeitos digitais de forma vulgar, a computação gráfica passou a ser uma ferramenta técnica, como qualquer efeito ótico criado por Méliès nos anos 20 do século passado. Ou melhor, roteiros estúpidos ainda são filmados pelos efeitos, mas eles também são empregados em obras relevantes rotineiramente.

A próxima fronteira talvez seja reempregar de forma realista astros mortos como Bruce Lee e Marilyn Monroe em novas produções. Não que isso seja realmente necessário, mas desde o princípio em que o cinema cruzou com a informática noticiam as tentativas.

Veja também:
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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mais difícil se tornar um idoso hoje?

William Hartnell aos 55 anos foi o primeiro Doctor Who em 1963 
Peter Capaldi aos 55 anos será o 12º Doctor Who em 2013 

Notável o quanto mudaram os conceitos do que é um velhinho nos últimos 50 anos observando o elenco de Doctor Who até agora. Prestes a trocar de protagonista pela 12ª vez, o atual terá a mesma idade do primeiro ator, que era a maior entre todos.

Mas a aparência e a postura deles são muito diferentes! William Hartnell, que estreou o papel, hoje quase que poderia ser o pai do atual, se viajasse no tempo de verdade, claro.

O primeiro Doctor ficou no personagem até 1966 por estar com idade avançada, falecendo em 1975. Seu personagem era mesmo um vovô, tendo como companheira (“Companion”) a netinha Susan Foreman.

Dificilmente poderíamos imaginar o Capaldi sendo um avozinho ranzinza. Muito menos ele se aposentando em 2015 por problemas de saúde decorrentes da idade avançada. (isso não é uma praga, - toc! toc! toc! - só uma comparação).

Homens de 55 são jovens senhores, muito distantes daqueles idosos de meio século atrás. Provável que o novo Doctor vá ter algum interesse amoroso na próxima "companion" ao contrário de interesses na educação escolar da neta.

O 11º Doctor, Matt Smith, que em 2010, aos 28 anos, tornou-se o mais jovem a assumir o papel, se regenerará no 12º durante o especial “The Time of the Doctor”. O aguardado episódio será exibido no Brasil pela BBC HD (exclusivo para assinantes Net) no próximo dia 25 (quarta-feira), às 17h30 pelo horário de Brasília.

As imagens são um oferecimento BBC One

Veja também:
BBC recorda data histórica de Doctor Wh
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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Lobisomem terrivelmente humano

Capa de uma edição de bolso do livro “The Undying Monster” lançado em 1975. Encontrado o lobisomem de aparência mais fofinha do MUNDO!!!

E os detratores que me perdoem, mas absolutamente risível ou não esta capa é eficaz. Jamais me ateria à história de Jessie Douglas Kerruish publicada pela primeira vez em 1922 se não fosse por ela.

Ainda nos anos 70 ela teve outra capa por outra editora que você confere ao lado. Menos fanfarrona e carnavalesca, mas que, provavelmente, passaria batida num sebo da vida.

“The Undying Monster” foi adaptado ao cinema pela Fox (sem tradição de terror) em 1942, sob direção de John Brahm, naquela segunda leva de películas com monstros em Hollywood. No Brasil foi distribuído no ano seguinte com o título O Segredo do Monstro.

Quando todos os romances clássicos já haviam sido adaptados à tela grande (e com direitos guardados pela Universal), o que faz sentido que procurassem outros mais recentes. O estúdio criador da “monstro mania” explorou a criatura pela primeira vez em O Lobisomem de Londres (Werewolf of London de Stuart Walker), história original que remetia a uma versão de Dr. Jekyll e Mr. Hyde com mais pelos.

O Lobisomem propriamente dito da Universal, também baseado numa história original, só sairia em 1941, exatos dez anos depois do estrondoso sucesso de Drácula (de Tod Browning). Na mesma época o produtor Val Lewton enchia os cofres da RKO com obras-primas como Sangue da Pantera (Cat People, 1942 de Jacques Tourneur).

Por cultivarem o “quem é o culpado?”, como qualquer conto policial, narrativas sobre vítimas de licantropia combinaram bem com a década de 40. Lobisomem consegue ser um personagem de terror que absorve elementos de detetive e do cinema noir, então em voga.

 A trama de “The Undying Monster”, segundo resumo do livro, conta sobre uma família londrina que cansada de ser atormentada por maldição proeminente de um antepassado que vendeu a alma a satanás chama a detetive psíquico Luna Bartendale para socorrê-la. Hoje parece trivial, o que pode explicar não ter sido mais adaptada desde então.

