terça-feira, 15 de outubro de 2013

Com a palavra, Vampira!

Na entrevista a seguir, Vampira (sim, VAMPIRA!) fala sobre seu tempo glorioso de sucesso nacional e dos amigos famosos que teve. Amigos e amantes, sendo que relembra até do toco que tomou do Marlon Brando e o pito que deu em Elvis por ser grosseiro com mulheres.

Importante resaltar que foi concedida em 1984 e publicada na revista Touch naquela época. Antes de seu nome ser resgatado graças à cinebiografia de Ed Wood dirigida por Tim Burton em 1994.

A partir dos anos 90 até seu falecimento em 2008, geralmente ela era chamada pra falar sobre cinema B. Nesta entrevista ela é a apresentadora de TV que foi muito famosa antes de embarcar no universo dos filmes de baixo orçamento.

O interesse principal aqui, como você perceberá lendo, é que Vampira foi muito além de Ed Wood! O trabalho com o "pior diretor de todos os tempos" foi apenas uma fase, embora seja lembrada na posteridade por esta fase.

Também é delicioso conhecer detalhes dos anos 50 por quem realmente viveu lá. A lista de celebridades que ela cita é grande, além de expressões antigas como "Beard Lady" (Moças que andavam com casais amigos gays para ajudá-los a despistar fofocas).

Agradeço ao blog Vivir en Tucson que a traduziu para o espanhol e gentilmente permitiu que fosse republicada aqui no La Dolce Vita em português com leves alterações nos links remissivos. Divirta-se!

 

Nós nos encontramos com ela em um pequeno restaurante em Hollywood. Vampira, ou  Maila Nurmi (seu nome real), se tornou uma sensação na década de cinquenta. Conhecida como apresentadora de TV, atriz e confidente de muitas estrelas como James Dean, Elvis Presley, Tab Hunter e Troy Donahue, agora atende pelo nome de Helen Heaven e é dona de uma loja de antiguidades. Ela também escreve contos e, ocasionalmente, faz um cameo. O último pode ser visto no independente População 1 (René Daalder, 1986). Nós conversamos com ela sobre Hollywood, o Dia das Bruxas e os horrores cotidianos. 

- O que assusta Vampira? 
- Este século... Os ratos, morcegos, noites, aquelas coisas de tempestade não me assustam. Você me assusta com os hospitais, com câmaras de tortura, coisas assim. 

- Qual foi o seu Halloween mais memorável? 
- Lembro-me de um... Eu vivia com o meu primeiro marido em uma sala sobre uma garagem em Laurel Canyon. Os vizinhos me chamavam Irmã São Francisco, porque acolhia qualquer animal abandonado que encontrava. Conhecia todas as crianças do bairro, e naquele Halloween decidi ter iam em suas sacolas uma Coca-Cola, uma maçã, um doce, um presente e cookies. Nós esculpimos abóboras para colocar nas janelas e nos vestimos... E ninguém veio. No ano seguinte eu enviei convites de festas para 276 pessoas. 

- O que fazia Vampira antes de ser famosa? 
- Eu trabalhei por muitos anos como atendente em uma loja. Eu ganhei um monte de dinheiro, era boa de vendas. Escrevia-me a muitos testes,onde conheci pessoas muito interessantes, como a bailarina Lily St. Cyr. Também fui show girl em um show de Earl Carroll. 

- Como você criou seu personagem? 
- Meu primeiro marido, o roteirista Dean Riesner, teve a ideia de criar um personagem sexy do tipo Charles Addams. Ele disse: "Nós temos que levar Homebodies à televisão ". Depois fui para um festa - Baile do Caribe, apresentado por Lesley Horton, que naquele ano foi realizada no Teatro Aquarius. Lá conheci Hunt Stromberg Jr. (diretor de programação para KABC-TV). Eu queria fazer um programa com Charles Addams, mas ele disse:. "Não, queremos você".  Então preparamos Vampira para dar-lhe um ar hollywoodiano: Nós adicionamos um toque Bizarre (revista), colocamos salto alto, unhas longas e arranhões sangrentos em seu peito. Combinamos sexo e morte, os dois fatores principais.

 - Foi divertido? 
- Foi muito divertido. Usávamos a criatividade e recebíamos dinheiro. Isso foi ótimo.

 - Como você escolheu o nome?
 - Eu fiz uma lista... Tinha muito nomes vitorianos, mas eles não eram muito bons. Meu marido veio com o nome Vampira. No começo eu descartei, parecia um nome demasiadamente pretensioso. Outro nome descartado foi "Creeponia". Finalmente fiquei com Vampira.

