quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Ficção científica 80’s virará série de TV

Força Sinistra (Lifeforce, 1985 de Tobe Hopper), ficção científica produzida no embalo do cometa Halley, virará uma série de TV. Os direitos do romance original (The Space Vampires) foram adquiridos para ser explorado na televisão.

O filme do mesmo diretor de O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chain Saw Massacre, 1974) foi um fracasso de bilheteria, mas muito famoso nas reprises da TV. Mais pela alienígena que anda por aí pelada sugando as energias dos outros do que pela história do filme em si, que se torna um tanto quanto cansativa, relembre clicando aqui.

A trama não tem nada de excepcional com muitos pontos exaustivamente explorados em outros filmes. Astronautas estudando o cometa cruzam com criaturas aparentemente mortas e muito bem conservadas no interior de uma espaçonave abandonada.

Resolvem trazê-las pra serem estudadas aqui na Terra e o resto já se imagina o que acontece. fartura de nudez gratuita e cadáveres ressecados.

O tratamento televisivo deve manter o título "Lifeforce", a ser explorado também em graphic novel, videogames entre outras mídias.

Veja o que aconteceu ao Bebê de Rosemary...

 ...Nada! O inferno é morno levando em conta as expectativas de “Look What's Happened to Rosemary's Baby” (1976 de Sam O'Steen), sequencia produzida para a TV de O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby, 1968 de Roman Polanski).

Curiosamente, a trilogia A Profecia (1976, 1978 e 1981), claramente calcado no filme de Polanski, desenvolve muito melhor os rumos do anticristo na Terra. O caminho mais lógico seria alçar um cargo público.

No telefilme oficial, que começa exatamente do ponto onde o filme acabou, Rosemary promete cuidar do garoto, foge com o filho, mas é roubado anos depois pela seita. Ela entra num ônibus sem motorista (!!!) e sabe Deus (ou o capiroto) onde foi parar.

Criado por uma dançarina exótica, Adrian não quer saber de nada com nada. Tem um ponto que ele aparece de maquiagem que lembra a do Tim Curry em The Rocky Horror Picture Show (1975 de Jim Sharman), o que sugere que se tornaria um pop star, mas que nada!

É tanta apatia que os bruxos, que tanto fizeram pra gerá-lo, cogitam matar sua cria. Tudo aquilo que a Rosemary passou foi pra nada?

Do elenco original sobreviveu a Ruth Gordon repetindo sua Minnie Castevet (Papel laureado com o Oscar em 1969). O ator Sidney Blackmer, interprete do poderoso Roman Castevet, já havia falecido e foi substituído pelo grande Ray Milland.

Ao invés de Mia Farrow, a pobre Rosemary é vivida pela ex-atriz mirim Patty Duke. Como Marido, agora um famoso astro em Hollywood, sai John Cassavetes, entra George Maharis, ex-galã teen 60’s.

Sam O'Steen foi diretor de alguns poucos telefilmes como este, mas teve uma carreira longa no cinema como editor, chegando a ser indicado três vezes ao Oscar. Montou inclusive o Bebê de Rosemary , mas não deve ter prestado muita atenção.

Veja também:
Não diga! Joan Crawford iliminada de O Bebê de Rosemary!!!
A poderosa raiz de tannis

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Winona Ryder diz que estará em Beetlejuice 2

E a ideia de Beetlejuice 2 começa a parecer menos estapafúrdia. Winona Ryder se junta a Tim Burton e Michael Keaton na sequencia de Os Fantasmas Se Divertem (Beetlejuice, 1989 de Tim Burton).

A atriz confirma que volta como Lydia Deetz, um dos primeiros sucessos de sua carreira (assim como do diretor Tim Burton). Esclareceu que está sob um tipo de juramento de sigilo, mas que não se tratará de uma refilmagem, mas continuação mesmo, ou seja, mostrará o que aconteceu aos personagens 27 anos depois.

Os boatos sobre esse filme começaram a surgir há muito tempo até pelos bons lucros que gerou à Warner. Ryder diz entender a torcida de nariz de muitos fãs do filme original ao projeto, mas que ela provavelmente não teria embarcado sem as presenças de Tim E Michael.