A capa é um oferecimento Nick Pope

Veja mais sobre lobisomem clicando aqui

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Vídeo apresenta o canal de TV de Robert Rodriguez

A partir do dia 15 as operadoras de TV paga nos EUA terão a sua disposição El Rey Network. A emissora fundada e coordenada pelo diretor Robert Rodriguez, acaba de postar um novo spot:.

24 horas em língua inglesa, a programação será variada com filmes, séries, esportes e música, voltada ao público latino jovem-adulto. Um dos carros chefes é a série baseada no Um Drink no Inferno (From Dusk Till Dawn) dirigido por Rodriguez a partir de um roteiro de Quentin Tarantino em 1996.

El Rey é também a forma como é chamado o herói Wray, interpretado por Freddy Rodríguez em Planet Terror (2007). O que dá pra ter uma ideia do que os telespectadores podem esperar.

Não há informações sobre ser distribuído no Brasil, o que é uma pena pelo que se vê nos vídeos promocionais até agora. Material como clássicos do Godzilla, cinema independente, entre otras cositas, abandonados pelas TVs que cada vez mais se assemelham ao banal vale tudo por ibope, como qualquer canal aberto.

Lundgren tinha um diferencial (além da loirice)

A assessoria de Dolph Lundgren divulgava à imprensa nos anos 80 que seus bíceps dele era 6 centímetros maiores que os de Sylvester Stallone. Aliás, “relações públicas”, como se dizia na época.

Cada um luta com as armas que tem! E era preciso se destacar naquele emaranhado de homens furiosos que assolavam o cinema de ação naqueles tempos, quase um gênero soberano.

A cada mês, surgiam dezenas de aspirantes a herói mal-encarado, posto cujo topo tinha Stallone. Não se sabe se a informação dos bícips do moço procede, ou é mero marketing.

E a gente pensa no peso que tal coisa devia ter na hora de escalar um ator. Ou numa briguinha entre fãs dos dois: “Cala boca, que o Lundgren tem seis centímetros a mais!”.

Veja bem, não estamos falando em pênis (o que até seria relevante para atores pornô...), mas em bíceps! Quem não viveu aquela época pode ter uma noçãozinha de quanto uma montanha de músculos era importante nas telas de cinema.

  Concorrências à parte, Lundgren e Stallone trabalharam juntos em Rocky IV (1985 de Sylvester Stallone) e recentemente em Os Mercenários (The Expendables, 2010 de Sylvester Stallone) e na sequência deste de 2012. Não há notícias de que as medidas continuam divergentes entre eles.

A terceira imagem é um oferecimento Zimbio

Veja também:
Jayne Mansfield VS Fafá de Belém
Pequenas estrelas, grandes ilusões

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O som do verão!

Ouça no player acima (ou clicando aqui) a faixa “Bikini Drag”, sucesso do grupo The Pyramids. A música faz parte da trilha do filme A Praia dos Biquínis (Bikini Beach, 1964 de William Asher).

Estrelado pelos ídolos adolescentes Frankie Avalon e Annette Funicello,
a própria banda aparece tocando duas músicas. Filmes jovens eram a oportunidade de se ver os artistas em ação fora dos shows, antes da MTV.

Eles aparecem no palco totalmente carecas, o que contrastava ao famoso cabelo dos Beatles. O visual diz muito quanto ao estilo da banda, tão norte-americano, oposto aos rapazes britânicos tão certinhos.

Ainda em 64, a banda entraria no Top 20 da Billboard com “Penetration”, que seria o último grande hit de surf rock instrumental. O tempo a transformou num clássico.

Surgida em Long Beach (Califórnia) em 1961, The Pyramids foi desfeito em 1965. Época do auge e fim de muitas bandas.

Veja também:
Patota pira com The Sentinals

Pausa para nossos comerciais


Com um pouco mais de luz, estas criaturas jamais teriam pisado a face da Terra. Lâmpadas OSRAM
Existe uma coisa comum entre Drácula, Lobisomem e Frankenstein além do fato dêles serem sanguinários, e você nunca tê-los recebido em casa.
Êles foram vistos por olhos que não podiam contar com a ajuda de muita luz.
Sem luz o homem não enxerga. Por isso, quando não pode ver o que existe, o homem inventa o que enxergar.
Quem está pagando este anúncio, é uma empresa que fabrica lâmpadas há quase cem anos. Nós fazemos um pouco de tôda luz, que ajuda você a ver as coisas.
Não pense que nós estamos nos chamando de "A empresa que arrancou o homem das garras de Drácula e outros monstros Ltda"; nós produzimos uma luz boa e correta.
OSRAM - Nós estamos ajudando o homem a enxergar a realidade. 