Tab Hunter e casal de amigos
 - Hollywood era um lugar muito interessante nesses dias? 
- Não era mais interessante do que hoje. Você já viu Morgan Fairchild? Eu amo essa mulher.

 - Agora vemos o Fifties como "os anos dourados." 
- Naquela época os "anos dourados" foram os anos trinta. Contemplávamos fascinados O Jardim de Alá (o hotel e complexo de apartamentos de propriedade de Alla Nazimova): Esse era o centro de tudo no trigésimo Jardin e Chateau (Marmont, o hotel). Todos os que vinham para a cidade queriam ficar no Chateau. 

–  Você conheceu Tab Hunter e Troy Donahue. Como eram eles naquela época? 
- Ambos são bons atores, embora as pessoas não saibam... Troy foi um bom amigo e Tab ficou lá em casa por um tempo... Até eu fui sua “beard lady”... Antes, quando duas pessoas saiam (e queriam ser discretas) levavam junto ao companheiro uma “beard lady”  para tudo parecer mais platônico. Naquela época Tab saía com Stephanie Zimbalist. Eles eram apenas amigos, mas Tab estava muito preocupado com o que foi dito sobre ele nas revistas, você sabe ... Ah, eu adoro Tab, é tão adorável. A Confidential (revista) colocou na capa que Tab era anti-americano. Ele teria contrabandeado mercadorias para o Partido Comunista Chinês. Que era um pervertido, um ser escuro. Todo tipo de insultos sobre ele.

 - O que você pode me dizer sobre Nick Adams ? 
- Ele era odioso, detestável. Um tipo de Sammy Glick. Se ele visse que você tinha sucesso, colocava seus tentáculos sobre você e depois já não se conseguia livrar. Exceto se você tornou-se um “has-been” . 

- Elvis Presley?
 - Eu lembro de que peguei em sua mão quando ele foi vaiado na saída do Frointier em Las Vegas, em 1956 ... Eu fui um grande apoio para ele no momento. Era um homem grande, belíssimo... Mas teve muitas falhas. Ele não sabia como tratar as mulheres. Uma vez vi que tratava mal uma menina na frente de todo o mundo. Mais tarde, em privado, reprovei a sua atitude. Isso o irritou no momento, mas depois de um tempo corrigido, agradeceu-me e disse-me que seu comportamento com essa menina (e comigo) não estava correto. 

- Você saiu com pessoas conhecidas. Alguma vez você já teve que rejeitar uma proposta? 
- Fernando Lamas me ligou um dia e me convidou para comer fora. Não me pareceu apropriado para aceitar o convite, porque, embora soubesse de suas intenções, ele era casado na época. Agora eu lamento não ter ido jantar com ele, era um homem encantador. E Vince Edwards estava interessado em mim uma vez, mas eu descobri anos mais tarde. Acho que o meu amigo (que Vincent perguntou de mim) foi um pouco ciumento. 

- Nem sempre tudo foi algo emocionante. 
- Exatamente. Lembro-me de uma vez. Marlon (Brando) estava na Europa, vivendo aventuras e planejando se casar com a filha de um pescador francês. E enquanto isso eu estava aqui, pensando em sua volta, no tempo que passamos juntos. Ele estava sempre no meu apartamento. Passei horas sentada ao lado do telefone esperando que sua ligação, mas o telefone nunca tocou. Fiquei inquieta, verificando se o telefone funcionava corretamente (risos) ... Eu não podia sair com qualquer pessoa em seis meses. Em todo esse tempo eu estava lá fora, com Jimmy Dean... Não, não o chamei para sair, nós éramos apenas bons amigos. 

- Por que você acha que James Dean foi atraído por você? 
- Jimmy adorava o glamour. Todos os seus amigos tinham uma imagem glamourosa, Eartha Kitt, Ursula Andress, Vampira. Ele estava apaixonado por Pier Angeli, mas ela o deixou plantado.

 - Voltemos aos vampiros. Parece que esteve ligada a eles toda a sua carreira. 
- Me especializei. Até pela minha estrutura óssea tão dramática. Primeiro interpretei um vampiro na Broadway em Spook Scandals. Howard Hawks me levou a Hollywood para participar de Dreadfull Hollow, um filme sobre vampiros em Hollywood. Nunca chegamos a fazer. 