Lembrando que no final do primeiro a garota gótica e seus pais yuppies nova-iorquinos passam a viver em harmonia com os residentes fantasmas. Betelgeuse está preso ao burocrático universo do pós-vida.

Não há notícias ainda se Geena Davis, Alec Baldwin ou outro remanescentes estarão no novo filme. Ainda do elenco original, a veterana Sylvia Sydney (Juno, a chefona do além) e Glenn Shadix (gordinho místico Otto) já faleceram.

A garota mais censurada em Hollywood

E indiretamente Jane Russell e o produtor diretor Howard Hughes lucraram com a moral e bons costumes do inicio da década de 40. O título O Proscrito (The Outlaw, 1943) ajudou a fomentar a imaginação da plateia da época por anos a fio até poderem realmente assisti-lo.

Finalizado em 1941 o filme só seria exibido em 1943 na tentativa de escapar dos muitos cortes impostos pelo órgão regulador formado pelos próprios estúdios. Com 115 minutos (a metragem que temos na maioria das edições em DVD) chegou a ser exibido em alguns estados, mas logo recolhido pelo próprio Hughes que não queria retalhar ainda mais a película.

Seria relançado em 1946 com furor público! O dono de um cinema de São Francisco foi preso por exibir fita "ofensiva à decência" o que causou o banimento em muitos lugares, incluindo Nova York.

Ainda assim, o filme continuou sendo exibido pelos EUA e ganhando muito dinheiro. A estreante Jane Russell tornou-se estrela embora seus atributos físicos, explorados à exaustão para promover O Proscrito, fossem muito mais comentados do que qualquer aptidão dramática.

De picante mesmo o filme tinha sua figura sexy, revolucionária como o primeiro papel feminino num faroeste. Antes as mulheres eram figuras meramente ilustrativas, sem interesse relevante às histórias de cowboys.

Entre os mitos que surgiram está o de que Howard Hughes, também aviador, usou seus conhecimentos de dinâmica para projetar seu sutiã, semelhante aos que existem hoje. Russell confirmava isso, mas dizia que não o usou em cena, porque ele não pediria pra conferir.

 Com todos os entraves com a censura explorados pela imprensa e Hughes gastando os tufos em promoção, Jane Russell ficou conhecidíssima sem nunca ter sido vista no cinema. Só voltou a trabalhar em outras produções a partir de 1946.

Veja também:
Jane Russell no cúmulo da voluptuosidade
A classificação dos filmes de Hollywood
Howard Hughes: A garota esquecida do harém

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Quando a maconha estreou no horário nobre

A feitura de um baseado de maconha foi vista na TV pela primeira vez no capítulo 39 da novela Água Viva, exibida na TV Globo em 1980 e no canal pago Viva em 2013. O ator Fernando Eiras aparece bolando um cigarro passo a passo enquanto conversa com Maria Padilha e Gloria Pires no apartamento do núcleo jovem.

 A cena acaba com o rapaz convidando Sandra (Gloria Pires) para ir ver o “novo filme da Jane Fonda”. Poderia ser um singelo cigarrinho de palha se numa das sequencias anteriores a Beatriz Segall (a vilã Lourdes Mesquita, que foi até lá procurar o filho) não tivesse esbravejado contra o ambiente hippie. Mas o fumacê não acabará por aí!

A coluna “As Novelas Ontem” que comentava os capítulos no jornal A Folha de São Paulo registrou a seguinte nota em 03 de junho de 1980 (desfoquei as últimas linhas pra esconder spoilers).
Parece que será mais explícito e no apartamento do Doutor Miguel Fragonard! Hare Krishna no lugar do costumeiro Tristão e Isolda e como bem disse um amigo meu, menina Sandrinha já é lenta, agora ela para de vez...

No capítulo 39 foi tão displicente que escapou aos olhos da imprensa e, consecutivamente, da censura. Assim como outros temas “modernos” expostos por Água Viva (falei a respeito deles aqui antes, leia), mais de três décadas depois continua sendo tabu na TV e na sociedade.