Fábrica de lâmpadas usa todos os monstros clássicos numa propaganda para explicar sua importância. Não é à toa que a existência de “Drácula e outros monstros Ltda.” pertencem ao imaginário do século XIX além dos romances que protagonizaram, quando energia elétrica estava surgindo.

A revista Popular Science trouxe um curioso artigo numa edição de 1933 tentando explicar cientificamente aparições fantasmagórica que acaba por dar no mesmo do texto das lâmpadas Osram, mas além da imaginação aponta também o físico. Leia clicando aqui.

Elas sobreviveram no século XX e (vão muito bem obrigado) neste começo de XXI graças, sobretudo, ao cinema. A propaganda, aliás, foi publicada em 1972, época em que as criaturas voltaram à moda com os estúdios Hammer, embora a aparência delas lembre bastante as vistas nos filmes da Universal dos anos 30 e 40.

Mas nem tudo é culpa da falta de luz. Dizem que em 1961, quando lançaram o primeiro Drácula da Hammer aqui, O Vampiro da Noite (Dracula, 1958 de Terence Fisher), houve uma onda de boatos em São Paulo sobre ataques de vampiro. Isso em S-ã-o P-a-u-l-o!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Agregando valor à pancadaria

A musa B Sybil Danning achou um nicho a ser explorado nos anos 80: Apresentar filmes de ação e aventura de baixo orçamento em VHS. Na esteira do que a Elvria (e originalmente a Vampira na TV) fazia com fitas de terror.

Essa série foi batizada de “Sybil Danning's Adventure Video”, e muitas destas apresentações e encerramentos estão disponíveis no You Tube. Assista à de Rush, cópia classe Z de Rambo feita na Itália em 1983, no player acima ou clicando aqui.

Dependendo do filme ela aparecia sensualmente vestida conforme a temática do filme, de samurai de minissaia a guerrilheira de biquine. Ao todo a série teve 26 títulos obscuros, sendo, talvez, o mais conhecido deles a ficção científica Space 1999 – Alien Attack, piloto da série de ficção científica estrelado por Martin Landau.

Como a popularização das vendas de filmes diretamente ao consumidor é coisa relativamente nova no Brasil, isso não chegou a ser lançado aqui, nem surgiram similares. Sem falar que nem temos o hábito de incluir hosts apresentando filmes na TV.

As tentativas mais recentes e conhecidas são o Zé do Caixão na Band anunciando as atrações do Cine Trash e a portentosa Vampira (!!!) interpretada por Carla Tenore na sessão Cine Sinistro da mesma emissora. Na década de 80 a Globo usou a menina Isabela Garcia para apresentar O Mágico de Oz e o diretor e cinéfilo Herval Rossano num festival dedicado a Alfred Hitchcock.

A imagem ao lado é um oferecimento Micro Brew Reviews

Veja também:
Elvira praguejando em DVD
Encontro marcado com Josefel Zanatas no Cine Trash
Cine Sinistro: Vampira sangue BR

A Fera da Penha: Primeira psicopata superstar

Neyde Maia Lopes não cantava, dançava ou atuava, mas conseguiu muito mais destaque na imprensa do que várias artistas. Em 1960, com apenas 22 anos, ela chocou o Brasil ao confessar que, indignada por ser a outra, sequestrou, matou e queimou o corpo da menina Tânia de apenas quatro anos de idade.

Como o escritor Ruy Castro disse no especial Linha Direta de 2003, um crime que hoje ficaria na mídia por uns três dias, na época, pelo ineditismo cruel, alimentou jornais e revistas por três anos. Neyde ficou conhecida como A Fera da Penha, referência ao bairro carioca onde assassinou a menina num matadouro.

Solitária e filha única, pegava o trem todos os dias para ir trabalhar no centro da cidade. Havida leitora de revistas de mistério, no caminho se entretinha lendo no jornal as crônica A Vida Como Ela É de Nelson Rodrigues.

Num dia conheceu na Central do Brasil o jovem Antônio Couto Araújo. Teria recusado as investidas do rapaz, mesmo desconhecendo que era casado e pai de família, até que cedeu e mantiveram um affair em sigilo.

Por meses ele a pegava no trabalho com o carro da firma, embora falasse a Neyde que era dele. Nos encontros em motéis a moça reprimida se soltava, falando constantemente em assuntos mórbidos, como perguntando se o amante a beijaria mesmo estando morta.

Apaixonada, num dia, por coincidência, conversa com o pai de uma amiga, que também conhecia Antônio. Este lhe revela preocupação já que está sendo enganada por um homem comprometido e pai de dois filhos, o que lhe deixa furiosa!