- Então veio Vampira. Bastante sucesso em festas a fantasia de Halloween. 
- Lembro-me de um ano que cheguei a receber mais de duas centenas de telefonemas de pessoas perguntando como se vestir de Vampira para o Halloween. No estúdio, me disseram para ligar para casa de Zsa Zsa Gabor para contar a sua empregada como obter parecer a Vampira. Liguei para sua casa naquela noite, e atendeu seu mordomo. Ele disse (imitando sotaque arrogante): "Desculpe, não posso chamar Elizabeth. Ela está muito ocupada com os pedaços do vestido da senhora Gabor.".

 - Quem foi a pessoa mais extraordinária que conheceu em Hollywood durante esses anos? 
- A pessoa mais notável que conheci não era uma pessoa. Ele era um deus que andou entre nós por um tempo. Não acho que James Dean fosse humano. Todo nós somos almas, espíritos reencarnados. Mas ele era um deus. Ele veio aqui para que nós aprendêssemos com ele.

 - O que ele teria a ensinarmos? 
- Eu acho que ele veio aqui para ensinar os adolescentes, para dizer-lhes como se comportar com seus pais.

 - Ele era uma presença forte na tela grande. 
- Eu me lembro dele enquanto se preparava para o seu papel no Assim Caminha A Humanidade (Giant). Ele raspou parte da cabeça, simulando a calvície. Andou por toda parte agachado como um homem velho. Vestia-se com roupas esfarrapadas. Quando as pessoas o viram exclamaram: "Você já viu James Dean recentemente? Parece que está com 60 anos". Ele vivia cada dia como se fosse o seu personagem. (*) 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Os Goonies encontram Ash

O quão fantástico é encontrar o gordinho de Os Goonies (1985 de Richard Donner) na contracapa do VHS de A Morte do Demônio (Evil Dead, 1981 de Sam Raimi)? Palmas aos designers da Coréia do Sul!

Asiáticos devem achar que todo mundo aqui no ocidente tem o mesma rosto... "Ei! Não é aquele carinha que tem os olhos esmagados? Talvez seja.", e ponto!

E Evil Dead tinham tão parcos recursos que são só essas fotos pra divulgação do Ash com uma garota (que não está no filme) em todo planeta. O resto do elenco já tinha abandonado o projeto, assim que cansaram das condições sofríveis na cabana.

A capa é um oferecimento Ghoul Basement

sábado, 12 de outubro de 2013

Todo mundo já foi criança. Até os Dreamlanders

Menino John Waters nos idos em que apavorava os subúrbios de Baltimore. Cresceu, cresceu e cresceu e não mudou quase nada!

Ao contrário de outros cineastas de sua geração, não ganhou do pai uma câmera Super 8 de presente na mais tenra idade. Waters treinou seus primeiros passos na arte dramática com fantoches. 

Contrariando biógrafos, sua mãe acreditava que o filme mais influente da carreira dele foi Lili (1953 de Charles Walters). Nessa maravilha do cinema camp hollywoodiano, Leslie Caron é uma menina solitária que contracena com bonecos manipulados.

O garoto assistiu Lili aos sete anos de idade e ficou interessadíssimo em contar histórias absurdas com seu próprio elenco de fantoches. Cresceu, cresceu e cresceu e não mudou quase nada!

A primeira imagem é um oferecimento Bizarro Central, a segunda Melferrer.com

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Quando a falha é de propósito

Era com certo orgulho que Billy Wilder contava ter cometido propositadamente erro de lógica em um de seus filmes e ninguém notou, ou comentou. Em Pacto de Sangue (Double Indemnity, 1944) aparece uma porta que se abre para fora!

Tanto em 2013 quanto em 1944 isso não faz sentido, mas serviu para a cena que ele criou ter mais tensão. Além de que, não haveria outro jeito de Phyllis (Barbara Stanwyck) se esconder num corredor de prédio e ser enquadrada pela câmera ao mesmo tempo que os outros personagens.

E conhecido pelas citações aos clássicos Hollywoodianos no que faz na TV, Silvio de Abreu cometeu o mesmo “erro” na minissérie com toques noir Boca do Lixo. Em 1990 foia vez de Silvia Pfeifer se esconder atrás da porta mágica.

Aí no caso dificilmente alguém pararia pra pensar que tem algo fora do normal. Entre tantas coisas absurdas nos treme-tremes do centrão de São Paulo, o de menos seriam dobradiças postas no lugar errado.

Veja também:
Boca do Lixo de Silvio de Abreu
A peruca da discórdia

AbFab, O Filme: Talvez sim, talvez não

Com tanta série chinfrim virando filme, porque não a britânica Absolutely Fabulous? Primeiro Jennifer Sauders, atriz, roteirista e co-criadora, declarou que não via motivo para adaptá-la ao cinema.