Gilberto Braga, o autor, já havia explorado o tema de forma ainda mais sutil na sua novela anterior, Dancin’ Days de 1978. Também com a personagem de Gloria Pires, que no caso se chamava Marisa.
Cena de Dancin' Days, 1978

Mimadinha, criada pela tia rica e malvada (Joana Fomm), a garota entra em parafuso ao descobrir que a mãe biológica é a ex presidiária simpática que a rodeia. Passa a usar roupas indianas e enche seu apartamento de cabeludos esquisitos.

Marisa fica deitada num pufe ouvindo som psicodélico e qualquer um que tenta puxar assunto ela diz “Escuta o som! Escuta essa guitarra, esse Cara é fera!!!”. Nenhuma menção a cigarro algum é dita ou mostrado uma fumacinha de incenso que seja, mas entendemos o que acontece ali.

Veja também:
Grã fina com hábitos de pedreiro
Valia tudo nos dias dançantes

Ken nos pulsantes anos 70

E nem sempre o Ken teve o cabelo agarrado na cabeça, conforme ficou celebrizado em Toy Story 3 (2010 de Lee Unkrich).  Mod Hair Ken transformava o galã da Barbie no suprassumo do style 1973.

Assista ao comercial no player acima ou clicando aqui. O boneco de gola rolé acompanhava dois modelos de bigode, costeletas e cavanhaque, pra ele ir mudando o visual conforme o espírito do dia (creio que cavanhaque mais costeletas formava barba, mas barba era uma coisa então meio fora de moda) .

De bigode ele viraria o cara mau e apenas de costeletas é o herói que salva a garota! De qualquer jeito, parece pronto pra caminhar pela “42nd Street” atrás de aventuras junto ao Ken Black (que havia sido lançado em 1969).

Ken nunca teve a aparência tão marcante de uma época. O brinquedo ainda promovia para as meninas uma rara interação com esses itens tão masculinos.

Adultas, nunca mais tiveram que decidir sozinhas entre bigode ou cara limpa, caso não se tornem drag kings, claro. Nessa hipótese, muito velcro dos bigodes foi colado na cara da Barbie (~Tudo o que você quer ser~)...


As imagens são um oferecimento Man behind the doll e Wipwapweb.

Veja também:

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

20 anos de Arquivo X: 20 verdades que estão lá fora


Duas décadas correram desde que Arquivo X (The X-File) estreou na TV fazendo uma mistura de Twin Peaks com Além da Imaginação (The Twilight Zone). Durou nove anos suadinhos, mas com momentos espetaculares (1993 – 2002).

Abaixo 20 curiosidades que talvez você não saiba, talvez tenha esquecido e gostaria de relembrar. Algumas informações ajudam a contar a trajetória do programa.

1- O filme favorito do Agente Fox Mulder é Plano 9 do Espaço Sideral Plan 9 from Outer Space (1959 de Ed Wood).

2- O famoso acorde do tema de abertura foi um acaso. Mark Snow acidentalmente descansou o cotovelo no teclado que estava na função “echo”, gostou do resultado e compôs toda a música em torno dele.

3- David Duchovny originalmente sugeriu Jennifer Beals , atriz de Flashdance (1983 de Adrian Lyne ) para ser a Agente Scully. Eles haviam sido colegas na universidade.

4- Todas as vezes que Gillian Anderson foi indicada ao Globo de Ouro pela série (de 1996 a 1999), David Duchovny também foi categoria correspondente. Ambos ganharam em 1997.

5- Ao Emmy, Duchovny foi indicado apenas em 1997 e 1998 e sua parceira de 1996 a 1999. Gillian Anderson recebeu o prêmio máximo da TV por Arquivo X em 1997.

6- No áudio em português brasileiro, a voz que lia as frases que apareciam na abertura (atividade paranormal, A verdade está lá fora, Arquivo X, etc.) e o título dos episódios é a mesma de Homer Simpson, também exibido no canal Fox. Serviço do ator e dublador Valdir Santana, famoso nos anos 80 como capataz de Sinhozinho Malta na novela Roque Santeiro.

7- A série foi filmada no Canadá até a quarta temporada pelo clima úmido e por ser mais barato. Vários atores locais são vistos em papeis diferentes.

8- Bruce Campbell, ator de Evil Dead (1981 de Sam Raimi) fez teste para ser o Agente John Doggett, papel que ficaria com Robert Patrick. Campbell estreou um divertido episódio na sétima temporada.