Aí a história ganha contornos de ficção, com toques de uma armadilha que apenas uma mente prodigiosa e fria criaria. Neyde continua se encontrando com o amante sem revelar que sabe a verdade sobre seu estado civil.

Através do pai da amiga consegue o endereço de Antônio. Sem que ele saiba, vai até lá e se apresenta a esposa Nilza Coelho Araújo dizendo ser sua antiga colega de escola, inclusive sua xará.

Fazendo jogos de palavras, consegue descobrir até o nome do colégio em que teriam estudado. Dá a entender que tinha interesse pelo irmão de Nilza e assim, conquista a confiança para frequentar a casa.

Frequentou por meses, indo embora nos horários em que Antônio estaria para chegar do trabalho. Quando lhe revela que sabe de tudo e que tem frequentado sua casa ele fica estarrecido!

Neyde lhe dá um ultimato para abandonar Nilza e as meninas, mas Antônio não leva a sério. Apenas se afasta dela, arrumando novas amásias, o que a teria enfurecido ainda mais, fazendo surgir as primeiras ameaças.

Obsessiva, não conformada em ser a amante numa sociedade preconceituosa, chega a comprar uma arma calibre 22, mas os colegas do trabalho explicam que não é um bom revólver, então voltou à loja e troca por um 32, mais letal. Passada uma semana, resolve agir indo até Nilza e perguntando o que mais faz Antônio feliz, e ouve que é quando ele chega do trabalho e ganha beijinhos da filha mais velha, Taninha, de quatro anos.

Assim, passou a forçar um laço com a menina, lhe enchendo de presentes. Em junho de 1960 ligou para a escola de Tânia se dizendo ser a mãe da garota, que impossibilitada de ir buscá-la mais cedo, enviaria uma vizinha.

Quando Nilza vai levar um lanche na escola toma conhecimento da ligação e da “amiga” que esteve lá e entra em pânico. Sem desconfiar de Neyde, ela avisa a polícia e o marido do sumiço, este confessa a um amigo que suspeita da amante, mas nada diz a esposa, que lhe julga fiel.

Neyde ficou dando voltas com a menina por horas, pensando no que fazer até que pegou um ônibus até a Penha para visitar uma amiga. Lá disse que Tânia era filha de uma conhecida que lhe pediu para passear com ela.

Caindo a noite, pediu uma tesoura para cortar uma mecha do cabelo da criança, coisa de assustou a amiga. Saiu de lá e dirigiu-se até uma farmácia onde comprou um litro de álcool, indagada por Taninha, disse que ela ficaria doente e que precisaria ser tratada.

Arrasta a pequena até um matadouro, saca o revolver da bolsa e a executa com um tiro na nuca. Ateia fogo ao corpo junto à mecha de cabelo, desistindo de fazer chantagem com o mesmo para desesperar Antônio.

Sai imediatamente do local, sem saber que haviam dois vigiais que ouviram os tiros e foram até lá. Um deles liga pra polícia e o outro consegue avistar Neyde entrando num táxi.

Reconheceu que ela havia estado lá, dois dias antes, perguntando quanto tempo os urubus demoravam para acabar com um corpo. Não foi difícil ligar uma coisa a outra, pela estranheza da pergunta.

Descendo do táxi recebe voz de prisão, momento em que os policiais também encontram em sua bolsa a arma calibre 32 e uma caixa de fósforos. Presa, se recusou a olhar o local do crime, demonstrando estar também chocada disse que na delegacia contaria tudo.

Foi interrogada por mais de 12 horas sem poder beber água ou fumar e continuou negando tudo friamente. Manteve-se tranquilo inclusive na hora de confrontar Antônio, Nilza e outras testemunhas.

Semanas se passaram e ela presa até que aceitou dar uma entrevista ao radialista Saulo Gomes. A princípio negou, mas insistentemente indagada por Gomes sobre a autoria do crime, ficou irritada, declarando que só não matou a todos da família porque não teve tempo.

Acabou por relatar na rádio passo a passo todo o crime com uma frieza que revoltou a todos. Ré confessa, foi julgada a 33 anos de prisão, cumprindo apenas 15 por bom comportamento, sendo solta em 1975.

Voltou a morar com os pais, com quem viveu até falecerem. Hoje estaria morando em Cascadura, subúrbio do Rio de Janeiro, onde, segundo vizinhos, nunca conversa com ninguém, nem abre as janelas.

Os pais da menina continuaram juntos, depois que Nilza perdoou o marido tiveram mais dois filhos e dois netos. Taninha foi enterrada no cemitério de Inhaúma e seu túmulo é constantemente visitado por pessoas que buscam um milagre.

A primeira imagem é um oferecimento Brazil News, a segunda e última, O Globo.