Numa entrevista publicada na semana passada ela teria dito que o programa iniciado em 1992 e com especiais esporádicos por anos pertence a um passado confortável. Não estava disposta a sair dele.

Chegou a usar a palavra “nunca”, o que frustrou os fãs. Ainda mais depois que a colega Joanna Lumley, a Patsy propriamente dita, afirmou que um argumento estava sendo delineado e que estaria dentro.

Na mesma entrevista Saunders ainda aproveitou para criticar a administração da BBC, canal que produziu e exibiu Absolutely Fabulous. Lamentou que na atual gestão eles estão mais preocupados com negócios do que com o fator artístico.

Enfim, nesta semana em entrevista a uma rádio da BBC, Jennifer Sauders mudou o discurso. Disse que está aberta a escrever um roteiro para um longa e que isto pode acontecer no próximo ano.

Seu maior temor é por causa das expectativas tão altas em cima de um projeto e que se preocupa em “bagunçar” a percepção que o público preserva do programa. Tem alguns projetos a serem desenvolvidos e que "Um deles pode ser o filme AbFab, eu Não sei.”.

Em 2001 a série gerou um longa metragem na França, chamado “Absolument fabuleux” (de Gabriel Aghion). Nesse filme as personagens Eddie e Patsy foram interpretadas por Josiane Balasko e Nathalie Baye respectivamente.

 No Brasil o programa foi um sucesso instantâneo ao ser exibido no canal Eurochannel da TVA em 1995. Os poucos episódios existentes na época reprisaram por anos a fio com ótimos resultados, numa espécie de efeito Chaves.

 Depois passou para o Multishow, Film & Arts e atualmente aparece nas madrugadas do GNT. Ainda na década de 90 chegaram a comentar que Cao Hamburguer prepararia uma versão brasileira do seriado para a TV Cultura de São Paulo.

Imagens são um oferecimento BBC

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

4 vezes Frances Conroy


“Dona de casa” em Crimes e Pecados (Crimes and Misdemeanors, 1989 de Woody Allen)
Ruth Fisher na série A Sete Palmos (Six Feet Under, 2001-2005)
Bootsie Carp , a empregada em Die, Mommie, Die! (2003 de Mark Rucker)
Moira O'Hara, Anjo da Morte, Myrtle Snow em American Horror Story (2011-2014)

Essa espetacular atriz estreou no cinema aos 26 anos, num papel sem nome em Manhattan (1979 de Woody Allen). Só ficaria conhecida em todo mundo aos 48 anos, como matriarca de família disfuncional na série A Sete Palmos (Six Feet Under, 2001-2005).

Aparentava ter muito mais idade como Ruth Fisher, mas isso faz parte do assombroso talento dramático. Indicada a quatro Emmy pelo papel, levou o Globo de Ouro em 2004, pela penúltima temporada.

Voltaria aos holofotes com outra série American Horror Story. Indo para a terceira temporada, ela deixou evidente que papeis muito pequenos não fazem a diferença, já que Conroy acaba se destacando de qualquer jeito.

Priorizando o teatro, também faz cinema esporadicamente. Correu o risco de ser indicada ao Framboesa de Ouro, como pior atriz coadjuvante por Mulher-Gato (Catwoman, 2004 de Pitof ), afinal, é uma excelente atriz, não uma milagreira.

 Veja também:
4 vezes Thelma Ritter
4 vezes Nancy Parsons
4 vezes Judith Anderson

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Rock Hudson e Sharon Stone juntos!

Só a fina flor! Pat Morita, James Earl Jones parecendo Don King, Rock Hudson e no colinho dele, Sharon Stone antes de qualquer merecimento de ter seu nome em destaque.

O anúncio do lançamento do VHS em 1989 no Brasil tem um quê de oportunismo mórbido, ostentando ali embaixo ser “Rock Hudson em seu último filme”. O ator havia voltado às notícias alguns anos antes como o primeiro grande astro a contrair AIDS.

A Guerra do Jogo (The Vegas Strip War, 1984 de George Englund) nem filme é! Trata-se de uma produção feita pra TV dos EUA, assim como os últimos trabalhos de Hudson.

Tinha cara de piloto para uma série estrelada pelo ator, mas não passou disso, sendo que ele faleceu no ano seguinte. Até pelo elenco conhecido, o telefilme recebeu certa notoriedade.

 La Stone tem sua primeira aparição assim, mostrando nome e as pernas. Só ficaria realmente famosa tempos depois, ao abri-las...