9- Nos crachás do FBI que aparecem na abertura está escrito “Federal Bureau of Justice” ao contrário do lógico “Federal Bureau of Investigation”. Seria ilegal, mesmo para um programa de TV, reproduzi-los.

10- Grávida no início da segunda temporada, Gillian Anderson voltou a trabalhar como Dana Scully apenas 10 dias após dar a luz. A gravidez acabou se tornando importante mote na mitologia central da série.

11- A atriz Anne Elizabeth Gish, que interpretou a Agente Monica Reyes nas derradeiras temporadas, não é parente da lendária atriz do cinema mundo Lilian Gish. Ela diz que pertence a “galhos distantes da mesma árvore genealógica”.

12- O site do FBI cita a série na sessão que tenta desmistificar mitos relacionados a eles. Assumem que têm registros estranhos em seus arquivos, mas estão longe de investigar como no programa. Eles não têm arquivos secretos. A série publicava um aviso no final de cada episódio deixando claro que o FBI não tinha relação alguma com eles.

13- Mulder, assim como os investigadores de romances policiais pulp, tinha o hábito de mastigar petiscos. No caso dele eram sementes de girassol.

14- Os contratos de elenco e produtores seriam para cinco temporadas. Convencidos pela Fox gravaram duas e depois outras duas temporadas. Assim, a série teve dois “desfechos” mal sucedidos além do final em 2002, o que alterou consideravelmente os rumos da mitologia, encerrando e criando novos arcos.

15- O piloto exibido em 10 de setembro de 1993 alcançou 12 milhões de telespectadores nos EUA. O último episódio exibido com pompas de grande evento em 19 de maio de 2002 atraiu 13 milhões de telespectadores.

16- Distribuído em VHS em reedições de alguns episódios (dando certo sentido como filmes) desde 1996 inclusive no Brasil, teve todas as temporadas posteriormente lançadas em DVD em boxes por ano e em caixas com todos os episódios. Ainda teve os discos vendidos separadamente em bancas de revistas junto a fascículos.

17- Os Pistoleiros Solitários (The Lone Gunmen) é o único spin-off televisivo de Arquivo X (desconsiderando Millennium), no ar em 2001. Protagonizado com um tom bem humorado pelos ajudantes hackers de Scully e Mulder a série foi cancelada no mesmo ano.

18- Lucy Lawless, uma estrela após o sucesso de Xena, ganharia um papel fixo, mas foi afastada por ter uma gravidez de risco. Sua sensual aparição em dois episódios acabou ficando uma participação especial.

19- Foram lançados três discos contendo entre música compostas para a série e compilações: “Songs in the Key of X: Music from and Inspired by the X-Files” (1996), “The Truth and the Light: Music from the X-Files” (1996) e The X-Files: The Album (1998).

20- David Duchovny dirigiu três episódios: “The Unnatural”( S06E19), “William” (S07E16) e “Hollywood A.D.”( S07E19). Gillian Anderson teve sua única experiência dirigindo no sensível “All Things” (S07E17).

 Fontes básicas: IMDB, Wikiepédia 

A primeira imagem é um oferecimento Parade

Veja também:

Pausa para nossos comerciais


Prists não faz biquinis. Em compensação Prists faz a dona do biquini olhar para você com muito mais entusiasmo. Não é melhor assim?

Short masculino de banho com cintinho! Do tempo do biquíni de bolinhas, como percebe-se pela atenciosa moça ali embaixo...

Cinto na cintura, tecido grosso, areia e água salgada deviam ser uma combinação maravilhosa no final do dia. Antes da aderente Lycra facilitar a vida de meio mundo...

Lycra seria deposta de seu trono ensolarado só em meados dos anos 90 por aquelas bermudas de teckel. As teimosas bermudas de teckel ainda vistas aqui e acolá, mas tão sem graça.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Prato preferido de Vadinho


Ipsis litteris a receita conforme publicada em 1966 no livro Dona Flor e Seus Dois Maridos de Jorge Amado, adicionados aqui apenas os grifos. E a gente lê inevitavelmente ouvindo na nossa cabeça a voz da Sonia Braga....