Ela voltaria ao tema cassino no filme dirigido por Scorsese após quase dez anos. Aquele que lhe rendeu um Globo de Ouro e sua primeira e única indicação ao Oscar.

R.I.P. Norma Bengell

Noite Vazia de Walter Hugo Khouri
A musa Norma Bengell faleceu nesta madrugada (dia 09) aos 78 anos, ao sucumbir a um câncer. Do teatro de revista do Carlos Machado a estrela de cinema internacional, Bengell foi uma das artistas mais completas do século passado.

Ao contrário de muitas das personagens que interpretou e das mulheres bonitas de sua época, soube na juventude ditar as regras de sua vida. O que contrasta com os últimos tempos difíceis que passou.

Terrore nello spazio de Mario Bava
Já muito famosa como uma das mais belas vedetes do Rio, teve uma foto publicada na capa de um disco sem a sua autorização. Fez um acordo judicial com a gravadora, ganhando o direito de se lançar como cantora em 1959.

No mesmo ano chegou ao cinema graças a uma similaridade que possuía com Brigitte Bardot. É fazendo uma sátira da atriz francesa que ela estreou em O Homem do Sputnik (1959 de Carlos Manga), chanchada estrelada por Oscarito.

Com o Cinema Novo entrou para a história ao se tornar a primeira atriz a aparecer completamente nua nas telas nacionais. A exposição da beleza plena de Bengell por longos minutos aconteceu no filme Os Cafajestes (1962 de Ruy Guerra).

Foi à Cannes por participar de O Pagador de Promessa (1962 de Anselmo Duarte), único filme do Brasil a ganhar a Palma de Ouro no festival. Passaporte para uma carreira internacional (sob apoio do lendário produtor Dino de Laurentis), conquista de poucas brasileiras.

Série norte-americana T.H.E. Cat
Trabalhou com grandes diretores europeus como Mario Bava e Eugenio Martín, sem deixar de trabalhar com os brasileiros Walther Hugo Khouri e Glauber Rocha em produções que se tornaram clássicas. Flertou com os EUA ao aparecer na série televisiva T.H.E. Cat, exibida entre 1966 e 1967.

Sua participação em telenovelas, caminho comum a atriz no seu país, nunca foi representativa. Teria sido Yolanda Pratini em Dancin’ Days (1978 de Gilberto Braga), uma das grandes vilãs de nossa TV, mas se desentendeu com o diretor Daniel Filho, abandonando a produção poucos dias antes da estreia.

Seguiu como um nome voltado quase que exclusivamente ao cinema, o que também não é uma tradição do Brasil ter estrelas cinematográficas. Acabou estreando como diretora em 1987 em Pagu, filme onde Carla Camuratti personificava Patricia Galvão, outra mulher á frente do seu tempo.

Rio Babilônia de Neville de Almeida
Bengell enfrentou uma tempestade ao dirigir O Guarani, produção de 1996. Os problemas com o longa começaram nas filmagens com atritos com o elenco, fracasso ao ser lançado e mais tarde problemas com o Ministério da Cultura pela captação de recursos.

Esse problema judicial se arrastou por anos, bloqueando seus bens, o que colabou com seus difíceis últimos anos.  Acabou tendo sua imagem explorada por programas de TV sensacionalistas.

Para o grande público apareceu pela última vez na série cômica da TV Globo Toma Lá Da Cá (2009) como a Deyse Coturno.  Uma imagem oposta à beldade glamorosa com que ficou famosa e que será eternamente lembrada.

Veja mais sobre Norma Bengell.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A difícil vida a dois 50’s

A gente sabe que para um casal, encontrar entretenimento sadio não é das tarefas mais fáceis... Mas esses dois exageram no dedo podre pra escolher.

Melhor ficar em casa jogando um gamãozinho, né? Curioso como a mulher invariavelmente serve de escudo, embora, teses sociais à parte, signifique apenas a economia de ideias na hora de criar uma ilustração para a capa.

Todas estas capas são de 1959 o que deixa a similaridade mais incrível ainda. Mês após mês as pessoas levavam a mesma coisa pra casa?

O apelo comercial era só o tipo de perigo a ser enfrentado? Parece que sim e não havia problema nisso.

A revista Man’s Life, que circulou entre os anos 50 e 60, fazia parte de uma tradição editorial. Antes da Playboy os rapazes sonhavam com aventuras pulp recheadas de ação e pitadas de erotismo com nazistas, animais selvagens e o que mais sua masculinidade implorasse.

 Em contrapartida, as moças se informavam em revistas de fofocas com estrelas de cinema, infalíveis truques para a receita de torta de frango ideal e dicas para plissar saias. Conselhos sentimentais poderiam interessar a ambos os sexos, mas só existia na delas.

Não devia ser fácil pertencer a qualquer gênero naqueles tempos.

A ideia para o post é um oferecimento David Martin. As imagens Neorelic.

Veja também:
Assuntos Masculinos
Cuidado com os russos
Outras capas sensacionais

Monstros e robôs gigantes sabor sushi de restaurante a quilo

Só mesmo na matemática ordinária de executivos hollywoodianos para a soma monstros gigantes mais robôs gigantes resultar num produto cansativo. Circulo do Fogo (Pacific Rim, 2013 de Guillermo del Toro) é um filme muito bonito de duas horas e tralalá que parecem seis!

Se for pra comparar com outros filmes, deixarei de lado os Kaiju que assombram o Japão faz tempo. Circulo de Fogo (trocadilhos infames com o título em português á parte) está mais para um pornozão metido a Cult.

Sabe? Daqueles que há oito cenas de sexo e entre elas é preciso ter diálogos. QUALQUER diálogo! Um falatório infinito e desinteressante até chegar ao pega pra capar.

No caso, a pancadaria entre monstros gigantes e robôs gigantes. Um roteiro tão óbvio e embasado em formulas que nos faz dar uns bons cochilos até chegar à parte que interessa.

Outro porém: Todos os personagens são caricaturas raciais ou comportamentais. Rasos, foram construídos com tudo o que erroneamente a maioria conhece sobre os tipos, tendo um resultado frio e consecutivamente de difícil empatia.

O russo (que puxa por uma perna) é um gênio das ciências pouco confiável, a japonesa (de cabelo Chanelzinho!) parece que vai sair dali e se acabar num karaokê, o coronel negro é durão, etc. Até o nerd tem óculos de aros grossos e só falta esmagar um sorvete na testa.

Tem algumas sequencias com multidões na China e boa parte dos figurantes aparentam ser japoneses! Norte-americanos continuam achando que além da sua fronteira, todo mundo é a mesma coisa.

Pacific Rim por Pacific Rim, ainda fico com este homônimo aqui. Muito mais divertido!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Trágica deusa do cinema chinês

Considerada a Greta Garbo da China, Ruan Lingyu (阮玲玉) é quase ignorada pela história do cinema que se atém a Hollywood e ciclos do que é produzido na Europa. A trajetória de Ruan Lingyu foi rápida, marcante e trágica como a de Jean Harlow, James Dean e Rudolph Valentino.

Nascida em 1910 numa família de operários humildes, ficou órfã de pai ainda criança, o que a fez ser obrigada a trabalhar como empregada doméstica. Aos 16 anos passou no primeiro teste para atriz.

Só iria deslanchar a partir de 1930, tornando-se o principal nome feminino da fase muda do cinema chinês. Diferente de Hollywood que inaugurou a fase sonora no final dos anos 20, tendo extinguido filmes mudos na próxima década, na China isso demoraria mais algum tempo.

Ruan Lingyu participava de histórias pouco glamourosas, transcorridas nas partes mais miseráveis de Xangai. Seu jeito natural (e físico) de interpretar é comparado ao estilo propagado por Marlon Brando muitos anos depois, só que Lingyu, evidentemente, jamais estudou no Actors Studio.

Ao todo participou de 29 filmes, dos quais, oito estão desaparecidos.
Frame de New Woman
O último lançado enquanto estava viva foi New Woman (新女性, 1934 de Cai Chusheng) sobre a história real da atriz Ai Xia que havia cometido suicido recentemente após ter sua vida devastada pela imprensa.

Meses depois, em 1935, a própria intérprete viu acontecer o mesmo consigo após processo judicial com o primeiro marido. Tabloides expuseram hostilmente amores e dores da atriz e o que mais encontraram de sensacionalista, na recatada China da década de 30.

Encurralada, Ruan Lingyu tomou uma overdose de barbitúricos,
entrando em óbito com apenas 24 anos de idade. Embora hoje contestado por alguns historiadores, teria deixado apenas uma linha como carta de suicídio onde dizia: “A Fofoca é uma coisa terrível!”.
Túmulo da atriz em Xangai
Como prova da incrível popularidade, seu cortejo fúnebre teve cerca de cinco quilômetros de tamanho. Pelo menos três fãs imitaram sua estrela e também se mataram naquele dia.