 RECEITA DE DONA FLOR: MOQUECA DE SIRI MOLE

Aula teórica: INGREDIENTES (para 8 pessoas): uma xícara de leite de coco, puro, sem água; uma xícara de azeite de dendê; um quilo de siri mole. Para o molho: três dentes de alho; sal ao gosto; o suco de um limão; coentro; salsa; cebolinha verde; duas cebolas; meia xícara de azeite doce; um pimentão; meio quilo de tomates. Para depois: quatro tomates; uma cebola; um pimentão.

Aula prática: Ralem duas cebolas, amassem o alho no pilão; cebola e alho não empestam, não, senhoras, são frutos da terra, perfumados.
Piquem o coentro bem picado, a salsa, alguns tomates, a cebolinha e meio pimentão. Misturem tudo em azeite doce e a parte ponham esse molho de aromas suculento.
(essas tolas acham a cebola fedorenta, que sabem elas dos odores puros? Vadinho gostava de comer cebola crua e seu beijo ardia). 

Lavem os siris inteiros em água de limão, lavem bastante, mais um pouco ainda, para tirar o sujo sem lhes tirar porém a maresia. E agora a temperá-los: um a um no molho mergulhando, depois na frigideira colocando um a um, os siris com seu tempero. Espalhem o resto do molho por cima dos siris bem devagar que esse prato é muito delicado. (ai, era o prato preferido de Vadinho!) 

Tomem de quatro tomates escolhidos, um pimentão, uma cebola, tudo por cima e em rodelas coloquem para dar um toque de beleza. No abafado por duas horas deixem a tomar gosto. Levem depois a frigideira ao fogo. (lá ele mesmo comprar o siri mole, possuía freguês antigo, no Mercado...

Quando estiver quase cozido e só então juntem o leite de côco e no finzinho o azeite de dendê, pouco antes de tirar do fogo. (Ia provar o molho a todo instante, gosto mais apurado ninguém tinha).

Ai está esse prato fino, requintado, da melhor cozinha, quem o fizer pode gabar-se com razão de ser cozinheira de mão cheia. Mas, se não tiver competência, é melhor não se meter nem todo mundo nasce artista do fogão. (Era o prato predileto de Vadinho nunca mais em minha mesa o servirei. Seus dentes mordiam o siri mole, seus lábios amarelos do dendê. Ai, nunca mais seus lábios, sua língua, nunca mais sua ardida boca de cebola crua!) 
Do livro Dona Flor e Seus Dois Maridos de Jorge Amado


A aula intercalada aos devaneios saudosistas da Dona Florípedes abre o apetite para tentar encarar o livro é um primor. Difícil será desassociar do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976 de Bruno Barreto).

Na adaptação cinematográfica  a receita tem bastante destaque, mas é abreviada durante as lembranças da protagonista pós velório. Resumida é ainda um bônus do DVD distribuído pela Paramount.

Parte do texto original reaparece durante a aula de culinária em que Vadinho acaricia as nádegas das alunas. Mas aí a receita é de quibebe de camarão e depois sarapatel, não incluídas na obra original.

Não sei se ela se mete atrás de um fogão de verdade, mas Sonia Braga ficou tão célebre como cozinheira (por Dona Flor e Gabriela) que fez muitos anúncios na TV de produtos culinários, além de ilustrar capas de livros e revistas de receitas. Hoje seria convidada pra fazer uma visitinha ao Mais Você...

Veja também:

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Primeiro pôster de Jolie como Malévola

 

Os estúdios Disney divulgaram o primeiro pôster oficial de Maleficent, estrelado por Angelina Jolie em 2014. A história contará as origens da Malévola, vilã de A Bela Adormecida (Sleeping Beauty, 1959 de Clyde Geronimi).

Com essa onda (de propósitos discutíveis) de adaptar histórias infantis à plateia adulta jovem, não seria logo a Disney quem iria ficar de fora. Dona dos principais clássicos animados, se tudo correr bem, pode-se esperar muito outros filmes semelhantes.

A mistura parece estar azeitada com tudo o que Hollywood tem feito aos montes: Uma atriz famosa, prequel de um personagem famoso, adaptação de um conto de fadas infantil, roupagem moderna, etc. Ponto ruim é que tudo ser soft nos padrões da Casa do Mickey.