O New York Times escreveu que foi “O velório mais espetacular do século”. É provável que nem o do hollywoodiano Rudolph Valentino em 1926, tão comentado aqui no ocidente, tenha se igualado em termos de estardalhaço social.

A primeira imagem é um oferecimento I.MTime.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Imagens de Planeta dos Macacos ao vivo!


E claro que além de toda a sorte de subprodutos o fenômeno O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 1968 de Franklin J. Schaffner) também gerou espetáculos ao vivo! O material deste post é referente às apresentações na Grã Bretanha.

Pelo volume de gente que se vê no vídeo (excelente Super 8 amador!), foi um sucesso gigantesco. Mesmo tendo sido feitos a partir de 1975, no embalo da série de TV, muito depois do filme original e a primeira grande febre símia.

A princípio, a presença física dos macacos era justamente para promover a versão televisiva, mas continuou acontecendo por três anos. Foi muito além do seriado, que durou apenas uma temporada.

Os shows faziam parte de caravanas circenses e parques, não chegaram a entrar em cartaz como uma peça de teatro. Havia interação direta com o público (além do momento de tirar fotos com seus macacos mais amados) e encenações de ação envolvendo astronautas e cavalos.

 Incrível como após toda a exploração de marketing desde 68 os personagens ainda tinham tanto fôlego. E mais: Como é que as crianças, na época o público majoritário como se percebe nesse material, que geralmente têm medo de qualquer palhacinho não tinham medo dos macacos?

Ou quase não tinham medo...

Todas as imagens são oferecimento planetoftheapeswikia

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Lado sombrio de John Williams

Com quase meia centena (!!!) de indicações ao Oscar, John Williams tem seu nome marcado para a eternidade na história do cinema. Mesmo sem saber seu nome, é provável que boa parte da população terrestre consiga assoviar quatro ou cinco de suas composições.

Poucos compositores de trilhas sonoras têm uma carreira representativa tão duradoura. Mas olha, embora possamos nos confundir com os temas de Star Wars com Superman e Indiana Jones, nada se compara ao “mais do mesmo” que o senhor tem feito nos últimos 20 anos.

 Banais, suas últimas trilhas nem de longe remetem ao brilhantismo de Tubarão (Jaws, 1975) ou E.T. - O Extraterrestre (E.T. the Extra-Terrestrial, 1982), ambos de Steven Spielberg. Em hipótese alguma o compositor merece ter seus antigos trabalhos desmerecidos pelo que apresenta na atualidade.

Ignorada por premiações, Drácula (Dracula, 1979 de John Badham) tem uma música injustamente pouco lembrada embora um momento memorável do compositor. Ouça no player abaixo (ou clicando aqui) a faixa“The Love Scene”, sombria, fresca e ainda com seu estilo tão marcado.


 É possível reconhecer nesta trilha citações a composições de John Badham para os Drácula da Hammer Films. Também é possível reconhecer algo do Williams daqui no que Wojciech Kilar fez em 1992 para o filme homônimo de Francis Ford Coppola.

A segunda imagem é um oferecimento Pongphun Chaigul

Veja também:
O Drácula de 1979
Trilha sonora do medo

O que há na música favorita de Norman Bates?
Filmes B trilhas sonoras A

[Ouvindo: Pé de Cedro – Duduca e Dalvan]

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Momento Ratinho: O bebê de Mia Farrow

E depois de tanto tempo, parece que agora a Mia Farrow resolveu dar o troco a Woody Allen! Disse à revista Vanity Fair que seu filho Ronan, de 25 anos, ~talvez~ seja de Frank Sinatra.

Farrow e Sinatra foram casados na década de 60. Com Allen, ela se relacionou de 1980 a 1992, quando estourou o escandaloso romance dele com uma de suas filhas.

Segundo a atriz, nunca fizeram exame de DNA para esclarecer a paternidade de 1988. Só de olhar as fotos, até com um gif animado, conseguimos preciosa pista.


 Eu ia fazer outro comparando com foto do Woody Allen, mas nem teria graça. Cantamos juntos “parabéns pro papai” em ritmo de New York, New York?

A primeira foto é um oferecimento Listal.

[Ouvindo: Cry Me A River – Joe Cocker]

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Túnel do tempo ou na gôndola do mercado

Uma paixão: produtos ainda no mercado que não atualizam suas embalagens há muuuuito tempo. Grampos de cabelo Gigita, por exemplo!

Inventaram a pílula anticoncepcional, começou e acabou a ditadura militar, tivemos as Diretas Já, caiu o Muro de Berlim, Impeachment de um presidente, chegou a internet, trocamos de Papa três vezes e a moça da Gigita continuou a mesma! Mais vigorosa que a Gina, que ganhou recauchutada recente.

Chutaria, pela sobrancelha afinada principalmente, que se trata dos anos 70. Mas entrando na página da marca há uma ostentação de “55 anos” (1958), então, fiquei na dúvida se não seria algo dos anos 60...

Me encanta também a recomendação de que se trata de um produto para "uso externo". E não consigo pensar em outro uso além de segurar bob's, prender cabelo e abrir fechadura em filmes de detetive.

Enfim, se o produto for tão duradouro quanto o designe da embalagem... Olha, minha senhora!!! Ninguém precisa nunca mais comprar grampos de cabelo na vida (se não precisar de mais do que 100, claro!).

Veja também:
Tá nervosinha? Maracugina
Hené Maru na cabeça do Brasil
Gina e Sal Cisne
Segredinho dos cabelos 40's


[Ouvindo: Adventure – Mark Wirtz Orchestra]

Cidadezinha contra deus pagão (ou quase)

Imagem masculina do deus babilônico Ishtar ornamentando um subúrbio de New Jersey. Mas já a vimos, numa situação bem mais glamorosa.
foto promocional de O Filho Pródigo, 1955
Na verdade, esta estátua não se trata exatamente de objeto de culto religioso. É um adereço cênico, confeccionado para um filme da Lana Turner.

Mais precisamente, O Filho Pródigo (The Prodigal, 1955 de Richard Thorpe ). Inspirado na conhecida parábola bíblica, a produção aproveitava a onda de épicos em Cinemascope, sendo o primeiro da atriz neste formato.
A estátua em Atlântica, Continente Perdido, 1961
Aparecem duas imagens iguais. Uma estatueta de menos de um metro e essa gigantesca que fica no topo de uma escadaria de onde são feitos sacrifícios humanos em berrante Technicolor.

Um fiasco de bilheteria ao nível da opulência típica hollywoodiana da época. Como era de costume, o estúdio MGM reaproveitou objetos de cena, figurinos e mais o que podia para balancear os custos.

Assim, o “deus da fertilidade, amor, guerra e sexo” pôde ser visto também em filmes como a aventura juvenil Atlântica, Continente Perdido (Atlantis, the Lost Continent, 1961 de George Pal). Nesse, no lugar da cabeça da serpente aparece um espelho, o que talvez explique como ela se encontra hoje.

Capa de disco de 1988
De lá pra cá, ainda surgiu na capa de um disco de punk 80’s! Pelo que se vê na foto, (já estava sem a cabeça da serpente) está decorando a fachada de uma agência de turismo (que prometia viagens tranquilas!), o que condiz com a história de como ela chegou até a pequena cidade de Lumberton em Nova Jersey.

Segundo notícias, um lenhador chamado Denney Van Istendal a comprou da tal agência em 2011. Pagou cerca de dois mil dólares, mais três mil de transporte e levou a escultura de mais de três metros pra sua casa.

Não há informações de que se trate de um fã de Lana Turner, cinéfilo radical ou apenas uma pessoa de gostos exóticos. Não demorou muito para a vizinhança começar a ficar agitada ao dividir espaço com tal figura.

Mesmo dentro do quintal, a cabeça ostentando os enormes chifres é vista ao longe. O que poderia virar uma excêntrica atração turística tornou-se quase caso de polícia, com a prefeitura tendo que intervir.
Com os habitantes se referindo ao objeto cênico como "desprezível", "demoníaco", "uma monstruosidade" e "obsceno", teve ainda quem denunciasse porque assustou os seus cavalos que pastavam perto. Por ordens municipais, o dono ficou proibido de expor qualquer parte que seja da imagem, mesmo ela estando em seu quintal.

Van Istendal prometeu recorrer, mas parece que perdeu, ou desistiu. O grande Isthar foi levado para a porta de um bar na Filadélfia, e lá deve repousar por mais algumas décadas.

A ironia máxima é que ela foi fabricada para decorar um filme que propagava a fé cristã, não pra servir de adoração ao que quer que seja. Fica aquela vela sensação de que as pessoas se apegam ao óbvio, ao visível (uma figura de aparência demoníaca) do que ao real (um mero resto de cenário de uma produção hollywoodiana).

A primeira imagem é um oferecimento Colonel Tusker's Blog, a segunda Vintage Legal, a quarta Rare Punk e a quinta Volusia Riders.

[Ouvindo: Menino do Rio – Baby Consuelo]