Lembrando que os recentes Branca de Neve e o Caçador (Snow White and the Huntsman, 2012 de Rupert Sanders) e João e Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel & Gretel: Witch Hunters, 2013 de Tommy Wirkola) tiveram resultados quase constrangedores. Mas a gente sempre deve esperar pelo melhor...

Na versão animada a personagem teve seus traços inspirados na atriz Eleanor Audley. Era comum eles fotografem e filmarem atores para que os animadores seguissem os movimentos realistas.

Audley, falecida em 1990, também fez a voz da personagem. Em 1950 ela havia “moldado” do mesmo jeito a Senhora Tremaine, madrasta da Cinderela.
Heloísa Helena, a Malévola brasileira

No Brasil, Malévola teve a voz da atriz e cantora Heloísa Helena na dublagem feita para o lançamento nos cinemas. De origem radiofônica, Heloisa Helena teve loga carreira nas telenovelas.

Entre as várias versões de A Bela Adormecida, destacam-se as de Charles Perrault (publicada em 1697) e a dos Irmãos Grimm (publicada em 1812). O desenho se inspira tanto na versão de Perrault quanto no balé de Tchaikovsky de 1890.

Malévola, com este nome, tendo podres de bruxa malvada, só existe no filme da Disney. Nos contos originais ela é uma fada mais velha do que as 12 fadas convidadas para o batizado, numa história que não acaba como o beijo do príncipe.

A terceira imagem é um oferecimento Animan, a quarta Novelas Classicas

Veja também:
De Carne e Osso para Desenho

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ed Wood na pré-história

Se alguém se sentir ultrajado com a qualidade de One Million AC / DC (1969 de Ed De Priest) o azar é seu. Da capinha do DVD da Something Weird ao trailer, tudo cheira a um dos orçamentos mais miseráveis que um filme já recebeu.

A parte melhor, o roteiro foi escrito por Akdon Telmig, pseudônimo de Ed Wood Jr! “Akdon Telmig” seria o contrário de Vodka Gimlet (Nos créditos o “V” foi trocado por “N”), um drink popular na década de 40/50 com gim (Não dá pra tentar entender a vodka aí, num pseudônimo de você sabe quem, né?).

Ed Wood foi um tipo de Howard Hawks com menos condições. Dirigiu ou roteirizou todos os tipos de gêneros imagináveis, bastando que eles estivessem na moda, rendendo dinheiro.

E nos anos 60 existiram muitos explotation transcorridos nos tempos das cavernas a partir de Mil Séculos Antes de Cristo (One Million Years B.C., 1966 de Don Chaffey) sucesso da Hammer Films estrelado por Raquel Welch. Ainda eram uma boa desculpa para poupar em cenários e as mulheres andarem quase sem roupa.

No caso de “One Million AC / DC”, entre um trapinho de pele aqui e outro ali, conquistados no lixo de algum curtume, elas dispensaram qualquer roupa na maior parte do tempo. Custo mínimo até em figurino!

O roteiro é tão incrível que há até um pornógrafo rupestre! Duas garotas se esfregam seminuas enquanto um dos primitivos registra o que vê nas paredes da caverna...

Enquanto lá fora um gorila (ou um homem vestido de gorila) sequestra as mais belas selvagens dando sopa, dentro da caverna é uma orgia sem fim de luxuria e gula. E entre uma pelada e outra ainda rola alguma violência entre os representantes do sexo masculino.

Naquela época morria-se muito, ou disputando as mulheres ou na boca de um dinossauro. OS DINOSSAUROS é um capítulo à parte!!!

Veja no player abaixo (ou clicando) os mais incríveis dinossauros já filmados! Uma dos grandes momentos da Sétima Arte (Os invejosos dirão que são bonequinhos de borracha de R$ 1,99)


Não se trata de um cameo do Rex de Toy Story. Perto destes efeitos especiais quem pode discutir a impossibilidade de humanos e dinossauros contracenarem?

Veja também:
Pôster e trailer versus a verdade
Ed Wood: pai do nu frontal no cinema americano?
Necromania: O Ed Wood desaparecido
Alguém aí disse rabo?

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Joan Crawford, onde está a Pepsi?

Tão divertido quando encontrar Alfred Hitchcock em seus próprios filmes é encontrar Pepsi nos filmes 60’s com a Joan Crawford. Isso porque, ao ficar viúva do presidente dos refrigerantes, a atriz se recusou a deixar a administração da empresa.

No Conselho Diretor da Pepsi, Crawford assumiu o cargo de porta-voz até ser expulsa em 1973. Nesse meio tempo viajou o mundo inaugurando fábricas, inclusive veio ao Brasil toda faceira.

Coincidentemente, essa fase é a mesma do seu renascimento artístico com O Que Aconteceu com Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane?, 1962 de Robert Aldrich). E ela (e todas as grandes atrizes de outrora) saiu topando vários filmes de terror e suspense, de olho na indicação ao Oscar que a prezada colega Bette Davis recebeu.

 E claro que Crawford aproveitou os holofotes para promover Pepsi! Não forma muitos, mas quase todos os filmes a partir dali aparece a marca de alguma forma.

Só não encontrei em dois: Della (1964 de Robert Gist) e Eu Vi que Foi Você (I Saw What You Did, 1965 de William Castle). No primeiro vemos empresários tomando copões de algum líquido escuro, que provavelmente, não é Coca-Cola.

Mas eu posso não ter visto direito! Mesmo em Eu Vi que Foi Você, existem adolescentes bem dispostas em cena que mereciam beber uma refrescante Pepsi.

Não encontrei também sinal da bebida em nenhuma das participações que ela fez em seriados de TV como Lucy Show ou o episódio de Night Gallery dirigido por Steven Spielberg . Se alguém encontrar, atualizo o post!

Almas nas Trevas (The Caretakers, 1963 de Hall Bartlett) – Pepsi aparece na entrada de um cinema e servida num piquenique da clínica psiquiátrica (!!!). Pelo momento fabuloso de Joan Crawford aparecer dando aulas de caratê o filme tinham que ter mostrado mais a marca.

Almas Mortas (Strait-Jacket, 1964 de William Castle) – Mais um filme a abordar distúrbios mentais e olha a Pepsi ali! Displicente entre a mãe e a filha.

Espetáculo de Sangue (Berserk, 1967 de Jim O'Connolly) – Filme de terror inglês em que Crawford é uma poderosa dona de Circo onde misteriosos assassinatos acontecem. Não deve ter dado trabalho pensar onde aparecer a marca. Alguém sempre está tomando Pepsi na plateia!

Trog, O Monstro da Caverna (Trog, 1970 de Freddie Francis) – Canto de cisne da atriz na tela grande. Quando o monstro está para sair da gruta pela primeira vez há uma movimentação de populares curiosos e equipes de TV. Não poderia faltar uma barraquinha de venda de Pepsi! Após a hilária sequencia de pânico da multidão devem ter ficado com sede.

EXTRA!!!! O MAIS INCRÍVEL DE TUDO! 

O Aniversário (The Anniversary, 1968 de Roy Ward Baker) – OPS! Como é que Bette Davis, que se preocupava com tantos detalhes (muitos além de sua ossada) na produção dos seus filmes deixou escapar essas garrafas de Pepsi?

Logo ela que enquanto trabalhava com Joan Crawford em “Baby Jane” e posteriormente na tentativa de repetir a dupla em Com A Maldade na Alma (Hush hush Sweet Charlote, 1964 de Hush...Hush, Sweet Charlotte) dizia aos quatro ventos que não trocava Coca-Cola por nada!

A primeira imagem é um oferecimento Mimi Berlin, a segunda Pepsi Man e a quarta e a quinta, Poseidon's Underworld.

Veja também:
Joan Crawford my amiga no Brasil
Russia Libre: Pepsi, vodka e duas pedras de gelo
Enjoy Coca-Cola

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A Gata de Vison: Metralhadoras e lágrimas

Nem tudo são mocinhas chorosas e galãs conquistadores no reino das telenovelas brasileiras. A Gata de Vison, escrita pela cubana Glória Magadan em 1968, levava a Chicago 20’s ao horário das 20horas da Globo!

Durante a Lei Seca, Yoná Magalhães é Dolly Parker, uma mafiosa que é morta por gangues rivais logo no primeiro capítulo. Assim entra em cena a gêmea, Maggie Parker, que se sente obrigada a assumir os negócios da irmã.

Tarcísio Meira é o mocinho Bob Ferguson que se infiltra na organização e acaba por se apaixonar pela mocinha, evidente! Insatisfeito com as mudanças bruscas que seu personagem sofria a todo instante, pediu para sair da trama.

A solução da Magadan foi matar o personagem, coisa que o ator teria se recusado a gravar. Sobrou mais espaço ao gangster Dino Falconi (Geraldo Del Rey) se redimir e conquistar de vez o coração de Maggie Parker.

Segundo o site Memória Globo, o público rejeitou o casal principal, formado por Tarcisio e Yoná. A emissora havia desfeito ao mesmo tempo seus principais casais: Tarcisio Meira e Gloria Menezes, Carlos Alberto e Yoná Magalhães.

No horário das 19 horas, Gloria aparecia ao lado de Carlos na novela Passo dos Ventos escrita por Janete Clair. Os casais seriam recompostos logo em 1969, Carlos e Yoná em A Ponte dos Suspiros (de Dias Gomes sob o pseudônimo Stela Calderón), Tarcisio e Gloria em Rosa Rebelde (também de Clair), dupla mantida até hoje dentro e fora das telas.

Com Beto Rockfeller já “transgredindo” o gênero novela na concorrente Tupi, A Gata de Vison foi um dos primeiros passos ao estilo mais próximo da realidade. Suavizava o tom solene dos dramalhões românticos transcorridos em lugares de sonho, heranças do rádio e folhetins importadas principalmente pela própria Glória Magadan.

 Embora a trama fosse referente aos filmes estrelados por James Cagney, suas muitas cenas de ação se inspiravam nos faroestes. Essa formula, reprisada com êxito muitas outras vezes, seria essencial para a conquista do público masculino.

A segunda imagem é um oferecimento Yona Diva da TV, a terceira Astros em Revista.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Odisseia de som e fúria

Tente assistir a uma apresentação de Assim falou Zaratustra sem lembrar de 2001 - Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968 de Stanley Kubrick). Impossível porque o filme é muito conhecido.

E também por uma sacada do diretor: Os gestos do tocador de tímpanos, instrumento de destaque na peça, são muito parecidos ao movimento dos macacos em fúria! São sons e movimentos violentos em meio à calmaria.

Tive experiência muito doida ao cobrir evento bem cafona, voltado a noivas, onde compreendi plenamente as escolhas de Kubrick. No começo do desfile uma orquestrinha começou a tocar a tal introdução de Richard Strauss na intenção de causar certo impacto e pensei que fossem entrar macacos empunhando ossos...

Veja também:
“A Laranja Mecânica dos anos 90”
O que há na música favorita de Norman Bates?

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A incrível capa que se multiplicou

  
Estava eu proseando com amigo e fuçando sites de distribuidoras de DVDs quando chegamos até essa capa de O Incrível Homem Que Encolheu (The Incredible Shrinking Man, 1957 de Jack Arnold) pela Cult Classic Filmes. A melhor do mundo, mas onde eu já a tinha visto?

Idêntica a uma das capas customizadas em 2008 pelo Phelpster do blog The Manchester Morgue! Tem um comentário elogioso meu dessa época lá. (Risos)

Com boa fé, creio que o DVD nacional pode ter se inspirado ou é mera coincidência. O próprio artista conta que reutilizou velha capa de um livro de Richard Matheson e alterou o texto.

Sendo um pouco advogado do diabo, na web não encontrei o trabalho de Phelpster para ser baixado com qualidade de impressão. Só há essa capa e contracapa no blog e no seu perfil do Deviantart (sorte dele?).

Em contrapartida, encontrei a tal capa do livro em alta definição, boa para ser reproduzida. Capaz que assim como ele, moçada da brasileira Cult Classic Filmes apagou e trocou o título em inglês para a nossa língua.

À esquerda você vê a edição do livro de 1969 e ao lado como o filme foi distribuído em DVD nos EUA pela Universal Studios. O arquivo foi postado no Flickr em 2004.

Aliás, à direita é a mesma arte utilizada em todos os países em que a Universal distribuiu o filme digitalmente. No Brasil essa arte também está disponível na edição da Amazon Digital.

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Fascinante cara que encolheu